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Capítulo 3 Apresentação do equipamento

3.4. Módulos rectificadores switching SM2000

3.4.1. Rectificadores com factor de potência unitário

3.4.1.3. Princípio de funcionamento de um conversor boost

A figura 3.10 a) mostra as formas de ondas ideais da tensão e corrente de entrada de um conversor boost. A figura 3.10 b) mostra as formas de onda da corrente e tensão rectificadas.

a)

b)

Figura 3.10 – Formas de onda ideais de um conversor boost: a) Tensão 𝒗𝒗𝒔𝒔 e corrente 𝒊𝒊𝒔𝒔 de entrada; b)

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

O princípio básico da operação é bastante simples. Na entrada da alimentação a corrente 𝑖𝑖𝑠𝑠 pretende-se sinusoidal e em fase com 𝑣𝑣𝑠𝑠, como exibe a figura 3.10 a). Assim, à saída da

ponte rectificadora 𝑖𝑖𝐿𝐿 e |𝑣𝑣𝑠𝑠| têm a mesma forma de onda, figura 3.10 b). Na realidade, as

perdas de potência na ponte rectificadora e no conversor boost são relativamente pequenas. Isto é demonstrado na seguinte análise teórica. Das formas de onda da figura 3.10 b), onde 𝑉𝑉�𝑠𝑠= √2 𝑉𝑉𝑠𝑠 e 𝐼𝐼̂𝑠𝑠 = √2 𝐼𝐼𝑠𝑠, a potência de entrada 𝑝𝑝𝑖𝑖𝑖𝑖(𝑡𝑡) da alimentação c.a. é,

𝑝𝑝𝑖𝑖𝑖𝑖(𝑡𝑡) = 𝑉𝑉�𝑠𝑠 |𝑠𝑠𝑖𝑖𝑖𝑖(𝑤𝑤𝑡𝑡)| × 𝐼𝐼̂𝑠𝑠 |𝑠𝑠𝑖𝑖𝑖𝑖(𝑤𝑤𝑡𝑡)| = 𝑉𝑉𝑠𝑠𝐼𝐼𝑠𝑠− 𝑉𝑉𝑠𝑠𝐼𝐼𝑠𝑠cos(2𝑤𝑤𝑡𝑡) (3.1)

Devido à grande capacidade de 𝐶𝐶𝑉𝑉, a tensão 𝑣𝑣𝑉𝑉 pode ser inicialmente assumida como

constante, ou seja, 𝑣𝑣𝑉𝑉(𝑡𝑡) = 𝑉𝑉𝑉𝑉. Deste modo, a potência de saída é,

𝑝𝑝𝑉𝑉(𝑡𝑡) = 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑖𝑖𝑉𝑉(𝑡𝑡) (3.2)

onde na figura 3.9,

𝑖𝑖𝑉𝑉 (𝑡𝑡) = 𝐼𝐼𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑉𝑉 + 𝑖𝑖𝑐𝑐(𝑡𝑡) (3.3)

Se o conversor boost da figura 3.9 for assumido como ideal e a operar com uma frequência de comutação perto do infinito, o valor de 𝐿𝐿𝑉𝑉 será insignificantemente pequeno.

Isto permite assumir que, instantaneamente, na figura 3.9, 𝑝𝑝𝑖𝑖𝑖𝑖(𝑡𝑡) = 𝑝𝑝𝑉𝑉(𝑡𝑡). Assim, das

equações (3.1) e (3.3),

𝑖𝑖𝑉𝑉 (𝑡𝑡) = 𝐼𝐼𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑉𝑉 + 𝑖𝑖𝑐𝑐(𝑡𝑡) =𝑉𝑉𝑉𝑉𝑠𝑠𝐼𝐼𝑠𝑠

𝑉𝑉 −

𝑉𝑉𝑠𝑠𝐼𝐼𝑠𝑠

𝑉𝑉𝑉𝑉 cos⁡(2𝑤𝑤𝑡𝑡) (3.4)

onde o valor médio de id é,

𝐼𝐼𝑉𝑉 = 𝐼𝐼𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑉𝑉 =𝑉𝑉𝑉𝑉𝑠𝑠𝐼𝐼𝑉𝑉𝑠𝑠 (3.5)

e a corrente no condensador,

𝑖𝑖𝑐𝑐 (𝑡𝑡) = −𝑉𝑉𝑉𝑉𝑠𝑠𝑉𝑉𝐼𝐼𝑠𝑠cos(2𝑤𝑤𝑡𝑡) = −𝐼𝐼𝑉𝑉cos⁡(2𝑤𝑤𝑡𝑡) (3.6)

Apesar de esta análise ser realizada pressupondo que a tensão no condensador é livre de

ripple, este pode ser estimado da equação 3.6 como,

𝑣𝑣𝑉𝑉,𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝𝑝𝑝𝑙𝑙𝑟𝑟 (𝑡𝑡) ≈ 𝐶𝐶1𝑉𝑉∫ 𝑖𝑖𝑐𝑐𝑉𝑉𝑡𝑡 = −2𝑤𝑤𝐶𝐶𝐼𝐼𝑉𝑉𝑉𝑉𝑠𝑠𝑖𝑖𝑖𝑖(2𝑤𝑤𝑡𝑡) (3.7)

O valor de ripple pode ser mantido baixo aplicando um elevado valor para 𝐶𝐶𝑉𝑉. Como o

objectivo é modular a corrente de entrada, o conversor boost funciona no modo de controlo de corrente [20].

O diagrama de blocos deste controlo é apresentado na figura 3.11, onde 𝑖𝑖∗

𝐿𝐿 é a referência

ou o valor desejado da corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 da figura 3.9. Aqui, 𝑖𝑖∗𝐿𝐿 tem a mesma forma de onda que

|𝑣𝑣𝑠𝑠|. A amplitude de 𝑖𝑖∗𝐿𝐿 deve ser de valor suficiente para manter a tensão de saída no valor

desejado ou no nível de referência V∗

d, apesar das variações na carga e das flutuações do

valor nominal da tensão de alimentação. A forma de onda de 𝑖𝑖∗

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

multiplicando pelo erro do valor de referência 𝑉𝑉∗

𝑉𝑉 e o valor actual de Vd. O estado de

comutação do conversor boost é controlado comparando o valor da corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 com 𝑖𝑖∗𝐿𝐿.

Quando 𝑖𝑖∗

𝐿𝐿 e 𝑖𝑖𝐿𝐿 estão disponíveis, existem diversas vias para implementar o modo de

controlo de corrente do conversor boost.

Figura 3.11 – Diagrama de blocos de controlo.

O controlo de frequência constante é, de longe, a forma mais utilizada de implementar o modo de controlo de corrente, onde 𝑓𝑓𝑠𝑠 é a frequência de comutação e 𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝 é o ripple pico a

pico da corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 durante um período da frequência de comutação. Neste modo, 𝑓𝑓𝑠𝑠 é

mantida constante e quando 𝑖𝑖𝐿𝐿 chega a 𝑖𝑖∗𝐿𝐿, o semicondutor comandado do conversor boost é

desligado. Este é ligado novamente por um relógio à frequência fixa 𝑓𝑓𝑠𝑠, resultando na

corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 da figura 3.12 a).

Na prática, no modo de controlo de corrente uma compensação da inclinação é adicionada ao controlo da tensão, caso contrário a corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 seria irregular (slope

compensation ramp), [20].

Durante um período da frequência de comutação, a tensão de saída assume-se como constante, 𝑉𝑉𝑉𝑉, e a tensão de entrada do conversor boost é assumida como constante durante

esse intervalo de tempo.

As equações que seguem podem ser escritas da figura 3.9 durante o intervalo 𝑡𝑡𝑙𝑙𝑖𝑖e o

intervalo 𝑡𝑡𝑙𝑙𝑓𝑓𝑓𝑓 do semicondutor comandado:

𝑡𝑡𝑙𝑙𝑖𝑖 =𝐿𝐿𝑉𝑉|𝑣𝑣𝐼𝐼𝑠𝑠𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝| (3.8)

𝑡𝑡𝑙𝑙𝑓𝑓𝑓𝑓 =𝑉𝑉𝐿𝐿𝑉𝑉𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝

𝑉𝑉−|𝑣𝑣𝑠𝑠| (3.9)

onde a frequência de comutação 𝑓𝑓𝑠𝑠 é dada por,

𝑓𝑓𝑠𝑠=𝑡𝑡𝑙𝑙𝑖𝑖+𝑡𝑡1𝑙𝑙𝑓𝑓𝑓𝑓 =(𝑉𝑉𝐿𝐿𝑉𝑉𝑉𝑉−|𝑣𝑣𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝𝑠𝑠|)|𝑣𝑣𝑉𝑉𝑉𝑉𝑠𝑠| (3.10)

Num esquema de controlo de frequência constante, 𝑓𝑓𝑠𝑠 na equação (3.10) é constante e

assim,

𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝 =(𝑉𝑉𝑉𝑉𝑓𝑓− |𝑣𝑣𝑠𝑠|)|𝑣𝑣𝑠𝑠| 𝑠𝑠𝐿𝐿𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉

A figura 3.12 b) mostra 𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝 normalizado em função de |𝑣𝑣𝑠𝑠|/𝑉𝑉𝑉𝑉, notando que num

conversor boost |𝑣𝑣𝑠𝑠|/𝑉𝑉𝑉𝑉deve ser menor ou igual a 1. O máximo ripple de corrente é dado

como, 𝑉𝑉𝑉𝑉(actual) 𝑉𝑉∗𝑉𝑉 Error 𝑖𝑖∗ 𝐿𝐿(t) 𝑖𝑖𝐿𝐿(actual) Switch control signal PI

Regulator Multiplier Current-Mode Control |vs|

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𝐼𝐼𝑟𝑟𝑖𝑖𝑝𝑝 ,𝑚𝑚𝑙𝑙𝑚𝑚 =4𝑓𝑓𝑉𝑉𝑠𝑠𝑉𝑉𝐿𝐿𝑉𝑉 quando |𝑣𝑣𝑠𝑠| =12𝑉𝑉𝑉𝑉 (3.11)

Neste circuito do conversor boost, as seguintes observações adicionais devem ser feitas: • A tensão de saída 𝑣𝑣𝑉𝑉 no condensador 𝐶𝐶𝑉𝑉 contém um ripple de 100Hz. A malha de

controlo usada para regular 𝑉𝑉𝑉𝑉 no valor desejado não consegue compensar este ripple

de tensão sem distorcer a corrente do lado da alimentação.

• Uma frequência de comutação alta permite um baixo valor de 𝐿𝐿𝑉𝑉 e uma maior

facilidade para filtrar ripple de alta frequência.

• A topologia do conversor boost é adequada para modelar a corrente de entrada porque quando o semicondutor comandado não se encontra a conduzir, a corrente de entrada através do díodo alimenta a saída deste conversor. No modo de controlo de corrente a frequência constante, o duty-cycle 𝑉𝑉 em função de 𝑤𝑤𝑡𝑡 é mostrado na figura 3.12 c), onde neste tipo de conversor com uma tensão de entrada |𝑣𝑣𝑠𝑠| e uma tensão

de saída 𝑉𝑉𝑉𝑉, (|𝑣𝑣𝑠𝑠|/𝑉𝑉𝑉𝑉) = 1 − 𝑉𝑉.

𝑉𝑉 = 1 −|𝑣𝑣𝑠𝑠|

𝑉𝑉𝑉𝑉 (3.12)

Deste modo, a figura 3.12 c) mostra que d é mais pequeno no pico de 𝑖𝑖∗

𝐿𝐿. Assim,

os maiores valores de 𝑖𝑖𝐿𝐿 apenas fluem através do semicondutor comandado durante

uma pequena fracção do período de comutação.

• Um pequeno condensador deve ser usado na saída da ponte rectificadora de díodos como filtro para prevenir que o ripple da corrente 𝑖𝑖𝐿𝐿 passe para a alimentação de

entrada. Um filtro EMI continua a ser necessário na entrada, como num circuito convencional sem PFC.

a)

b) c)

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Outras vantagens da utilização de um conversor boost podem ser sumarizadas como se segue:

• A tensão de saída, 𝑉𝑉𝑉𝑉, pode ser estabilizada perto de um valor constante para

variações da tensão de entrada.

• Devido a ausência de grandes picos na corrente de entrada, o tamanho dos componentes de filtro EMI é menor.

• Para o mesmo ripple na tensão vd apenas 1 3⁄ ou 1 2⁄ da capacidade do condensador

𝐶𝐶𝑉𝑉 é necessária comparando com o circuito convencional, resultando num menor

tamanho.

O sucesso comprovado do conversores boost conduziu ao desenvolvimento de outro tipo de conversores que vão ao encontro dos requisitos de certas aplicações onde é necessário um fluxo de potência bidireccional. Convencionalmente, estes conversores são usados em algumas das aplicações como UPS ou meios de transporte como o metro.