Nesse tópico iremos trabalhar uma dos temas mais importante do Direito.
Para Miguel Reale "princípios são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, a aplicação e integração ou mesmo para a elaboração de novas normas. São verdades fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas também por motivos de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis".
José Cretella Jr. afirma que "princípios de uma ciência são as proposições básicas fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturações subsequentes. Princípios, nesse sentido, são os alicerces da ciência.”
Os princípios são, portanto, regras que estabelecem limites, visando compreender e interpretar as ideias do legislador.
No geral, pode-se afirmar que os princípios têm funções informadoras, normativas e interpretativas.
Função informadora: tem como objetivo inspirar o legislador e dar fundamento para normas jurídicas;
Função normativa: irá atuar nas lacunas e omissões da lei. Ex: no caso de o Juiz não conseguir aplicar a lei no caso concreto ele poderá se valer dos princípios.
Função interpretativa: tem como objetivo servir de critério orientador aos intérpretes e para aqueles que irão aplicar a lei. Exemplo claro é o art. 8º da CLT, determina que na falta de disposições legais ou contratuais o intérprete pode socorrer-se dos princípios do Direito do Trabalho.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 14 5.1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO DO TRABALHO
Após entendermos que princípio é a base, dentro do ordenamento jurídico, vejamos agora quais são os princípios constitucionais do processo do trabalho.
Isonomia ou Igualdade;
Devido Processo Legal Art. 5º, LIV, CF.;
Motivação das Decisões Judiciais. Art. 93, IX, CF;
Princípio do Juiz Natural art. 5º, LIII, CF;
Razoável Duração do Processo art. 5º, LXXVIII;CF.
Inafastabilidade do Poder Judiciário art. 5º, XXXV, CF.;
Princípio da Isonomia ou da Igualdade
O princípio da igualdade prevê a igualdade de aptidões e de possibilidades dos cidadãos em gozar de tratamento isonômico pela lei. Por meio desse princípio são vedadas as diferenciações arbitrárias e absurdas, não justificáveis pelos valores da Constituição Federal, e tem por finalidade limitar a atuação do legislador, do intérprete ou autoridade pública e do particular. Vejamos o que diz o caput do artigo 5º da Constituição Federal.
Princípio do Devido Processo Legal
Esse princípio está expresso no artigo 5º, LIV da CF que aduz:
Princípio da Motivação das Decisões Judiciais
O referido princípio está expresso no artigo 93, IX da Constituição Federal, vejamos :
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
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Princípio do Juiz Natural
Tal princípio preceitua que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. O princípio está expresso no artigo 5º, LIII da Constituição Federal.
Princípio da Razoável Duração do Processo
O princípio está disposto no artigo 5º, LXXVIII da Constituição Federal.
Princípio Inafastabilidade do Poder Judiciário
Por fim, o princípio da inafastabilidade do poder judiciário que tem previsão no artigo 5º, XXXV , da Constituição Federal.
Vamos agora para o nosso último tema, preparado?
5.2 PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 16 Após estudarmos os princípios constitucionais do Processo do Trabalho, vejamos agora os princípios PRÓPRIOS do Direito Processual do Trabalho.
Vamos analisar cada um deles. Preparados?
A) Princípio da celeridade – sabemos que o processo tem como objetivo buscar a satisfação de um determinado direito material, por se tratar de direitos sociais do trabalhador, como por exemplo, salário, horas extras etc. Estamos falando de verbas de natureza alimentar, assim sendo o processo deverá ser mais rápido.
B) Princípio da informalidade - Na justiça do trabalho visando o cumprimento do princípio da celeridade já mencionado temos que, no processo trabalhista não existe em determinadas situações a exigência formal. Podemos citar como exemplo, apresentação da contestação que poderá ser oral no momento da audiência e ainda o famoso agravo retido no Direito Civil que para o Direito Processual do Trabalho é substituído pelo simples protesto que será estudado mais a frente.
C) Princípio protecionista - trata da proteção no campo processual, estabelecendo normas que objetivam proteger o trabalhador, garantindo prerrogativas processuais devido à hipossuficiência que este possui.
D) Princípio Conciliatório - a CLT determina que, sob pena de nulidade, a conciliação seja obrigatoriamente tentada pelo juiz do trabalho, tanto nos dissídios individuais como nos coletivos, em dois momentos: na audiência, antes da apresentação da resposta pela reclamada (art. 846 da CLT), e após a eventual apresentação de razões finais (art. 850 da CLT).
Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 17 E) Princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias – no processo do trabalho, em regra, esse princípio ensina que as decisões interlocutórias não ensejam, de imediato, a interposição de qualquer recurso, permitindo a apreciação do seu merecimento em recurso de decisão definitiva, conforme art. 893, §1º, da CLT. Porém, essa regra encontra exceções previstas no art. 799, §2º, da CLT e na Súmula 214 do TST.
F)
Princípio do ius postulandi da parte – conforme o art. 791 da CLT, as partes poderão reclamar e acompanhar pessoalmente, perante a Justiça do Trabalho, sem a presença de advogado, suas reclamações trabalhistas do início ao fim do processo. Parte significativa da doutrina entende que como o Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.Art. 893, § 1º - Os incidentes do processo são resolvidos pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se a apreciação do merecimento das decisões interlocutórias somente em recursos da decisão definitiva.
Art. 799,§ 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final.
Súmula nº 214 do TST - Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 18 dispositivo não estabelece qualquer limite, as partes poderiam utilizar o ius postulandi até o TST, inclusive em grau de recurso de revista.
É importante observar que o referido artigo trata apenas de empregados e empregadores, assim sendo, a representação das partes por advogado será obrigatória, para as novas ações acrescidas à competência da Justiça do Trabalho pela EC 45/2004.
O ius postulandi sofreu limitação no entendimento do TST, conforme se observa pela redação da recentemente editada súmula 425.
G) Princípio inquisitivo ou inquisitório – atribui ao juiz à função de incentivar o processo, na busca da solução do litígio. Esse princípio está consubstanciado no art. 765 da CLT, segundo o qual os juízos e tribunais do trabalho terão extensa liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento da lide.
H) Princípio da Concentração - segundo o princípio da concentração, no Processo do Trabalho, em audiência concentram-se os atos de conciliação, defesa, provas, razões finais e sentença. A CLT previu a audiência como una ou única, conforme art. 849.
Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.
Súmula 425, TST - O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.
Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.
Art. 849 - A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente
marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 19 I) Princípio da oralidade - apesar de não haver previsão expressa, o referido princípio possui grande destaque no Processo do Trabalho. Encontra-se implícito: na possibilidade de se apresentar reclamatória trabalhista verbal (artigo 840, §2º, CLT – princípio da informalidade), nas tentativas conciliatórias (art. 846 da CLT e 850, CLT); na possibilidade de a defesa ser apresentada de forma oral em audiência (artigo 847, CLT); nas provas que são produzidas de forma oral (depoimento das partes, oitiva de testemunhas) e nas razões finais que são apresentadas de forma oral, em 10 minutos (art. 850, CLT).
J) Princípio da Pertetuatio Jurisdictionis - a competência absoluta (em razão da matéria, da pessoa e da função) é imutável, sendo determinada no momento da propositura da ação, salvo nas hipóteses de supressão de órgão judiciário ou alteração da competência em razão da matéria e/ou da hierarquia.
A hipótese de supressão de órgão judiciário equipara-se a criação de vara no trabalho em casos que antes eram inexistentes.
Art. 840 - § 2º - Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em 2 (duas) vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que couber, o disposto no parágrafo anterior.
Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.
Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.
Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 20 Quando houver supressão do órgão judiciário, criação de vara do trabalho ou alteração da competência em razão da matéria, todas as ações deslocar-se-ão para o novo juízo competente. Apenas quanto às ações que se tornaram de competência da Justiça do Trabalho com a EC 45/2004, por razões de política judiciária, o deslocamento para a Justiça do Trabalho dá-se exclusivamente quanto aquelas ainda não sentenciadas.
K) Princípio da Estabilidade da Lide - esse princípio informa o limite do momento processual em que o autor poderá modificar a petição inicial após a propositura da ação. No Processo do Trabalho não há despacho saneador e a defesa é apresentada em audiência, sendo assim, o último momento para o autor modificar a petição inicial é em audiência, antes da apresentação da defesa. Neste caso, deve o juiz, conceder prazo não inferior a cinco dias para que o réu se manifeste quanto às alterações.
L) Princípio da Eventualidade - está previsto no art. 336 da CPC, o qual prevê que toda matéria de defesa deve ser aduzida na contestação.
M) Princípio da Finalidade ou da Instrumentalidade das formas - quando a lei prevê determinada forma para a prática do ato processual, sem cominar nulidade, o ato será considerado válido, se alcançar a sua finalidade, mesmo sendo realizado de outro modo.
N) Princípio da Busca da Verdade Real - É pela aplicação deste princípio que é possível invalidar recibos de pagamento, quando as testemunhas demonstram que não refletem a verdade real. Da mesma forma, quando contraditória a prova documental, prevalece a prova testemunhal.
Art. 336, NCPC - Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 21 O) Princípio da Extrapetição - autoriza que o juiz condene o reclamado a pedidos que não constam na petição inicial do reclamante, como, os juros e correção monetária que serão computados ainda que autor não formule pedido nesse sentido e, mais, mesmo que o juiz não os inclua na sentença serão incluídos nos cálculos de liquidação.
P) Princípio da Preclusão – este princípio está explicito no art. 879, §2º, da CLT, que assim prevê:
A maior parte doutrina aponta a existência de, pelo menos, três tipos de preclusão:
1) preclusão consumativa – provém do próprio ato processual, em que a parte não pode praticar o mesmo ato processual duas vezes.
2) preclusão temporal – quando o ato processual não é praticado dentro do prazo previsto.
3) preclusão lógica – quando a prática de um ato processual não é compatível com um ato processual anterior.
Q) Princípio da inércia ou dispositivo da demanda: de acordo com o art.
2º, CPC, nenhum juiz apresentará a tutela jurisdicional senão quando a parte a requerer, nos casos e formas legais. Logo, o processo tem início a requerimento da parte, entretanto, evolui por impulso oficial.
Art. 879, §2º - Elaborada a conta e tornada líquida, o Juiz poderá abrir às partes prazo sucessivo de 10 (dez) dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão”.
Art. 2º - O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Roberto Conceição 22 R) Princípio da identidade física do juiz – Traz que o juiz que dirigiu a causa e finalizou a instrução probatória necessariamente deverá pronunciar a sentença. Levando em consideração que é na indagação direta das partes e testemunhas que o magistrado consegue firmar o seu convencimento, obtendo a verdade real, na maior parte das vezes não reportada nas atas de audiências, torna este princípio indispensável.