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2.3.1| Princípios básicos do Design Gráfico

De acordo com Richard Poulin (2012), os princípios do Design Gráfico são a estrutura sobre a qual se aplicam elementos variados de forma apropriada e eficaz, como propensão para a criação de mensagens percetíveis e com significado.

O autor completa ainda (p.12, tradução livre da autora) que "(...) somos ensinados desde

tenra idade sobre os princípios e elementos da comunicação escrita e verbal. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito relativamente à comunicação visual. No entanto, tal como nos ensi- naram as bases da ortografia, gramática e sintaxe, também podemos ser instruídos acerca dos mesmos fundamentos da comunicação visual".

Seguindo este raciocínio, existem alguns parâmetros que podem ser estudados relativa- mente a esta área da comunicação visual, para o seu correto desenvolvimento e aplicação. Aspetos como simetria, assimetria, expressão, abstração, tom, contraste, luz, imagem, padrão e tipografia fazem parte de alguns dos princípios do design gráfico, assim como o ponto, linha, forma, planos, escalas, texturas, cores, figuras, proporções - entre muitos outros elementos que servem como - e formam - um vocabulário visual. Fazem parte de dito vocabulário de um de- signer todos os elementos referidos, sendo que unidos formam o conteúdo necessário para a formulação da mensagem visual.

Apesar de não existirem regras fixas, métodos inflexíveis e uma rigidade em termos de construção, conteúdo ou apresentação daquilo que são produtos do Design Gráfico, existem alguns princípios básicos e linhas guia que auxiliam na criação dessa mensagem visual - da sua forma e no desenvolvimento de peças, sejam elas editoriais, de rotulagem ou de comunicação das mais variadas necessidades em termos visuais.

O ponto, linha e forma são alguns dos elementos base do Design Gráfico que constituem tanto suportes de comunicação visual aplicada a cartazes, panfletos e outros tipos de suportes diversos, como também o desenho de, por exemplo, marcas gráficas, símbolos, logotipos, IVC's. Todos estes encontram-se presentes naquilo que são os produtos do Design de Comunicação (Gráfico, Editorial, Web...), podendo ser aplicados na sua natureza mais básica, ou de acordo com planos de maior especificidade.

Ellen Lupton (2011) afirma que a execução de uma ideia - a transformação de uma ideia em algo tangível - é a tarefa mais crucial a ser efetuada, sendo aquela que testa a habilidade do de- signer em tornar a sua pesquisa, os seus resultados, em algo real. Enquanto que os métodos de estímulo à criatividade e produtividade são importantes, é na criação da forma que se moldam interpretações e se chegam a conclusões de trabalho (p. 113).

A autora completa estas afirmações de Poulin e Lupton com a conclusão de que, sendo o de- senvolvimento de uma ideia e a sua transformação a fase de maior relevância na criação de uma mensagem visual, se devem aplicar os princípios que são instintivos no desenho - ponto, linha, forma, cor, expressão, tipografia, etc. - e também princípios mais específicos, como a sequência de Fibonnaci, a proporção áurea (regra de ouro), sistemas de grelha, métodos de paginação, aplicação de parágrafos adequados, de organização de layouts e conteúdo, de desenho de su- portes, que são essenciais a esta área.

Fig. 14 - Aplicação de princípios básicos do Design Gráfico - composição de conteúdo em caso de Design Editorial (Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/520869513145204563/)

Também o sentido de estética por vezes inato a este tipo de profissional auxilia na constru- ção de designs apelativos e de um sentido organizacional legível para o consumidor, sem que sejam aplicados princípios e métodos referidos.

No entanto, por vezes não basta que se apliquem intuições criativas, sendo necessária uma outra abordagem, mais académica, aplicando métodos específicos. Exemplo de tal é um princí- pio frequentemente aplicado em áreas como o Design Editorial: o sistema de grelha - ou grid

system -, um princípio que trabalha com margens, organização de texto e imagem, hierarqui-

zando a informação, separando títulos de subtítulos, texto, fotografia, rodapés e outros ele- mentos normalmente aplicados a este tipo de suporte gráfico de comunicação (como jornais, revistas, portfolios).

Desde uma forma mais criativa e livre - através de grelhas alternativas - até a aplicações de maior rigor, este é um princípio que pode ser aplicado a diferentes necessidades e criando va- riadas soluções, servindo até como facilitador de construção de peças de necessidade imediata de aplicação, sem oportunidade para um arranjo estético minuncioso (como é o caso de reda- ções jornalísticas). Também em peças que requerem uma maior criatividade, como é o exemplo do design de rótulos ou até mesmo cartazes, naturalmente de necessidades mais criativas e originais (não que o Design Editorial não o possa ser), se podem aplicar os princípios como a expressão, assimetria, entre outros.

O grid system possibilita também que haja uma maior expressividade de conteúdo, maior facilidade de leitura e um menor cansaço em termos da visão, expecialmente quando aplicado a texto, como é o exemplo de revistas, catálogos ou até mesmo outros tipos de publicações que aplicam várias colunas de texto ao invés de uma singular (ou colunas singulares combinadas com áreas vazias), tornando a mancha gráfica menos pesada e esteticamente mais agradável para o leitor. O equilíbrio entre o conteúdo e o espaço negativo é de extrema relevância para este princípio, e para esta área.

O designer, ou as necessidades específicas do projeto, poderão ditar a forma como o con- teúdo será desenhado e disposto, podendo não haver a aplicação de princípios como os exem- plificados. Poder-se-ão excluir ideias de layouts equilibrados e inserir padrões assimétricos, originais e de adequação ao projeto.

A tipografia, a cor, a forma e os restantes elementos já mencionados - constituíntes do vo- cabulário básico do designer gráfico - conjuntamente com as técnicas da sua organização en- quanto composição visual permitem que se reflitam nos valores a representar naquilo que é a comunicação através do Design Gráfico. A disposição dos mesmos deverá, assim, ser desenhada de acordo com as especificidades de cada projeto e de forma a garantir que se transmitem os ideais pretendidos.

Relativamente à produção gráfica, esta também apresenta alguns princípios assegurado- res da correta conceção dos materiais gráficos através de técnicas de impressão e métodos estipulados para a produção de vários tipos de suporte impresso. É na fase da pré-impressão que se definem todos os aspetos que virão determinar a qualidade de uma peça (qualidade esta relativa à forma, texto, imagem e cor). Nesta fase também se antecipam os problemas que podem ocorrer na impressão e nos acabamentos.

O conteúdo, a composição visual e o próprio produto final (seja ele digital ou impresso) formam o tom da comunicação e atribuem significado à mensagem, transportando-a para além da ideia invisível para a sua conceção visual - que apela ao seu público-alvo.

Cabe ao designer, portanto, tornar palpável uma mensagem, formalizando-a de acordo com a necessidade, seja ela mais formal e de uma hierarquia clara ou mais informal, assimétrica, aplicando técnicas propensoras de rigor ou de maior liberdade criativa relativamente à com- posição visual, nomeadamente aplicando os princípios abordados.