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Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Não pode haver a exigência ou o aumento de IPVA sem lei que o estabeleça. Nesse caso, estamos tratando do princípio da legalidade.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;

Veremos que o IPVA é um imposto real, ou seja, que há incidência tributária sobre o bem(veículo). Dessa maneira, a tributação é objetiva e não deve considerar aspectos pessoais. Logo, contribuintes em iguais condições de contribuir não podem ter tratamento diferente.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;

Não é possível que seja instituída uma lei que cobre o IPVA relativo aos fatos geradores anteriores ao início da vigência da lei passados. Supondo que determinado estado brasileiro não tenha instituído ainda o IPVA, ele não pode instituir o IPVA em 2020 e cobrar o imposto relativo aos anos anteriores. A mesma ideia é válida para a hipótese de aumento do IPVA. Esse é o princípio da irretroatividade!

Ressalto que, nessa suposição, não poderia ser cobrado também o IPVA relativo ao ano de 2020, conforme veremos a seguir.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

Conforme adiantei, o IPVA não pode ser cobrado no mesmo ano em que ele é instituído ou aumentado.

Ou seja, o IPVA instituído ou aumentado em 2020 só poderá exigido a partir de 2021. Esse é o princípio da anterioridade (anual).

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

b) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b;

§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c,(Princípio da Anterioridade Nonagesimal) não se aplica aos tributos previstos nos arts.

148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III(IPVA), e 156, I.

O princípio da anterioridade (anual) já protege (um pouco) os contribuintes de possíveis aumentos na carga tributária. No entanto, com a finalidade de dar maior efetividade a essa proteção, foi instituído pela Constituição Federal o princípio da anterioridade (nonagesimal). Esse princípio prescreve que a exigência ou aumento de tributo, além de respeitar o princípio da anterioridade anual, deve respeitar o interregno mínimo de 90 dias da publicação da Lei. Ou seja, o aumento de IPVA deve respeitar a anterioridade anual e a anterioridade nonagesimal.

Qual a finalidade do princípio da anterioridade nonagesimal? Evitar que os contribuintes sejam pegos de surpresa mesmo que haja o respeito à anterioridade anual.

Como assim?? Já pensou uma lei aumentando o IPVA no dia 30 de dezembro para produzir efeitos no de 1º de janeiro do ano seguinte?? Perceba que nesse caso a anterioridade anual é respeitada, mas o contribuinte sofre o efeito do aumento da carga tributária em um prazo de 02 dias.

Pois bem, a anterioridade nonagesimal visa que o contribuinte não seja surpreendido dentro de um prazo de 90 dias.

Resumindo: Uma lei que institua ou aumente o IPVA para produzir efeitos no 1º dia do ano subsequente precisa ser aprovada com um prazo maior que 90 dias para o término do ano.

Detalhe: Uma lei aprovada com menos de 90 dias para o término do ano é perfeitamente aplicável no ano seguinte. No entanto, deve ser analisada a data em que o prazo de 90 dias é respeitado. Por exemplo, uma

para que ela possa produzir seus efeitos. Nessa situação, ela produziria seus efeitos a partir de 30 de janeiro de 2020.

Apesar de toda essa explicação relativa ao princípio da anterioridade nonagesimal, há uma exceção para esse princípio em relação ao IPVA. Vamos conferir:

Art. 150. § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c,(Princípio da Anterioridade Nonagesimal) não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III(IPVA), e 156, I.

Traduzindo esse parágrafo primeiro do Art. 150: A anterioridade nonagesimal não se aplica à fixação da base de cálculo. Ou seja, alterações na base de cálculo que aumentem o valor do IPVA não se submetem ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal.

Chamo sua atenção porque essa exceção é a principal “pegadinha” relativa aos princípios constitucionais aplicáveis ao IPVA.

Vamos aproveitar para fazer um exercício relativo a esses conceitos!

(CESPE – TJ/BA – 2019)

De acordo com as limitações constitucionais ao poder de tributar, a fixação da base de cálculo do IPVA se submete à

a) anterioridade nonagesimal, sem necessidade de observância da anterioridade anual.

b) anterioridade anual, sem necessidade de observância da anterioridade nonagesimal.

c) anualidade, sem necessidade de observância da anterioridade nonagesimal.

d) anualidade e à anterioridade anual, sem necessidade de observância da anterioridade nonagesimal.

e) anterioridade anual e à anterioridade nonagesimal, sem necessidade de observância da anualidade.

RESOLUÇÃO:

O IPVA se submete ao princípio da anterioridade anual sem nenhuma exceção. Em relação ao princípio da anterioridade nonagesimal, a única exceção é a fixação da base de cálculo.

RESPOSTA: B

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

A exigência do IPVA não pode ter efeito de confisco. Ou seja, o valor cobrado não pode ser tão alto que configure o confisco do bem.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

A exigência do IPVA não pode ter como finalidade estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens.

Deve haver respeito à Liberdade de Tráfego.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:

a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

§ 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.

Imunidade recíproca que veda a tributação(IPVA) dos veículos de propriedade da União e dos Municípios de maneira absoluta. Em relação às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,a vedação é somente em relação aos veículos que estiverem vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

b) templos de qualquer culto;

§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.

Imunidade religiosa que veda a tributação dos veículos de propriedades dos cultos estiverem relacionados com as finalidades essenciais.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;

§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.

Estamos tratando da imunidade prevista para partidos políticos, entidades sindicais dos trabalhadores e instituições de educação e de assistência social.

Fique atento que a Imunidade é destinada para entidades sindicais dos TRABALHADORES. As bancas costumam trocar por entidades sindicais dos empregadores.

Por oportuno, conheça(ou reveja) as disposições previstas no Código Tributário Nacional relativas à isenção dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social.

CTN,Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - cobrar imposto sobre:

c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo;

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:

I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001)

II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício.

§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.

Veja que há 3 requisitos que devem ser cumpridos para que essas entidades possam usufruir da imunidade tributára prevista na CF.

➔ Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;

➔ Aplicarem integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

➔ Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades

Dessa maneira, podemos esquematizar:

Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

Não Discriminação baseada em procedência ou destino. Os Estados e o Distrito Federal não podem cobrar imposto diferenciado em razão da procedência de determinado produto ou serviço. Ou seja, não pode instituir que um veículo fabricado em outro Estado possua uma alíquota maior que o mesmo veículo fabricado no seu território.

Vamos conferir uma questão relativa a esse assunto.

(CESPE – TCE/PB – 2014)

Considerando que um estado da Federação pretenda estabelecer alíquota do imposto sobre a propriedade de veículo automotor (IPVA) para os veículos importados em patamar superior àquela prevista para os veículos nacionais, assinale a opção correta.

a) O referido estado não poderá realizar a referida cobrança da alíquota em função da limitação de que o tributo deve ser uniforme em todo o território nacional.

b) O estado em questão não tem competência tributária para estabelecer a diferença tributária entre bens em razão de sua procedência ou destino.

c) O referido estado possui competência para legislar sobre o IPVA e, portanto, poderá instituir a referida Imunidade

União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios

Templos de qualquer culto

Partidos políticos, inclusive suas fundações

Entidades sindicais dos trabalhadores

Instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos

- Não distribuir qualquer parcela do patrimônio;

- Aplicarem integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

- Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão

d) O estado em questão não possui competência tributária para estabelecer alíquota de IPVA diferente daquela prevista pela CF.

e) O estado em apreço não poderá estabelecer a referida alíquota, porque utilizará alíquota de IPVA com a base de cálculo do imposto de importação.

RESOLUÇÃO:

Conforme Art. 152 da CF, É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

Resposta: B