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4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1 PRINCÍPIOS DA PESQUISA

A construção e a interpretação de alguns indicadores educacionais podem ser insuficientes ante a complexidade da estratificação educacional do nível superior, o que levaria à simplificação de multifacetados quadros de desigualdade no processo de massificação do acesso. A compreensão destes pode ser qualificada no momento em que se aborda seus dígitos sobre o prisma da diversidade da população com acesso para orientar ações sobre o cenário. Logo, a TBM e a TLE da Meta 12 do PNE (2014-2024) e do PEE-RS (2015-2025) podem ser qualificadas em sua construção e interpretação considerando a proporção entre os grupos com acesso ao nível de ensino. Esta característica foi valorizada, contexto nacional, nos dois primeiros estudos do Inep (INEP, 2015; 2016a), mas está ausente em seu último estudo (INEP, 2018), como apontei no capítulo anterior.

Todas as desagregações dos estudos (INEP, 2015; 2016a; 2018) foram para as taxas em âmbito Brasil; para as grandes regiões e as unidades da Federação a divulgação foi apenas dos percentuais da TBM e TLE - e, no caso do estudo Linha de Base (INEP, 2015) ainda havia dados da TBM por rede de ensino das grandes regiões. Ou seja, ao longo dos anos em que vige uma política pública de expansão das possibilidades de acesso à Educação Superior pública associada a medidas afirmativas de inclusão social e de combate à pobreza, e se preparou e estabeleceu o PNE 2014-2024, houve investimento na produção de indicadores sociais mais detalhados. Porém, mais recentemente observo sinais de involução nas pesquisas oficiais desta natureza - em especial nas desagregações sobre a população estimada nas taxas em âmbito de Brasil35. Ainda que a Meta 12, não apresente nenhum recorte específico por

35 No caso do Rio Grande do Sul, a situação é agravada em 2018, com a extinção da Fundação de Economia e Estatística, órgão vinculado à Secretaria de Planejamento do estado que contava com qualificado quadro de especialistas em demografia e indicadores sociais, prestando serviços institucionais e de interesse público.

grupos populacionais, fica evidente a necessidade de monitoramentos mais detalhados pelas diretrizes do PNE (2014-2024) e do PEE-RS (2015-2025) que frisam a preocupação com a erradicação das desigualdades educacionais, e pelas estratégias da própria Meta 12 por discorrer no PNE (2014-2024) sobre a necessidade de ampliar e interiorizar o acesso à graduação pública, estratégias 12.1 e 12.2; de ampliar as taxas de acesso e permanência de grupos historicamente desfavorecidos, estratégias 12.5, 12.9 e 12.13; e de criar mecanismos para ocupar as vagas ociosas no setor público, estratégia 12.17 (BRASIL, 2014); e no PEE- RS (2015-2025) sobre aproximar as condições de oferta do setor público e privado, estratégias 12.2 e 12.29; expandir as matrículas no setor público, ampliar e interiorizar, estratégias, 12.4 e 12.5; ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos, estratégias 12.9, 12.12, 12.16, 12.30, 12.31 e 12.32; ocupar as vagas ociosas no setor público, estratégia 12.20; e expandir e reestruturar as IES estaduais e municipais, estratégias 12.21, 12.25 e 12.26 (RIO GRANDE DO SUL, 2015).

Considerando as limitações destes estudos do Inep para aferir o monitoramento dos grupos populacionais por região e unidade federativa, realizei uma busca36 por relatórios de

monitoramento e avaliação do PEE-RS (2015-2025) nos sítios institucionais das instâncias responsáveis por tal execução - Seduc/RS, Undime/RS, CECDCT, CEEd/RS, UNCME/RS e FEE/RS. Encontrei apenas o documento Cadernos Temáticos para o debate do PEE-RS (2015-2025), no sítio do FEE/RS, que conforme o Artigo 5º da Lei nº 14.705, que aprova o PEE-RS (2015-2025), deve ser uma das instâncias de monitoramento e avaliação do Plano, com a elaboração de estudos por município e em âmbito estadual a cada dois anos. Dentre os seis publicados em 201437, o Caderno 3 - Acesso e expansão do Ensino Superior com qualidade social trata da Meta 12. No entanto, nesta publicação não constam problematizações sobre os grupos da população apurada nos indicadores em questão; há apenas a indicação dos percentuais das suas respectivas taxas com dados da PNAD 2012 (FEE/RS, 2014). A revisão realizada por Nunes (2018) confirma a ausência de estudos acerca do PEE-RS, após buscar produções entre 2012 a 2018 no Lume - Repositório Digital da UFRGS -, e na Revista Estudos em Avaliação Educacional da Fundação Carlos Chagas e na plataforma Scielo, de 2014 a 2018. Os descritores utilizados foram: Plano Nacional de Educação; Plano Estadual de Educação do Rio Grande do Sul; Educação Superior. Deste levantamento, emergem estudos como de Souza e Menezes (2016) acerca do

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A busca foi realizada em junho de 2019. 37

acompanhamento e avaliação dos Planos Estaduais no período do PNE 2001-2011; e em relação ao cumprimento e evolução dos indicadores da Meta 12 do PNE 2014-2024, os textos de Filipak e Pacheco (2017), Oliveira e Dourado (2018) e Schwartzman (2015).

Diante disso, o exercício realizado sobre a população computada no indicador TLE de 2017 do Brasil, Rio Grande do Sul e Porto Alegre e com a atualização dos dados de 2018 disponibilizados pelo IBGE, me fez pensar estratégias para efetuar o mesmo recorte e assim verificar o perfil da população de referência dos indicadores TBM e TLE no estado do Rio Grande do Sul. Isto posto, antes de apresentar as características metodológica da dissertação, retomo o problema de pesquisa e objetivos (Quadro 9), de modo a facilitar a leitura do capítulo.

Quadro 9 - Problema e objetivos da pesquisa Problema de

Pesquisa

Analisando o perfil da população de referência dos indicadores da Meta 12 do PEE- RS (2015-2025), nos anos de 2012, 2017 e 2018, como se percebe a dinâmica do processo de massificação do acesso à Educação Superior no estado do Rio Grande do Sul?

Objetivo geral

Investigar o perfil da população de referência dos indicadores da Meta 12 do PEE-RS (2015-2025), nos anos de 2012, 2017 e 2018, para identificar as mudanças ocorridas durante o processo de massificação do acesso à Educação Superior no estado do Rio Grande do Sul, com atenção à igualdade de oportunidade para os diferentes segmentos sociais.

Objetivos específicos

1) Estabelecer um referencial teórico-conceitual das proposições políticas de massificação da Educação Superior;

2) Investigar o perfil da população de referência nos indicadores Taxa Bruta de Matrícula e Taxa Líquida de Escolarização da Meta 12 do PEE-RS (2015- 2025) a partir das dimensões sexo, cor ou raça, situação do domicílio, rendimento domiciliar per capita, rede de ensino e rede de Ensino Médio concluído.

3) Construir uma série histórica com o perfil da população com acesso à Educação Superior no Rio Grande do Sul, para identificar condições de desigualdade no acesso à Educação Superior no estado.

4) Analisar o processo de massificação do acesso à Educação Superior no Rio Grande do Sul relacionando o perfil da população de referência dos indicadores ao referencial teórico-conceitual sobre massificação do acesso a este nível educacional.

Fonte: Elaborado pela autora (2019).