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CAPÍTULO II: A Teoria utilizada e seus conceitos básicos

2.3 Dos conceitos legais

2.3.2 Princípios do Direito Ambiental

No mundo do direito, há uma diferenciação substancial entre regras e princípios. As primeiras, têm por característica, um grau de abstração relativamente reduzido e uma maior especificidade, já os princípios, têm como característica singular, uma generalidade, ou seja, possuem um maior grau de abstração. Além desta, outra diferença marcante reside no fato de os princípios constituírem as bases do sistema jurídico, de onde advém a sua função fundamentadora da ordem jurídica, são os princípios, nas palavras de Paulo Bonavides (2000, p.228): “(...) premissas de todo um sistema que se desenvolve more geométrico. De modo diferente das regras, que por seu tempo vigem, os princípios valem sendo os valores que sustentam e governam a Constituição, a ordem jurídica e até mesmo o regime. No presente trabalho, serão elencados apenas alguns princípios que, por suas utilidades teóricas, serão apropriados no desenvolvimento desta dissertação. 15

Por fim, para melhor caracterizar os princípios, destacamos o ensinamento de Celso Antônio Bandeira de Mello:

“Princípio, já averbamos alhures, é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido humano. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo. Violar um princípio é mais grave que transgredir uma norma. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço e corrosão de sua estrutura mestra.” (MELLO, 1993, p. 408)

Assim, temos definida a importância dos princípios no direito brasileiro e sua diferenciação do restante dos elementos do direito positivo. Porém, para esta dissertação, são de diferencial interesse os princípios do direito ambiental brasileiro. Por esta razão, faremos uma breve abordagem sobre o tema.

15 Vide MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 4ª edição, São Paulo: Malheiros,

2.3.2.1 Princípio do Direito ao Meio Ambiente Sadio

Este princípio encontra-se intimamente ligado ao direito fundamental à vida em razão da impossibilidade desta ocorrer, de maneira saudável, em um ambiente inapropriado. Daí a necessidade de assegurar o direito a um ambiente sadio e hígido. Tal direito, está reconhecido na Conferência das Nações Unidas de 1972, em seu Princípio de número 1, e foi repisado na Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992.

2.3.2.2 Princípio da Prevenção

Princípio que, trata de riscos ou impactos, já conhecidos pela ciência16. Seu objetivo é o de atuar como balizador do desenvolvimento humano, gerando medidas que evitem atentados ao ambiente, de molde a eliminar, reduzir ou impedir ações que possam alterar a qualidade dos ecossistemas. Por óbvio, toda ação de fulcro ambiental deve primar pela prevenção de modo a evitar a consumação de um dano eminente e, muitas vezes, irreversível.

2.3.2.3 Princípio da Função Social da Propriedade

Apesar de a Constituição Federal garantir o direito à propriedade como fundamental, a mesma Carta Constitucional atribui também a esta propriedade a obrigação de cumprir com sua função social. Assim, o fato de ser proprietário não permite que o indivíduo possa dela fazer o que bem entender. O direito de propriedade deve ser exercido, não somente em benefício de seu titular, mas em consonância com o interesse da coletividade. Dentre as funções sociais da propriedade, inclui-se a sua função ambiental, daí alguns autores utilizarem a expressão função sócio-ambiental. São exemplos as condutas negativas de não poluir, não impor maus tratos aos animais, como também, condutas positivas tais como, averbar a reserva legal e recuperar área de preservação permanente. Este princípio, encontra- se no artigo 170, III e VI da CF.

2.3.2.4 Princípio do Direito ao Desenvolvimento Sustentável

Deixando, momentaneamente, ao largo a discussão acerca da utilização adequada do conceito de desenvolvimento e de sustentabilidade, o ordenamento jurídico brasileiro abarca o direito ao desenvolvimento sustentável em seu arcabouço de princípios. Segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, quando são atendidas as

necessidades do presente sem que com isso sejam comprometidas as necessidades futuras, estaremos em acordo com o desenvolvimento sustentável. De outra banda, podemos empregar como sentido a este princípio, o de melhorar a qualidade de vida humana atentando para as limitações de capacidade de suporte dos ecossistemas.

O principal fundamento da idéia de desenvolvimento sustentável é o de que, a sociedade humana não se restringe às gerações presentes concomitantemente com o entendimento de que os recursos naturais têm como característica a finitude e a exauribilidade. Nesta esteira, consta como Princípio de número 4 da ECO/92 o que segue:

A fim de alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção do ambiente deverá constituir-se como parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada de forma isolada.

Já na legislação brasileira, pela primeira vez, na Lei nº 6.803/80, em seu artigo 1º, surgiu a primeira referência a este princípio na compatibilização das atividades industriais com o meio ambiente contida na referida lei.

2.3.2.5 Princípio da Informação

Em um Estado Democrático e de Direito, faz-se indispensável que todo cidadão tenha acesso a informações que são fundamentais para a compreensão de como estão sendo tratados assuntos de seu direto interesse. Em se tratando de um direito transindividual, como é o caso do direito ao meio ambiente adequado, é de suma importância a obtenção de informações sobre decisões que tenham repercussão na qualidade ambiental. O principal expoente de tal princípio, encontra-se no artigo 225, parágrafo 1º, inciso IV da Constituição Federal onde se encontra proclamada a publicidade do estudo de impacto ambiental, garantindo ao público a prestação de informações relativas aos estudos sobre os quais se basearão as autorizações e licenças, expedidas pelos órgãos públicos competentes, para a realização de atividades potencialmente poluidoras.

Em tempo, cabe ressaltar que, em alguns casos, existe a previsão legal da realização de audiências públicas como uma das etapas integrantes do processo de licenciamento ambiental e de zoneamento ambiental, onde a participação popular junta-se ao direito a informação.

16 Alguns autores separam a prevenção da precaução afirmando que a última deveria se referir às medidas

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