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UNIDADE 5. CLASSIFICAÇÃO DE SOLO E INTERPRETAÇÃO DE ANÁLISES E LEVANTAMENTOS

1. PRINCÍPIOS E EVOLUÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS

Introdução à Classificação dos Solos

Os homens necessitam organizar os conhecimentos que tem a cerca dos seres e objetos de seu meio ambiente. Para isso desenvolvem critérios, que permitem reunir os objetos e seres semelhantes em grupamentos distintos. A formação desses grupamentos auxilia a relembrar as propriedades dos mesmos e entender relações entre eles. A classificação é baseada em determinados termos, cujos significados devem ser conhecidos, para entendê-la.

A população é constituída por inúmeros indivíduos. Há indivíduos muito semelhantes entre si e outros completamente distintos dos demais. Conseqüentemente a variação dos indivíduos de uma população é muito grande que para ver semelhança e entender relações entre eles é necessário arranjá-los ou ordena-los em grupamentos ordenados, nos quais os indivíduos semelhantes são grupados em classes, através de características selecionadas.

Principais termos usados em Classificação dos Solos

- Indivíduo: é o menor corpo completo de uma população.

- População: é a reunião ou conjunto de todos os indivíduos (objetos ou seres) que possuem

características em comum. Ex. - população de plantas - população de animais - população de rochas - população de solos

- Classes: são partes ou seções da população que permitem grupar os indivíduos semelhantes e

distinguí-los das demais classes da população.

As classes são definidas por um conceito central, podendo ter uma amplitude de variação. O conceito central é definido ou estimado por medidas de tendência central e é representado pelo indivíduo modal.

Os indivíduos são classificados em relação a uma ou mais características, designadas como características diagnósticas. Indivíduos semelhantes nessas características são colocados na mesma classe e os demais em classes distintas.

Uma classe pode ser subdividida em outras classes, e estas por sua vez, também podem ser subdivididas em outras classes distintas. A cada subdivisão, adiciona-se ao conceito da classe, que foi subdividida, novas informações. Assim, uma população pode ser classificada em diferentes níveis de informações. Cada um deles é denominado de categoria ou nível categórico.

- Nível categórico: é o número de afirmativas ou nível de generalização ou de abstração,

utilizado para formar as classes.

Um nível categórico é considerado como alto quando utiliza poucas afirmativas ou maior generalização ou abstração. Neste nível, há pequeno número de classes e cada uma tem grande amplitude de variação, permitindo que maior número de indivíduos façam parte da mesma.

Ex. Latossolos

Em nível categórico baixo, ao contrário, são utilizadas mais afirmativas. As classes são mais homogêneas, em maior número e constituídas de indivíduos com grande semelhança entre sí.

Ex. Latossolo Vermelho distrófico típico

O Sistema Brasileiro de classificação de Solos - SiBCS (EMBRAPA, 2006), utiliza 6 níveis categóricos (até o presente momento apenas 4 níveis categóricos estão definidos), sendo portanto um sistema multicategórico.

Os sistemas multicategóricos são hierárquicos, nos quais as classes formadas numa categoria são subdivididas em outras classes nas categorias mais baixas. Isto significa que uma classe deve ter as características da mesma e as demais características consideradas nas classes anteriores.

Ex.

Nível categórico Classe

1º - Ordem Latossolo

2º - Subordem Latossolo Vermelho

3º - Grande grupo Latossolo Vermelho distrófico

4º - Subgrupo Latossolo Vermelho distrófico típico

5° - Família em desenvolvimento

6º - Série em desenvolvimento

A classificação constitui-se de um artifício ou sistema multicategórico e hierárquico, utilizado para grupar os indivíduos de uma população

Objetivos:

a) organizar os conhecimentos sobre a população;

b) relembrar as características dos indivíduos classificados; c) descobrir relações entre indivíduos e classes;

d) estabelecer as classes de indivíduos de maneira útil, para predizer seu comportamento, identificar os melhores usos, selecionar indivíduos para pesquisas e, entender e extrapolar resultados de pesquisas ou de observações.

Tipos de classificação

Considera-se na Ciência do Solo sistemas de classificação naturais ou taxonômicos e

sistemas técnicos ou interpretativos.

- Classificação Natural ou Taxonômica:

Compreende os sistemas de classificação que arranjam os indivíduos de uma população em classes, baseado nas propriedades conhecidas, de tal modo que o nome de cada classe conduz a rememoração de muitas características e mentalmente fixará cada grupo em relação a todos os outros.

Ex. SiBCS; Soil Taxonomy

- Classificação Técnica ou Interpretativa:

Compreende a organização dos indivíduos de uma população em grupos que visam um objetivo, uso ou atividade especializada.

Ex. Classificação da aptidão agrícola das terras (Ramalho Filho e Beek, 1995), Classificação da capacidade de uso das terras (Lepsch et al., 1991).

Evolução da Classificação de Solos

As primeiras classificações de solos foram simples e práticas. No decorrer do tempo, com o aumento do conhecimento sobre solos, as classificações tornaram-se mais científicas e

organizadas. De uma maneira geral, observa-se que cada classificação está relacionada ao avanço científico da população em estudo. Pode-se dizer que um sistema de classificação qualquer reflete o conhecimento da época em que foi elaborado (Kubiena, 1941).

Já em épocas mais recentes, como na segunda metade do século passado, os solos do oeste da Europa, foram classificados por Fallou (1862) e Richthofen (1886), em função da geologia e de seu material de origem. Assim, os solos eram conhecidos como solos de granitos, basalto, arenito, etc.

No final do século passado, Dokuchaev (1883), estabeleceu que o solo é um corpo natural independente, resultante da ação de fatores de formação, e que deve ser estudado e classificado através de seu perfil. A partir desse evento, responsável pela pedologia moderna, Dokuchaev, Sibirtsev (1867-1927) e Glinka (1887-1929) na Rússia, e Cofrey (1919) e Marbut (1922,1927 e 1935) nos Estados Unidos, elaboraram as primeiras classificações naturais, baseadas nas características do solo.

Posteriormente, Baldwing, Kellog e Thorp (1938) desenvolveram um sistema de classificação, revisto por Thorp e Smith (1949), que marcou o início da classificação "compreensiva" de solos nos Estados Unidos, e que serviu de base para outros sistemas.

Na década de 1950, data que coinside, aproximadamente, com o período em que outros países iniciaram a rever e desenvolver seus sistemas de classificação de solos, foi desenvolvido nos Estados Unidos um sistema completamente novo, elaborado em etapas ou aproximações, tendo sido publicado em 1960 como sétima aproximação e, com novas revisões e suplementos em 1975 como "Soil Taxonomy", que é o sistema atualmente usado nos Estados Unidos para classificar os solos. A última versão deste material é conhecida como Soil Taxonomy – a basic

system of soil classification for making and interpreting soil survey, publicado em 1999, na

sua 2ª edição, pelo USDA.

Esta afirmativa pode ser verificada na evolução da classificação de solos, onde os primeiros sistemas, ainda em épocas primitivas, grupavam os solos de acordo com sua produtividade. Os chineses há cerca de 4000 anos, por exemplo, grupavam os solos do reino da dinastia de YAO (2261 a 2357 a.C.) em 9 (nove) classes, aparentemente com base na produtividade e com o fim de pagamento de taxas.

No Brasil, a classificação de solos teve início na década de 1950 durante o levantamento de solos do estado de São Paulo, quando os solos foram classificados a nível mais alto, em:

a) solos com horizonte B latossólico;

b) solos com horizonte B textural;

c) solos hidromórficos, e

Numa etapa seguinte, Bennema e Camargo (1964) elaboraram o segundo esboço parcial da classificação brasileira de solos, desenvolvendo a classificação dos solos com horizonte B latossólico e solos com B textural.