3 Modelo de avaliação baseado em indicadores de qualidade da extensão
3.2 Princípios e fundamentos do modelo avaliativo
Como princípio, o modelo avaliativo desta pesquisa traz na sua concepção a caracterização de uma extensão universitária integrada e responsiva. Integrada no sentido de um compromisso acadêmico de articular a extensão com as atividades de ensino e de pesquisa e com a ação interdisciplinar, e responsiva, no sentido de
responder às demandas e necessidades da sociedade, não numa relação assistencialista e imediatista, mas numa relação dialógica, de mão dupla para transformação da sociedade e da universidade, pautada em valores éticos e de cidadania.
Para fins deste trabalho adota-se o conceito adaptado da definição de avaliação institucional de Dias Sobrinho (2000), a saber: avaliação como um valioso instrumento de melhoria da qualidade extensionista, dos seus processos, fonte de informação qualificada sobre o seu funcionamento, a sua produção e sobre o valor e o impacto social de suas ações. O modelo incorpora tanto a avaliação diagnóstica que resgata as informações e o conhecimento sobre em que ponto se encontram os processos e a realização de produtos acadêmicos e dos projetos extensionistas, quanto a avaliação formativa, que produz no seu processo a tomada de consciência da necessidade de transformação do próprio processo de avaliação e projeta o que é necessário para melhorar a atividade de extensão. Nesta pesquisa privilegiou-se a avaliação interna centrada nos atores sociais ligados à universidade, pelo reconhecimento da necessidade inicial de orientar e planejar as ações e atividades de extensão no interior da instituição universitária.
Os principais componentes deste modelo são os determinantes de qualidade da atividade de extensão universitária, que são os critérios organizacionais, os critérios sociais, os critérios pedagógicos e os critérios de produção acadêmica, os indicadores de qualidade da extensão universitária integrada e responsiva, as variáveis qualitativas e quantitativas e os procedimentos metodológicos. Estes buscam implicar os atores sociais na avaliação, que é implementada em fases ou momentos articulados entre si, utilizando como instrumentos os questionários, a entrevista, a observação participante e o levantamento documental. Os princípios e fundamentos intrínsecos aos componentes são: a qualidade educativa com ênfase nos processos e na dinâmica das ações acadêmicas que se articulam e se organizam no interior da universidade e com a sociedade mais ampla e as características de integração e de responsividade, que devem estar presentes nas ações e atividades de extensão.
A base teórica do modelo proposto tem como objeto central a qualidade, não só como diagnóstico, mas também como processo de melhoria. A abordagem da qualidade é centrada no usuário, entendido por Trigueiro (1994), como indivíduos que se colocam não apenas como clientes ou consumidores, mas que produzem um
objeto ou realizam determinada atividade humana. A ênfase qualitativa significa que a prioridade é atribuída às possibilidades de intervenção pedagógica e formativa no processo, através de uma relação dialética entre o qualitativo e o quantitativo, ultrapassando assim, uma lógica de mera medição ou quantificação baseada apenas no resultado final.
A qualidade da IES é sustentada pela idéia de universidade socialmente referenciada dentro dos novos paradigmas de universidade cidadã onde a extensão assume posição estratégica para o planejamento de uma formação crítica, que integre os vários conhecimentos numa relação prática e investigativa frente à realidade e compromissada técnico-ética e politicamente com a transformação social. Neste contexto, a concepção da extensão universitária toma como eixos norteadores de qualidade da sua práxis os fundamentos da relevância acadêmica e da relevância social. A relevância acadêmica aponta para uma integração das atividades, no sentido de um compromisso acadêmico de articulação da atividade de extensão com as atividades de ensino e de pesquisa e a relevância social aponta para uma atitude responsiva, a partir de uma relação dialógica da universidade com a sociedade para uma transformação mútua.
O modelo parte do referencial de indicadores de qualidade da extensão universitária e pode ser adaptado pelas IES de acordo com as peculiaridades da realidade institucional de sua extensão e dos projetos e ações de extensão desenvolvidos em cada curso a ser investigado. Os indicadores que subsidiam o modelo foram desenvolvidos com base nos trabalhos de Barbier (1990) sobre indicadores de projetos sociais e do Fórum (2000), de Nogueira (1999) e Tavares (1996) sobre as atividades e o histórico da extensão universitária. Estes indicadores estão ligados aos determinantes da qualidade da extensão universitária, que são os critérios. Eles representam marcos de referência de qualidade, que vão servir de base de comparação entre a realidade da atividade e seu estado desejável, na IES avaliada. Neste estudo, os indicadores de qualidade da extensão foram agrupados em quatro critérios: os critérios organizacionais, os critérios sociais, os critérios pedagógicos e os critérios de produção acadêmica. Os indicadores associados aos critérios organizacionais evidenciam o perfil político-institucional de gestão da extensão, os indicadores associados aos critérios sociais evidenciam o perfil político- social de relação da IES com a sociedade, os indicadores associados aos critérios pedagógicos evidenciam o plano pedagógico-institucional de articulação da
extensão com o ensino e a pesquisa e os indicadores associados aos critérios de produção acadêmica evidenciam os produtos resultantes das ações e atividades de extensão. Os indicadores são descritos em termos de variáveis quantitativas e qualitativas, pois “cada indicador pode ser transformado em variável” (FRANÇA, 1999, p.90).
O modelo toma como foco os programas e projetos de extensão. O programa integra os vários projetos em torno de uma ação interdisciplinar e o projeto é definido como um conjunto de ações extensionistas voltado para as necessidades ou demandas de tipo social, educacional, cultural, cientifico e tecnológico (NOGUEIRA, 2000). Dessa forma, avaliando os projetos de extensão, avaliam-se as ações e atividades de extensão, classificadas como cursos, eventos, prestação de serviços e produção e publicação científica. A FIG. 1, a seguir, demonstra essa relação existente entre os programas/projetos e as atividades e ações extensionistas.
FIGURA 1 – Relações entre as Atividades de Extensão
Fonte: adaptado de NOGUEIRA, Maria das Dores Pimentel. 2000, p.151.
O foco é na atividade de extensão desenvolvida junto aos programas e projetos sociais de um curso, porém as outras atividades, de ensino e de pesquisa são contempladas na sua articulação com a extensão e com a produção acadêmica.
O modelo avaliativo é construído para ser aplicado junto aos cursos, pois parte da premissa de implicação das pessoas no processo e o curso é considerado dentro da organização estrutural das IES como a menor unidade e ao mesmo tempo centro da vida universitária. Para Franco (1997, p. 113), o curso “é o elemento fundamental para o impacto didático-pedagógico e também para os impactos educacional e social”. P PRROOGGRRAAMMA A // PPRROOJJEETTOOSS DDEE EEXXTTEENNSSÃÃOO E EVVEENNTTOO P PRROODDUUÇÇÃÃOO EE P
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O QUADRO 1, apresenta, de forma sintética, os fundamentos do modelo avaliativo, destacando as suas principais características e respectivas descrições.
QUADRO 1 – FUNDAMENTOS DO MODELO AVALIATIVO
CARACTERÍSTICAS DESCRIÇÃO Concepção de ensino superior referenciada na visão acadêmico-crítica de qualidade na educação
- Novo paradigma de ensino superior comprometido com a qualidade acadêmica e a inserção social. Ensino superior como um conjunto de atividades integrando a extensão, o ensino e a pesquisa com as demandas da sociedade.
Concepção de extensão - Extensão como atividade articulada ao ensino e à pesquisa enquanto posição estratégica de trabalho social, que visa interferir no processo de transformação da sociedade e enquanto oxigenação necessária à vida acadêmica. As atividades extensionistas devem ser assumidas em plano institucional e inseridas em uma proposta pedagógica global.
Abordagem conceitual de qualidade centrada no usuário
- Reconhecimento da qualidade da extensão e da produção acadêmica não só pela sociedade ou grupos sociais atendidos, mas pela avaliação dos próprios coordenadores de projetos de extensão com seus alunos-estagiários mediante intensa crítica subjetiva.
- Ênfase nos processos e na construção de um projeto político-pedagógico que integre a extensão articulada ao ensino e à pesquisa e à demanda social.
Tipos de dados - Indicadores e suas variáveis qualitativas e quantitativas
Objetivos - A proposta é de que a construção e utilização de uma
metodologia baseada em indicadores de qualidade da extensão universitária possibilitem avaliar a sua prática, subsidiando o planejamento e a melhoria contínua de suas atividades e ações.
Foco - Programas e projetos de extensão
Abordagem - Participante e processual
Perspectiva - Avaliação interna ou auto-avaliação