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PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CONTROLE INTERNO

Em linhas gerais, os princípios do controle interno se difere de uma empresa

para outra. Isso se dar porque as características internas, o contexto em que

elas estão inseridas, seu modo de organização são elementos que definirão o

melhor formato para que o controle seja concretizado com sucesso.

Cabe ao administrativo dessas empresas adequar o controle interno às ações

que as mesmas desenvolvem, respeitando suas peculiaridades.

2.6.1 Responsabilidades de atribuições

As atribuições devem ser claramente definidas para cada funcionário e setor da

organização, de preferência por escrito, mediante o estabelecimento de

manuais internos de organização. Segundo Crepaldi (2007, p.277) a razão para

se definirem as atribuições são: “assegurar que todos os procedimentos de

controles sejam executados; detectar erros e irregularidades; apurar

responsabilidades por eventuais omissões na realização das transações da

empresa. ” Dados exemplos de tarefas internas de controle que devem ser

definidos os empregados responsáveis:

Quadro 1 – Exemplos de tarefas internas

Aprovação de aquisição de bens e serviços;

Certificação do recebimento de bens ou prestação dos serviços;

Programação financeira de pagamento;

Aprovação de venda;

Recebimento de numerário;

Registro contábil das operações da empresa, etc.

Fonte: Adaptado de Crepaldi, 2007, p. 277

Logo, tendo uma visão de todas as tarefas internas da empresa a serem

desenvolvidas, registradas e principalmente funcionários designados a

desenvolvê-las só tende a alcançar excelentes resultados uma vez que os

procedimentos estarão seguros e sendo executados de maneira eficiente.

2.6.2 Rotinas internas

A empresa deve estabelecer todas as suas rotinas internas em um manual

visando o bom andamento dos negócios e a organização (ALMEIDA, 2010).

Quadro 2- Exemplos de rotinas internas

Formulários internos e externos (mapa de licitação; ordem de compra; fichas de

lançamentos contábeis pedido de vendas; etc.);

Instruções para o preenchimento e destinações dos formulários internos e

externos;

Evidências das execuções dos procedimentos internos de controle (assinaturas,

carimbos etc.);

Procedimentos internos dos diversos setores da empresa (contas a pagar, caixa,

fiscal, controladoria, crédito e cobrança, etc).

Fonte: Adaptado de Almeida, 2010 p.44

Levando em consideração as rotinas internas dadas como exemplo pelo autor

acima, é importante que a instituição organize as rotinas em manuais onde

possam constar também instruções operacionais, procedimentos e normas

adotadas pela empresa e distribua entre seus colaboradores. Esta adoção

contribuirá para a coibição de possíveis erros e também garantir a qualidade

dos processos.

2.6.3 Acesso aos ativos

A empresa deve limitar o acesso aos funcionários a seus ativos e estabelecer

controles físicos sobre esses. Esses acessos são representados por: manuseio

de dinheiro antes de ser depositado; imobilizados; estoques; uma única

assinatura por cheque; cautelas de títulos; etc. Tendo como formas de

controles: caixa em local fechado; documentos guardados em cofres; a parte

física da empresa bem cercada e funcionários sendo vistoriados ao sair com

embrulhos. (CREPALDI, 2007)

2.6.4 Segregação de funções

Uma das extensões do controle interno é separar os deveres dos funcionários,

de modo que a pessoa que mantenha controle sobre um determinado ativo não

seja a mesma responsável pelo registro da transação.

Crepaldi (2007, p.280) diz “a segregação de funções consiste em estabelecer

que uma mesma pessoa não pode ter acesso aos ativos e aos registros

contábeis, em virtude de essas funções serem incompatíveis dentro do sistema

de controle interno”.

Para Attie (2010, p. 155),

Segregação de funções estabelece independência para as

funções de execução operacional, custódia física e

contabilização. Ninguém dever ter sob sua inteira

responsabilidade todas as fases inerentes a uma operação.

Cada uma dessas fases deve, preferencialmente, ser

executada por pessoas e setores independentes entre si.

No que tange a finalidade de definições internas de funções considera-se

indispensável notar os possíveis erros e situações fraudulentas. Para tanto, os

procedimentos devem ser organizados de modo que compartilhem,

internamente, todo o trabalho, respeitando a autonomia de cada membro da

equipe envolvida e que viabilize um ato automático e prático para realização de

futuras conferências. Cada membro poderá, no decorrer do processo controlar

todas as etapas de uma mesma ação ou transação.

2.6.5 Confronto dos ativos com registros

É de fundamental importância o estabelecimento de procedimentos de maneira

que os ativos sejam sempre confrontados pelo os respectivos responsáveis a

fim de evitar que algum funcionário tome posse por um tempo dos ativos da

empresa. Tendo como exemplo: conciliações bancárias, inventário físico dos

bens do estoque e do ativo imobilizado; confronto com os registros individuais e

comparação com somatório dos saldos desses registros com o saldo da

respectiva conta do razão eral; contagem de dinheiro; etc. (CREPALDI, 2007)

2.6.6 Amarrações do sistema

Quando a amarração do sistema é válida solicitar que esse processo tem as

características independentes e simultaneamente interligadas, possibilitando o

controle dos mesmos. Assim a empresa que prezar por um sistema de controle

eficiente e concomitantemente constituído por pessoas habilitadas, poderão se

articular de modo a garantir as atividades e procedimentos com melhor

eficácia.

Segundo Crepaldi (2007, p. 281) diz que: “o sistema de controle deve ser

conhecido, de maneira que sejam registradas apenas as transações

autorizadas, por seus valores corretos e dentro do período de competência. ”

Quadro – 3 – Exemplo de amarrações do sistema:

Conferência independente do registro das transações contábeis, como por

exemplo: transporte de valores dos registros finais para o razão geral;

Conferência independente dos cálculos, como por exemplo: depreciações;

correção monetária; elaboração das notas fiscais de vendas; etc;

Conferência da classificação contábil de todos os registros finais por um

contado competente;

Estabelecimentos de controles sequenciais sobre as compras e vendas, de

forma assegurar que essas transações sejam contabilizadas na época devida;

As rotinas internas de controle devem ser determinadas de modo que uma área

controle a outra.

A obediência a esses exemplos citados acima constitui a amarração do

sistema. “As rotinas internas de controle devem ser determinadas de modo que

uma área controle a outra”. (ALMEIDA, 2010, p.48). O trabalho de cada

departamento precisa ser integrado e coordenado, a fim de manter o bom fluxo

e eficiência nas operações em toda a estrutura operacional. É o controle sobre

todas as operações, do início ao fim, em cada departamento.

Conclui-se que a amarração no sistema é uma forma de evitar irregularidades e

fraudes e garantir a eficiência e a qualidade do início ao final de cada

procedimento.

2.6.7 Auditoria interna

Na organização é imprescindível que se tenha uma auditoria interna pois, é

através da mesma que poderá ser acompanhando o andamento dos processos

e a verificação periódica do cumprimento das atividades determinadas. De

nada adiante ter um bom sistema de controle interno, uma equipe funcionários

de qualidade se não tiver uma pessoa que possa confrontar as informações e

verificar se de fato estão sendo realizados de maneira correta (CREPALDI,

2007).

2.7 RESPONSABILIDADE PELA DETERMINAÇÃO DO CONTROLE INTERNO

A administração é responsável pelo planejamento, implantação e supervisão de

um sistema de controle interno adequado.

Attie (2001, p.201) diz o seguinte:

A administração é responsável pelo planejamento, instalação e

supervisão de um sistema de controle interno adequado.

Qualquer sistema, independentemente de sua solidez

fundamental, pode deteriorar se não for periodicamente revisto.

O sistema de controle interno deve estar sujeito a contínua

supervisão para determinar se:

1. A política interna presente está sendo corretamente

interpretada;

2. As mudanças em condições operativas tornaram os

procedimentos complicados, obsoletos ou inadequados; e

3. Quando surgem falhas no sistema, são tomadas

prontamente medidas eficazes e corretivas.

A própria conceituação de controle interno vislumbra a

definição da responsabilidade acerca dos procedimentos a

serem adotados ao longo de toda empresa. Entretanto, nem

sempre o significado de controle interno é entendido em toda a

sua extensão, ocorrendo casos em que tal significado é

colocado à mercê de sua própria sorte, esquecendo-se de sua

responsabilidade pela boa gestão do patrimônio da empresa.

Já Crepaldi (2007, p. 277) diz que:

As atribuições dos funcionários ou setores internos da empresa

devem ser claramente definidas e limitadas, de preferência por

escrito, mediante o estabelecimento de manuais internos de

organização. As razões para se definirem as atribuições são:

1. Assegurar que todos os procedimentos de controles

sejam executados;

2. Detectar erros e irregularidades;

3. Apurar responsabilidades por eventuais omissões na

realização das transações da empresa.

Diante do exposto dos autores a conceituação de responsabilidade está

diretamente ligada a controle interno, a definição da mesma é tão importante

quanto das tarefas a serem desenvolvidas, e tão interessante quanto se ter um

sistema de controle interno adequado é ter uma boa manutenção do mesmo

para se garantir uma vida útil longa com qualidade. Crepaldi (2007, p. 277) cita

alguns exemplos de tarefas internas de controle, para as quais precisam ser

definidos os empregados responsáveis:

 Aprovação de aquisição de bens e serviços;

 Execução do processo de aquisição (cotação de preços,

seleção do fornecedor e formalização de compra);

 Certificado do recebimento de bens ou prestação dos

serviços;

 Habilitação do documento fiscal do fornecedor para

pagamento (confronto da nota fiscal do fornecedor com

contrato, ordem de compra etc.);

 Programação financeira do pagamento;

 Preenchimento dos cheques para pagamento;

 Assinatura de cheques;

 Pagamento ao fornecedor;

 Aprovação da venda;

 Preparo da nota fiscal de venda, fatura e duplicata;

 Controle de cobrança de vendas a prazo;

 Programação financeira do recebimento;

 Recebimento de numerário;

 Preparo do recebimento de depósito;

 Depósito do numerário em branco;

 Controle dos registros de empregados;

 Determinação dos valores a pagar aos empregados;

 Pagamentos aos empregados;

 Controle físico sobre os ativos (dinheiro em caixa, cautelas

de títulos, estoques etc.);

 Registro contábil das operações da empresa.

Logo, todos os funcionários da instituição precisam ter conhecimento dos

conceitos e objetivos de controle interno propostos pela empresa, adequando

suas atividades em conformidade com estes.

2.8 AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS DE CONTROLE INTERNO

Conhecer para avaliar, para promover o sistema de controle interno dentro do

contexto de uma empresa é indispensável. Este ato se dar por meio de estudos

individuais e em grupo, por meio de leituras de manuais, livros e, dentre outros

procedimentos realizados por quaisquer empresas auditadas e ate mesmo no

contato com outras pessoas que já possuem habilidade e experiência nesses

processos de operação. Também se dar por meio de realização de momentos

de entrevista, visitas técnicas que viabilizem o ato de conhecer para melhor

avaliar.

Segundo Crepaldi (2007, p. 287) “A avaliação dos controles internos tem como

escopo principal determinar a natureza, a profundidade e a extensão dos

exames finais de balanço e, como escopo secundário, sugerir aprimoramento

em relatório específico”.

Para Almeida (2010, p.52) A avaliação do sistema de controle interno

compreende:

 Determinar erros ou irregularidades que poderiam

acontecer;

 Verificar se o sistema atual de controles detectaria de

imediato esses erros ou irregularidades;

 Analisar as fraquezas ou a falta de controle, que possibilitam

a existência de erros ou irregularidades, a fim de determinar

a natureza, data e extensão dos procedimentos de auditoria;

 Emitir relatório-comentário dando sugestões para o

aprimoramento do sistema de controle interno da empresa.

De fato, tem que haver um estudo e avaliação apropriada do sistema de

controle interno não apenas como base de confiança que o mesmo merece,

mas, também para determinar procedimentos.

2.9 PROCEDIMENTOS MAIS EFICIENTES

Para reduzir probabilidades de desvio destaca-se a importância do sistema de

provas surpresas (sistema preventivo) realizado pela auditoria. Esta falta de

atitude preventiva de auditoria, mesmo que localizada, tem sido um ônus que

as empresas estão pagando caro.

Segundo Crepaldi (2007, p. 273).

Por causa do processo de enxugamento nas empresas, o

papel do auditor restringiu-se à fiscalização contábil. Os

auditores externos analisam balanço, dados, mas efetivamente,

não analisam as rotinas da empresa. Deve-se criar em guia de

procedimentos e provas departamentais, em cada unidade da

organização, realizado pelos próprios funcionários. Entretanto,

nada impede que no fim do dia a própria auditoria interna

verifique o trabalho. Como a própria surpresa é uma iminência,

as provas setoriais acontecem, de fato. Outro fator é que os

auditores estão sendo desviados para resolver problemas

imediatos de irregularidades, em vez de cumprirem seu

trabalho normativo. Se o auditor faz o trabalho dele não precisa

prender ninguém.

Sendo assim, quando se detecta uma fraude, a auditoria pode participar com

autoinstrução e criar outros procedimentos de controle para que novas

situações não ocorram mais.

2.10 LEVANTAMENTO DO SISTEMA E CONTROLE INTERNO

O levantamento do sistema e sua relação do controle interno se darão por um

conjunto de funções importantes e distribuídas entre os membros de uma dada

empresa.

E todo esse processo será viável se houver uma organização que estruture um

conjunto de rotinas que podem também ser denominadas por sistema.

Para Crepaldi (2007, p. 286) “as informações sobre o sistema de controle

interno são obtidas das seguintes formas: leitura dos manuais internos de

organização e procedimentos; conversa com funcionários da empresa entre

outros”. Onde, o levantamento acontece através do sistema da empresa que

segundo PEREZ JUNIOR (1995, P. 63) “podem ser evidenciadas de quatro

formas diferentes: questionários narrativos; questionário “sim/não”; fluxogramas

e descrição propriamente dita”.

2.11 LIMITAÇÕES DO CONTROLE INTERNO

As limitações do controle interno são, principalmente, com relação a:

1. Conluio de funcionários na apropriação de bens da

empresa;

2. Instrução inadequada dos funcionários com relação às

normas internas;

3. Negligência dos funcionários na execução de suas

tarefas diárias.

Em virtude dos pontos acima relatados, mesmo no caso de a empresa ter um

excelente sistema de controle interno, o auditor deve executar procedimentos

mínimos de auditoria. Crepaldi (2007, p. 284)

Segundo Almeida (2010, p.50)

As limitações do controle interno são principalmente com

relação a:

1. Conluio de funcionários na apropriação de bens da

empresa;

2. Os funcionários não são adequadamente instruídos com

relação às normas internas;

3. Funcionários negligentes na execução de suas tarefas

diárias.

Ambos os autores trazem as mesmas limitações referente ao controle interno,

onde mesmo com as presentes limitações é possível perceber o quanto um

bom sistema de controle internos contribui de forma positiva para o andamento

das atividades da empresa.

2.12 DESFALQUES

Para o colaborador praticar um desfalque, ele tem que ter acesso aos ativos da

empresa.

2.12.1 Desfalque Temporário

O desfalque temporário ocorre quando um funcionário toma posse de um ativo

da empresa sem alterar os registros contábeis transferindo os mesmo para

conta de despesas.

São exemplos de desfalque temporário:

 Funcionário apoderar-se do dinheiro recebido de clientes,

proveniente de vendas a prazo, antes do registro contábil do

recebimento;

 Funcionário assenhoreia-se do dinheiro recebido de

clientes, após o registro contábil do recebimento;

 Funcionário apoderou-se de um ativo da empresa

(dinheiro de caixa, cautelas de títulos, estoques, imobilizados

etc.) como resultado, o ativo continua registrado no razão geral;

no entanto, o bem não mais existe fisicamente na empresa.

2.12.2 Desfalque Permanente

Ocorre quando o funcionário devia um bem da empresa e modifica os registros

contábeis, de forma que os ativos existentes concordem com os valores

registrados na contabilidade. Para que suceda esse tipo de desfalque é

necessário que o funcionário tenha acesso aos ativos e aos registros

contábeis.

Crapaldi (2007, p. 286) traz como exemplos de desfalques permanentes os que

seguem:

 Funcionário responsável pelos recebimentos de clientes e

pelo preparo dos registros contábeis de vendas e recebimentos

desvia um recebimento de venda a prazo e baixa a duplicata

correspondente contra vendas (débito em Devolução de

Vendas e crédito em Duplicatas a Receber);

 Funcionário responsável pelas matérias-primas e pela

elaboração de lançamentos contábeis rouba uma

matéria-prima e baixa em bem correspondente para despesa (débito

em Despesa Diversas e crédito em Matéria-prima) etc.

2.13 CONTROLE INTERNO E FRAUDES

A efetividade do sistema de controle interno como um todo deve permitir

revelar não somente irregularidades de atos intencionais, como também erros e

atos não intencionais.

Os resultados de pesquisas realizadas sobre as fraudes nas

empresas apontam que esse é um problema comum e

crescente a todas elas, decorrente do enfraquecimento dos

valores éticos, morais, sociais e, principalmente, da ineficácia

dos sistemas de controle internos. Embora os fatores que

motivam as pessoas a cometerem fraude possam ser

classificados em três aspectos:

1. Oportunidade para cometê-la e escondê-la;

2. Pressão por dificuldades financeiras; e

3. Racionalização do entendimento sobre a falta cometida.

A maioria dos entrevistados concorda que a melhor maneira

para reduzir as fraudes é sua prevenção. Além disso,

reconhecem que nas fraudes há sinais de advertência que

podem ser percebidos, permitindo evitá-las ou identificá-las.

Bons controles internos apenas previnem contra a fraude e

minimizam os riscos de erros e irregularidades, porque, por si

só, não basta para evitá-los. Assim, por exemplo, a segregação

de uma operação em fases distintas, dirigidas a diversas

pessoas, reduz a chance de ocorrerem irregularidades, porém,

não pode impedir que elas ocorram, casos as diversas pessoas

que intervém no processo se puserem de acordo para cometer

algum ato fraudulento.

Atiie (2011, p. 204) diz que:

Por tudo quanto foi dito, até então, tem-se a impressão de que

um bom sistema de controle interno constitui garantia absoluta

contra a ocorrência de fraudes ou irregularidades. Bons

controles internos previnem contra a fraude e minimizam os

riscos de erros e irregularidades, porque, por si só, não bastam

para evitá-los. Assim, por exemplo, a segregação de uma

operação em fases distintas, confiadas a diversas pessoas,

reduz o risco de irregularidades; porém, não pode evitar que

estas ocorram, se as diversas pessoas que intervêm no

processo se puserem de acordo para cometer algum ato

fraudulento. Não obstante a isso, os outros elementos dos

sistemas podem, em alguns casos, atuar como controles

independentes que revelem a manobra.

Diante do que foi exposto em relação à fraude, é perceptível que os dois

autores tem uma linha de raciocínio em relação ao mesmo muito parecidas e

logo se percebe que mesmo com um sistema de controle interno eficiente não

é possível evitar a fraude em uma empresa. Ainda segundo os autores Attie

(2011, p. 204) e Crepaldi (2007, p. 284-285):

A eficiência do sistema de controle interno como um todo deve

permitir detectar não somente irregularidades de atos

intencionais, como também erros de atos não intencionais.

Esses erros podem ser:

1. De interpretação como, por exemplo, a aplicação errônea

dos princípios contábeis geralmente aceitos na contabilização

de transações;

2. De omissão por não aplicar um procedimento prescrito

nas normas em vigor;

3. Decorrentes de má aplicação de uma norma ou

procedimento.

A fraude, por sua vez assume múltiplas modalidades. Das diversas

classificações de fraudes que até hoje foram tentadas Attie (2011, p.204 – 205)

divide da seguinte maneira:

 Não encobertas: são aquelas em que o autor não considera

necessário esconder, porque o controle interno é muito

fraco. Um exemplo seria a retirada de dinheiro do caixa, sem

se efetuar nenhuma contabilização;

 Encobertas temporariamente: são feitas sem afetar os

registros contábeis, por exemplo, retirara dinheiro

proveniente das cobranças, omitindo o registro delas de

modo que seu montante possa ser coberto com o registro de

cobranças posteriores, e assim sucessivamente;

 Encobertas permanentemente: nestes casos, os autores da

irregularidade preocupam-se em alterar a informação

contida nos registros e outros arquivos, para assim ocultar a

irregularidade. Por exemplo, a retirada indevida de dinheiro

recebido de clientes poderia ser encoberta, falsificando-se

as somas dos registros de cobranças; porém, isto não

bastaria, pois, como o valor a creditar aos clientes não

poderia ser alterado sem o risco de futuras reclamações,

deve-se procurar outro artifício.

Em geral, o sistema de controle interno deve consentir a detecção de todas as

irregularidades. Um bom sistema de controle interno oferece maiores

possibilidades de pronta identificação de fraudes em qualquer que seja a sua

modalidade.

2.14 CONTINUIDADE

“Para a Contabilidade, a entidade é um organismo vivo que irá operar por

período indeterminado de tempo, até que surjam fortes evidências em

contrário” (Pronunciamento IBRACON).

A entidade deve ser vista, em tese, como uma instituição capaz de produzir,

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