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Princípios que asseguram a qualidade do relatório

3. Capitulo – O Balanço Social

3.2. Princípios que asseguram a qualidade do relatório

O Instituto ETHOS, aponta 5 princípios a levar em consideração a quando da elaboração da análise de modo a assegurar a qualidade e a credibilidade do relatório.

 Equilíbrio – este principio visa garantir que a apresentação do conteúdo de relatório, não se atenha apenas a resultados favoráveis a organização, o que permite aos stakeholders fazer uma avaliação mais apropriada dos itens divulgados. Faz a inserção dos dados que podem ser favoráveis ou desfavoráveis sobre o desempenho da organização.

 Comparabilidade - Refere-se a necessidade da organização estabelecer e manter métodos de compilação de dados que permita compará-los com dados da própria organização de ciclos anteriores, bem como as de outras organizações.

 Exactidão - Diz respeito a precisão e ao detalhamento necessário às informações apresentadas. Em relação aos dados quantitativos, faz referência aos métodos da sua compilação, e relação aos dados qualitativos refere ao grau de clareza da apresentação da informação.

 Periodicidade - refere a regularidade em que o relatório é apresentado e actualidade das informações nele apresentado.

 Clareza - Diz respeito ao modo como o relatório é apresentado e a utilidade das informações, permitindo fácil acesso e compreensão por parte dos stakeholders.

 Confiabilidade - Refere-se aos registos e a documentação que devem ser feitos durante o processo de elaboração do relatório para garantir aos stakeholders que as informações nele contido possam ser verificadas e comprovadas. A confiabilidade diz respeito ao seu conteúdo respeitando o princípio de materialidade.

Segundo Cruz (2008), a qualidade de um indicador depende da precisão do sistema de informação e mede-se pela sua relevância, custo, integridade e consistência. A selecção do conjunto de indicadores, e o seu nível de desagregação, dependem das fontes de informação, das prioridades, das necessidades definidas e devem ser analisados e interpretados com facilidade.

3.3. Tipos de Balanço Social

Segundo os autores Ribeiro e Lisboa (2002) há pelo menos três vertentes do Balanço Social: a de Recursos Humanos, a Ambiental e a do Valor Adicionado. Estas vertentes podem ser tratadas isoladamente ou em conjunto. Na sua concepção mais ampla, o Balanço Social envolve a demonstração da interacção da empresa com os elementos que a cercam ou que contribuem para sua existência, incluído o meio ambiente natural, a comunidade e economia local e recursos humanos.

Tinoco (2001, p.29) afirma que em uma muito larga medida a empresa é o seu pessoal. Fazer um Balanço Social é, com efeito, em um largo sentido descrever seu pessoal, a forma como ele evolui, as diversas categorias que o compõem, as condições nas quais trabalha, como entra e como sai da empresa.

Ludícibus (2000, p.31) afirma:

“ O Balanço de Recursos Humanos visa evidenciar o perfil da força de trabalho: idade, sexo, formação escolar, estado civil, tempo de trabalho na empresa [...] remuneração e benefícios concedidos: salário, auxilio alimentação, educação, saúde, transporte etc.; gastos com treinamento dos funcionários.”

Para Tinoco (2002, p. 65), as explicitações das informações referentes ao pessoal é, normalmente, abordada como se segue:

1. Emprego;

2. Remunerações e outros benefícios (custo com pessoal);

3. Formação profissional e desenvolvimento contínuo;

4. Condições de higiene e segurança no trabalho;

5. Relações profissionais;

6. Outras condições dependentes da empresa;

3.4.

Métodos de Analise

São três, na sua essência, os métodos para a análise do balanço social. Esses três métodos segundo Dantas (1996) podem e devem ser entrelaçados numa matriz que agrega mais valor no processo decisório.

1 - Método dos valores directos – consiste na constatação imediata dos valores devidamente separados e classificados. Visa e fornece tão-somente um juízo expedito (mas pobre de significados) sobre determinada situação, por exemplo, o número de efectivos ou dias de absentismo;

2 - Método dos valores percentuais – consiste em traduzir os diversos valores

absolutos em valores relativos, ou seja, a percentagem em relação ao global da grandeza que se analisa, facilitando a comparação, interna e ou externa, por exemplo das

mulheres em relação ao efectivo global;

3 - Método dos quocientes – consiste na análise de relações entre duas ou mais grandezas, constituídas por divisões, temos, por exemplo, as taxas e os ratios.

3.5.

Obrigatoriedade

O Balanço Social é um demonstrativo que permite acompanhar as acções praticadas com responsabilidade social pela empresa ano-a-ano, através das informações na forma de indicadores sociais, seja interno ou externo, dos indicadores ambientais e dos indicadores do corpo funcional da mesma, entre outras informações. Com isso, fica registada a progressão das actividades sociais, evidenciando sua continuidade e abrangência exigida pela responsabilidade social.

Para Perottoni (2002, p. 54), com certeza, a obrigatoriedade social será um factor superior à obrigatoriedade legal, pois as empresas, por exigência de seus clientes, se verão obrigadas a prestar contas de todas as suas actividades perante a sociedade, para que assim, adquiram mais confiança e credibilidade, garantindo um lugar no mercado.

O balanço social vem tendo a sua publicação obrigatório em alguns países caso da França e do Portugal.

Desde 1985 que o balanço social vem sendo consagrado em Portugal. O modelo de balanço Social, que deve ter em conta a dimensão das empresas, foi aprovado por portaria do Ministro responsável pela área laboral as pequenas, médias e grandes empresas, uma lei que tornava obrigatória a elaboração e publicação de balanço social, Lei nº 141/853, de 14 de Novembro, para todas as empresas com pelo menos 100 pessoas ao serviço, qualquer que seja o regime contratual.

Ainda em 1992, o Decreto-Lei n.º 155/92, de 28 de Junho, tornou obrigatória a apresentação do balanço social, enquadrado na lei geral, pelos organismos autónomos da Administração Pública, nada dispondo, porém, relativamente aos serviços e

organismos com simples autonomia administrativa, que são a maioria.

O balanço social é um instrumento de Gestão que ainda não tem sua publicação legalmente obrigatória em Cabo Verde. No entanto, vários serviços o utilizam como instrumento de gestão e planificação

O balanço social é um elemento necessário para a avaliação da realidade interna da empresa, mas também um instrumento de motivação dos trabalhadores. É por outro lado uma forma de concertação e diálogo com os vários grupos sociais, a obtenção de uma imagem positiva da empresa perante o público em geral e garantir transparência das actividades da empresa.

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