Existem vários indicadores de preços na economia brasileira, cada qual com objetivos e metodologias específicas. Alguns são de abrangência nacional como o IPCA e o INPC apurados pelo IBGE, e o IGP e seus índices componentes apurados pela FGV. Há ainda outros índices regionais, também de grande importância, com destaque para o tradicional IPC apurado pela FIPE para o município de São Paulo.
Uma boa revisão dos índices de preços desenvolvidos e divulgados no Brasil, assim como suas metodologias, pode ser encontrada em IBGE (2005a, 2005b, 2006, 2007), FECOMÉRCIO (2005a, 2005b), Triches e Furlaneto (2005), BACEN (2006), FIPE (2007) e FGV (2007).
2.4.1 INPC e IPCA – IBGE
O INPC e o IPCA são índices de abrangência nacional, e fazem parte do Sistema Nacional de Preços ao Consumidor – SNIP criado em julho de 1978 pelo IBGE visando acompanhar a variação de preços de um conjunto de bens e serviços consumidos por famílias brasileiras.
O IPCA cobre famílias de renda de 1 a 40 salários mínimos, e é utilizado para corrigir os balanços e demonstrações financeiras trimestrais e semestrais das companhias abertas, além de ser o índice oficial medidor da inflação no Brasil, já que foi adotado pelo Conselho Monetário Nacional - CMN como referência para o sistema de metas de inflação.
O INPC também tem sua importância, já que cobre famílias com faixa de renda de 1 a 6 salários mínimos, e, portanto, é um indicador que estima os efeitos de variações de preços
nos grupos mais sensíveis, ou seja, de menores rendas e que gastam seus rendimentos totais com consumo corrente. É utilizado como balizador dos reajustes de salários.
Seus resultados são obtidos através de médias aritméticas ponderadas dos IPCs
regionais das onze maiores regiões metropolitanas do país24 (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Brasília e Goiânia), para suas respectivas populações-alvo.
As estruturas de ponderação têm por base a Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF de 2002/2003 e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 1996. Os índices regionais são ponderados de acordo com a composição dos gastos típicos de sua população com os grupos (alimentação e bebidas; habitação; artigos de residência; vestuário; transporte; saúde e cuidados pessoais; despesas pessoais; educação, leitura e papelaria e comunicação). Já para a atribuição de pesos a cada região no processo de agregação do INPC e do IPCA, são utilizadas as variáveis “população residente urbana” e “rendimento total urbano”, respectivamente.
Para construção de ambos os índices, as coletas de dados são realizadas do dia 1º ao dia 30 do mês de referência, e a divulgação de seus resultados é feita até o dia 15 do mês
subseqüente25. Para cálculo dos índices, a fórmula adotada pelo IBGE é a de Laspeyres.
2.4.2 IGP – FGV
A primeira versão do IGP – FGV foi divulgada em 1947, e durante muito tempo, esse índice foi a medida de inflação oficial do Brasil. O levantamento dos dados que servem de base para o cálculo desse índice é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Economia – IBRE, criado em 1951.
O IGP apresenta três derivações relevantes para fins específicos: o IGP-DI que só considera preços do mercado interno (esse foi o IGP medidor oficial da inflação no Brasil) e é utilizado contratualmente como indexador de alguns preços administrados; o IGP-M usado como indexador para títulos privados e também para corrigir preços administrados como os de energia elétrica; e por fim o IGP-10 que mede a evolução dos preços do dia 11 do mês anterior ao dia 10 do mês de referência.
24 De acordo com IBGE (2005a), estudos e atividades de planejamento estão em desenvolvimento, visando a expansão do SNIP, com cobertura e produção de IPC’s regionais para as 27 Unidades da Federação.
25 O IBGE ainda divulga até o dia 25 do mês de referência o IPCA-15, que tem seus dados coletados do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. A população-alvo e as estruturas de ponderação são as mesmas do IPCA. Para mais detalhes, ver IBGE (2005a) e BACEN (2006).
Diferente do IGP-10, o IGP-DI tem sua coleta realizada do 1º dia ao dia 30 do mês de referência, e o IGP-M tem sua coleta do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência. O período de divulgação dos três índices consequentemente também é diferente: 10 – até o dia 20 do mês de referência, DI – até o dia 10 do mês subseqüente e IGP-M – até o dia 30 do mês de referência.
Logo, os períodos de coleta e divulgação representam a grande diferença entre os três índices, já que suas metodologias de construção são basicamente as mesmas. Ambos são obtidos a partir de uma combinação de três outros índices também calculados pela FGV: o IPA com peso de 60% correspondendo ao valor adicionado da produção, transporte e comercialização de bens de consumo e capital no atacado; o IPC com peso de 30% correspondendo à participação do valor adicionado pelo setor varejista e pelos serviços de consumo; e o INCC com peso de 10% equivalendo ao valor adicionado da indústria de construção civil.
2.4.3 IPA-FGV
Esse índice de preços de matérias-primas e produtos agrícolas e industriais é de abrangência nacional e objetiva medir a evolução dos preços praticados na comercialização atacadista entre empresas. É dividido em dois conjuntos de índices: segundo o destino de seus componentes, isto é, para o consumo, com peso de 36%, e para a produção, com peso de 64%; e segundo a origem, isto é, agrícola, com peso de 27%, e industrial, com peso de 73%.
Para sua construção, os dados de preços dos produtos agropecuários são coletados via boletins diários do Sistema Nacional de Informações de Mercado Agrícola – SIMA do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, e os dados de preços de produtos industriais são coletados por meio de pesquisa telefônica junto a empresas de destaque no fornecimento de cada item em todo o país.
As estruturas de pesos do IPA têm como base os dados do Censo Agropecuário de 1996 e do PIB de 1999, ambos gerados pelo IBGE. A fórmula utilizada para cálculo desse índice é a de Laspeyres.
2.4.4 IPC – FGV
O IPC da FGV era calculado até 1989 apenas para a cidade do Rio de Janeiro, e para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos. A partir de 2001 passou a ter abrangência nacional cobrindo 12 das principais capitais do país (todas 11 cobertas pelo IPCA e INPC mais Florianópolis), e com foco em uma população-alvo de famílias com rendimento entre 1 e 33 salários mínimos.
São calculados IPCs para os doze municípios que depois são agregados no IPC-Br. Para determinação da cesta de consumo e a respectiva ponderação dos componentes dos gastos das famílias em cada cidade, utiliza-se da POF atualizada. Os componentes dos gastos considerados são: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação, leitura e recreação; transportes; e despesas diversas. A partir disso, a agregação é feita atribuindo-se um peso fixo a cada um dos doze municípios, equivalente à participação da população residente no total em 1996, calculada pelo Censo do IBGE.
No cálculo do IPC-Br também é utilizada a fórmula de Laspeyres.
2.4.5 INCC – FGV
O INCC, assim como o IPC, tem por origem um índice similar somente para o município do Rio de Janeiro. A partir de 1985 passou a ter cobertura nacional e hoje abrange 12 capitais (as mesmas do IPC-Br).
Esse índice tem por objetivo calcular a variação mensal dos custos de construções habitacionais, baseado em uma amostra de insumos selecionada a partir de orçamentos analíticos de empresas de engenharia civil, que demonstram a composição de custos de materiais, serviços, e mão-de-obra empregados em construções de três tipos de habitações: habitações de um e dois pavimentos, de três a nove pavimentos, e por fim de dez e mais pavimentos.
A coleta de preços é feita em atacadistas, grandes varejistas, construtoras, e tem a colaboração de sindicatos e associações ligados à Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC.
Para sua construção, primeiro calcula-se os índices regionais das doze capitais ponderando de acordo com o detalhamento dos itens de custo e de licenças de “habite-se” (área edificada). Para agregação no índice nacional utiliza-se como fator de ponderação a
importância relativa de cada região em termos de área total edificada, determinadas também a partir das licenças de “habite-se”.
Assim como os dois índices anteriores, também formadores do IGP, o INCC utiliza-se da fórmula de Laspeyres.
2.4.6 IPC – FIPE
O IPC é um dos índices de preços mais antigos do Brasil. Possui a série de preços mais longa, já que é calculado desde 1939. Ele começou a ser calculado pela Divisão de Estatística e Documentação da Prefeitura de São Paulo, em 1968 passou a ser calculado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo – IPE/USP, e só com a criação da FIPE em 1973 passou para sua responsabilidade.
O IPC tem como população-alvo famílias paulistanas com rendimentos de 1 a 20 salários mínimos. Sua estrutura de ponderação é baseada em POF realizada no biênio 1998/1999 abrangendo os seguintes grupos: alimentação, habitação, despesas pessoais, vestuário, transportes, saúde, e educação.
A coleta de seus dados é realizada do dia 1º ao dia 30 do mês de referência, e a divulgação dos resultados é feita até o dia 10 do mês subseqüente. Cabe ressaltar, que além do índice mensal, a FIPE também divulga o IPC quadrissemanal, onde a média dos preços, em um grupo de quatro semanas consecutivas, é comparada com a média dos preços relativa às quatro semanas consecutivas anteriores.
A FIPE se diferencia dos demais institutos por adotar o índice Geométrico ou índice
de Konüs-Byushgens26 para cálculo do IPC.