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5 A CRISE DE ESCASSEZ DE ENERGIA E O NOVO MODELO DO SETOR

5.2 O NOVO MODELO DO SETOR ELÉTRICO

5.2.1 Princípios Básicos do Novo Modelo

5.2.1.1 Principais Agentes e as Novas Instituições

Visando estabelecer as bases que sustentarão a reforma institucional do setor elétrico, o governo promoveu alterações, ampliou reforços no papel de agentes institucionais existentes e determinou a criação de dois novos agentes institucionais e um novo comitê no MME. Os principais agentes do novo modelo institucional do SEB estão sintetizados na Figura 4.

Fonte: Elaboração com base no MME, 2006

Figura 4 - Modelo Institucional do Setor Elétrico Brasileiro a partir de 2004

CNPE MME EPE ANEEL Agentes CCEE ONS CMSE CMSE – Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Monitoramento das condições de atendimento e recomendação de ações preventivas para garantir

a segurança do suprimento. ONS – Operador Nacional do Sistema. Coordenação e controle da operação da geração e da transmissão no sistema elétrico interligado.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

Regulação e Fiscalização, zelando pela qualidade dos serviços prestados, universalização do atendimento e pelo estabelecimento de tarifas para consumidores finais, preservando a viabilidade econômica e financeira dos Agentes de comercialização.

MME – Ministério de

Minas e Energia.

Formulação e

implementação de políticas para o setor energético, de acordo com as diretrizes do CNPE. CNPE – Conselho Nacional de Política Energética. Homologação da política energética, em articulação com as

demais políticas públicas.

EPE – Empresa de

Pesquisa Energética.

Execução de estudos para

definição da Matriz Energética e planejamento da expansão do setor elétrico (geração e transmissão). CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Administração de contratos, liquidação do mercado de curto prazo, Leilões de Energia.

O novo contexto que o modelo institucional do SEB apresenta propõe que o CNPE, além de homologar a política energética nacional, em articulação com as demais políticas públicas, será o responsável pela proposição de licitação individual de projetos especiais do setor elétrico e do critério de garantia estrutural de suprimento energético.

O modelo ampliou as atribuições do MME como Poder Concedente, cuja problemática é o papel de distribuir os riscos inerentes ao novo modelo de forma equilibrada entre geração, distribuição, comercialização e consumo. Além de retomar a função de planejamento do setor e o exercício do poder de concessão, o MME irá monitorar e definir as ações preventivas para a restauração da segurança do suprimento de energia. O MME tem sob sua responsabilidade o aproveitamento de energia hidráulica, petróleo, combustível e energia nuclear.

O ONS também teve sua autonomia ampliada e permanecerá com a operação do sistema sob sua responsabilidade. O órgão encaminhará as propostas de ampliação das instalações da rede básica ao MME e não mais à ANEEL. O ONS coordenará a operação do Sistema Interligado Nacional - SIN e o despacho de forma centralizada, com base em informações dos geradores e previsão de cargas dos distribuidores.

O ONS manterá o Mecanismo de Realocação de Energia - MRE com o objetivo de otimizar a operação do sistema. O órgão tem um nível de arbitragem e é responsável por ordenar a usina a entrar ou sair do sistema. A cada gerador é alocada uma quantidade de energia, calculada em função da energia assegurada e do despacho ótimo. Para as usinas hidrelétricas, a energia assegurada é atribuída através da emissão de um certificado pela ANEEL, enquanto que para a energia de fonte térmica, o valor será calculado segundo um procedimento que considera custos variáveis e a inflexibilidade operativa dessas usinas.

A ANEEL perdeu a função de poder concedente, mas permanece firme na função regulatória e fiscalizadora. Os papéis do órgão serão concentrados na mediação, regulação e fiscalização do funcionamento do sistema elétrico, envolvendo cumprimento das normas do marco regulatório em geral e das obrigações dispostas nos atos de outorga, de concessão, autorização ou permissão. Continuará organizando os leilões de concessão da geração e transmissão.

A ELETROBRÁS prosseguirá com a função de holding das empresas federais, administradora dos encargos e fundos setoriais (RGR, CCC e CDE), comercializadora da energia de Itaipu e das fontes alternativas do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia – PROINFA, além da função de coordenação do OSI. O OSI sucederá o Grupo Técnico Operacional da Região Norte – GTON, e é o responsável pela coordenação da operação dos sistemas elétricos isolados.

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A ELETROBRÁS, junto com as suas controladas CHESF, FURNAS, ELETROSUL e ELETRONORTE, que foram retiradas do Programa Nacional de Desestatização, mais os geradores privados e estaduais, que são empresas que já atuam no setor, somados aos futuros financiadores de projetos, são os atores que irão determinar o cenário futuro da expansão da matriz energética brasileira. A grande expectativa é que sejam formadas parcerias público- privada para investir no setor.

A proposta do novo modelo incluiu a criação da Empresa de Pesquisa Energética - EPE, aprovada pela Lei nº 10.847 de 15 de março de 2004 e regulamentada pelo Decreto nº 5.184, de 16 de agosto de 2004, a EPE está vinculada ao Ministério de Minas e Energia, cujo principal objetivo é a realização de estudos e pesquisas que subsidiarão a formulação, o planejamento e a implementação de ações do MME, no âmbito da política energética nacional. As principais atribuições da Empresa são: realização de estudos e projeções da matriz energética brasileira; publicação do balanço energético nacional e quantificação dos potenciais de recursos energéticos; elaboração de estudos para o desenvolvimento dos planos de expansão da geração e transmissão e para a viabilidade técnico-econômica e socioambiental dos empreendimentos.

Além da EPE, foram instituídos a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico - CMSE. A CCEE substituirá o Mercado Atacadista de Energia - MAE, incorporando suas estruturas organizacionais e operacionais. Vai administrar os contratos de compra de energia no Ambiente de Contratação Regulada, além de contabilizar e liquidar as diferenças contratuais no Ambiente de Contração Livre. Enquanto o CMSE, instituído no MME, irá acompanhar as condições de atendimento elétrico num horizonte de cinco anos, com o objetivo de assegurar a implementação de providências com vistas a garantir a normalidade do suprimento de energia elétrica.