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Para se obter uma pré-avaliação qualitativa e quantitativa dos fluxos de produção foi solicitado às empresas a quantidade e os custos operacionais para os dados relacionados ao faturamento, matéria-prima, principal produto, produto exportação, substância química, energia, água, processos terceirizados, embalagens e disposição de resíduos. Somente 7 empresas, apresentaram todas as informações pedidas o restante (13) apresentou dados de um ou outro indicador devido à indisponibilidade, dificuldade no acesso às informações ou tempo para elaborar estas questões. Outro fator importante consiste em que, para algumas empresas, os dados referentes ao consumo e ao custo de matéria prima e energia elétrica terem sido baseados no consumo do último mês.

Para a avaliação ambiental da amostra foram identificados 10 processos produtivos principais. Entre os processos operados pelo maior número de empresas encontram-se, respectivamente, o de corte e costura (16), tecelagem (8), bordados computadorizados (5) e estamparia (5). O tingimento de aviamentos é um processo em pequena escala nestas empresas de confecção. Tabela 15 relaciona o total de indústrias da amostra aos processos produtivos.

Tabela 15: Principais processos produtivos das indústrias da amostra - 2005

Principais Processos Produtivos Têxtil Vestuário APL

Preparação do fio para tecelagem 3 0 3

Tecelagem 7 1 8 Desengomagem/Amaciamento 1 0 1 Secagem 1 0 1 Tingimento de Aviamentos 1 2 3 Estamparia 1 4 5 Corte 4 12 16 Costura 4 12 16 Bordados 5 1 6

Já os principais processos terceirizados apresentados por estas empresas foram os de tinturaria de fios e tecidos (7), bordados (5), facção (2) e lavanderia (1). Somente uma micro empresa têxtil apresentou o custo anual para a terceirização do processo de estamparia. Para 8.000 kg de tecidos de malha o custo anual desta terceirização chegou a R$25.000,00 que representou, aproximadamente, 28% do faturamento da empresa.

As principais matérias primas das indústrias têxteis são os fios de algodão, poliéster e viscose, para as tecelagens de tecidos de decoração; fios de seda para a tecelagem de seda;

fios de algodão e poliéster para as tecelagens de malha; poliamida e borracha para a tecelagem de etiquetas; e entretela para os bordados computadorizados. Estas matérias-primas têm sua origem nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. A matéria-prima principal das estamparias de decoração e de confecção são os pigmentos, corantes e resinas.

Para as confecções os tecidos de malha de algodão, poliamida, poliéster e jeans representam as principais matérias-primas utilizadas por estas indústrias. Como forma de dar um diferencial aos seus produtos, quando no lançamento de novas coleções, as indústrias de confecção da amostra, têm seus tecidos, em sua maior, parte originários, dos mesmos estados citados acima, devido a estes serem de boa qualidade e o preço ser compensatório.

Já os produtos auxiliares foram representados por tubos e cones de linha para as tecelagens; tubos de linhas para etiquetas; papel para moldes, tubos de linhas e acessórios para as confecções; e papel para as estamparias. Apesar do questionário conter uma relação de possíveis substâncias químicas utilizadas pelas indústrias, as 9 empresas que responderam esta questão se limitaram em apresentá-los sob a forma de “corantes”, “pigmentos” e “resinas”, utilizados nos processo de estamparia e tingimento de acessórios; gomas e amaciantes utilizados nos processos de amaciamento de fios e tecelagem e óleos lubrificantes para o maquinário. A Tabela 16 relaciona a quantidade anual de matéria-prima ao total de indústrias que disponibilizaram estas informações e as suas atividades principais.

Tabela 16: Tipos e quantidade de matéria-prima principal das indústrias da amostra - 2005

Matéria Prima Quantidade Un Ind Atividade Malha (algodão) 350.596 kg 8 Confecção

Tecido poliamida 11.200 kg 1 Confecção Malha (poliéster) 14.268 kg 1 Confecção

Jeans 90.000 kg 1 Confecção

Entretela 58.700 m 3 Bordados

Linhas 3.196 tubos 1 Bordados

Fios de algodão 232.244 kg 4 Tecelagens de Decoração, Malha e Tricotagem Fios de poliéster 50.466 kg 2 Tecelagens de Decoração, Malha e Etiquetas Fios de Viscose 16.503 kg 1 Tecelagem de Decoração

Fios de seda 2.688 kg 1 Tecelagem de Seda Fios de poliamida 8.642,28 kg 1 Tecelagem de Etiquetas Borracha 12.478,32 kg 1 Tecelagem de Etiquetas Corantes I 2.400 kg 1 Estamparia de Confecção Corantes II 50 kg 1 Estamparia de Decoração Pigmentos 30 kg 1 Estamparia de Decoração Resinas 700 kg 1 Estamparia de Decoração Papel 10.000 kg 1 Estamparia de Decoração Óleo Mineral 10.000 l 1 Tecelagem de Malha Óleo Diesel 4.800 l 1 Tricotagem

Quanto às fontes de energia estes processos produtivos são intensivos no uso de energia elétrica que é a fonte principal da amostra. O gás e o óleo diesel são fontes de energia secundárias para, respectivamente, 5 e 3 indústrias.

Os valores para o consumo e custo anual de energia elétrica foram fornecidos por empresas que operam nas atividades de tecelagens (4), confecções (4), bordados computadorizados (2) e de estamparia (1). Estas empresas, tendo como referência o ano de 2004, apresentaram um consumo de 591.872 kWh ao custo de R$ 333.437,00.

Entre as tecelagens de decoração a diferença no consumo de energia reside em uma demanda maior pela produção de tecidos da Tecelagem II que apresenta maquinário mais moderno do que a Tecelagem I.

A tecelagem de seda é um caso diferenciado neste conjunto de empresas. Opera a 41 anos no mercado e é a única empresa da amostra que se originou dos áureos tempos da indústria têxtil no município. Seu maquinário veio todo da Suíça e é composto por um total de 77 máquinas elétricas distribuídas entre encanatórios (5), retorcedeiras (9), repassadeira (1), meadeiras (2), binadeiras (10), teares (34), urdideiras (2), espuladeiras (8), estufa para vaporizar (1), estufa de Meadas (1), revisadeiras (2), enroladeira (1) e ferro de passar (1). Entre este conjunto de máquinas seu maior consumo se encontra na estufa de meadas que necessita operar por mais de 5 horas aproximadamente, 8 vezes ao mês, quando se faz necessário o processo de amaciamento dos fios de seda crus vindos de uma fiação localizada no Paraná. Quando necessita de reposição ou conserto de peças defeituosas são direcionadas a uma oficina próxima a empresa que procura reproduzir as peças defeituosas.

De uma forma geral, estas empresas, quando à época do racionamento de energia, efetuaram medidas de controle básicas para minimizar seu consumo. A Tabela 17 relaciona os dados de consumo e custo de energia para as micros e pequenas empresas de acordo com sua atividade, total de indústrias e de empregados.

Tabela 17: Consumo e custo de energia elétrica por atividade principal - 2005

Atividade Ind Total Empregados Consumo (kWh) Custo (R$)

Confecção 2 18 20.284 13.115 Bordados 1 13 8.658 4.695 Estamparia 1 5 38.460 21.600 Tecelagem de Malha 1 3 21.600 12.600 Tecelagem de Decoração I 1 9 7.120 3.842 Tecelagem de Decoração II 1 13 109.051,48 - Tecelagem de Etiquetas 1 60.874 - Total 6 48 295.173 55852 Confecção 2 144 244.332 133.048 Bordados 1 32 36.000 20.000 Tecelagem de Malha 1 30 18.000 35.600 Tecelagem de Seda 1 43 148.329 63.559 Tricotagem 1 20 49.089 25.378 Total 6 269 495750 277.585

Devido ao setor ser altamente baseado em maquinário elétrico todas as empresas da amostra apontaram que a eficiência no consumo de energia elétrica é um aspecto considerado estratégico frente ao impacto nos custos de produção.

Historicamente os processos industriam de beneficiamento do substrato têxtil (fibras, fios, tecidos e peças confeccionadas) são intensivos em uso de energia e água. Como demonstrado anteriormente a localização de indústrias têxteis no município de Petrópolis foi induzida em grande parte pelo seu potencial hidrológico e pelo seu clima. Posteriormente com as atividades de confecção vieram as estamparias integradas aos seus processos principais ou operando como atividades isoladas formais e informais. A coloração dos principais rios da cidade nas mais variadas tonalidades era um fato corriqueiro na cidade devido ao grande número de indústrias formais e informais que continham estes processos industriais.

De acordo com as informações obtidas junto às empresas 43% da amostra tem como fonte de água o sistema de abastecimento público seja de forma exclusiva (27%) ou combinada a outros tipos de captação (16%). Já para 48% o tipo de captação recai sob a forma de poço artesiano (23%) ou freático (15%). Para 50% das indústrias têxteis os tipos de captação de forma exclusiva recaem sob poço Artesiano (23%), Cisterna (14%) e Poço Freático (7%). O sistema de rede pública de água abastece de forma exclusiva 33% da amostra de indústrias do vestuário. Já para 42% destas indústrias o sistema de captação se dá via Poço Freático (25%) ou Poço Artesiano (17%).

A Tabela 18 relaciona aos tipos de captação, o total de indústrias e o seu percentual por segmento de atividade e para a amostra como um todo.

Tabela 18: Tipos de captação de água por atividade - 2005

Total de Indústrias Indicador (%) Tipos de Captação de Água Têxtil Vestuário APL Têxtil Vestuário APL

Rede Pública 3 4 7 21 33 27

Rede Pública/Cisterna 1 0 1 7 0 4

Rede Pública e Poço Artesiano 2 0 2 14 0 8 Rede Pública e Poço Freático 0 1 1 0 8 4

Poço Artesiano 4 2 6 29 17 23

Rio/Corpo D’água 0 1 1 0 8 4

Poço Freático 1 3 4 7 25 15

Cisterna 2 0 2 14 0 8

Caminhão Pipa 0 0 0 0 0 0

O uso sanitário da água recai com maior intensidade nas empresas da amostra do que o uso industrial, representado por 4 indústrias têxteis e 6 de confecção, no qual a água é utilizada como matéria-prima auxiliar. Este uso se dá através da lavagem de telas nas estamparias, amaciamento de fios na tecelagem de seda, tingimento de etiquetas, de aviamentos e passadoria.

Entre as empresas que têm no seu produto principal a fabricação de tecidos planos e de malha não existem processos de beneficiamento de fios ou de tecidos que tenham uso intensivo de água (matéria-prima auxiliar) e de compostos químicos que resultem na geração de efluentes. No passado estas empresas e outra tecelagem de malha da amostra, que hoje só confecciona, enviavam seus fios e tecidos para o tingimento na antiga Fábrica de Tecidos Santa Helena, empresa têxtil de médio porte, que terceirizava este processo para estas e outras empresas localizadas no município.

Com o seu fechamento e posterior venda este processo, para estas empresas, passou a ser terceirizado, resultando em um impacto nos custos de produção, não só representado pelo custo do serviço e frete, mas pelo tempo que leva desde a saída do produto até o seu retorno à empresa. Como exemplo cita-se o caso da tecelagem de seda na qual o tingimento do fio de seda é um processo especializado e, por esta razão, são poucas as tinturarias que oferecem este serviço. A empresa da amostra utiliza o serviço de duas empresas localizadas em São Paulo. Em média são enviados mensalmente 300 kg de tecidos de seda para o processo de tingimento durante 6 vezes ao mês, a um custo de R$15,60/kg. Soma-se a este valor o custo

de frete de 1%. Devido a esta terceirização, que em média demora de 10 dias na Tinturaria 1 e 20 dias, na Tinturaria 2, o prazo para a entrega do produto é de aproximadamente 35 a 40 dias. Uma das tecelagens de decoração apresentou um total de 30.105,93 kg de tecidos e fios enviados a uma tinturaria representando aproximadamente 32% do total de fios que entraram no processo produtivo no ano de 2004.

Uma empresa de tecelagem de malha, que de acordo com o seu CNAE, faz parte do total de indústrias constantes na base da RAIS, não respondeu ao questionário devido a só comercializar os seus produtos no município. Todos os seus processos de produção estão localizados em outro município. A empresa alegou que esta tomada de decisão derivou das dificuldades decorrentes na localização de novas instalações industriais voltadas para o tingimento de fios e tecidos sem a devida licença ambiental para operar.

De uma forma geral, estes processos são terceirizados em empresas localizadas em municípios dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo ou Minas Gerais.

Somente uma empresa faz o reuso da água em uma máquina de passar a vapor na etapa de passadoria e uma empresa de confecção capta água da chuva para lavagem de telas da estamparia. A Tabela 19 relaciona ao o total de empresas por atividade e para o APL e o percentual destes usos na amostra.

Tabela 19: Usos da água por atividade - 2005

Total de Indústrias Indicador (%) Fontes de Usos da Água Têxtil Vestuário APL Têxtil Vestuário APL Sanitário Banheiro 11 12 23 79 100 88 Cozinha 9 12 21 64 100 81 Industrial Estamparia 1 4 5 7 33 19 Tingimento de Etiquetas 1 0 1 7 0 4

Amaciamento de fios de seda crus 1 0 1 7 0 4

Passamento 1 0 1 7 0 4

Tingimento Aviamentos 0 1 1 0 1 4

Quanto ao aspecto relacionado à carga de poluentes do efluente industrial, 14 empresas da amostra (54%) não apresentam efluentes industriais. Entre as 10 empresas que apresentaram algum tipo de efluente os pontos de geração estão relacionados aos processos de beneficiamento.

De acordo com a classificação oficial, as atividades do vestuário e de comércio não apresentariam valores para os coeficientes de poluição industrial na água pelo, no qual os valores de referência para a amostra estariam baseados nos dados das empresas têxteis. Considerando os principais processos produtivos destas indústrias a estimativa para poluentes na água das indústrias de vestuário resultou em uma carga anual que chega a ser o dobro dos valores apresentados pelas indústrias têxteis representando 70% do total de cargas estimadas para estes tipos de emissão para a amostra. Os maiores valores encontrados para estas emissões na água foram para Tóxicos da Água (2.023,5 kg/ano), Sólidos Totais em Suspensão (1.730,5kg/ano) e DBO (1.100,1kg/ano). A Tabela 20 relaciona o total estimado para os poluentes na água propostos pelo modelo de estimativas IPPS para as atividades do vestuário, têxtil e a amostra APL, divididas em valores para o CNAE oficial e para as atividades produtivas reais das empresas.

Tabela 20: Carga de poluentes na água (kg/ano) – 2005

Têxtil Vestuário APL

Atividade Atividade Atividade

Poluentes IPPS

CNAE Real CNAE Real CNAE Real

DBO 263,4 327,5 0 772,6 263,4 1.100,1

STS 419,5 530,4 0 1.200,1 419,5 1.730,5 Tóxicos da Água 529,1 612,6 0 1.410,9 529,1 2.023,5 Metais Tóxicos da Água 0,9 2,0 0 1,5 0,9 3,5

Apesar das indústrias têxteis da amostra não apresentarem processos com o uso da água como material auxiliar, seja para beneficiamento de fios ou para sistemas de climatização, deve-se ter em conta a geração de efluentes quando na lavagem de pisos e na manutenção de maquinário.

Para duas empresas têxteis e duas de vestuário o tratamento preliminar dado ao esgotamento sanitário da empresa é feito através de fossa-filtro e uma empresa têxtil e duas de confecção utilizam uma caixa de areia. Já para os tipos de tratamento de efluente industrial foram apresentadas opções divididas entre tratamentos preliminar, primário, complementar e de fase sólida para ETE. Todas as empresas identificaram seus tipos de tratamento industrial como preliminar feito através da remoção de sólidos grosseiros (3), caixas de areia (3) e caixas de gordura (1).

A Tabela 21 apresenta os tipos de lançamento e tratamento dados aos efluentes das indústrias da amostra. Para um total de 20 empresas que responderam a esta questão, 75% da amostra lançam seu esgoto sanitário na rede pública sem um tratamento preliminar. Já para as 9 empresas que identificaram pontos de geração de efluentes as opções pelo lançamento em rede pública com tratamento dado pela concessionária e lançamento em corpo hídrico com tratamento preliminar representaram, para cada opção, 33% deste total de empresas.

Tabela 21: Tipos de lançamentos dados ao esgoto sanitário e industrial por atividade - 2005

Tipos de Lançamento Têxtil Vestuário APL Indicador (%) Sanitário

Em rede Pública com tratamento preliminar 4 1 5 25 Em rede Pública com tratamento dado pela

concessionária 6 9 15 75

Industrial

Em rede Pública com tratamento preliminar 1 1 2 22 Em rede Pública com tratamento dado pela

concessionária 1 2 3 33

Corpo hídrico com tratamento preliminar 1 2 3 33 Corpo hídrico sem tratamento preliminar 1 0 1 11

Os resíduos sólidos identificados no setor de produção foram restos de tecidos e fios (19), raspagem de telas e papel de estamparia (1), papel para a modelagem (1) e cones e tubos de linhas (2). Para o setor de administração as empresas optaram por papel e papelão (10) e plásticos (12).

As etapas de tecelagem e de revisão de tecidos são onde se observam a geração de resíduos de cones e tubos de fios, fios e tecidos. Nas tecelagens de decoração e de malha estes resíduos, principalmente de algodão, são separados e dispostos para reciclagem e para a venda para serem utilizados como estopa. Já para a tecelagem de seda esta geração é mínima, representando de 2 a 3% do total de fios que entram no processo produtivo, e o seu reaproveitamento, devido a sua composição, é muito baixo. O resíduo originado de tubos e cones de linha, segundo informações dos próprios empresários e gerentes de produção, é significativo, principalmente nas tecelagens onde o desgaste é muito maior do que nas empresas de confecção e de bordados computadorizados. Como não há um retorno destes resíduos aos fornecedores o destino final dado a estes resíduos não é sistematizado sendo que

somente uma empresa apresentou dados das quantidades destes resíduos e que são direcionados para a venda. De uma forma geral, estes resíduos são separados nas empresas e dispostos para a venda, reciclagem ou para a coleta pública.

A indústria de tecelagem de etiquetas apresentou como sendo sua fonte de geração de resíduos as etiquetas com defeitos que não podem nem ser dispostas para a coleta pública e nem para a venda, pois contém as marcas de outras empresas. Como na empresa, à época da pesquisa, não havia um equipamento voltado para a trituração destes resíduos e devido ao município não ter um sistema de incineração, a empresa disponibilizou uma sala exclusiva para a sua disposição final com cerca de 3m de comprimento e 2 m de largura.

A estamparia de tecidos de decoração apresentou no preparo da pasta de pigmentos e corantes e o papel utilizado no processo de desenho das estampas sua fonte de geração de resíduos. Nesta empresa é feito um sistema de coleta dos resíduos da pasta que são re- utilizados. Esta empresa iniciou um novo processo de estampagem no qual através de uma proporção, criada pelo empresário, para o uso de pigmentos e corantes na composição da pasta, o seu aproveitamento é de aproximadamente 98%.

As indústrias de bordados computadorizados têm no resíduo de entretela sua principal fonte de geração de resíduos. Como descrito anteriormente este resíduo compromete a eficiência e a eficácia de aterros devido a sua composição que impede a biodegradação de outros materiais em seu interior. De acordo com as informações apresentadas pelos cinco empresários da amostra, aproximadamente de 35 a 50% do total desta matéria-prima principal, no qual esta faixa percentual é determinada pela demanda por tamanhos variados de bordados, se torna resíduo. Deste total 25% é separado para o reuso e o restante é voltado para a venda ou para a coleta pública. Um dos empresários tentou viabilizar a ida destes resíduos para São Paulo para que fosse feito, através de um sistema de reuso, o retorno deste material mesmo que sendo de qualidade inferior ao original. Frente ao custo de frete e do serviço esta ação foi abandonada. De acordo com estes empresários o total de empresas que operam com bordados computadorizados, seja através de empresas formais, informais ou integradas aos processos principais de confecções, somado ao impacto ambiental, têm-se o impacto econômico que é significativo. Estas empresas da amostra sinalizaram seu interesse em desenvolver, através de uma parceria com a universidade local, uma técnica de reuso para

estes resíduos voltada para esta atividade e que fosse executada através de um sistema de cooperativa.

Entre as empresas que optaram por restos de tecidos e fios, 13 empresas apresentaram dados das quantidades produzidas, separadas e o seu destino final. De um total de 130.224,38 kg de fios que representam a matéria prima principal para as tecelagens de decoração e de seda aproximadamente 7% deste total se transformam em resíduos que são dispostos para a venda ou coleta pública.

Entre as indústrias de confecção 6.5% do total de 440.596 kg de tecidos são transformados em resíduos que são dispostos para a venda (4), reciclagem (1), doação (1) e para a coleta pública de lixo (1). De um total de 58.700 m de entretela cerca de 40% são transformados em resíduos, dos quais cerca de 11.740 m são destinados para o reuso e o restante é destinado para a reciclagem ou coleta pública de lixo de forma indiferenciada. Do total de 780 kg de anuais de pigmentos e corantes da estamparia de decoração aproximadamente 120 kg de resíduos de pasta são gerados dos quais 50% são destinados para o reuso e o restante é perdido nas lavagens das telas.

Todas as indústrias apontaram os tubos e cones de linhas e fios como fonte de geração de resíduos, mas somente uma empresa apresentou os valores para as quantidades geradas e o seu destino final. Da mesma forma todas as indústrias apontaram como fonte de geração de resíduos do setor de administração o papel, o papelão e plásticos, mas somente uma indústria de tecelagem apresentou as quantidades geradas e que são destinadas para a venda. A Tabela 22 relaciona o total de indústrias por atividade produtiva principal aos tipos e quantidades de resíduos sólidos gerados.

Tabela 22: Tipos e quantidade de resíduos sólidos gerados por atividade produtiva principal (kg/ano) - 2005 Atividades In st ri as M at ér ia P ri m a F io s e T ec id os E nt re te la T ec id os P as ta T ub os e C on es P ap el e pa pe o Se pa ra da R eu so D es ti no F in al Tecelagem de Decoração 2 98.536.38 7.600 7.600 Venda Tecelagem de Decoração 1 1.200 1.200 2.400 Venda Tecelagem de Seda 2.688 135 Tecelagem de malha 1 600 Venda