CAPÍTULO 6 – CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO
6.1 Principais asserções
Seguindo o planeamento previsto e os objectivos que foram definidos no início deste projecto, foi possível concretizar as tarefas das quais decorrem as conclusões aqui apresentadas.
A implementação do protótipo, com base no modelo de integração do Vídeo Currículo com os outros recursos tradicionais, articulada com os resultados dos inquéritos propostos, permitiu a apresentação de um conjunto de recomendações práticas, que contribuem para a orientação de candidatos e técnicos de recursos humanos na utilização de Vídeo Currículo em contextos de recrutamento e selecção.
Foi ainda possível obter indicadores sobre o público-alvo onde o Vídeo Currículo pode ser usado com maior eficácia, e sobre os estímulos que motivam a adopção do Vídeo Currículo para suporte a processos de recrutamento e selecção. Obtiveram-se também indicadores sobre a satisfação dos intervenientes na utilização do Vídeo Currículo e sobre os factores que constituem obstáculos na utilização deste formato.
Assim, tendo como base as hipóteses colocadas, apresentam-se as principais asserções, que derivam da articulação entre as diferentes tarefas e fases deste trabalho.
A introdução de Vídeo Currículo no processo de recrutamento e selecção contribui para uma melhor avaliação dos candidatos, das suas competências e capacidades, sendo reconhecido o seu valor, principalmente nos contextos e funções identificadas (e.g. necessidade de avaliação de capacidades como a comunicação, apresentação, fluência de línguas).
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validando-se a eficácia de utilização do Vídeo Currículo como substituição de tarefas ou etapas do processo de recrutamento e selecção, sendo que, na generalidade dos casos, o Vídeo Currículo pode optimizar este processo, mas apenas como complemento aos formatos tradicionais, não se substituindo às etapas ou tarefas que normalmente são realizadas .
Ficou evidente o entusiasmo e curiosidade dos candidatos pelo formato de Vídeo Currículo. Apesar de alguma adversidade à sua utilização de carácter obrigatório, a maioria dos candidatos mostra-se muito favorável à possibilidade de ter disponível a opção de Vídeo Currículo e recomenda a sua utilização. Consideram-se, por isso, confirmadas as hipóteses (H2 e H3), pois uma maior diversidade de conteúdos, nomeadamente conteúdos mais apelativos, diversificados e adequados à cultura tecnológica dos candidatos, contribui para o aumento da satisfação de utilização das plataformas e, por isso, estimula o aumento de candidatos.
Outro factor relevante foi a importância atribuída à acessibilidade, traduzida na facilidade de acesso à tecnologia e a usabilidade, referindo -se à disponibilização de aplicações de fácil utilização. Assim, confirma-se a hipótese (H4), que refere a importância da usabilidade do sistema de criação, edição, gestão e armazenamento do Vídeo Currículo, no aumento da satisfação na sua utilização, contribuindo para a melhoria do processo. Os principais estímulos à integração do Vídeo Currículo passam pela flexibilidade, grau de liberdade e de criatividade que este formato proporciona. Também é considerado um conteúdo mais apelativo e com maior proximidade à cultura tecnológica da população activa. Finalmente, pode funcionar como factor de inclusão e abrangência, permitindo o acesso aos processos de recrutamento, por pessoas que não teriam possibilidade de o fazer com base nas metodologias e formatos tradicion ais.
Por outro lado foram identificados vários f actores críticos, geralmente como manifestação de percepção das dificuldades que podem surgir e não como reflexo da experiencia pessoal, o que leva a uma tendência de enumeração de potenciais dificuldades tecnológicas.
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O desconhecimento de tecnologia para produção, o desconhecimento do formato, a falta de competência na utilização de tecnologias de informação e comunicação, e a dificuldade de acesso às tecnologias, são os factores mais evidenciados.
Ainda assim, parece que os factores críticos mais relevantes não se prendem com questões tecnológicas, mas com a abordagem na criação do conteúdo e da sua posterior utilização, quer por razões de segurança e privacidade, quer pelo tipo de mensagem e imagem do candidato que são transmitidas pelo vídeo.
Outro factor crítico relevante na utilização de um Vídeo Currículo é a exposição a que o candidato está sujeito, que pode ser uma limitação em casos de candidatos mais tímidos e inibidos. Ainda assim, por definição uma candidatura, sejam quais forem os recursos e técnicas usadas, é uma exposição e promoção pessoal, pelo que este é um argumento discutível. No que respeita ao público-alvo, o Vídeo Currículo foi identificado como mais apropriado em contextos de recrutamento de pessoas para funções onde a postura corporal e capacidade de comunicação verbal, a atitude, a criatividade e a capacidade de síntese sejam preponderantes. Apesar de se dever analisar as circunstâncias de cada processo, para validar a possibilidade e eficácia de utilização deste formato, verifica -se uma melhor adaptação para funções que exijam qualificações de nível superior.
Estas asserções resumem as principais restrições e orientações, na utilização do Vídeo Currículo, que podem influenciar a sua conveniente utilização, sendo principalmente baseadas na sensibilidade dos intervenientes no processo de R&S.
Finalmente, como resposta à questão de investigação que motivou e orientou este trabalho, pode concluir-se que a utilização de conteúdos que integrem vídeo online pode acrescentar valor aos processos de recrutamento e selecção, nomeadamente se forem ponderadas as orientações definidas nas secções 4.4 e 4.5, principalmente se:
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claramente as etapas, tarefas e conteúdos envolvidos, bem como o público-alvo e se os conteúdos solicitados são compatíveis com os seus interesses e cultura tecnológica;
O Vídeo Currículo for usado como complemento aos formatos tradicionais, identificando-se as fases em que se deve recorrer a cada tipo de conteúdo;
Forem definidas métricas e critérios de avaliação de conteúdos, com base nos requisitos definidos para a função;
For ponderado o nível de imposição de formatos ou guião para a criação do vídeo, influenciando a criatividade dos candidatos;
O processo for suportado por uma pilha tecnológica que dê garantias de segurança e privacidade, com definição de políticas transparentes de utilização do serviço;
As aplicações usadas forem desenhadas para uma utilização intuitiva, mesmo para quem não tenha conhecimentos i nformáticos; Forem consideradas formas alternativas de participação, em caso de
manifesta impossibilidade de desenvolvimento do Vídeo Currículo . Assim, os factores críticos, os estímulos identif icados e as orientações, articuladas com as boas práticas já enunciadas e com as estratégias de desenvolvimento do processo de recrutamento e selecção com integração de Vídeo Currículo, constituem uma base para utilização de um recurso com características que trazem benefícios para ambas as partes envolvidas. Conclui-se, por isso, que o Vídeo Currículo pode ser usado nos contextos descritos, como mais um instrumento de avaliação de candidaturas, principalmente como apoio na Etapas 2, 3, 4 e 6, identificadas na secção 2.3. Pode ainda ser considerado como substituto de tarefas nas Etapas 3 e 4, bem como apoio na apresentação de candidatos pela empresa consultora à organização cliente, conforme descrito na Etapa 6. Em qualquer dos modelos, com as devidas precauções, existem condições para que o Vídeo Currículo contribua para uma melhor qualidade geral do processo de recrutamento e selecção.
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