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LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO

2. Fontes do direito

3.2. Principais características

Dentre as várias características da lei destacam -se as seguintes:

a ) Generalidade: dirige-se a todos os cidadãos, indistintam ente. O seu com ando é abstrato, não podendo ser endereçada a determ inada pessoa. Essa é um a característica

m arcante da lei, pois perde ela essa conotação quando particulariza o destinatário, não podendo ser assim denom inada, m algrado tenha em anado do poder com petente.

Todavia, não deixará de ser lei aquela que, em bora não se dirij a a todos os m em bros da coletividade, com preende contudo um a determ inada categoria de indivíduos. O Estatuto dos Funcionários Públicos, por exem plo, disciplina a situação j urídica de certa categoria de pessoas sem deixar de ser lei e sem perder o caráter de generalidade, porque não personaliza o destinatário, m as rege a atividade e define os direitos e os deveres de um tipo genérico de pessoas, aplicando-se a quantos se encontrem naquela situação, com o aos que de futuro venham a adquiri-la10.

b ) Imperatividade: im põe um dever, um a conduta aos indivíduos. Não é próprio dela aconselhar ou ensinar, nem é de boa técnica form ular o legislador definições, que são obra de doutrina. A lei é um a ordem , um com ando. Quando exige um a ação, im põe; quando quer um a abstenção, proíbe11.

Essa característica inclui a lei entre as norm as que regulam o com portam ento hum ano, com o a norm a m oral, a religiosa etc. Todas são norm as éticas, providas de sanção. A im peratividade (im posição de um dever de conduta, obrigatório) distingue a norm a das leis físicas. Mas não é suficiente para distingui-la das dem ais leis éticas.

c ) Autorizamento: é o fato de ser autorizante, segundo Goffredo da Silva Telles, que distingue a lei das dem ais norm as éticas. A norm a j urídica, diz ele, autoriza que o lesado pela violação exij a o cum prim ento dela ou a reparação pelo m al causado. É ela, portanto, que autoriza e legitim a o uso da faculdade de coagir12.

Não é a sanção, com o pretendem alguns, m algrado se trate de característica relevante para a efetivação da lei, que faz essa distinção, pois tanto as norm as j urídicas com o as norm as éticas são sancionadoras. A violação destas pode causar sanção interna (vergonha, rem orso) e externa (desconsideração social). Não é tam bém a coação, pois a norm a j urídica existe sem ela, tendo plena vigência com sua prom ulgação, ao passo que a coação depende da preexistência da norm a de direito, porque decorre da sua violação.

Não é nem m esm o a atributividade, consistente na faculdade de exigir do violador o cum prim ento dela ou a reparação do m al sofrido, a característica específica da lei, com o querem outros, em bora essa concepção se aproxim e bastante da sustentada por Goffredo da Silva Telles, j á m encionada. Afirm a este que a essência específica da norm a de direito é o autorizamento, porque o que com pete à norm a é autorizar ou não o uso dessa faculdade de reação

do lesado. A norm a j urídica autoriza que o lesado pela violação exij a o cum prim ento dela ou a reparação pelo m al causado.

Esse entendim ento é perfilhado por Maria Helena Diniz, que por esse m otivo assim conceitua a norm a j urídica: imperativo

autorizante13.

d) Permanência: a lei não se exaure num a só aplicação, pois deve perdurar até ser revogada por outra lei. Algum as norm as, entretanto, são tem porárias, destinadas a viger apenas durante certo período, com o as que constam das disposições transitórias e as leis orçam entárias.

e ) Emanação de autoridade competente, de acordo com as com petências legislativas previstas na Constituição Federal. A lei é ato do Estado, pelo seu Poder Legislativo. O legislador está encarregado de ditar as leis, m as tem de observar os lim ites de sua com petência. Quando exorbita de suas atribuições, o ato é nulo, com petindo ao Poder Judiciário recusar-lhe aplicação (CF, art. 97)14.

3.3. Classificação

A classificação das leis lato sensu pode ser feita de acordo com vários critérios. Quanto à imperatividade, dividem -se em :

a ) Cogentes, tam bém denom inadas de ordem pública ou de im peratividade absoluta. São mandamentais (ordenam ou determ inam um a ação) ou proibitivas (im põem um a abstenção). O art. 1.619 do Código Civil prescreve, por exem plo, que “o adotante há de ser 16 (dezesseis) anos m ais velho que o adotado”. E o art. 1.521 elenca as pessoas que “não podem casar”.

As norm as cogentes se im põem de m odo absoluto, não podendo ser derrogadas pela vontade dos interessados. Regulam m atéria de ordem pública e de bons costum es, entendendo-se com o ordem pública o conj unto de norm as que regulam os interesses fundam entais do Estado ou que estabelecem , no direito privado, as bases j urídicas da ordem econôm ica ou social. A im peratividade absoluta de certas norm as decorre da convicção de que determ inadas relações ou estados da vida social não podem ser deixados ao arbítrio individual, o que acarretaria graves prej uízos para a sociedade15.

As norm as que com põem o direito de fam ília, o das sucessões e os direitos reais revestem -se dessa característica. Não pode a vontade dos interessados alterar, por exem plo, os requisitos para a adoção (CC, arts. 1.618 e s.) ou para a habilitação ao casam ento (art.

1.525), nem dispensar um dos cônj uges dos deveres que o Código Civil im põe a am bos no art. 1.566.

O parágrafo único do art. 2.035 do novo Código Civil, que se encontra no livro com plem entar das Disposições Finais e Transitórias, dispõe que “nenhum a convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais com o os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos”.

b ) Não cogentes, tam bém cham adas de dispositivas ou de im peratividade relativa. Não determ inam nem proíbem de m odo absoluto determ inada conduta, m as perm item um a ação ou abstenção, ou suprem declaração de vontade não m anifestada. Distinguem -se em permissivas, quando perm item que os interessados disponham com o lhes convier, com o a que perm ite às partes estipular, antes de celebrado o casam ento, quanto aos bens, o que lhes aprouver (CC, art. 1.639), e supletivas, quando se aplicam na falta de m anifestação de vontade das partes.

No últim o caso, costum am vir acom panhadas de expressões com o “salvo estipulação em contrário” ou “salvo se as partes convencionarem diversam ente”. As norm as supletivas aplicam -se principalm ente no cam po do direito das obrigações, na ausência de m anifestação de vontade dos interessados. Dispõe, por exem plo, o art. 327 do Código Civil que “efetuar-se-á o pagam ento no dom icílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversam ente...”.

Toda lei é dotada de sanção. Esta, no entanto, varia de intensidade conform e os efeitos da transgressão do preceito na prática do ato ou negócio j urídico. Sob esse prism a, ou quanto à

intensidade da sanção ou autorizamento, as leis classificam -se em :

a) Mais que perfeitas — são as que estabelecem ou autorizam a aplicação de duas sanções, na hipótese de serem violadas. O art. 19 da Lei de Alim entos (Lei n. 5.478, de 25-7-1968) e seu § 1º preveem , por exem plo, a pena de prisão para o devedor de pensão alim entícia e ainda a obrigação de pagar as prestações vencidas e vincendas, sendo que o cum prim ento integral da pena corporal não o exim irá da referida obrigação.

Em alguns casos, um a das sanções é de natureza penal, com o a prevista para o crim e de bigam ia (CP, art. 235), aplicada cum ulativam ente com a declaração, no cível, de nulidade do casam ento (CC, arts. 1.521, VI, e 1.548, II).

b ) Perfeitas — são aquelas que im põem a nulidade do ato, sim plesm ente, sem cogitar de aplicação de pena ao violador, com o a que considera nulo o negócio j urídico celebrado por pessoa absolutam ente incapaz (CC, art. 166, I), ou a que declara nula a nom eação de tutor pelo pai ou pela m ãe que, ao tem po de sua m orte,

não tinha o poder fam iliar (art. 1.730).

c ) Menos que perfeitas — são as que não acarretam a nulidade ou anulação do ato ou negócio j urídico, na circunstância de serem violadas, som ente im pondo ao violador um a sanção. Mencione-se, a título de exem plo, a situação do viúvo ou viúva, com filho do cônj uge falecido, que se casa antes de fazer inventário e dar partilha dos bens aos herdeiros do cônj uge (CC, art. 1.523, I). Não se anulará por isso o casam ento. No entanto, com o sanção pela om issão, o casam ento será contraído, obrigatoriam ente, no regim e da separação de bens (CC, art. 1.641, I).

d ) Imperfeitas — são as leis cuj a violação não acarreta nenhum a consequência. É o que sucede com as obrigações decorrentes de dívidas de j ogo e de dívidas prescritas, que não obrigam a pagam ento (CC, art. 814). O ordenam ento não autoriza o credor a efetuar a sua cobrança em j uízo. São consideradas norm as

sui generis, não propriam ente j urídicas, “pois estas são

autorizantes”16.

O legislador procura, todavia, evitar que sej am violadas. A norm a que m anda pagar a dívida de j ogo, por exem plo, em bora não tenha a natureza de norm a j urídica, adquire eficácia j urídica quando cum prida. O pagam ento dessa dívida é inexigível, m as quem a pagar voluntariam ente não poderá requerer a restituição do que pagou (CC, art. 882).

Segundo a sua natureza, as leis são:

a ) Substantivas — as que definem direitos e deveres e estabelecem os seus requisitos e form a de exercício. São tam bém cham adas de materiais, porque tratam do direito m aterial. O seu conj unto é denom inado direito substantivo, em contraposição às leis processuais, que com põem o direito adjetivo.

b) Adjetivas — são as que traçam os m eios de realização dos direitos, sendo tam bém denom inadas processuais ou form ais. Integram o direito adjetivo.

Essa classificação, em bora tradicional, não é m uito utilizada atualm ente, sendo m esm o considerada im própria, porque nem toda lei form al é adj etiva, m as, ao contrário, há leis processuais que são de natureza substantiva, assim com o há norm as que ao m esm o tem po definem os direitos e disciplinam a form a de sua realização. Quando determ inado dispositivo do estatuto processual define um direito, constitui ele norm a substantiva, da m esm a form a que o preceito de um a lei m aterial. Assim , por exem plo, a norm a definidora do direito de ação e o preceito fixador da autoridade da sentença, em bora previstos no Código de Processo Civil (arts. 3º e 467), são disposições substantivas.

Quanto à sua hierarquia, as norm as classificam -se em : a) Norm as constitucionais — são as que constam da Constituição, às quais as dem ais devem am oldar-se. São as m ais im portantes, por assegurarem os direitos fundam entais do hom em , com o indivíduo e com o cidadão, e disciplinarem a estrutura da nação e a organização do Estado. A Constituição Federal situa-se, com efeito, no topo da escala hierárquica das leis, por traçar as norm as fundam entais do Estado.

b) Leis complementares — são as que se situam entre a norm a constitucional e a lei ordinária, porque tratam de m atérias especiais, que não podem ser deliberadas em leis ordinárias e cuj a aprovação e x ig e quorum especial (CF, arts. 59, parágrafo único, e 69). Destinam -se à regulam entação de textos constitucionais, quando o direito definido não é auto executável e há necessidade de se estabelecerem os requisitos e form a de sua aquisição e exercício. Sobrepõem -se às ordinárias, que não podem contrariá-las.

c) Leis ordinárias — são as que em anam dos órgãos investidos de função legislativa pela Constituição Federal, m ediante discussão e aprovação de proj etos de lei subm etidos às duas Casas do Congresso e, posteriorm ente, à sanção e prom ulgação do Presidente da República e publicação no Diário Oficial da União.

d) Leis delegadas — são elaboradas pelo Executivo, por autorização expressa do Legislativo, tendo a m esm a posição hierárquica das ordinárias (CF, art. 68, §§ 1º a 3º).

e) Medidas provisórias — estão situadas no m esm o plano das ordinárias e das delegadas, m algrado não sej am propriam ente leis. São editadas pelo Poder Executivo (CF, art. 84, XXVI), que exerce função norm ativa, nos casos previstos na Constituição Federal.

Com o advento da Constituição de 1988, as m edidas provisórias substituíram os antigos decretos-leis (art. 25, I, II, §§ 1º e 2º, do ADCT). O art. 62 e §§ 1º a 12 do referido diplom a, com a redação da Em enda Constitucional n. 32/2001, perm item que o Presidente da República adote tais m edidas, com força de lei, em caso de relevância e urgência, devendo subm etê-las de im ediato ao Congresso Nacional. Tais m edidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei dentro de sessenta dias, prorrogável por um a única vez por igual prazo, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações j urídicas delas decorrentes17.

A Constituição Federal, tendo em conta a organização federativa, distribui, segundo as m atérias, a com petência legislativa entre as pessoas j urídicas de direito público interno: a União, os Estados e os Municípios. Desse m odo, dividem -se as leis, quanto à

a) Leis federais — são as da com petência da União Federal, votadas pelo Congresso Nacional, com incidência sobre todo o território nacional, ou parte dele quando se destina, por exem plo, especificam ente, à proteção especial de determ inada região, com o a Am azônica e a atingida sistem aticam ente pelo fenôm eno da seca. A com petência legislativa da União é privativa no tocante às m atérias elencadas no art. 22 da Constituição Federal, valendo destacar o inciso I, que m enciona as concernentes ao “direito civil, com ercial, penal, processual, eleitoral, agrário, m arítim o, aeronáutico, espacial e do trabalho”.

b) Leis estaduais — são as aprovadas pelas Assem bleias Legislativas, com aplicação restrita à circunscrição territorial do Estado-m em bro a que pertencem , ou a determ inada parte dele (Vale do Ribeira, por exem plo, em São Paulo, ou Região do Rio São Francisco, nos Estados do Nordeste). Em geral, cada Estado edita leis sobre o que, explícita ou im plicitam ente, não lhe é vedado pela Constituição Federal (CF, art. 25, § 1º), criando os im postos de sua com petência e provendo às necessidades de seu governo e de sua adm inistração18.

c) Leis municipais — são as editadas pelas Câm aras Municipais, com aplicação circunscrita aos lim ites territoriais dos respectivos m unicípios. Segundo dispõe o art. 30, I a III, da Constituição Federal, com pete aos Municípios “legislar sobre assuntos de interesse local, suplem entar a legislação federal e a estadual no que couber, instituir e arrecadar os tributos de sua com petência...”

Finalm ente, quanto ao alcance, as leis denom inam -se: a) Gerais — quando se aplicam a todo um sistem a de relações j urídicas, com o as do Código Civil, por exem plo, tam bém cham ado de direito com um .

b ) Especiais — quando se afastam das regras de direito com um e se destinam a situações j urídicas específicas ou a determ inadas relações, com o as de consum o, as de locação, as concernentes aos registros públicos etc.

4. Vigência da lei

As leis tam bém têm um ciclo vital: nascem , aplicam -se e perm anecem em vigor até serem revogadas. Esses m om entos correspondem à determ inação do início de sua vigência, à

continuidade de sua vigência e à cessação de sua vigência19. 4.1. Início da vigência

O processo de criação da lei passa por três fases: a da elaboração, a da prom ulgação e a da publicação. Em bora nasça com a prom ulgação, só com eça a vigorar com sua publicação no Diário

Oficial. Com a publicação, tem -se o início da vigência, tornando-se

obrigatória, pois ninguém pode escusar-se de cum pri-la alegando que não a conhece (LINDB, art. 3º).

Term inado o processo de sua produção, a norm a j á é válida. A vigência se inicia com a publicação e se estende até sua revogação, ou até o prazo estabelecido para sua validade. A vigência, portanto, é um a qualidade tem poral da norm a: o prazo com que se delim ita o seu período de validade. Em sentido estrito, vigência designa a existência específica da norm a em determ inada época, podendo ser invocada para produzir, concretam ente, efeitos, ou sej a, para que tenha eficácia20.

Segundo dispõe o art. 1º da Lei de Introdução às Norm as do Direito Brasileiro, a lei, salvo disposição contrária, “começa a vigorar

em todo o País 45 (quarenta e cinco) dias depois de oficialmente publicada”.

Portanto, a obrigatoriedade da lei não se inicia no dia da publicação, salvo se ela própria assim o determ inar. Pode, desse m odo, entrar em vigor na data de sua publicação ou em outra m ais rem ota, conform e constar expressam ente de seu texto. Se nada dispuser a esse respeito, aplica-se a regra do art. 1º supram encionado.

O intervalo entre a data de sua publicação e a sua entrada em vigor denom ina-se vacatio legis. Em m atéria de duração do referido intervalo, foi adotado o critério do prazo único, porque a lei entra em vigor na m esm a data, em todo o País, sendo sim ultânea a sua obrigatoriedade. A anterior Lei de Introdução, em virtude da enorm e vastidão do território brasileiro e das dificuldades de com unicação então existentes, prescrevia que a lei entrava em vigor em prazos diversos, ou sej a, m enores no Distrito Federal e Estados próxim os, e m aiores nos Estados m ais distantes da Capital e nos territórios21. Seguia, assim , o critério do prazo progressivo.

Malgrado a doutrina tom e vigor por vigência e vice-versa, o art. 2º da Lei de Introdução às Norm as do Direito Brasileiro dispõe:

“Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá

vigor até que outra a modifique ou revogue”.

Observa Tércio Sam paio Ferraz que “o texto relaciona claram ente vigência ao aspecto tem poral da norm a, a qual, no período (de vigência) tem vigor. Ora, o vigor de um a norm a tem a ver com sua im peratividade, com sua força vinculante. Tanto que, em bora a citada regra da Lei de Introdução determ ine o vigor da

norm a até sua revogação, existem im portantes efeitos de um a norm a revogada (e que, portanto, perdeu a vigência ou tem po de validade) que nos autorizam dizer que vigor e vigência designam qualidades distintas”22.

É certo, pois, que o term o vigência está relacionado ao tempo

de duração da lei, ao passo que vigor está relacionado à sua força vinculante. É o caso, com o assinala Fábio de Oliveira Azevedo, do

Código Civil de 1916, “que não tem m ais vigência, por estar revogado, em bora ainda possua vigor. Se um contrato foi celebrado durante a sua vigência e tiver que ser exam inado hoj e, quanto à sua validade, deverá ser aplicado o Código revogado (art. 2.035 do CC/02, na sua primeira parte). Isso significa aplicar um a lei sem

vigência (revogada), m as ainda com vigor (determinado pelo art. 2.035)”23.

Registre-se que o vigor e a vigência não se confundem com a eficácia da lei. Esta é um a qualidade da norm a que se refere à sua adequação em vista da produção concreta de efeitos24.

Quando a lei brasileira é adm itida no exterior (em geral quando cuida de atribuições de m inistros, em baixadores, cônsules, convenções de direito internacional etc.), a sua obrigatoriedade inicia-se três m eses depois de oficialm ente publicada.

Se durante a vacatio legis ocorrer nova publicação de seu texto, para correção de erros m ateriais ou falha de ortografia, o prazo da obrigatoriedade com eçará a correr da nova publicação (LINDB art. 1º, § 3º). O novo prazo para entrada em vigor da lei só corre para a parte corrigida ou em endada, ou sej a, apenas os artigos republicados terão prazo de vigência contado da nova publicação, para que o texto correto sej a conhecido, sem necessidade de que se vote nova lei. Os direitos e obrigações baseados no texto legal publicado hão de ser respeitados25.

Se a lei j á entrou em vigor, tais correções são consideradas lei nova, tornando-se obrigatória após o decurso da vacatio legis (LINDB, art. 1º, § 4º). Mas, pelo fato de a lei em endada, m esm o com incorreções, ter adquirido força obrigatória, os direitos adquiridos na sua vigência têm de ser resguardados, e não são atingidos pela publicação do texto corrigido26. Adm ite-se que o j uiz, ao aplicar a lei, possa corrigir os erros m ateriais evidentes, especialm ente os de ortografia, m as não os erros substanciais, que podem alterar o sentido do dispositivo legal, sendo im prescindível neste caso nova publicação.