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No presente capítulo, serão apresentadas as principais conclusões do trabalho empírico, tendo por base os dados obtidos através dos dois questionários efetuados, a consequente análise estatística dos mesmos em conjunto e a revisão de literatura relativa aos temas em análise.

Relativamente à primeira questão de investigação segundo o questionário dirigido aos indivíduos que exercem ou já exerceram atividades laborais, verificou-se uma associação entre o facto de os critérios utilizados pelos recursos humanos numa organização serem discriminatórios em relação às mulheres e o facto de existir, na mesma organização, uma predominância do género masculino nos cargos de gestão de topo. Sendo a primeira etapa do ingresso no mercado de trabalho, o recrutamento efetuado pelos recursos humanos, poderá acontecer que estes construam perceções estereotipadas de liderança que faça com que avaliem as competências femininas de uma forma pouco favorável em relação às competências do género feminino. (Bosak & Sczesny, 2011)

Através dos dados recolhidos pelo questionário dirigido aos indivíduos que exercem funções de gestão de topo é possível depreender que existe uma relação entre o nível académico “Mestrado” e a existência de discriminação às mulheres na organização, isto é, apesar de as mulheres deterem níveis de habilitação académica mais elevados do que os homens, existe um sentimento de desvalorização desse facto por parte do género feminino, sendo que isso se reflete nas respostas à questão “Sente que a sua empresa discrimina as mulheres?”.

No que respeita à segunda questão de investigação averiguou-se a possível existência de uma correlação entre a zona geográfica do inquirido e a existência de discriminação de género. Os resultados obtidos indicam que as duas variáveis não são relacionáveis de uma forma linear, ou seja, não é possível evidenciar que a zona geográfica onde o inquirido vive determina a existência de experiências de discriminação de género no seu local de trabalho. Estas conclusões aplicam-se tanto ao questionário direcionado aos indivíduos que exercem funções laborais como aos indivíduos que ocupam cargos de gestão de topo.

Em relação à terceira questão de investigação podemos constatar que no questionário direcionado a todos os indivíduos que exercem atividades laborais, as empresas em que

quer identificar problemas existentes na organização em relação à discriminação de género, quer resolver os mesmos. No mesmo sentido, depreendemos que as organizações em questão não incentivam a participação dos colaboradores, nomeadamente através de sugestões de melhoria de aspetos relacionados com discrepâncias entre género, levando ao possível agravamento destas situações. No entanto, muitos autores consideram que uma das formas mais eficazes de colmatar falhas organizacionais é a existência de uma gestão que permita a participação ativa dos colaboradores. (Burke & Davidson, 2011)

Por outro lado, no questionário direcionado aos gestores podemos verificar que as mulheres sentem necessidade de uma mudança de mentalidade que erradique os diferentes estereótipos enraizados na sociedade, conseguindo criar condições para que ambos os géneros consigam ascender hierarquicamente sem preconceitos.

Segundo o que é possível recolher da análise realizada às questões que apelam à opinião pessoal dos inquiridos acerca das competências femininas, regista-se de um modo geral, em ambos os questionários que a grande maioria dos inquiridos considera que as mulheres são igualmente capazes de exercer as mesmas funções que os homens, pois detêm perfil e caraterísticas de líder, sendo capazes de atingir as mesmas metas empresarias que o género masculino.

A nível das possíveis discrepâncias salarias entre género, concluímos que a distribuição dos salários é igual independentemente do género segundo a amostra correspondente aos indivíduos que exercem funções de líder.

No entanto, segundo os dados disponíveis na plataforma PORDATA (tabela 7), o género feminino aufere em termos médios menos 26% do que o género feminino nos cargos de gestão de topo em Portugal. No que concerne à evolução das desigualdades salarias ao longo dos últimos 33 anos (1985-2018), depreendemos que houve uma diminuição em todos níveis de qualificação, com exceção dos quadros superior em que se regista um aumento.

Posto isto, a tabela 39 apresenta um quadro resumo questões de investigação e as respetivas questões utilizadas em cada um dos questionários para dar resposta às mesmas.

Tabela 39: Quadro Resumo das Questões de Investigação Vs. Variáveis

Fonte: Autoria Própria

Numeração Variável Perguntas Respetivas

I indivíduos que exercem ou já exerceram

atividades laborais

Questionário direcionado a indivíduos que ocupam cargos de gestão de topo

“Qual o seu género?”

“Habilitações académicas?”

“Qual é a sua idade?”

“A empresa em que está (esteve) inserido/a tem mais mulheres a ocupar cargos de

gestão de topo do que homens?” “Qual o seu cargo na empresa?”

“Os critérios e procedimentos de recrutamento e seleção dos recursos humanos, para os vários níveis hierárquicos da sua empresa, têm presente o princípio de

igualdade de género?”

“Sente que a sua empresa discrimina as mulheres nos lugares hierarquicamente

“A empresa em que está inserido(a) tem mais mulheres a ocupar cargos de gestão de

topo do que homens?” //

“Faz ou já fez parte de uma empresa onde houvesse discriminação em relação às

mulheres?”

“Sente que a sua empresa discrimina as mulheres nos lugares hierarquicamente

“A sua empresa (atual ou passada) estabelece medidas que encorajam a participação equilibrada dos homens e das

mulheres no trabalho?

“Se é mulher, quais os incentivos de oportunidades de acesso nos cargos de

gestão de topo que a sociedade deve incutir nos seus cidadãos?”

“A empresa possui normas que garantam o respeito pela dignidade de mulheres e

homens no local de trabalho? “

“Na sua opinião o género feminino e o género masculino devem ter as mesmas oportunidades de entrada nos cargos de

gestão de topo?”

“As pessoas que trabalham na Entidade são incentivadas a apresentar sugestões que contribuam para a igualdade entre mulheres

e homens?”

“Considera que as mulheres estão aptas a desempenhar as mesmas funções de gestão

que os homens?”

“Considera a igualdade entre mulheres e homens uma prioridade para o desenvolvimento organizacional?”

“Como classifica a aderências das mulheres à gestão de topo?”

“Na sua opinião, as mulheres são igualmente capazes em relação aos homens,

de ocupar cargos de gestão de topo?”

“Se fosse proprietário/a de uma empresa, confiaria a gestão da mesma a uma

mulher?”

Capítulo IX – Conclusões, Limitações e Futuras Linhas de