Neste capítulo tratam-se aspetos relacionados com a contabilidade orçamental cuja característica é alicerçar-se numa ótica de caixa - pagamentos e recebimentos versus uma estimativa e / ou dotação inicial ou corrigida - partindo da visão síntese e global dada pela análise dos fluxos de caixa para se fazer, sequentemente, uma análise de receita e da despesa.
A análise do desempenho económico bem como a posição financeira é, assim, dada pela contabilidade patrimonial, sendo a execução orçamental a expressão dos fluxos de tesouraria - entrada e saída de recursos – que acompanham a geração de custos e proveitos bem como os factos patrimoniais associados, por exemplo, à aquisição de bens de imobilizado, à geração ou à redução de dívida.
Na estruturação desta matéria, a análise aos fluxos de caixa é apresentada num único ponto, onde se determinam as disponibilidades para o ano seguinte, partindo do saldo do ano anterior e deduzindo os pagamentos e acrescendo os recebimentos ocorridos no ano.
Os dados relativos às Receitas e Despesas, ou aos fluxos de recebimento e de pagamento, apresentados neste capítulo, podem não coincidir com os relativos aos Proveitos e a Custos (especializados por exercício económico) resultantes da Contabilidade Patrimonial indicados na análise relativa aos aspetos patrimoniais. As diferenças são explicadas pela abordagem diversa que é feita em cada uma destas óticas contabilísticas.
A análise da receita e da despesa está estruturada em subpontos, que, no fundamental, resultam balizados pela natureza das operações, isto é, respeitando a classificação económica são feitas agregações para fins de análise face aos mapas de execução orçamental apresentados nas Demonstrações Financeiras.
A análise assenta na dinâmica do ano económico fazendo, a par e passo, um paralelo com o ano anterior.
Em 2019, a aprovação do orçamento e Grandes Opções do Plano e mapa de pessoal teve lugar em Sessão ordinária do órgão deliberativo de 16 de novembro de 2018. O orçamento inicial aprovado foi da ordem de 16,8 milhões de euros, tendo ocorrido 11 alterações, e uma revisão orçamental, com ajustamento nas dotações e um valor de fecho de ano de 15,7 milhões de euros, incluindo cerca de 960 mil euros de saldo de gerência.
A execução saldou-se em 14,1 milhões de euros do lado da receita e de 11,5 milhões de euros do lado da despesa.
Em cumprimento dos princípios orçamentais e contabilísticos expressos no nº. 3 do POCAL, bem como as regras de execução orçamental mencionadas nos nº. 2, 3 e 4 do
mesmo, são apresentados na vertente orçamental os Mapas de Execução Orçamental que incluem:
- “Controlo Orçamental da Despesa”, -“Controlo Orçamental da Receita”, -“Execução das Grandes Opções do Plano”, - “Fluxos de Caixa”, - “Operações de Tesouraria” e “Contas de Ordem”.
A análise assenta na dinâmica do ano económico fazendo, a par e passo, um paralelo com o ano anterior, mas espelha igualmente o comportamento do quadriénio 2016/2019.
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* Não considera o saldo de Gerência
Os rácios orçamentais registam, em 2019, valores que demonstram que se continuou a manter um efetivo controlo do orçamento.
No final de 2019, a receita total executada pelos S.M.A.S. Viseu ascendeu a 14,1 milhões de euros, correspondendo 12,2 milhões de euros a receitas correntes (86,41%), 956 mil euros a receitas de capital (6,77%) e 960 mil euros ao saldo da gerência anterior (6,8%).
Indicadores 2016 2017 2018 2019
RECEITA
Variação da Receita Total -61,70% -4,92% 27,62% 2,06%
Receitas Correntes / Receita Total 96,20% 99,90% 81,11% 92,70%
Variação das Receitas Correntes -7,70% 1,22% 3,62% 16,70%
Receitas Correntes Executadas / Receitas Correntes Orçadas 101,90% 93,53% 98,10% 113,70%
Transferências Recebidas / Receita Total 0,40% 0,00% 18,89% 7,24%
DESPESA
Variação da Despesa Total -63,50% 11,08% 23,99% -18,68%
Despesas Correntes / Despesa Total 75,10% 72,95% 64,17% 77,24%
Variação das Despesas Correntes 5,20% 7,93% 9,07% -2,12%
Despesas com Pessoal / Despesas Correntes 37,10% 34,80% 34,73% 38,70%
Despesas Correntes Executadas / Despesas Correntes Orçadas 80,00% 79,81% 86,55% 83,94%
Receita Total* / Despesa Total 104,20% 89,19% 91,80% 115,22%
Receita Corrente / Despesa Corrente 133,50% 122,14% 116,03% 138,34%
Receita Capital / Despesa Capital 16,10% 0,00% 48,40% 36,64%
Aquisição Bens Serviços / Despesa Total 42,80% 43,70% 39,47% 43,74%
Aquisição Bens Capital / Despesa Total 24,90% 27,05% 35,83% 22,76%
Receitas Correntes / Despesa Total 100,20% 89,10% 74,46% 106,86%
Transferências Recebidas / Despesa Total 0,40% 0,00% 17,34% 8,34%
A receita total regista um acréscimo de 267 mil euros, relativamente ao ano de 2018. Para este acréscimo contribuem o aumento das receitas correntes de 1,8 milhões de euros e as receitas de capital com uma variação negativa de 1,5 milhões de euros.
As receitas provenientes da venda de bens e serviços correntes, que continuam a ser as receitas com peso mais significativo nas receitas correntes, revelam-se também as receitas que mais contribuíram para o acréscimo das receitas correntes, quando comparadas com 2018.
Ao nível das despesas totais verifica-se, no ano em apreço, um decréscimo de 18,6% por força da diminuição de 2,5 milhões de euros das despesas capital e de 195 mil euros nas despesas de correntes.
Do total da despesa realizada, cerca de 77,1% (9 milhões de euros) respeitaram a despesas correntes e 22,9% a despesas de capital (2,7 milhões de euros).
A variação negativa nas despesas correntes ocorre nas rubricas de aquisição de bens e serviços, registando-se um aumento das restantes.
Pese embora a diminuição das despesas correntes, o seu peso relativamente às despesas totais foi superior ao verificado no ano de 2018.
O acréscimo mais significativo do saldo corrente face ao aumento verificado na receita corrente faz com que o rácio que lhe está associado aumento face ao ano anterior.
A taxa de execução da receita corrente, bem como a taxa de execução da despesa corrente, são demonstrativos do princípio de rigor e prudência nos pressupostos enunciados na preparação do orçamento.
A execução orçamental satisfaz a regra do equilíbrio orçamental. Analisando a sua essência, dada pela relação entre receita corrente e despesa corrente, com o objetivo de se obterem saldos correntes positivos que financiem a despesa de capital, verificamos que esta relação, em 2019, se saldou em 3,4 milhões de euros, para uma receita corrente de 12,3 milhões de euros e uma despesa corrente de 9 milhões de euros, com um acréscimo relativo a 2018 de cerca de 134,2%.