2. Fundamentos Teóricos
2.3 Principais Efeitos
Os agentes ativos contidos nestes aerossóis podem ser letais em doses elevadas, especialmente se a pessoa exposta sofrer de uma doença pulmonar crónica, como asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). A extensão dos efeitos tóxicos depende da quantidade a que o indivíduo é exposto, da localização e duração da exposição.
A exposição pode ocorrer por via inalatória, dérmica e oral. Atuam primeiro no olho, que é o órgão humano mais sensível, mas a maioria também afeta o sistema respiratório e a pele. O número de efeitos, bem como a sua extensão, nesses órgãos-alvo é variável.
A margem de segurança, entre a quantidade necessária para causar um efeito perturbador e a quantidade necessária para causar efeitos adversos graves, é larga. Por exemplo, a quantidade letal do CS é sensivelmente 2600 vezes maior que a dose usada para provocar incapacidade temporária.
Normalmente não causam efeitos adversos permanentes. No entanto, o risco de
efeitos deletérios para a saúde humana, a longo-prazo ou mesmo letais, aumenta quando a
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exposição ocorre com níveis elevados destes compostos e/ou durante intervalos de tempo prolongados.
Atualmente, os conhecimentos quanto à toxicidade a longo prazo e à toxicidade crónica ainda são limitados.
Assim os efeitos podem apresentar-se imediatamente, ou mais tardiamente, como se descreve em seguida:
Efeitos Imediatos
Olhos: produção lacrimal excessiva, ardor, visão turva, vermelhidão;
Nariz: corrimento nasal, ardor, inchaço;
Boca: ardor, irritação, dificuldade em deglutir, salivação;
Pulmões: aperto no peito, sensação de engasgamento, respiração ruidosa (pieira), falta de ar;
Pele: queimaduras, erupção cutânea;
Outros: náuseas e vómitos.
Efeitos Após Exposição Prolongada ou a Dose Elevada
Cegueira;
Glaucoma;
Morte imediata devido a queimaduras químicas na garganta e pulmões;
Edema pulmonar;
Paragem respiratória, podendo levar à morte.
Efeitos a Longo Prazo
Problemas oculares que incluem glaucoma e cataratas;
Distúrbios respiratórios como a asma;
Estes efeitos ocorrem após uma exposição prolongada, principalmente num recinto
fechado e sem arejamento
[3].
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2.3.1 Efeitos Oculares
Como se pode constatar na descrição dos principais efeitos sobre o ser humano a propriedade mais característica destes “aerossóis” é a sua capacidade de causar uma intensa e imediata sensação de picada nos olhos, provocando lágrimas mesmo em baixas concentrações, levando a uma incapacidade temporária.
Em concentrações baixas, os efeitos são reversíveis e não lesivos, em concentrações elevadas, podem ocorrer danos oculares reversíveis, como edema da córnea. Algumas consequências mais sérias têm sido associadas ao CN.
As lesões oculares são mais prevalentes após exposição a aparelhos explosivos do que aparelhos de spray.
O gás CS causa inicialmente uma sensação de queimadura e irritação intensa, que evolui para dor acompanhada de contração involuntária da pálpebra e de lacrimejar. Pode também aparecer fotofobia. Provoca uma conjuntivite transitória, mas sem lesão na córnea.
Estudos em animais mostraram que o potencial do CS para causar lesões oculares é menor do que com o CN que é um irritante extremamente potente.
Em concentrações elevadas, o gás CN causa lesões químicas no olho com edema do epitélio da córnea e conjuntiva, erosão ou ulceração, e hemorragias. Se estas concentrações são libertadas a uma distância longa do indivíduo, os efeitos edematosos ocorrem mas com recuperação rápida.
Contudo, efeitos mais permanentes podem ocorrer se o CN é libertado a uma curta distância (alguns metros), principalmente se tiver sido usada uma bomba ou um cartucho explosivo. Apesar de existirem registos de lesões permanentes causadas pelo uso de CN a distâncias curtas, a separação dos efeitos do composto dos efeitos da arma é difícil. Não existem provas de que o CN nas concentrações usadas como perturbadoras cause danos permanentes no olho.
Assim, quando se avaliam os efeitos oculares do CN, devemos considerar as
características da arma usada, como a força de propulsão, a carga do propelente, a idade do
recipiente (nos recipientes velhos o pó tende a formar aglomerados), ou seja, não podemos
esquecer os efeitos traumáticos do próprio impacto.
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Os efeitos oculares típicos após o ataque com um aerossol de capsaicina incluem o lacrimejar, inflamação da conjuntiva, vermelhidão, ardor dor e blefarospasmo e pode levar à perda do reflexo de pestanejar após estímulos químicos e mecânicos
[3].
2.3.2 Efeitos Dérmicos
Apesar de os olhos e o trato respiratório serem os principais órgãos afetados por estes agentes, a pele também está frequentemente envolvida.
Estes compostos são irritantes primários que em concentrações pequenas causam uma sensação de queimadura e um eritema transitório, mas em concentrações mais elevadas podem provocar edema e empolamento da pele. Também podem causar dermatite alérgica de contacto após a exposição inicial.
Os efeitos dérmicos são tratados com preparações tópicas de glucocorticóides e anti-hístamínicos orais para o prurido e podem ser necessários antibióticos para tratar infeções secundárias.
O gás CS é um irritante primário que provoca uma ação nefasta na pele quando aplicado topicamente como pó, solução ou aerossol, também provoca dermatite de contacto, normalmente em trabalhadores de indústria produtora de CS, que apresentam sinais, como erupção cutânea, prurido, vesículas e que podem ser representativas de uma sensibilização e de uma reação à exposição repetida.
Alguns minutos após uma exposição aguda a baixas concentrações de CS, aparece uma sensação de queimadura nas áreas expostas da pele, sendo mais intensa se a pele estiver molhada, esta sensação pode ser acompanhada ou seguida de eritema.
O aparecimento de um edema é mais intenso e com vesiculação algumas horas depois dependendo da concentração de CS, bem como da temperatura e da humidade, a reação será mais intensa com o aumento destas três variáveis. Nas zonas do corpo que estão em contacto com a roupa (como a gola da camisa), bem como a transpiração excessiva podem contribuir para o desenvolvimento de lesões dérmicas.
Os efeitos mencionados podem ainda depender de fatores individuais, relacionados
com a pigmentação da pele, a cor dos olhos e a sensibilidade ao sol, podendo aparecer
queimaduras de 1 e 2º grau.
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O CS também é um sensibilizante e pode causar dermatite alérgica de contacto, como resultado de uma reação de hipersensibilidade tardia. Uma exposição inicial pode não causar efeitos, mas uma exposição prolongada mesmo a quantidades reduzidas de CS produz uma dermatite grave com eritema, edema, vesiculação, e em formas mais severas, cianose e necrose.
Em relação ao CN, uma exposição grave a este agente leva a prurido generalizado, eritema difuso e intenso, edema severo e vesiculação. O CN é também um sensibilizante mais potente que o CS, causando dermatite alérgica, um teste realizado a um conjunto de indivíduos expostos a 0,5 mg de CN durante 60 minutos provocou irritação e eritema na pele de todos os indivíduos testado, enquanto que o CS não causou nenhum efeito em quantidades inferiores a 20 mg.
Após contacto com um aerossol de capsaicina aparecem efeitos como dor intensa,
sensação de queimadura, edema, eritema e ocasionalmente, empolamento da pele
[3].
No documento
ANÁLISE FORENSE DE AEROSSÓIS DE DEFESA PESSOAL EM PORTUGAL
(páginas 39-43)