• Nenhum resultado encontrado

Bactérias consomem arsênio em lago hipersalino

AULA 05: E A VIDA COMEÇOU … A HISTÓRIA DOS PRIMEIROS HABITANTES DO NOSSO PLANETA

3. PRINCIPAIS EVENTOS QUE TESTEMUNHARAM O NASCIMENTO DA

VIDA que moléculas orgânicas foram sintetizadas a partir dos gases que existiam na atmosfera, por bombardeamento de radiação ultravioleta do Sol. Essas moléculas foram reagindo com outras tantas sintetizadas, substâncias mais complexas, as proteínas.

O conceito de sopa primeva ou primordial, que teria servido como uma incubadora para a vida, é a mistura de substâncias orgânicas que foram sintetizadas durante o Éon Hadeano, há 4,6 bilhões de anos atrás.

ambiente terrestre como anaeróbio ou anóxico. Somente os microrganismos capazes de viverem na ausência do oxigênio podiam sobreviver.

Nesse ambiente anóxico, onde o oxigênio existia apenas como vapor d´água (H2O) ou ligado ao carbono (CO2), os primeiros microrganismos eram anaeróbios e viviam na água.

Para a sobrevivência, eles tinham que buscar uma fonte de matéria orgânica, que chamaremos de fonte de carbono, utilizada na produção de energia (ATP). Com essa energia eles desempenhavam o seu ciclo vital (crescimento e reprodução).

Como muita matéria orgânica (açúcares, aminoácidos, ácidos, etc.) já haviam sido sintetizadas na evolução química do Éon Hadeano, os microrganismos anaeróbios começaram a utilizá-las no processo de fermentação, produzindo mais metano e dióxido de carbono:

2CH2O → CO2 + CH4

O estoque de dióxido de carbono foi consumido por outros microrganismos, as bactérias metanogênicas termófilas.

As bactérias metanogênicas termófilas viviam em condições anaeróbias e extremamente quentes e foram os primeiros produtores primários da terra, pois transformavam o dióxido de carbono em matéria orgânica (açúcar).

3.2) PRIMEIRO EFEITO ESTUFA

As bactérias metanogênicas termófilas, ao consumirem o dióxido de carbono para produzirem matéria orgânica (açúcar), produziam mais metano.

O resultado foi a promoção do 10 efeito estufa da Terra:

CO2 + 4H2 → CH4 + 2H2O

O aumento progressivo da concentração de metano alterou a relação CH4/CO2. Quando esta relação se tornou maior que 1 na atmosfera, foi criada uma névoa de efeito anti-estufa, propiciando abaixamento considerável da temperatura, o suficiente para formar uma fina crosta sobre o manto ainda fluido.

3.3) EFEITO ANTI-ESTUFA

O resfriamento provocado pela relação CH4/CO2>1, ocasionou a condensação do vapor d’água atmosférico e a formação dos oceanos. Deu-se

início então ao ciclo da água que compreende a evaporação, transporte, chuva, escoamento superficial em direção ao oceano e, novamente, evaporação.

Com o ciclo da água, os ciclos geoquímicos começam a funcionar na superfície da Terra, originando os primeiros solos; erosão, transporte, depósitos marinhos ou lacustres e formação dos primeiros sedimentos.

3.4) FORMAÇÃO DA HIDROSFERA

Com a condensação do vapor d’água, forma-se a hidrosfera. A atmosfera, a hidrosfera e a litosfera interagiram e transferências químicas foram produzidas, estabelecendo os ciclos geoquímicos de dissolução e/ou alteração do carbono, enxofre, fósforo, silício, cálcio, magnésio, sódio, alumínio, ferro etc.

3.5) GASES ATMOSFÉRICOS SÃO DISSOLVIDOS NO OCEANO PRIMITIVO

A dissolução dos gases atmosféricos nas águas conduz à formação dos ácidos clorídrico (HCl), sulfídrico (H2S) e carbônico (H2CO3). Progressivamente, estes ácidos são neutralizados nas águas do oceano primitivo, isto é, eles deixam de ser ácidos, como veremos a seguir:

- ácido clorídrico transforma-se em cloreto de sódio (NaCl ou sal de cozinha), acumulado em solução no oceano (Cl vem da atmosfera; Na da litosfera);

- o ácido sulfídrico é fixado nos solos ou sedimentos sob forma de sulfeto de ferro (FeS) (S vem da atmosfera e Fe da litosfera);

- o gás carbônico é também fixado sob a forma de carbonato de cálcio ou de magnésio (CaCO3, MgCO3) (C vem da atmosfera ou do oceano; Ca e Mg da litosfera).

O intemperismo, definido como alterações físicas, mecânicas ou químicas, atuou nas rochas, modificando-as e expondo os minerais. As alterações dos silicatos na crosta terrestre forneceram sílica e elementos químicos com carga positiva (cátions) que, uma vez em solução, chegaram ao oceano. Forneceu também argilas, que permaneceram temporariamente nos solos. Por sua vez, a rocha alterada formará posteriormente o solo (pedogênese). O resultado da alteração é duplo: neutralização do oceano e da atmosfera e formação das argilas nos solos e nos sedimentos.

As argilas, a sílica, os carbonatos de cálcio e de magnésio foram os primeiros testemunhos do nascimento da vida no oceano durante o Éon Arqueano.

3.6) COMO OCORREU O GRANDE EVENTO DE OXIDAÇÃO

O primeiro efeito estufa, ligado à produção de metano pelas bactérias metanogênicas termófilas, propiciou o desenvolvimento dos microrganismos consumidores de metano, as bactérias metanotróficas – efeito anti-estufa.

Com isso, a relação CH4/CO2<1, isto é, a concentração de dióxido de carbono voltou a ficar mais alta na atmosfera primitiva – efeito anti-estufa.

O efeito anti-estufa facilitou a propagação e o aumento do número de bactérias fotossintéticas, como as cianobactérias. Elas são capazes de utilizar o dióxido de carbono e água para produção de matéria orgânica (açúcar). Além disso, também produzem oxigênio. O fenômeno de produção bacteriana de oxigênio se chamou “GRANDE EVENTO DE OXIDAÇÃO” e aconteceu entre 2,4 a 2,3 bilhões de anos atrás, durante o Éon Proterozóico:

CO2 + H2O → (CH2O)n + O2

A evolução e a propagação das bactérias produtoras de oxigênio alterou o balanço de gases na atmosfera, hidrosfera e litosfera. A produção de oxigênio no Arqueano foi consumida nos processos de oxidação dos minerais das rochas e dos gases vulcânicos e atmosféricos como metano, amônia, ácido sulfúrico e sulfeto de ferro.

3.7) O OXIGÊNIO FOI CONSUMIDO INICIALMENTE PARA OXIDAÇÃO DAS ROCHAS E DOS GASES ATMOSFÉRICOS

As reações de oxidação dos gases atmosféricos estão esquematizadas abaixo:

- do metano, com produção de ácido carbônico:

CH4 + O2 → CO2 + 2 H2O → H2CO3

- da amônia, com produção de óxido de nitrogênio e água:

NH3 + 1,75 O2 → NO2 + 1,5 H2O -do ácido sulfídrico, com produção de ácido sulfúrico:

H2S + O2 → SO3 + H2O → H2SO4

- do sulfeto de ferro, com produção de ácido sulfúrico 2FeS + 4,5O2 + 2H2O → Fe2O3 + 2H2SO4

Todas estas reações foram realizadas por microrganismos denominados bactérias quimiolitotróficas. Elas são capazes de viverem em presença do

oxigênio, i.e., são aeróbias, e produzem a matéria orgânica (açúcar) retirando a energia do metano, da amônia, do ácido sulfídrico e do sulfeto de ferro.

A oxidação do metano e produção de matéria orgânica ficou ao encargo das bactérias metanotróficas; a da amônia, pelas bactérias nitrificantes; do ácido sulfídrico, pelas bactérias fotossintéticas anaeróbias e do sulfeto de ferro, pelas bactérias que oxidam o ferro. Assim, todos os gases reduzidos da atmosfera foram pouco a pouco sendo oxidados e consumindo o oxigênio produzido pelas bactérias fotossintéticas.

Até hoje estas bactérias quimiolitotróficas desempenham um papel importante nos ciclos do carbono, nitrogênio, enxofre e ferro, como também podem ser usadas em processos de biorremediação para recuperação ambiental.

Por outro lado, os japoneses utilizam estas bactérias que oxidam metais, como as que oxidam ouro, para separá-lo do minério de ferro exportado do Brasil.

3.8) INVASÃO DA ATMOSFERA PELO OXIGÊNIO

Entre 2 Bilhões a 500 Milhões de anos atrás, no Éon Proterozóico, a concentração de oxigênio variou de 1 a 10%, com a maior produção ligada às cianobactérias, que foram evidenciadas nos fósseis - “GRANDE EVENTO DE OXIGENAÇÃO”. Os níveis atuais de oxigênio atmosférico (21%) foram atingidos mais tarde, no Éon Fanerozóico, há 400 Milhões de anos.

A produção bacteriana e o consumo do oxigênio para oxidar os elementos químicos na atmosfera, hidrosfera e litosfera se equilibraram, e ele começou a invadir a atmosfera. Digamos que o aumento da concentração de oxigênio livre causou uma revolução na Terra. Ao mesmo tempo em que o oxigênio obrigou os microrganismos anaeróbios a estabelecerem estratégias de vida para conviverem com esse novo veneno atmosférico, possibilitou que a vida dos seres aeróbios microscópicos e macroscópicos se proliferasse.

3.9) PROVAS GEOQUÍMICAS DA OXIDAÇÃO DAS ROCHAS PELO OXIGÊNIO PRODUZIDO PELAS BACTÉRIAS FOTOSSINTÉTICAS

As provas geoquímicas do aparecimento da vida bacteriana fotossintética na Terra são:

4.1 -oxigênio dos sulfatos nos oceanos são encontrados como gipso ou anidrita (CaSO4);

4.2 –oxidação do ferro pelo oxigênio produziu a hematita, formando as grandes reservas minerais (Fe2O3).

4.3- os solos lateríticos são intemperizados e são encontrados, principalmente, nas regiões tropicais do mundo. Eles são ricos em óxidos de alumínio e de ferro.

Graças aos óxidos de ferro, o solo é geralmente vermelho.

Assim, a partir da produção do oxigênio e sua posterior liberação para a atmosfera, as bactérias puderam explorar inúmeras outras fontes de carbono e de energia. Isto favoreceu o crescimento das populações bacterianas e a explosão de sua diversidade metabólica. Pode-se inferir que, a partir desse momento da história da Terra, os ciclos podem ser chamados de biogeoquímicos.

Referências bibliográficas

Damineli, A. & Damineli, D. S. C. 2007. Origens da Vida. Estudos Avançados 21:263-284.

InfoEscola http://www.infoescola.com/biologia/cianobacterias/ (acessado em 8/1/2012)

Kasting, J.F. & Siefert, J. L. 2002. Life and the Evolution of Earth's Atmosphere.

Science 296: 1066-1068

UNICAMP – Laboratório de Química do Estado Sólido - http://lqes.iqm.unicamp.br/canal_cientifico/lqes_responde/lqes_responde_

sopa_primordial.html (acessado em 12/1/2012)

Margulis, L. & Sagan, D. 2000. O que é vida? Editor Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 289 pp.

Margulis, L. & Sagan, D. 2002. Microcosmos: quarto bilhões de anos de evolução microbiana. Editora Cultrix, São Paulo, 248 pp.

NASA – Center for Mars Exploration

http://cmex.ihmc.us/data/puzzle/whatsthis.html (acessado em 8/1/2012) Portal Brasil http://www.portalbrasil.net/educacao_seresvivos_origem.htm

(acessado em 12/1/2012)

Tardy, Y. 1997. Geoquímica Global: oscilações climáticas e evolução do meio ambiente desde quatro bilhões de anos. Estudos Avançados 11: 149-173.

A PARTIR DO SURGIMENTO DO OXIGÊNIO E A DIVERSIFICAÇÃO METABÓLICA DAS BACTÉRIAS, PODE-SE INFERIR QUE OS

CICLOS PASSARAM A SER BIOGEOQUÍMICOS.

The International Nannoplankton Association http://ina.tmsoc.org/ (acessado em 8/1/2012)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

http://www.ufrgs.br/paleodigital/Cocolitoforideos.html (acessado em 8/1/2012)

Universidade Federal de São Carlos http://www.enq.ufsc.br/labs/probio (acessado em 8/1/2012)

YouTube http://www.youtube.com/watch?v=M094ImDSIVs (acessado em 8/1/2012)

Zaia, D. A. M.; Zaia, C. T. B. V. 2008. Algumas controvérsias sobre a origem da vida. Química No

Capítulo 3:

A diáspora africana e a construção do Mundo