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4.4 Manejo, certificação e comercialização da banana orgânica

4.4.4 Certificação orgânica dos bananais

4.4.4.1 Principais resultados e aspectos relevantes da certificação

O primeiro período de inspeção envolveu 28 produtores e 34 áreas de produção, sendo que 6 produtores apresentaram 2 áreas para inspeção. Deste total, apenas 2 áreas de um único produtor não foram certificadas no primeiro ano, uma vez que não atenderam integralmente às condições necessárias para a certificação. Uma das áreas foi submetida a um período de conversão de 18 meses, pois havia sido recentemente tratada com um produto não permitido na agricultura orgânica: o agrotóxico de nome comercial “Furadan”13, utilizado no controle da broca-da-bananeira. A outra área, por localizar-se imediatamente abaixo de um bananal convencional, também não pôde ser certificada, por sofrer a influência direta das práticas convencionais de manejo adotadas na área vizinha; ou seja, por apresentar-se vulnerável à contaminação por agrotóxicos e fertilizantes químicos.

A certificação da maior parte dos bananais sem a necessidade do período de conversão (período exigido pelas certificadoras para a descontaminação do solo dos resíduos de adubos e agrotóxicos) foi possível principalmente em função das práticas de manejo adotadas pelos produtores desde que cultura foi estabelecida na comunidade. Como apresentado anteriormente, a maioria dos bananais nunca recebeu qualquer aporte de agrotóxicos ou fertilizantes químicos de alta solubilidade, cujo uso é estritamente proibido pelas normas de certificação.

Para a maioria dos produtores, portanto, a certificação orgânica não implicou na necessidade de mudanças das práticas de produção até então adotadas, visto que seus sistemas agrícolas já eram conduzidos, do ponto de vista agronômico, de acordo com as principais normas e exigências da certificação. Porém, do ponto de vista ambiental, algumas recomendações e condições foram estabelecidas pelo IBD para a certificação.

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Os problemas ambientais mais relevantes relacionam-se à ocupação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) com o cultivo da banana, principalmente as matas ciliares, uma vez que várias áreas de produção estão localizadas às margens do Rio Ribeira de Iguape ou de seus afluentes. A utilização destas áreas para a atividade agrícola está relacionada, em parte, às características hídricas e geográficas da região, formada por abundantes cursos de água e por relevos altamente declivosos, o que acaba por limitar as áreas apropriadas para a agricultura.

Além disso, o uso agrícola das áreas mais baixas, como várzeas e beiras de rios, é uma prática tradicional amplamente adotada por Ivaporunduva e outras comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Essas áreas recebem, periodicamente, grandes quantidades de detritos orgânicos e minerais, os quais são transportados pelos cursos d’água durante as cheias ou arrastados das encostas através da erosão. O acúmulo de matéria orgânica e nutrientes minerais torna essas áreas mais férteis e, portanto, preferenciais para a agricultura. Dependendo da intensidade e freqüência das inundações, as áreas são utilizadas para culturas anuais de subsistência ou para cultivos permanentes de banana.

Considerando as condições colocadas pela certificadora, os produtores estão realizando, de forma gradativa, a transferência dos bananais irregulares para outras áreas da comunidade, de forma a permitir a regeneração natural das APPs. Além disso, a partir da primeira inspeção, ficou proibida a certificação de novos bananais instalados em APPs, assim como a possibilidade de cancelamento do certificado do produtor que, porventura, venha a desrespeitar esta condição.

Cabe ressaltar que, num primeiro momento, a transferência de bananais situados em APPs para outras áreas implica na perda de parte da produção e, por conseguinte, dos rendimentos econômicos dos produtores. Visto os baixos retornos econômicos obtidos com a fruta, pode-se facilmente entender a dificuldade dos produtores para colocarem em prática essas mudanças. Portanto, a readequação dos bananais precisa ser trabalhada de forma gradativa, numa perspectiva de médio e longo prazo, contando-se,

inclusive, com os avanços econômicos do projeto para que as mudanças sejam possíveis aos produtores.

Outro aspecto limitante para a certificação diz respeito ao uso do fogo para a abertura das áreas de produção, o qual foi verificado em 100% dos bananais inspecionados. Como apresentado anteriormente, os bananais geralmente ocupam áreas antes utilizadas para agricultura de subsistência, as quais, por sua vez, são tradicionalmente cultivadas através do corte e queima da vegetação nativa (sistema de coivara). Como é sabido, o uso do fogo é uma pratica prejudicial aos agroecossistemas, na medida em que afeta sua biota, diminui a quantidade de matéria orgânica do solo e aumenta sua susceptibilidade à erosão. Dessa forma, a certificadora passou a exigir e eliminação da prática entre os produtores, além de um processo de conscientização sobre seus principais impactos sobre o ambiente.

Além destes, outros aspectos mais pontuais também foram levantados pela certificadora, tais como: a necessidade de melhoria de algumas divisas entre cultivos orgânicos e convencionais, seja através do aumento das distâncias de separação ou instalação/reforço das barreiras naturais de proteção (cercas vivas); o aumento da cobertura vegetal do solo, por exemplo, através da adubação verde ou diminuição do número de roçadas; maiores cuidados com relação aos resíduos sólidos (por exemplo, sacos plásticos), que em algumas ocasiões foram encontrados nos bananais e/ou áreas residenciais. Como visto, os produtores que iniciaram o programa de certificação foram aqueles que já atendiam às principais normas da agricultura orgânica, o que possibilitou a certificação imediata de seus bananais. Nos anos seguintes, outros produtores também tomaram interesse pela certificação, inclusive alguns que faziam ou haviam feito o uso de produtos não permitidos. Dessa forma, além dos aspectos supracitados, as novas fases da certificação envolveram também períodos de conversão de áreas convencionais para orgânicas.

Atualmente, de um total de aproximadamente 60 produtores, 38 possuem seus bananais certificados. As áreas de banana orgânica ocupam aproximadamente 56 ha, o que corresponde a 67% dos bananais e 2% do território quilombola (ISA, 2008). No entanto, a nova fase de certificação,

prevista para o segundo semestre de 2008, já conta com pelo menos 45 produtores interessados.

Figura 7. Dia de campo sobre manejo orgânico junto a técnico do ISA (Crédito: Fabio Zanirato).

4.4.5 As experiências de comercialização

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