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Principais rupturas no fornecimento e na demanda

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (páginas 108-111)

3. ASPECTOS METODOLÓGICOS DE PESQUISA

4.1 Descrição do caso 1

4.1.1. Principais rupturas no fornecimento e na demanda

O processo de produção dos frangos ocorre em aviários de pequenos avicultores integrados com mão-de-obra essencialmente familiar. Não foi informada a quantidade de avicultores nem de aviários. Segundo o entrevistado GFF1 o sistema de produção via integração reduz os riscos de rupturas no fornecimento de frangos para o abate e permite controlar melhor a qualidade do produto final, desde a genética

do animal, a alimentação balanceada e o peso desejado, nos prazos desejados, conforme as especificações do cliente final.

A cadeia de produção animal, ao lidar com animais “vivos”, apresenta certas características que a tornam mais suscetíveis a problemas no processo produtivo que podem levar a rupturas. Problemas respiratórios no animal, problemas de sanidade animal e, problemas relacionados ao processo de produção, como umidade e temperatura, são exemplos de situações que expõem essa cadeia a riscos de rupturas, conforme pode ser observado pela fala do entrevistado:

GFF1: (...) Cara ...problemas sempre têm, estamos falando de cadeia viva né... o franguinho pode pegar um problema respiratório... eu acho o seguinte, o compromisso com cliente se ele quer....se o combinado é sem miúdos é sem miúdos se ele quer com miúdos é com miúdos... meio da asa é meio da asa não é ponta da asa, não é coxinha da asa, entendeu? então assim... a gente tem que cumprir o que é combinado, mas tem coisas que acontecem em cadeia viva né cara....eu tô falando...se eu tivesse produzindo pilha, bateria, celular ou sei lá o que... seria uma coisa muito mais fácil de se controlar, agora cadeia viva ela oscila mesmo cara....tem N fatores né...é como eu já disse é “vivo”...são seres né (...)

Caso um problema ocorra, um lote inteiro de produção pode ser comprometido, e este lote pode já ter sido negociado com o cliente final. Muitas vezes, a indústria precisa arcar com possíveis prejuízos decorrentes dos problemas no processo produtivo para poder cumprir o acordado com o cliente final e entregar os produtos conforme especificações definidas na hora da venda. Exemplo típico relatado pelo GFF1 foi uma situação em que, no processo de produção (manejo) ocorreu o excesso de umidade nos aviários, decorrentes do processo de lavagem dos barracões, por ineficiência dos funcionários do setor. O excesso de umidade desenvolveu fungos nos pés dos frangos que teve que ser descartado. Contudo, aquele lote de frango havia sido comercializado com miúdos, ou seja, incluindo os pés. Segundo o GFF1 o preço de venda do frango comercializado com miúdos é menor em comparação ao frango sem miúdos. Em decorrência do problema ocorrido, a indústria 1 realizou a entrega para o cliente final de um produto com maior valor agregado, porém com o preço acordado anteriormente, arcando com os custos decorrentes. O fato em si, não chegou a gerar uma ruptura na cadeia, pois a empresa entregou um produto final com maior valor agregado pelo preço combinado

anteriormente, cumprindo o prazo de entrega, porém teve custos mais elevados, perdendo margem de lucro no processo de comercialização, deixando de cumprir com as metas financeiras.

Um evento citado que causa rupturas na cadeia de frango, e que muitas vezes foge do controle da indústria 1, é a greve de funcionários. Em maio de 2016 os funcionários da indústria paralisaram as atividades, devido a não realização de acordos trabalhistas entre o sindicado da categoria e os gestores da indústria. O evento gerou ruptura no processo de abate dos frangos por 02 semanas. Tal fato causou enormes prejuízos aos avicultores, cujos frangos já estavam adultos prontos para abate. O atraso no abate fez com que muitos frangos morressem devido ao calor e o ambiente apertado dos aviários, ocasionando prejuízos aos avicultores. Da mesma forma, para a indústria a ruptura no processo de produção ocasionou perdas financeiras e demandou a necessidade de alocar produtos de outras plantas produtivas para atender o mercado consumidor dentro dos prazos acordados.

No que diz respeito aos problemas que causam rupturas no lado da demanda, os dados apontam que existem fragilidades na indústria frigorífica de carne de frango, após o produto final estar posicionado no estoque, até chegar nas mãos do cliente final. Os principais problemas relatados pelo GDF1 foram relacionados à gestão no nível de serviços prestados como capacidade de carregamento, capacidade logística (poucas opções para escoamento da produção, roteirização fragilizada, rodovias de baixa qualidade de tráfego), baixa disponibilidade de caminhões exclusivos para transportes de cargas refrigeradas.

Não foram relatados casos de rupturas em que a indústria não conseguiu atender o acordado com os clientes em termos de quantidade, tendo sido relatadas situações em que eles tiveram que renegociar prazos de entrega. Em outra situação, em que o cliente não tinha condição de renegociar os prazos, a indústria 1 realocou produtos finais de outras plantas industriais de outros estados para honrar os prazos acordados com o cliente, assumindo os prejuízos decorrentes de questões logísticas. A indústria 1 trabalha com lotes de pedidos com prazos de entregas de 90 dias. Entretanto, já houve situações em que o cliente, próximo da data de recebimento do lote encomendado, cancelou o pedido. Esse é um fato típico gerador de rupturas, principalmente em se tratando com produtos perecíveis, como é a carne. O fator indutor de rupturas dessa natureza na demanda dá-se em virtude de variações no

preço do produto final. O gestor acredita que o melhor caminho para mitigar riscos de ruptura dessa natureza, seria a franqueza entre o cliente e a indústria, em termos de flutuações de preço no mercado e o diálogo para renegociar preços em lotes futuros, adequando-se às variações do preço de mercado.

Um problema de ruptura na entrega que gerou bastante desgaste para o gestor comercial resolver, foi decorrente do fechamento de rodovias que inviabilizou a entrega ao cliente final. Devido a fechamento de rodovias por parte de indígenas ou integrantes do movimento dos sem terras no estado de Mato Grosso, o caminhão ficou retido na estrada por dias, o que fez com que a carga chegasse ao destino com qualidade comprometida.

A figura 23 apresenta uma síntese das fontes de rupturas identificas no lado do fornecimento e no lado da demanda da indústria 1.

Figura 23 - Principais fontes de rupturas no fornecimento e na demanda da indústria 1

Fonte: elaborado pelo autor

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (páginas 108-111)