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103De principio, a editora teria apenas este nome, pela sonoridade, facilidade de reco-

nhecimento e os valores que permeiam a palavra. Entretanto, o uso do termo “edi- tora” era um pouco restrito em relação a proposta da produção editorial deseja- da. Deste modo, inspirado pela bagagem artística que a graduação proporcionou, o uso do termo “Ateliê” entrou em discussão, fechando assim a escolha para o nome final: Ateliê Editorial Papiro.

A proposta editorial estava estabelecida. Ser não apenas uma editora que produz seus impressos autônomos e livres, mas um ateliê que proporcione uma pesquisa gráfica de experimentação no campo de produção em design editorial, de modo a cada publicação ser uma nova experiência para o leitor, em sua relação com os ar- tefatos através da ousadia criativa, mas mantendo a essência que os fatos históri- cos de concepção do livro foram capazes de oferecer ao se reinventar.

A definição de uma única temática para as publicações, de início, demandou um grande esforço ao ser fechada ou, em outras palavras, limitada, algo que seria con- trário à proposta pretendida. Deste modo, a Papiro se apresenta como uma edito- ra sem recorte temático. A intenção com a produção é explorar as narrativas livre- mente, sem cobranças ou focados em nichos, possibilitando, caso seja necessário, a criação de selos ou coleções para dividir o tema, mas este não é algo pretendido e, portanto, conforme as publicações sejam lançadas, as decisões serão tomadas.

Alguns experimentos prévios já foram realizados no campo da produção editorial, mas nenhum com a assinatura da Papiro aplicada de fato. A primeira publicação será um relato da experiência vivida ao longo das 4 etapas da pesquisas de campo realizadas neste projeto, explorando o pensamento envolvido na produção de pu- blicação livres e a liberdade como um todo, sendo este o assunto principal, quase como um manifesto em relação à liberdade de cada um.

A médio prazo, a Papiro pretende obter um catálogo composto e bem acabado para poder participar das feiras como expositora, um grande desejo que só aumentou a partir da experiência de viajar o país para ver de perto como as produções são re- cebidas leitores e outros expositores.

Num segundo momento, a Papiro lançará seu site, com blog, este voltado para toda experiência envolvida na criação doas publicações, além de dar ainda mais voz e destaque aos entrevistados e os 61 livretos devolvidos, que por si só, já consagram uma coleção coletiva e colaborativa entre tantos editores.

Os aspectos acadêmicos e de criação como design de fato serão explorados em to- dos os âmbitos de atuação da editora, como forma de reforçar a importância de co- locar em pauta esta discussão de publicações independentes.

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4.2

Identidade visual

Com a proposta editorial estabelecida e o nome para a editora selecionado, o pro- cesso de concepção para uma identidade visual se iniciou. A intenção era gerar uma marca que fosse facilmente reconhecida, lida e de fácil reprodução, baseada nas li- mitações técnicas e artesanais que o projeto se propõe a manter.

A ideia inicial era utilizar a forma da folha de Cyperus papyrus [4.2] como ícone para a editora, remetendo iconograficamente à planta que deu origem ao papiro. Poste- riormente, de forma mais livre e tipográfica e partindo da sonoridade da palavra, quebras foram realizadas na estrutura do nome como forma de desconstruir a pa- lavra, remetendo à inovação pretendida com as publicações da editora além do uso de uma forma retangular na proporção áurea, como a dos formatos de papel A4, A5, A6, das publicações, expressado graficamente como margem para a logo. [4.3]

[4.3] Redesenho das ideias primordiais para a logo da Papiro

[4.2] A folha de Cyperus Papyrus CINZA 1 | PAPIRO C: 60 M: 50 Y: 50 K: 70 R: 55 G: 55 B: 55 #363735 CINZA 2 | PAPIRO C: 15 M: 10 Y: 10 K: 0 R: 223 G: 224 B: 226 #DFE0E2

Com o rascunho gráfico para a logo, a etapa seguinte foi de seleção de cores para a identidade visual. Alguns tons de bege e marrom foram testados de início, se as- semelhando à cor dos rolos de papiro, entretanto não expressavam a força e preg- nância desejada. A segunda opção foram tons escuros e neutros numa variação to- nal de cinza. Esta escolha foi totalmente realizada por gosto pessoal, como forma de representar a pessoa por trás da editora que usualmente, nas relações familia- res e de ciclo social, já é reconhecido pelo uso constante de preto como caracterís- tica pessoal. Deste modo, dois tons foram escolhidos para gerar contraste:

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4.1

[4.4] Marca principal | Cor, Negativo e Positivo

[4.5] Marca horizontal | Cor, Negativo e Positivo

A B C D E F G H I J K L M N O P

Q R S T U V W X Y Z À Ê Í Õ Ü

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s

t u v w x y z à ê í õ ü

1 2 3 4 5 6 7 8 9 ( $ % & . , ! ? )

A B C D E F G H I J K L M N O P

Q R S T U V W X Y Z À Ê Í Õ Ü

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t

u v w x y z à ê í õ ü

1 2 3 4 5 6 7 8 9 ( $ % & . , ! ? )

Como o logotipo criada é composto basicamente de tipografia, a escolha da fonte foi realizada com atenção e diversos testes de famílias distintas, na busca de uma fonte que tivesse em seu desenho características clássicas, mas com algum tipo de intervenção moderna. A presença de serifa foi primordial para a seleção, eliminan- do algumas opções de imediato. Após alguns testes e aplicações, a fonte Kefa foi escolhida por obter em seu desenho as características pretendidas, sendo clássica, com serifa, mas redesenhada pelo designer francês Jérémie Hornus em 2013, tra- zendo consigo alguns detalhes modernos ao desenho.

Com o conjunto da identidade visual quase completo, o último passo em sua cons- trução foi unir todos os elementos [4.4] para ver seu funcionamento, realizar al- guns ajustes e testes de impressão para verificar a escala e redução máxima.

O logotipo principal possui uma proporção vertical semelhante a um selo, para ou- tras aplicações fez-se necessário criar uma versão secundária mais horizontal [4.5], para alguma aplicação em que a redução não prejudicasse a legibilidade. Para cons- tatar a leitura, a logo foi apresentada para pessoas aleatórias para observar que nome era lido, e todos os consultados identificaram o nome papiro sem problemas.

A aplicação da marca será realizada de forma manual nas publicações da Papiro, portanto, nos livretos produzidos, a marca será sempre inserida através de um ato artesanal, seja através de carimbo, stencil ou outra intervenção que converse com a proposta da editora. A versão digital será utilizada apenas em mídias digitais ou aplicações de terceiros.

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4.3

As publicações da Papiro

O processo de concepção e criação de uma publicação independente é livre e não possui um roteiro específico para produção. Entretanto, este campo criativo é tra- tado por Ellen Lupton (2011), que apresenta um passo a passo sobre as etapas de elaboração que, mesmo feitas com outros olhares ou abordagens, contemplam de um modo ou de outro esta construção.

Publicar envolve tanto produzir quanto distribuir um

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