OBJETIVOS E HIPÓTESES
PRIORIDADE DE ACESSO AO
ALIMETO
1 EXPERIENTE EXPERIENTE 1 MACHO/FÊMEA
1 EXPERIENTE EXPERIENTE 2 MACHO/FÊMEA
2 EXPERIENTE INEXPERIENTE 1 MACHO
2 EXPERIENTE INEXPERIENTE 2 FÊMEA
3 INEXPERIENTE EXPERIENTE 1 MACHO
3 INEXPERIENTE EXPERIENTE 2 FÊMEA
4 INEXPERIENTE INEXPERIENTE 1 MACHO
Latência de aproximação em relação ao aparato
Verificamos que na Condição 1 o tempo de aproximação ao aparato não diferiu entre machos e fêmeas experientes (U=14,500, p=0,068, N=4); esse mesmo padrão foi encontrado para a aproximação de machos e fêmeas inexperientes na Condição 4 (U=20,000, p=0,639, N=4). Porém, ao analisar a latência entre os sexos nas Condições 2 e 3, observamos que os animais experientes apresentaram latência de aproximação menor em relação aos inexperientes. Na Condição 2 observamos que os machos experientes tiveram tempo de aproximação significativamente inferior ao das fêmeas inexperientes (U=0,000, p=0,002, N=4); e na Condição 3 observamos que as fêmeas experientes apresentaram latência de aproximação significativamente inferior aos machos inexperientes (U=10,000 p=0,019, N=4) (Figura 1).
Figura 1. Latência média de aproximação em segundos de machos e fêmeas para cada uma das condições analisadas no presente trabalho: 1 machos experientes x fêmeas experientes; 2 machos experientes x fêmeas inexperientes; 3 fêmeas experientes x machos inexperientes; 4 machos inexperientes x fêmeas inexperientes.* Machos experientes tiveram tempo de aproximação significativamente inferior ao das fêmeas inexperientes.** Fêmeas experientes tiveram tempo de aproximação significativamente inferior ao dos machos inexperientes.
Discriminação visual Remoção das formas
Independentemente, do contexto social, ao analisarmos a frequência da remoção das formas verificamos que os indivíduos experientes tenderam a aleatoriedade (quadrado: 62,5%; triângulo: 37,50%; χ2=3,000, df=1, p=0,083, N=48); observamos esse mesmo padrão para os indivíduos inexperientes (quadrado: 62,5%; triângulo: 37,50%; χ2=1,000, df=1, p=0,317, N=16). Nesse último caso, a remoção somente ocorreu quando os indivíduos inexperientes estavam na presença de outros inexperientes. Além disso, verificamos que nesta condição a remoção das formas ocorreu exclusivamente pelos indivíduos que se mostraram dominantes nas observações preliminares; desse modo, observamos que em um dos casais inexperientes somente o macho removeu as formas; já no outro, verificamos que somente a fêmea removeu a forma.
Nas Condições 1 e 4 observamos eventos nos quais um indivíduo removeu a forma e outro pegou o alimento. No caso, na Condição 1 verificamos duas situações em que ocorreu isso. Em uma delas o macho experiente removeu a forma e a fêmea experiente consumiu o alimento; na outra observamos o oposto. Já na Condição 4, observamos cinco eventos em que isso ocorreu. Nessa condição, os dominantes removeram as formas e os subordinados pegaram o alimento.
O fator experiência
Apesar dos resultados nas quatro condições tenderem a aleatoriedade, observamos que as fêmeas experientes removeram as formas (quadrado e triângulo) mais significativamente do que as inexperientes (fêmeas experientes: 73,33%; fêmeas inexperientes: 26,67%; χ2=6,533, df=1, p=0,016, N=30). Observamos esse mesmo
padrão comportamental entre machos experientes e inexperientes (machos experientes: 76,47%; machos inexperientes: 23,53%; χ2=9,529, df=1, p=0,003, N=34) (Figura 2). Ao analisarmos especificamente cada uma das quatro condições, não verificamos remoção diferencial entre machos e fêmeas na Condição 1 (χ2=1,000, df=1, p=0,317, N=16) e Condição 4 (χ2=0,000, df=1, p=1,000, N=16). Já nas Condições 2 e 3, observamos remoção diferencial por parte dos indivíduos experientes em relação aos inexperientes (com os primeiros removendo as formas em todas as sessões) (Figura 2).
Figura 2. Porcentagem das formas removidas em cada uma das quatro condições. Nas Condições 2 e 3 somente os indivíduos experientes removeram as formas.
Consumo dos itens alimentares
Verificamos que as fêmeas experientes consumiram alimentos mais significativamente do que as fêmeas inexperientes (fêmeas experientes: 70,00%; fêmeas inexperientes: 30,00%; χ2=4,800, df=1, p=0,028, N=30). Esse mesmo padrão comportamental foi observado entre machos experientes e machos inexperientes (machos experientes: 74,20%; machos inexperientes: 25,80%; χ2=7,258, df=1, p=0,007, N=31). Já ao analisarmos cada uma das quatro condições isoladamente, não observamos consumo diferencial entre os indivíduos experientes na Condição 1 (fêmeas experientes:
42,85%; machos experientes: 57,15%; χ2=0,286, df=1, p=0,593, N=14) e na Condição 4 (machos inexperientes: 50%; fêmeas inexperientes: 50%; χ2=0,000, df=1, p=1,000, N=16). Nas Condições 2 e 3 observamos consumo diferencial. Na Condição 2, verificamos consumo pelos machos experientes em quinze sessões (93,75%) e pelas fêmeas inexperientes somente em uma sessão (6,25%); desse modo, nessa condição os machos consumiram alimentos mais frequentemente do que as fêmeas (χ2=12,250, df=1, p<0,001). Na Condição 3 o consumo se deu exclusivamente por parte das fêmeas experientes (Figura 3).
Figura 3. Porcentagem dos itens consumidos em cada uma das quatro condições. Somente nas Condições 2 e 3 verificamos maior consumo pelos indivíduos experientes.
Transferência de alimento entre os indivíduos
Com relação à transferência de alimento entre os animais, observamos eventos de transferência passiva e resistência. Não observamos transferência ativa de alimento (ou seja, com recrutamento por parte do possuidor do alimento) no decorrer do experimento.
Observamos um total de dezesseis eventos de resistência à transferência de alimento, nenhum deles observado na Condição 1. Evidenciamos a resistência à
transferência em situações nas quais o portador do alimento se afastava quando o parceiro(a) se aproximava; comportamento agonista emitido com o intuito de defender o alimento (definições conforme Feistner & Price, 1990) e tentativa de roubo (conforme Ruiz-Miranda et al., 1999).
Registramos nove eventos de tentativa de roubo. Destes, seis ocorreram nas condições onde o possuidor do alimento era experiente; já a tentativa de roubo entre indivíduos inexperientes ocorreu somente em três situações e foi realizada somente pelos indivíduos que não removeram as formas (ou seja, que se mostraram subordinados). Observamos quatro eventos nos quais o proprietário do alimento se afastava quando o outro indivíduo se aproximava; destes, três ocorreram quando o casal era formado por indivíduos experientes e inexperientes (quem se afastava nessa situação era o indivíduo experiente) e um quando ambos eram inexperientes (quem se afastou foi o indivíduo inexperiente que se mostrou dominante e removeu as formas). Em três eventos observamos a exibição de comportamento agonista pelo proprietário do alimento para defendê-lo (evitando o roubo); destes, dois ocorreram quando o emissor era experiente e o receptor inexperiente e um quando ambos os indivíduos eram inexperientes (nessa situação quem exibiu comportamento agonista foi o individuo que removeu as formas).
De um modo geral, observarmos os eventos de resistência direcionados exclusivamente aos indivíduos inexperientes. Esses eventos ocorreram mais frequentemente nos casais constituídos por indivíduos experientes e inexperientes em comparação aos casais constituídos por ambos indivíduos inexperientes (casais experiente/inexperiente: 75%; casais inexperientes/inexperientes; 25%; χ2=5,082, df=1, p=0,020) (Tabela 3).
Tabela 3: Porcentagem de eventos nos quais verificamos transferência e ausência de transferência (resistência) nas diferentes situações propostas no trabalho.
DOADOR RECEPTOR TRASFERÊCIA
(%)