I I 1 3 1 Teoria de campos funcionais e b ipolaridade verbal
II. 1 3 2 Prioridade para o Satzfeld (campo da frase)
Esta terminologia já indica qual dos campos recebe a atenção principal dos autores: o Satzfeld (por outros autores mais corretamente chamado de Mittelfeld - campo do meio ou campo interno). Para Schulz & Griesbach, ele é o campo da frase, o campo anterior e posterior são de certa maneira secundários, pois a função deles é "apenas" fazer a conexão com a frase anterior (o campo inicial ou Vorfeld) e receber complementos não-obrigatórios (no caso do campo posterior ou Nachfeld). Ao Satzfeld, os autores dedicam a maior atenção, como veremos. Inclusive, eles introduzem primeiro todos os tipos de frases com o verbo em posição Viniciai> onde apenas ocorre o Satzfeld, sem Vorfeld nem Nachfeld. Assim, os autores reforçam a impressão que este campo é o mais
importante e, indiretamente, as frases com os dois demais campos são apresentadas como variações da primeira. Eles dão exemplos de frases análogas às citadas por Duden - veja exemplos (4a) a (4d) acima. Não há necessidade de reproduzi-las aqui.
Depois das frases com o verbo em primeira posição, os autores descrevem as "frases subordinadas", onde o campo anterior tampouco existe de forma clássica, pois as subordinadas podem ocorrer de forma inicial ao período, ou, quando são pós-postas, o que está na frente é a chamada oração principal. Como à "oração principal" é atribuído um valor próprio muito alto e independente, Schulz & Griesbach conseguem mostrar a chamada oração subordinada como modelo de frase sem campo anterior. Só depois das subordinadas eles tratam de frases onde ocorre um campo anterior (Vorfeld).
Por um lado, esta ordem de apresentação, como já foi mencionado, salienta apenas indiretamente a função constitutiva dos dois elementos predicativos para o campo interno (chamado "campo da frase" por Schulz & Griesbach), como veremos abaixo, onde os autores entram em detalhes da descrição da composição do SatTfeld em si. Para usar uma analogia, é como se eles focalizassem apenas as ordenações possíveis das peças de roupa penduradas na linha do varal, sem dedicar nenhuma atenção aos dois postes que esticam a linha, que eles tomam como premissa tão inquestionável que nem consideram necessário entrar nos detalhes de sua descrição ou do seu mérito constitutivo para toda a estrutura da frase. Por outro lado, o peso exagerado que o Satzfeld recebe faz com que os autores percam uma possibilidade importante para descrever a integração de orações na língua alemã.
Não obstante a isso, todas as frases, seguem, em princípio, o modelo (14), mesmo que o campo anterior e/ou posterior ou a posição P“ estejam vazios:
(14) Vorfeld P^ Satzfeld P^ Nachfeld
{campo anterior) (campo da frase) (campo posterior)
Segundo Schulz & Griesbach (1984: 390), então, o Satzfeld é delimitado pelos dois elementos do predicado. O elemento finito do predicado forma o P^ e o elemento que determina o significado (sinngebender Prãdikatsteil) o P^ (op. cit., p. 390). Se o predicado, por razões formais, incluir apenas um único elemento verbal, a posição P^ permanece vazia, porém entra em ação na hora que este verbo formar um predicado analítico. O modelo (14) inclui também as frases subordinadas, apenas o P' é substituído por um V (elemento de conexão - Verbindungsteil) e o P^ recebe o
elemento verbal finito que se reúne com os demais elementos predicativos no final da frase (op. cit., p. 392). O Satzfeld em si é dividido em duas partes: a área de contato {Kontaktbereich) e a área de informação {Informationsbereich) que, novamente, correspondem às funções de topic / comment.
Kontaktbereich / Informationsbereich /d\ ^ ... S a t z f e i d ... h - F ^ ( F )
O esquema (15) demonstra primeiro como os autores (op. cit., 392) incluem todas as frases do alemão em um só modelo descritivo, que reforça o enfoque deles, que é o Satzfeld. O limite esquerdo do Satzfeld é formado ou pelo elemento predicativo finito, ou pelo elemento de conexão (VerbindungsteU). Ao lado direito, o Satzfeld é fechado pelo elemento predicativo infinito (P^) ou pelo predicado finito, nos casos onde a periferia esquerda é formada pelo elemento de conexão (V). Em ambos os casos, eventuais complementos do predicado (Prãdikatsergãnzung), aqui chamados de (E), antecedem os elementos predicativos no sentido mais restrito (P) ou (P^).
Enquanto complementos do predicado (E), os autores listam como elementos entre outras coisas adjetivos predicativos no caso de verbos cópula, grupos preposicionais exigidos pelo verbo (como, por exemplo, no caso dos chamados grupos de verbos funcionais Funktionsverbgefüge), ou até o sujeito (!), como mostra (16b) abaixo (Schulz & Griesbach, 1984: 398). Os autores definem o complemento do predicado como elemento que define a ação / o estado da frase junto com o predicado. Ele deve estar sempre no final do Satzfeld, e com isso na última posição da área de informação {Informationsbereich). Nos exemplos abaixo, seguindo os grifos de Schulz & Griesbach (op. cit., p. 398-399), o (E) está em itálico nas frases em alemão.
(16a) Wir haben uns fünf Wochen inFrankreichmígQhdXien. Nós temos nos cinco semanas na França detido "Ficamos cinco semanas na França."
(16b) Heute wird im OáQoneinwichtiges stattfinden.
Hoje toma-se no Odeon um importante concerto lugar-achar "Hoje acontecerá um concerto importante no Odeon."
(16c) Ich wünsche, daB ihr den Hund m /íw/ie laBt. Eu desejo que vocês o(akk) cão em paz deixam "Eu desejo que vocês deixem o cão em paz."
(16d) Wir gehen heute Abend ins Kino. Nós vamos hoje noite no cinema "Esta noite iremos ao cinema."
(16e) Ich finde diesen Roman interessant. "Eu acho este romance interessante."
Como os autores constatam, o complemento do predicado pode ocupar a posição que fecha a frase, como em (16d) e (16e). Evidentemente, porém, o conceito de complemento do predicado está sendo usado sem a necessária precisão e uma parte dos citados complementos do predicado são actantes normais do verbo (16b), outros complementos não-obrigatórios da frase (16d), outros fazem parte do predicado em si, como em (16c) ou (16e). Falta uma segurança conceptual maior que poderia ser alcançada mediante o uso de um embasamento mais firme neste sentido, como por exemplo a Gramática de Valências. Depois, chama a atenção como Schulz & Griesbach percebem, por um lado, o paralelismo entre todas as posições verbais do alemão (Vinidai, V2 e Vgnai ), e, por outro lado, não chegam a enquadrar o fenômeno em toda a sua extensão, devido à escolha do seu enfoque principal e limitações impostas pelas premissas de uma descrição sintática que se apóia na divisão dos tipos de frases em "principal / subordinada".