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4.7 PROVIDÊNCIAS PARA GARANTIR O ADIMPLEMENTO DA

4.7.3 Prisão do Devedor

A prisão do devedor de Alimentos é meio coercitivo adequado, previsto inclusive em legislações alienígenas praticamente de todos os povos cultos, para forçar o mesmo a cumprir com os deveres de ordem moral e legal, a pagar aquilo que, injustificadamente, se nega a fazer. (WALD, 2005).

A prisão civil por dívida de Alimentos está textualmente autorizada no art. 5° LXVII da CRFB/1988, sempre que houver inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia. A prisão deve ser fundamentada, como de regra devem ser fundamentadas todas as decisões judiciais, ainda que de modo conciso (art. 165 do Código de Processo Civil), sob pena de nulidade do decreto de prisão, pois o juiz

41 Art. 734 - Quando o devedor for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o juiz mandará descontar em folha de pagamento a importância da prestação alimentícia.

(BRASIL, 2006, p. 733).

42 Art. 733 – Na execução de sentença ou de decisão, que fixa os Alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para. Em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. (BRASIL, 2006, p. 733).

deverá afastar a impugnação apresentada pelo executado na execução sob coação pessoal, considerando que a segregação corporal só poderá ser ordenada se o devedor, ao deixar de pagar os Alimentos, não se escusou justificada e adequadamente, sendo tarefa indeclinável do julgador fundamentar a ordem de prisão. (GONÇALVES, 2006).

Antes da prisão, no entanto, deve ser observado o disposto no artigo 17 da Lei de Alimentos, in verbis:

Quando não for possível a efetivação executiva da sentença ou do acordo mediante desconto em folha, poderão ser as prestações cobradas de alugueres de prédios ou de quaisquer outros rendimentos do devedor, que serão recebidos diretamente pelo Alimentando ou por depositário nomeado pelo juiz. (BRASIL, 2006, p. 1.659)

No que diz respeito ao prazo da prisão civil, a jurisprudência distingue quando se trata de Alimentos definitivos ou provisórios, e a duração máxima é de 60 dias

(previstos no art. 1943 da Lei n. 5.478/68); em caso de inadimplência de Alimentos

provisionais, o prazo máximo é de três meses, de conformidade com o artigo 733,

parágrafo 1º44 do Código de Processo Civil. (WALD, 2005).

O cumprimento integral da pena de prisão, entretanto, não eximirá o devedor do pagamento das prestações a que se refere, nem, evidentemente, das prestações seguintes, em relação às quais poderá incidir nova prisão. (MADALENO, 2007).

O devedor também poderá ser processado e condenado por abandono material, segundo o artigo 244 do Código Penal, sujeitando-se à pena de um a quatro anos de detenção e multa, se deixar, sem justa causa, de prover às necessidades primárias da Família “ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada”. (MADALENO, 2007).

Se não for possível qualquer medida dentre as apontadas, sobrará ao juiz a possibilidade de decretar a prisão do Alimentante, para compeli-lo a cumprir a

43 O juiz, para instrução da causa ou na execução da sentença ou do acordo, poderá tomar todas as providências necessárias para seu esclarecimento ou para o cumprimento do julgado ou do acordo, inclusive a decretação de prisão do devedor até 60 (sessenta) dias. (BRASIL, 2006, p. 1.659).

44 Art. 733 [...]

Parágrafo 1º - Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses (BRASIL, 2006, p. 769).

obrigação alimentícia, sem prejuízo de se proceder à execução na forma apontada

pelo artigo 1845 da Lei n. 5.478/68. (VENOSA, 2007).

Não há qualquer óbice a que o devedor de Alimentos tenha sua prisão decretada tantas vezes quantas sejam necessárias para constrangê-lo ao pontual desempenho de sua obrigação. Porém a prisão não pode ser decretada mais de uma vez em relação às mesmas prestações em atraso, pois essa medida implicaria constrangimento ilegal. (MADALENO, 2007).

Este trabalho monográfico teve como intenção realizar uma breve análise e propiciar uma visão geral do tema Obrigação alimentar do Menor, responsabilidade e efeitos à luz da legislação vigente. Neste último capítulo, abrangeu-se de forma rápida diversos tópicos atinentes ao tema inclusive as estruturas que regulam o instituto da prisão civil do devedor pelo inadimplemento da Obrigação alimentar, a partir das várias interpretações que a legislação suscita, até pela dinamicidade que possui o direito.

45 Art. 18. Se, ainda assim, não for possível a satisfação do débito, poderá o credor requerer a execução da sentença na forma dos artigos 732, 733 e 735 do Código de Processo Civil. (BRASIL, 2006, p. 1.659).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho monográfico proporcionou um importante e efetivo aprendizado em face aos relevantes conflitos existentes acerca do tema. É claro que não foi possível abranger todos os pontos que o assunto abrange. Seria, contudo audacioso querer afirmar que foram obtidos conhecimentos de forma minuciosa sobre cada questão. Mas, por outro lado, muitas questões relativas à Obrigação alimentar, tornaram-se claras, e de fácil compreensão.

O ponto inicial a ser destacado é que atualmente o Direito de Família está fundado nos anseios e interesses dos integrantes da entidade familiar, priorizando os interesses dos mais necessitados.

Assim, neste sentido é que o direito à prestação de Alimentos, encontra-se fundado na relação de Parentesco, portanto é recíproco entre pais e filhos, sendo extensivo a todos os Ascendentes, podendo recair a obrigação sobre tudo nos mais próximos em grau, uns na falta de outros.

O Dever de Sustento dos pais em relação aos filhos Menores, decorre do Poder Familiar enquanto não atingirem a Maioridade Civil ou por outra causa determinada pela legislação; e, por outra ponta, parentes, cônjuges, companheiros e pessoas integrantes de entidades familiares lastreadas em relações afetivas podem buscar Alimentos com base na Obrigação alimentar e no Direito de Família, ficando de lado as posições tradicionais que limitam rigidamente as pessoas que prestam e recebem Alimentos.

Em relação ao direito à pensão alimentícia, já era possível no Código anterior, pleitear pensão alimentícia dos parentes. No atual Código, esta situação ficou mais esclarecida, ou seja, se a pessoa que em primeiro lugar tiver a obrigação em prestar Alimentos não reunir condições, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo, no entanto, várias as pessoas obrigadas a prestar Alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada a ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide, ou seja, o processo.

Portanto, observa-se que a obrigação dos demais Ascendentes só emergirá se os pais não estiverem em condições de suportar tal responsabilidade

integralmente. Vale, mais uma vez, enfatizar que a Obrigação alimentar advinda de Parentesco tem caráter complementar, jamais solidário.

Acrescenta-se, ainda, que o efetivo dever de alimentar surge do binômio necessidade/possibilidade, quando aquele que paga não pode sofrer privações demasiadas por isso, e aquele que recebe deve, efetivamente ter necessidade destes, ou seja, não pode prover seu sustento por si próprio.

O conceito de Alimentos não é divergente entre os doutrinadores, pelo contrário, um só tem a complementar o outro. Assim, Alimentos são as prestações em dinheiro ou em espécie, determinadas por lei, que abrangem o sustento, o vestuário, a habitação, a educação, tudo em consonância com as necessidades do Alimentando e as condições financeiras do Alimentante.

Foi citado no decorrer do trabalho que a pessoa obrigada a suprir Alimentos poderá pensionar o alimentado, ou dar-lhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando Menor. É óbvio, no entanto, que o caso concreto deverá ser analisado pelo Juiz, considerando, por exemplo, a quem foi atribuída a guarda do Menor/credor quando da separação do casal, para então fixar a forma do cumprimento da prestação.

A diferença latente entre o Dever de Sustento e a Obrigação Alimentar dos pais com relação aos seus filhos é que, na primeira, os Alimentos surgem como um dever natural e incondicional dos pais, enquanto seus filhos são Menores e encontram-se sob o Poder Familiar.

No que concerne à Obrigação alimentar entre Ascendentes e Descendentes, importante ressaltar que o dever de socorrer os membros da própria Família advém do vínculo de solidariedade entre eles existente e encontra-se disposto nos artigos 1696 e 1697 do Código Civil.

Com relação à forma de cumprimento da prestação alimentar, pode-se dizer que na grande maioria dos casos é feita em espécie, mediante o pagamento do valor arbitrado pelo Juiz diretamente ao credor, ou através do seu desconto em folha de pagamento do devedor.

A fixação, majoração, exoneração ou revisão de Alimentos ou a prisão do devedor sob quaisquer fundamentos jurídicos e fáticos deve garantir o devido processo legal, o contraditório e da ampla defesa, sendo inaceitável restringir situações jurídicas consolidadas sem escutar a parte contrária.

Mister, se faz concluir que o ideal para impedir a existência de um conflito judicial entre parentes seria a oferta espontânea dos Alimentos, de acordo com suas possibilidades para tanto, visando um recíproco respeito aos sentimentos e valores envolvidos em tais circunstâncias.

Pode-se dizer que, agindo assim, as pessoas envolvidas na prestação de Alimentos estariam dando efetividade aos princípios constitucionais da dignidade, solidariedade e igualdade humana, através da fixação de Alimentos para quem o reclama como forma de manutenção e subsistência. E, o dever de prestar Alimentos e o direito de recebê-los não pode ser motivo de discórdia entre parentes.

Com a elaboração da presente pesquisa monográfica, foram analisados os problemas levantados e considerou-se que as hipóteses foram confirmadas.

Também é importante destacar para a finalização deste trabalho que estas são apenas algumas reflexões em que se assenta o importante mecanismo de mútua ajuda entre os membros pertencentes à mesma Família, cujo dever de socorro recíproco assume contornos de ordem pública, principalmente do conteúdo ético-social que nele se encerra, e que, como afirmado anteriormente, interessa sobremaneira à toda sociedade.

Tentou-se, contudo, elucidar sem pretensão de esgotar o estudo da Obrigação alimentar ao Menor, pois tal seria impossível no âmbito da investigação a que se propõe a presente pesquisa monográfica.

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