SUMÁRIO
1 CAPÍTULO – INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO
1.5 Problemática e justificativa
Em meados do ano de 2008 o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional através da superintendência do Estado de Santa Catarina buscava pesquisas relacionadas ao gerenciamento e utilização de dados cartográficos com objetivo de solucionar impasses de licenciamento de obras de PCHs – Pequenas Centrais Hidrelétricas na serra catarinense
Por esse motivo o IPHAN buscou as universidades para uma parceria e elaboração de um projeto de pesquisa para subsidiar as ações do órgão, desta maneira. Em um contato junto à UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina, foi discutido através de encontros periódicos, entre professores, alunos e técnicos do IPHAN, durante um ano, os objetivos e necessidades para o desenvolvimento do projeto e especificações das atividades técnicas.
Em um primeiro momento buscou-se alternativa para fomentar um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) juntamente com as empresas que tinham a concessão das PCHs na serra catarinense, mas na ocasião o projeto não foi submetido para um P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL por falta de interesse da empresa que estava em processo de licenciamento das PCHs, no entanto o projeto de pesquisa foi fomentado pelo próprio IPHAN que planejou os valores financeiros no orçamento da instituição durante o ano de 2009 para que o projeto desse início em 2010.
No início do ano de 2010, o IPHAN formalizou um convênio com a UDESC, através do GEOLAB – Laboratório de Geoprocessamento, com o objetivo de executar as atividades do projeto de pesquisa voltado ao mapeamento dos remanescentes históricos da região do Planalto Sul Catarinense, mais especificamente os elementos materiais associados aos Caminhos das Tropas. O projeto de pesquisa teve início das atividades no mês de abril do ano de 2010 e foi finalizado em dezembro de 2012.
O orientador desta tese foi o coordenador do projeto representando a UDESC e o autor desta tese foi coordenador do projeto. Essa experiência forneceu bagagem e conhecimento para o desenvolvimento deste trabalho. Participaram deste projeto de pesquisa alunos de graduação do curso de geografia de UDESC, mestrado da UDESC e UFSC e doutorado da UFSC.
Esse projeto foi o motivador inicial para o desenvolvimento da tese de doutorado, pois durante a execução percebeu-se a carência relatada pelos técnicos do IPHAN de dados topográficos, geodésicos e cartográficos, bem como uma normatização para a coleta e
representação dos mesmos. Algumas publicações foram fruto desse projeto como: Beirão (2011), Perin (2011) e Oliveira (2012)
Como descrito na introdução deste trabalho, no capítulo 1.2, existe uma carência de material cartográfico e de normatização técnica para o desenvolvimentos dos trabalho de topografia, geodésia e representação cartográfica através das plantas e mapas, fato que se reflete no material apresentado nos licenciamentos e parecer técnico aos órgãos governamentais. Essa carência gera morosidade nas respostas que as instituições devem fornecer aos empreendedores e as vezes ao Ministério Público a respeito dos assuntos pertinentes às suas atribuições através de pareceres e relatórios técnicos.
Além do que a falta do conhecimento do território gera uma consequência negativa, pois faz com o Patrimônio Cultural Material deixe de ser conhecido e preservado de forma adequada, e em alguns casos o bem patrimonial fica perdido por causa da destruição.
Outro exemplo importante são as edificações históricas que demandam de restauração e manutenção, mas por vezes encontram-se em péssimo estado de conservação. O conhecimento detalhado dessas edificações pode auxiliar no processo de restauração, pois é possível quantificar e qualificar as atividades a serem realizadas.
A figura 15 apresenta um patologia na edificação da casa sede da Fazenda Cajuru (localizada na serra catarinense) através de um levantamento por varredura a laser. Essa edificação está em processo de tombamento e restauração. A figura 16 apresenta um problema no beiral da fachada da mesma edificação onde a estrutura sofreu uma rachadura e as telhas e madeiramento do telhado ficaram desalinhados.
A edificação sede da Fazenda Cajuru será restaurada e até o momento do levantamento que originou as figuras citadas no parágrafo anterior não existia uma planta produzida através de técnicas precisas e adequadas para o projeto. O IPHAN possui uma planta produzida por um levantamento expedito que pode ser visualizado na figura 17.
Figura 15: Patologia encontrada em uma edificação histórica através de levantamento a varredura a laser.
Fonte: Carla Castello Branco Beirão
Figura 16:Beiral da fachada da edificação histórica através de levantamento a varredura a laser.
Figura 17: Planta da Fazenda Cajuru Fonte: IPHAN/SC
Além da necessidade de restauração a Fazenda Cajuru terá uma área de entorno para preservação da paisagem e toda a área será tombada como Patrimônio Cultural. Sendo assim, a partir da localização sede da fazenda deverá ser determinada uma área de proteção no entorno onde as intervenções serão restritivas.
Segundo o IPHAN/SC, a planta apresentada na figura 17 teve um complemento através de um polígono de proteção para o tombamento, no entanto sem os dados do relevo e características que cercam a edificação o polígono foi traçado com menos critério técnico, nesse caso um levantamento detalhado em campo poderia fornecer subsidio para a definição das coordenadas da área de tombamento. A figura 18 mostra a planta e o polígono de tombamento com as coordenadas UTM.
Figura 18: Planta da Fazenda Cajuru e o polígono de tombamento
Em Santa Catarina existem oitenta e seis edificações tombadas como patrimônio históricos2 pelo IPHAN, parte desses bens devem passar por restauração ou reformas.
Em 2014 foram iniciados serviços de arqueologia no Estado de Santa Catarina e a superintendência do IPHAN o especificou na Tomada de Preço n.07/2013, com número de processo 01510.0002464/2013-96. Segundo o item 2 do referido documento os serviços de levantamento topográficos devem ser realizados da seguinte maneira: “2. Levantamento topográfico georreferenciado dos sítios arqueológicos: São João do Rio Vermelho e Aldeia Fulvio Aducci, em Florianópolis, Sambaqui do Perrixil e remanescentes do Fortim do Atalaia, em Laguna, de acordo com a NBR 13.133 e Norma Técnica para o Georreferenciamento de Imóveis Rurais (INCRA).
Esse recente exemplo mostra a falta de detalhes na informação a ser levantada, por exemplo, Qual a projeção cartográfica? Poderá ser utilizado o Plano Topográfico Local como prevê a terceira edição da norma técnica do INCRA ou será no Plano UTM? O Datum supõe-se que seja o SIRGAS 2000 porque o processo de transição do SAD69 para o atual referencial está em seu término e é o mesmo referencial adotado pelo INCRA.
A NBR 13133 que trata da execução dos levantamentos topográficos prevê a implantação de poligonais e nivelamentos e nessa norma não estão contemplados todos os métodos de levantamento, além
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Disponível no site http://iphansc.blogspot.com.br/p/tombamento.html, acessado dia 23/03/2014.
do mais os sítios arqueológicos podem possuir formas e tamanhos que os parâmetros da norma não atendam. Esse caso corrobora com a justificativa desta pesquisa.
A estrutura governamental brasileira em todas as esferas deve estar preparada para administrar o PCM e gerenciar um banco de dados territoriais a fim de documentar os bens, dessa forma o conhecimento é disseminado e esses locais passam a ser preservados, pois a divulgação pode ajudar o cidadão a se tornar um fiscal.
O fato do Brasil não possuir tradição em cartografia e cadastro territorial e dos governos não adotarem sistemas de planejamento em longo prazo tornou o mapeamento dos remanescentes históricos e bens patrimoniais sem efetividade, ou seja, carentes de dados topográficos e geodésicos e consequentemente carentes de normas técnicas e de um padrão para os trabalhos de levantamento.
Levantadas as problemáticas atuais de falta de um padrão na contratação dos serviços de levantamentos topográficos e geodésicos com a finalidade de preservação do PCM a justificativa do trabalho é sustentada pela solução dos problemas apontados neste capítulo, tendo como proposta da pesquisa a elaboração das diretrizes para o levantamento de dados topográficos e geodésicos aplicados ao Patrimônio Cultural Material.
1.6 Objetivos
1.6.1 Objetivo Geral
Elaborar proposta das diretrizes para os levantamentos topográficos e geodésicos voltado aos interesse do Patrimônio Cultural Material.
1.6.2 Objetivos Específicos
Avaliar a legislação e as normas técnicas brasileiras na área de mensuração para adequação às feições do Patrimônio Cultural Material;
Pesquisar métodos de levantamentos topográficos e geodésicos voltados a necessidade do Patrimônio Cultural Material;
Realizar levantamentos em campo a fim de verificar e validar os métodos pesquisados;
Elaborar as Diretrizes para os levantamentos topográficos e geodésicos com fins de documentação, geração de material técnico e proteção ao Patrimônio Cultural Material.