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ITEM PARADIGMA INDUSTRIAL PARADIGMA CONHECIMENTO

3 Problemática

Conforme o explicitado, na nova sociedade do conhecimento as organizações precisam estar voltadas para o desenvolvimento de seus profissionais, a fim de agregar valor à instituição e, por conseguinte, fazer com que seus trabalhadores se sintam mais valorizados e, consequentemente, motivados para a realização de seu trabalho de maneira eficiente e eficaz. Senge (2000) afirma que as organizações que aprendem devem cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender, seja qual for seu nível na organização.

Nesse contexto, não só as organizações privadas, mas também as não-governamentais e as públicas têm buscado investir em seu capital intelectual, para não sucumbir por desatualização e inadequação aos novos tempos. As instituições públicas, porém, têm uma particularidade na sua gestão: tem como um de seus princípios que todos os atos de seus servidores precisem estar previstos em lei. Sendo assim, a possibilidade de o setor público começar a fazer parte da sociedade do conhecimento veio com os projetos e leis que buscaram modernizar a gestão pública. A criação do MARE e seus projetos foi um dos passos para que o governo buscasse atingir o seu princípio mais polêmico: a eficiência. Embora o MARE tenha sido extinto, ficou o legado de tentativa de reformar o Estado, para torná-lo mais eficaz, através de mudanças na forma de gerir e, consequentemente, melhoria no atendimento à população.

Nas Instituições de Federais de Ensino Superior (IFES), uma das ações para tentar melhorar a qualidade dos serviços prestados foi a criação da Lei 11.091/2005, que tem, dentre outras finalidades, regulamentar a progressão por capacitação dos servidores técnicos administrativos em educação. Na sua essência, a premissa de que o aprendizado é o principal causador de mudanças permeia a referida lei. Corroborando com essa premissa, Lucena (2006) acredita que o aprendizado vem da interpretação nova e revisada de cada experiência que irá guiar as ações do indivíduo e que o processo consiste em reflexão, avaliação e modificação de significados construídos no passado. Para ele, também, o aprendizado é mudança de comportamento. No ambiente organizacional as ações de aprendizado perpassam por programas de treinamento e qualificação, valendo-se, dentre outras atividades, de cursos de capacitação.

Buscando atender aos preceitos da Lei 11.091/2006, a UFPE, junto com a sua Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (PROGEPE), organiza semestralmente cursos de capacitação e qualificação através da Coordenação de Capacitação e Qualificação (CCQ).

Desde o advento da Lei 11.091/05, já foram investidos cerca de R$ 560.000,00 (quinhentos mil reais) na realização de 97 cursos, através dos quais foram feitas mais de 3 mil capacitações de servidores técnico-administrativos. Também foram capacitados os servidores do Hospital das Clínicas, os bibliotecários e os servidores para os novos campi de Vitória de Santo Antão (Zona da Mata) e de Caruaru (Agreste), sem contar com os cursos de pós- graduação voltados para servidores públicos, enquadrados como cursos de qualificação.

Embora o formato dos cursos pesquisados seja tradicional, ou expositivo, é importante entender que o aprendizado dos servidores pesquisados não se baseia apenas neles, tendo a influência de outras variáveis, a exemplo da aprendizagem por influência do meio social. Conforme Cavalcanti (1999, p. 2)

Kelvin Miller afirma que estudantes adultos retém apenas 10% do que ouvem, após 72 horas. Entretanto serão capazes de lembrar de 85% do que ouvem, vêm e fazem, após o mesmo prazo. Ele observou ainda que as informações mais lembradas são aquelas recebidas nos primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra.

Tendo em vista os fatores relacionados a seguir: a finalidade da administração pública de prestar serviço à população, seguindo os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e principalmente, eficiência; a quantia de dinheiro público investido na capacitação de funcionários das IFEs; e a necessidade de uma mudança na mentalidade pré-concebida de que o serviço público é mal prestado, este trabalho se propõe a analisar os condicionantes que acarretam o sucesso ou fracasso de um curso de capacitação (especificamente, o Curso “Ferramentas de Gestão para Gestores”) oferecido aos servidores da UFPE e os impactos causados na execução dos trabalhos dos servidores capacitados em seus respectivos postos.

As perguntas de pesquisa, portanto, são voltadas tanto para a hipótese de o curso avaliado ser bem aproveitados pelos servidores no ambiente de trabalho, quanto para a hipótese de não haver aproveitamento significativo e são:

a) Os conhecimentos adquiridos no curso de capacitação são aplicados pelos servidores para melhoria de seu trabalho e conseqüentemente para a busca da melhora na eficiência do serviço público?

b) Quais os motivos que levam ao não aproveitamento integral do conteúdo de um curso no ambiente trabalho?

c) Até que ponto os efeitos desse tipo de treinamento são duradouros, além de práticos?

4 Objetivos

4.1 Objetivo Geral

Tendo em vista o espírito da Lei n° 11.091 de 12 de janeiro de 2005 e seus mecanismos de implementação, a presente pesquisa almejou identificar os impactos do curso de capacitação “Ferramentas de Gestão para Gestores” sobre o exercício das funções dos servidores públicos da UFPE que foram treinados na Turma III, quanto à melhoria na execução do seu trabalho, à luz da análise estatística de questionários específicos; bem como investigar os eventuais condicionantes dos impactos da aplicação dos conceitos aprendidos no curso.

4.2 Objetivos Específicos

Como objetivos específicos a pesquisa buscou:

a) Comparar o conhecimento dos treinados antes e depois da participação no curso de capacitação Ferramentas de Gestão para Gestores através de testes de conhecimentos; b) Verificar a associação entre o conteúdo programático e as necessidades reais dos

ambientes de trabalho na instituição pesquisada;

c) Verificar a percepção do treinado e da chefia quanto às mudanças comportamentais em razão da realização do curso;