PARTE I: O PROGRAMA INAUGURAL DA ÉTICA DO DISCURSO DE KARL-OTTO
2.2 O problema da exigibilidade: a ética do discurso como ética da responsabilidade
Em seu programa original da ética do discurso Apel já tem clareza dos limites que são próprios a uma ética de princípios, sobretudo aqueles decorrentes do caráter abstrato do seu princípio moral. Essa característica do princípio moral revela que não é possível a uma pessoa viver orientada somente pela racionalidade consensual-comunicativa, o que significa que ela tem de optar moralmente também por sistemas de auto-afirmação.146 Por essa razão, no que tange à exigência de assumir responsabilidades, freqüentemente o sujeito não pode e não deve simplesmente partir da suposição de que os outros, tendo de agir também em sistemas de auto- afirmação, irão sempre observar o imperativo categórico ou o princípio da reciprocidade generalizada.147 Apel entende ser inconciliável com uma ética da responsabilidade como a sua o
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APEL, K.-O. TF II, p.394; TPh II, p.415. Grifos de Apel. 145
APEL, K.-O. TF II, p.395; TPh II, p.416. Grifos de Apel. Se as normas morais não pudessem ser fundamentadas, não seria possível identificar nenhuma obrigação em relação à aceitação de acordos ou compromissos entre os sujeitos. Se, portanto, pensa Apel, somente as decisões de consciência particulares pudessem exigir valor moral, seria necessário saber como é que elas poderiam ser levadas a um acordo normativo para assumir uma responsabilidade solidária em relação à práxis social. A questão está em que a formação da vontade pública mediante acordos e convenções – como é defendido pelo sistema de complementaridade e como ocorre na democracia liberal – é importante, mas não suficiente para a fundamentação da ética e mesmo do direito e da política. Assim, a vontade de argumentar apresenta-se também como condição transcendental de possibilidade de toda discussão empírica aceita hipoteticamente, pois tem de ser já sempre pressuposta. APEL, K.-O. TF II p. 394; TPh II, p.415.
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Isso significa que já em seu programa original Apel estava atento ao perigo do rigorismo de uma ética da convicção no sentido indicado por Max Weber. Do mesmo modo ele expressa a convicção de que os processos sociais – a sociedade humana em sua totalidade – devem ser entendidos como processos funcionais de um sistema de auto-afirmação (Selbstbehauptungssystem). TF II, p.409; TPh II, p.431.
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APEL, K.-O. SH, p.32; SM, p.62. Mesmo que a ética do discurso permita reconhecer as situações de interação distorcidas estrategicamente como obstáculo para a aplicação da norma ética fundamental, não dispõe de um princípio para responder à seguinte questão básica de uma ética política da responsabilidade: Como se deve agir numa situação na qual o sujeito não pode contar com que os demais sigam a norma básica de uma ética comunicativa
fato de que o sujeito, ao representar um sistema de auto-afirmação em sua vida concreta, ignore a diferença existente entre a sua práxis e o discurso liberado do peso da ação e suponha que os outros sujeitos – que também representam sistemas de auto-afirmação – sigam ilimitadamente o princípio da ética do discurso.148 Em tais situações o sujeito não pode agir somente de forma comunicativo-consensual, mas deve fazê-lo também estrategicamente. A mediação entre tais formas de racionalidade no agir concreto constitui-se numa das principais exigências de uma ética da responsabilidade.149
Apel entende haver uma tensão nunca totalmente eliminável entre racionalidade ética e racionalidade estratégica. É nesse ponto, precisamente, que se coloca o problema da exigibilidade das normas morais na relação com as condições institucionalizadas do agir real.150 Tal situação remete para a seguinte alternativa: ou
se dissolve a função da razão ética (em benefício da alternativa da absolutização cínica da razão estratégica, por um lado, e de utopismo, por outro); ou há que se compreender que a consideração das condições reais da ação em uma ética da responsabilidade não é nenhuma razão para pensar que o princípio de uma racionalidade discursiva não estratégica da ética é inaplicável sem mais.151
Ocorre que as condições da ação real são qualitativamente distintas das condições do discurso livre do peso da ação. Essa diferença traduz a própria situação da condição humana no sentido de que as pessoas encontram-se obrigadas a assumir responsabilidades em relação a
não-estratégica? EE (1983) 1986, p.97. Daqui, observa Apel, não se pode deduzir que, por essa razão, os demais sujeitos sejam imorais, mas, sim, o fato de que tampouco eles devem contar simplesmente que os demais sujeitos haveriam de observar a norma ética fundamental. Mesmo que ambas as partes estivessem dispostas a segui-la, não teriam como saber, com segurança, se a outra parte a seguiria e por isso não há como supô-lo. EE (1983) 1986, p.97. 148
APEL, K.-O. EE (1982) 1986, p.208. Um político responsável – ou seja, toda e qualquer pessoa que represente um sistema de auto-afirmação, no caso um indivíduo, uma família, um grupo ou um Estado – dificilmente pode contar com que a outra parte observe irrestritamente o princípio moral. Por isso, terá de agir na prática também estrategicamente e não – por exemplo, no caso da mentira – somente de acordo com a recomendação de Kant acerca da proibição de mentir a um assassino potencial que pergunta pela sua vítima. Para Apel Kant, ao aceitar o princípio “Fiat justitia, pereat mundus”, não conseguiu reconhecer a necessidade de adotar uma mediação entre a responsabilidade estratégica do êxito na política e a responsabilidade moral. EE (1982), 1986, p.200, nota 46. A esse respeito também APEL, K.-O. La rationalité de la communication humaine. Op. cit., p.602.
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Essa concepção de uma ética da responsabilidade que possui como tarefa principal mediar tais formas racionalidade visa dar conta dos limites do próprio princípio moral no que tange a orientar o agir moral em um mundo onde predomina a racionalidade estratégica. Isso significa que, em razão de nossa situação de ação real distanciar-se das condições ideais – contrafáticamente antecipadas – da práxis da argumentação, uma orientação única para a norma fundamental ético-discursiva culminaria no rigorismo moral.
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APEL, K.-O. EE (1983) 1986, p.97. 151
sistemas de auto-afirmação. Por isso, terão de mediar em seu agir racionalidade estratégica e racionalidade comunicativa:
Nesta medida, as pessoas estão obrigadas a agir sempre também estrategicamente e, sem dúvida, ao mesmo tempo (...) comunicativamente, isto é, a coordenar suas ações de acordo com pretensões de validez normativas que, em última instância, no discurso argumentativo, podem ser justificadas somente através de uma racionalidade não estratégica.152
A racionalidade consensual-comunicativa e a racionalidade estratégica são, ao mesmo tempo, distintas e inseparáveis. Tal situação de diferença e inseparabilidade só pode ser compreendida no discurso e, por isso, a racionalidade do discurso é competente para conciliar a si própria com a racionalidade estratégica no sentido de uma ética da responsabilidade. A conciliação entre esses dois tipos de racionalidade pode ser buscada mediante a reflexão transcendental, visto que entre as condições necessárias do discurso está não apenas a antecipação contrafática das normas de uma comunidade ideal de comunicação, mas também o vínculo com as normas e instituições do mundo da vida, ou seja, com o âmbito da comunidade real de comunicação. Em tais normas e instituições está sempre já dada, como que naturalmente, uma certa conciliação entre as duas formas de racionalidade. Tal conciliação torna visível a tensão entre comunidade real e comunidade ideal de comunicação.153 Assim, subjacente ao a priori dialético da comunidade de comunicação está uma tensão entre dois tipos de racionalidade que permeiam as interações humanas.
Apel pensa ser possível, então, no que se refere à atual situação da humanidade e aos desafios que a ela se colocam em escala global, propor uma estratégia a longo prazo, a qual estaria na base de sua concepção de uma ética política. Na sua opinião, o pensamento estratégico vinculado à auto-afirmação dos diversos sistemas sociopolíticos e aos indivíduos poderia ser mediado por uma estratégia a longo prazo desenvolvida pela moral do discurso.154 Essa estratégia se originaria do princípio moral e da circunstância própria da condição humana de acordo com a qual as pessoas, enquanto representantes de sistemas de auto-afirmação política, não vivem num
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APEL, K.-O. EE (1983) 1986, p.99. Para Apel a racionalidade discursiva possui primazia sobre a estratégica e, nesse sentido, se constitui no fundamento da razão ética. EE (1983) 1986, p.78ss.
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APEL, K.-O. EE (1983) 1986, p.99. 154
APEL, K.-O. SH, p.36-7; SM, p.67. A idéia apeliana de uma estratégia moral a longo prazo a fim de superar a tensão entre os imperativos da racionalidade funcional dos sistemas e os da razão ética é inspirada no postulado kantiano da realização de uma ordem legal cosmopolita enquanto idéia regulativa. A esse respeito APEL, K.-O. La rationalité de la communication humaine. Op. cit., p.603 e EE (1983) 1986, p.103.
mundo onde é possível contar, sem mais, com o fato de o princípio moral ser observado. Daí se concluir que tal estratégia estipula a necessidade de se contribuir sempre para “a realização de condições, as quais devem ser exigidas pela norma básica e antecipadas contrafaticamente no discurso argumentativo”.155
Nessa perspectiva, Apel entende haver duas condições a longo prazo para que se estabeleça o princípio moral da ética do discurso. A primeira é o desenvolvimento do método da discussão moral; a segunda, a institucionalização eficaz desse método sob condições finitas e jurídico-políticas.156 A fundamentação da ética parte de pressupostos idealizados, o que sugere, a juízo de Apel, um limite para o princípio moral proposto. Falta-lhe considerar que é preciso levar em conta não apenas as dificuldades intelectuais no processo de institucionalização da discussão moral mas, ainda, que tal institucionalização tem de ser desenvolvida em uma situação histórica concreta determinada por conflitos de interesses. O problema está em que o princípio moral não leva em conta a situação moral específica de determinados indivíduos. Trata-se daqueles que, sob pressão do tempo, têm de tomar decisões de consciência fora de uma comunicação institucionalizada, as quais precisam levar em conta não apenas máximas morais da intenção, mas também suas conseqüências possíveis ou prováveis.157
Apel reconhece, com base na ética da responsabilidade de Max Weber, que muitas vezes é difícil para um político, em razão das conseqüências das ações pelas quais terá de responder, cumprir o mandamento fundamental da ética do discurso, como o caso de não mentir.158 Apel
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APEL, K.-O. SH, p.37; SM, p. 67. A juízo de Apel, o raciocínio é o seguinte: já que nos é possível antecipar contrafaticamente condições reais de ação, então a contribuição para que tais condições sejam realizadas se constitui num dever moral. Trata-se, também, de uma atitude racional, pois esta vincula uma pretensão de validez que pretende ser universalizada.
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APEL, K.-O. TF II, p. 405; TPh II, p.426. 157
APEL, K.-O. TF II, p.405-6; TPh II, p.427. Para Apel, os exemplos oferecidos por Kant para a aplicação do imperativo categórico mostram que ele não refletiu de forma satisfatória sobre a dependência da validez de normas materiais em relação à situação, nem sobre o problema da responsabilidade moral vinculada às conseqüências e efeitos secundários das ações. Kant, ao fundar a autonomia da vontade legisladora, possuiria o mérito de ter superado a ética heterônoma dos mandamentos. No entanto, teria também, ao mesmo tempo, colocado as bases de uma ética da convicção, a qual precisa supor sempre, como que de forma secreta, que a boa vontade dos homens fosse valorizada. TF II, p.406; TPh II, p.427, nota 111.
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Apel considera que somente no âmbito do discurso o não mentir – no sentido da ´veracidade incondicionada` – se constitui num dever indispensável tal como Kant o defendera. No âmbito do agir comunicativo o não mentir se constitui num dever limitado. APEL, K.-O. EE (1983) 1986, p.89. Nessa linha de argumentação, Apel concorda com o argumento de Benjamin Constant dirigido contra Kant ao objetar a este que “ali onde não há nenhum direito tampouco há algum dever. Dizer a verdade é, pois, um dever, mas somente diante de quem tem direito a uma verdade que não prejudica aos demais”. Apud APEL, K.-O. EE (1983) 1986, p.96. Tugendhat chama atenção para o fato de Kant ter deixado de lado o problema da colisão de deveres. No caso, entre o dever de salvar a vida de alguém e o dever de não mentir. Kant teria se amparado na pressuposição de que os deveres negativos sempre possuem primazia sobre os positivos. Por conseguinte, observa Tugendhat, “não pode surgir nenhuma colisão, a não ser entre
defende que, nesse caso, ao aplicar o princípio da ética do discurso, não se pode agir somente de acordo com a racionalidade comunicativa, mas ter-se-á de saber operar também com a racionalidade estratégica porque o sujeito, em determinados contextos – da economia e da política, por exemplo –, nem sempre poderá agir de modo transparente, sob o risco de colocar em questão sua própria vida e a daqueles pelos quais tem de responder. O princípio ideal do discurso terá, nesse caso, de ser mediado estrategicamente.
Apel pensa ser possível extrair da constatação da insuficiência do princípio moral – de levar em conta a situação moral específica de determinados indivíduos – pelo menos alguns princípios regulativos para uma ética situacional acerca das decisões individuais. Por essa razão, ao contrário de Kant, pensa ser possível derivar um fim conteudístico como princípio regulador das ações morais, desde que se entenda o factum da razão – o a priori da comunidade de comunicação – como “condição crítica do sentido da possibilidade e validez de toda argumentação”.159 O ponto central deste a priori da argumentação situa-se em indicar o princípio de uma dialética para aquém tanto do idealismo quanto do materialismo, entre comunidade real e comunidade ideal de argumentação:
Quem argumenta pressupõe já sempre simultaneamente duas coisas: em primeiro lugar, uma comunidade real de comunicação, à qual se converteu em membro mediante um processo de socialização e, em segundo lugar, uma comunidade ideal de comunicação que, por princípio, estaria em condições de compreender adequadamente o sentido de seus argumentos e de ajuizar definitivamente sua verdade. (...) O curioso e dialético da situação consiste em que quem argumenta pressupõe, de certo modo, a comunidade ideal na real, como possibilidade real da sociedade real, mesmo que saiba que a comunidade real (...) está muito longe de identificar-se com a ideal (...).160
A exigência implícita de superação da contradição relativa à realização histórica da comunidade ideal de comunicação na comunidade real – presente, em sua opinião, em toda argumentação filosófica – permite deduzir dois princípios regulativos para o agir humano a longo prazo, o que indica uma dupla estratégia: de sobrevivência e de emancipação. O primeiro reivindica que em cada ação ou omissão se busque assegurar a sobrevivência do gênero humano
deveres positivos conflitantes, uma vez que o dever negativo já é sempre também cumprido, quando a pessoa não faz nada. Entre deveres negativos não pode por isso surgir colisões, e toda colisão entre um dever negativo e um positivo já está para Kant decidida em favor do negativo”. TUGENDHAT, E. Lições sobre ética. Petrópolis: Vozes, 1997, p.159, nota 8.
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APEL, K.-O. TF II, p.407; TPh II, p.429. 160
APEL, K.-O. TF II, p.407-8; TPh II, p.429. Esse duplo aspecto da comunidade de comunicação será central para se compreender por que Apel articulará posteriormente a arquitetônica das partes A e B para a ética do discurso.
enquanto comunidade real de comunicação; o segundo exige a busca da realização da comunidade ideal de comunicação na comunidade real.161 Para Apel, o primeiro é condição necessária do segundo, ao passo que o segundo confere ao primeiro seu sentido. Tais princípios regulativos visam orientar a estratégia de sobrevivência do gênero humano em função das macroconseqüências das atividades humanas na era da ciência, as quais podem ameaçar a sobrevivência do gênero humano. Em razão dessa estratégia, Apel propõe que a sociedade humana como um todo seja analisada como um sistema de auto-afirmação. Desse modo, a estratégia de sobrevivência do gênero humano ganha sentido mediante uma estratégia de emancipação a longo prazo.162 A necessidade de a comunidade ideal de comunicação realizar-se dentro desta última, ou seja, na sociedade humana concreta, coloca um postulado ético fundamental, segundo o qual se deve assegurar a conservação da existência na comunidade real de comunicação. Esse postulado ético demanda uma orientação ético-política fundamental.163
A ética do discurso assim apresentada já é também ética da responsabilidade. Não basta compreender a norma moral fundamental como princípio moral. É preciso, ainda, desenvolver o método da discussão moral e institucionalizá-lo mediante condições jurídico-políticas. Como a fundamentação da ética parte de pressupostos idealizados, impõe-se a necessidade de uma limitação ao princípio moral. Ocorre que a institucionalização da discussão moral somente pode ocorrer no âmbito de uma situação histórica concreta, a qual é permeada por conflitos de interesses.164 Em razão disso, os membros de uma comunidade de comunicação têm de assumir uma responsabilidade moral específica que não pode ser definida por meio do princípio da
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APEL, K.-O. TF, p.409; TPh II, p.431. 162
APEL, K.-O. TF II, p.410; TPh II, p.432. Nesse ponto, embora de modo ainda não desenvolvido, encontra-se a raiz do futuro princípio de complementação. Essa estratégia será desenvolvida depois em Diskurs und Verantwortung com a explicitação de uma dimensão teleológica para a ética do discurso mediante uma parte B. Apel observa que esta estratégia de emancipação deverá utilizar-se do instrumental próprio da ciência em sua era. Em 1973 ele pensava ser necessário um instrumental científico específico para dar conta de sua estratégia emancipatória fundamentada eticamente. Em sua opinião, tal instrumental deveria auxiliar a “provocar a auto-compreensão reflexiva dos homens para romper emancipatoriamente suas barreiras fazendo um desvio através de uma explicação quase-naturalista das estruturas coisificadas”. TF II, p.412; TPh II, p.434. Tal tarefa caberia às ciências crítico- emancipatórias da sociedade, como a psicanálise e a crítica das ideologias.
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Sobre a orientação ético-política vide Les conflits de notre époque et l`urgence d`une orientation fondamentale de l`étique politique. In: Discussion et responsabilité 1: L´étique aprés Kant. Paris Du Cerf, 1996, p.133-153. Trad. fran. de (1975) Die Konflikte unserer Zeit und das Erfordernis einer ethisch-politischen Grundorietierung. In: Diskurs und Verantwortung: das Problem des Übergangs zur postkonventionellen Moral. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1988, p.15-41. Esse postulado pode ser entendido como uma resposta ao paradoxo apresentado no início do primeiro capítulo. A orientação ético-política fundamental é focada sobretudo para os âmbitos da meso e da macroesfera no sentido de uma resposta à absolutização da razão técnico-científica ao negar-se a tratar os problemas práticos como tais.
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transubjetividade. Como políticos, eles tanto têm de ponderar de modo responsável a todas as situações em que é possível a realização de fins moralmente desejáveis como avaliar as conseqüências e os efeitos secundários delas decorrentes. Trata-se de dar conta não apenas de máximas morais ou de decisões de consciência, mas também das conseqüências possíveis ou prováveis das ações humanas.165
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