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Problema e Desenho do Estudo

No documento Maria Isabel Bexiga Afonso (páginas 81-85)

CAPÍTULO 4. METODOLOGIA DO ESTUDO

1. Problema e Desenho do Estudo

Para Tuckmann (2012) existem cinco regras básicas para a escolha da problemática de investigação:

- Praticabilidade – avaliar se o tema escolhido está dentro dos limites e constrangimentos temporais a que o investigador está sujeito, o acesso à amostra necessária e requerida; a praticabilidade da metodologia exigida para responder ao problema.

- Amplitude crítica – avaliar se o tema escolhido é suficientemente vasto para dar origem a uma investigação;

- Interesse – refletir se o tema escolhido entusiasma e/ou está relacionado com a carreira da investigadora, com as suas leituras, com o seu contexto cultural; refletir sobre o interesse que o tema possa despertar em outras pessoas.

- Valor teórico – averiguar se existem lacunas na área de investigação que possam ser colmatadas pela presente investigação;

- Valor prático – perspetivar o impacto da investigação na melhoria das práticas educativas ou nos diversos agentes envolvidos na política educativa (pp. 111-114).

Segundo o mesmo autor, a escolha de um problema depende, em termos gerais, do seu caráter prático e gratificante. A praticabilidade de determinado estudo foi já acima explicitada; o caráter gratificante, em primeiro lugar deve contar com a informação obtida a partir da revisão de literatura e, em segundo lugar, com a experiência do investigador. O objetivo deve ser um estudo que permita encontrar as respostas para questões importantes, tanto do ponto de vista teórico como prático.

Um problema de investigação deve constituir uma questão (implícita ou explícita) formulada claramente e sem ambiguidade, deve representar uma questão

testável empiricamente, pela recolha de dados (Ibid., p. 115).

O problema que orientou este percurso de investigação tem como objetivo central:

Compreender o papel do manual escolar de História A no desenvolvimento de competências, na perspetiva de professores e alunos do ensino secundário.

As questões de investigação procuram focalizar o fenómeno a ser estudado, identificar as hipóteses investigativas e as questões orientadoras ao longo do processo. As questões formuladas são as seguintes:

1. Como utilizam professores e alunos, no ensino secundário, as propostas de atividades do manual escolar de História A -10.º ano e do respetivo caderno de atividades?

2. Que ideias têm alunos e professores sobre esses instrumentos/recursos educativos?

3. Que tipo de propostas de atividades são apresentadas no manual escolar de História A – 10.º ano e no respetivo caderno de atividades?

4. Que relação existe entre as atividades propostas no manual escolar de História

A -10.º ano e no respetivo caderno de atividades e o desenvolvimento de

competências?

Este estudo pretende compreender o problema acima apresentado sem procurar fazer generalizações à população alvo do estudo, como é próprio de uma abordagem qualitativa, ou seja, as conclusões são apenas possíveis para esta situação específica.

Este estudo norteia-se, no campo educacional, por um paradigma construtivista de aprendizagem, perspetivado como teoria sobre o conhecimento que se ocupa tanto do que é o “conhecer” como “do modo” como se chega ao conhecimento.

Os seus resultados têm como objetivo constituir um contributo para o aprofundamento do conhecimento sobre o manual escolar como recurso educativo na construção de conhecimentos e desenvolvimento de competências nos alunos do ensino secundário. Esperamos também contribuir para a melhoria da formação de

professores no domínio do trabalho com o manual escolar, em contexto de sala de aula e fora dela.

Depois de definido o problema de investigação, torna-se necessário proceder ao desenho de investigação e, consequentemente, à definição de técnicas e instrumentos de recolha de dados.

Este estudo é de natureza descritiva e insere-se no âmbito da investigação predominantemente qualitativa, pautando-se pela metodologia designada por Grounded Theory (Strauss e Corbin, 1990). Esta opção foi feita por influência da abordagem utilizada predominantemente nos diferentes estudos em cognição histórica e pelo facto de se ter concluído que esta problemática investigativa estava insuficientemente explorada ou por ter sido explorada através de outros ângulos.

A investigação qualitativa tem três características essenciais (Tuckman, 2012):

a) Evidencia uma ênfase fenomenológica, focalizando-se na forma como as pessoas que vivem um determinado acontecimento, o percecionam;

b) Desenvolve-se numa situação natural com base nas entrevistas e observações realizadas no terreno;

c) Consubstancia uma teoria emergente visto que as explicações têm como fundamento as próprias observações. (p. 722)

Segundo o mesmo autor existem três dispositivos para registar as observações:

a) As escalas de avaliação ou listagem (checklist) que são sumários das ocorrências; b) Os sistemas de codificação que são a recolha dos relatos de todas as ocorrências.

c) A amostragem de comportamentos que seleciona algumas ocorrências. (Ibid., p. 410)

Em consonância com o advogado pela Grounded Theory e partilhando da ideia de Borg e Gall (1989) relativamente à necessidade de se proceder a experiências preliminares de investigação para redefinição conceptual e refinamento de todo o processo de investigação, antes de se partir para o estudo final implementaram -se dois estudos preliminares: um estudo exploratório e um estudo piloto. Portanto, o processo de investigação implementado contou com um estudo exploratório, um estudo piloto e um estudo final.

Os estudos preliminares (exploratório e piloto) tiveram como objetivos experimentar técnicas de recolha de dados, rever e adequar as técnicas, implementar uma rotina de recolha de dados e providenciar conhecimento para a construção de teoria acerca do fenómeno em estudo. Portanto, estes estudos permitem:

- Testar certas orientações para se precisarem melhor as áreas a abordar, podendo-se modificar alguns temas, abandonar outros e introduzir novos tópicos;

- Providenciar ideias, abordagens e pistas não perspetivadas a priori;

- Confirmar os procedimentos analíticos, e realizar as alterações necessárias durante a recolha de dados;

- Reduzir de forma significativa, no refinamento do estudo final, os problemas no tratamento de dados, evitando aspetos não previstos e revelados nos estudos preliminares;

- Possibilitar a economia de recursos materiais e humanos, pois muitas ideias que à partida parecem ser uma grande promessa mostram-se improdutivas durante os estudos iniciais podendo-se, com esses dados, decidir pela continuação ou não de determinadas dimensões do estudo final;

- Facultar o feeback dos sujeitos de investigação e outros intervenientes que podem fornecer contributos importantes. Embora os estudos piloto devam seguir os procedimentos do estudo final, permitem experimentar, por exemplo, instrumentos alternados e procedimentos para apoiarem a decisão de serem apropriados ou não;

- Proporcionar um número de alternativas de procedimentos e técnicas, podendo selecionar-se o que produz melhores resultados com base na evidência dos melhores resultados.

Estas considerações de Borg e Gall (id.) estão em consonância com os pressupostos da metodologia da Grounded Theory quando nesta se afirma que a experiência e o processo de investigação se encontram envolvidos de forma permanente e contínua para se compreender o modo como as pessoas percecionam e fazem sentido do mundo em que vivem. Por outro lado, o foco na compreensão do vivenciar o processo permite perscrutar da variabilidade e complexidade da realidade em estudo e das interações entre condições, significados e ação.

A investigação desenvolveu-se em ambiente escolar, no sentido de compreender o papel do manual de História A no desenvolvimento de competências históricas nos

alunos do ensino secundário, a partir das ideias recolhidas sobre a apropriação que dele fazem diferentes sujeitos que o utilizam - professores e alunos.

No documento Maria Isabel Bexiga Afonso (páginas 81-85)