2. CAPÍTULO II - Estudo empírico
2.1. Problema e objetivos
2.1.1. PROBLEMA E SUA JUSTIFICAÇÃO
A formulação do problema numa investigação é importante porque orienta o investigador para a temática escolhida, servindo de guia na condução de toda a investigação (Coutinho, 2011). Estudos desenvolvidos no campo das ciências sociais contribuem para explicitar a problemática da investigação, desde a vivencia e o interesse do investigador sobre o campo investigado atéao conhecimento de estudos prévios (Laville & Dionne, 1999).
Levando em consideração todos estes pressupostos, reportamos ao nosso problema de estudo, que é relativo à acessibilidade aos laboratórios de informática instalados pelo Programa ProInfo em escolas de educação básica no município de Grajaú- Maranhão.
Trata-se de um problema cujo interesse surgiu de nossa rotina profissional, enquanto professor da educação básica no referido município, rotineiramente convivendo com a presença dos laboratórios instalados na nossa escola, assim como em outras escolas, e que têm por objetivo possibilitar a inclusão escolar midiatizada através das TIC. Dessa forma, nosso problema surge no contexto da nossa prática docente, confrontada com a referida realidade escolar, que ainda tem na inclusão digital um dos grandes desafios para a educação escolar brasileira. A educação escolar brasileira sempre enfrentou desafios e continua a enfrentá-los com vistas a oferecer uma educação de qualidade que a Constituição Federal Brasileira de 1988 assume ser um direito do cidadão e um dever do Estado, através de políticas educacionais includentes.
As políticas educacionais, que se iniciaram com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação no século XX, trazem na sua essência as diretrizes para a difusão das TIC, materializada na acessibilidade aos computadores em tempos e espaços escolares, com a finalidade de garantir a inclusão digital, conforme preceitua a Constituição Federal Brasileira de 1988, quando orienta o combate à desigualdade e à discriminação de acesso à rede mundial de computadores.
Diante do desafio posto pela Constituição Brasileira de 1988, as autoridades educacionais do país criaram um programa de inclusão digital denominado Programa Nacional de Tecnologia Educacional – ProInfo, através da publicação da Portaria nº 522/MEC, de 9 de abril de 1997. Este diploma prevê a promoção da acessibilidade ao uso pedagógico das TIC na rede pública de ensino fundamental e médio.
O ProInfo viria a descentralizar-se, pelo que passou a existir em cada unidade da Federação uma Coordenação Estadual e vários Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) dotados de uma infra-estrutura que reúne educadores e especialistas em tecnologia de hardware e software.
Estes Núcleos tinham por objetivo ajudar na melhoria da qualidade dos processos de ensino e de aprendizagem, utilizando uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares, com foco na formação da cidadania global (Moraes, 1997).
Em 2007 é publicado o Decreto n° 6.300/2007, de 12 de dezembro, que tem como principal objetivo promover o uso pedagógico das TIC nas redes públicas de educação básica. É com base neste decreto que são instalados os laboratórios de informática nas escolas públicas de educação básica, em parceria com as prefeituras e governos estaduais, que são percebidos pelas autoridades educacionais como ferramentas de apoio à qualificação das pessoas em situação de aprendizagem.
Os dados disponibilizados pelo ProInfo não informam sobre o que realmente está a acontecer nas escolas que foram contempladas com a instalação dos laboratórios e com a formação continuada dos professores na
área das TIC. Sabe-se que as escolas utilizam estes equipamentos de forma diferenciada: em alguns municípios os laboratórios são bastante utilizados, mas há outros municípios em que os laboratórios estarão fechados.
No caso do município de Grajaú, e mais concretamente nas Escolas Municipais (Escola A e Escola B), que são os lugares de investigação do nosso estudo, percebe-se que não está a ser conseguida a otimização dos equipamentos instalados pelo ProInfo e que estarão a existir problemas de ordem tecnológica e pedagógica na acessibilidade nesses espaços de inclusão digital.
O problema que se apresenta poderá estar relacionado com as condições de comunicação via internet e/ou da infra-estrutura física dos espaços destinados aos laboratórios, bem como da instalação, manutenção e uso desses materiaisnas escolas, além da orientação que é dada aosprofessores nos treinamentos para essa finalidade, são estas algumas das questões que nos orientam na investigação, para identificar a falta de acessibilidade aos laboratórios de informática.
Em relação aos gestores, parece-nos faltar-lhes, em primeiro lugar, um conhecimento pedagógico do que lhes permita perceber as TIC como um instrumento com valor de uso para o trabalho pedagógico, desenvolvido pela escola. Em segundo lugar, parece faltar-lhes um verdadeiro compromisso com a profissão, um compromisso que os levema participar de uma formação continuada, com vistas a garantir uma formação orientada para o uso das TIC na escola como recurso pedagógico.
Estas dificuldades parecem-nosque vem afetando diretamente e de forma significativa, a acessibilidade dos alunos aos laboratórios de informática, que minimize a exclusão digital, que está presente nas escolas investigadas. Sãosituações que precisam ser estudadas, tornando-se necessário identificar com clareza a(s) fonte(s) desses constrangimentos, para que se torne possível desenhar um processo de superação que promova a valorização das TIC para o trabalho docente com os alunos.
• Porque é que os Laboratórios de Informática da Escola A e da Escola B são pouco utilizados no quotidiano escolar?
• São os professores e os gestores que não encontram vantagem na utilização das TIC?
• É porque os professores não estão preparados para trabalharem com este tipo de recursos?
• São as Direções das Escolas que dificultam o acesso aos laboratórios de informática?
• É porque os equipamentos estão avariados ou não foi completada a sua instalação?
• Que reais vantagens estes laboratórios trouxeram para a formação dos alunos?
• O que pensam os alunos da situação identificada?
Estas questões orientam-nos para a definição dos nossos objetivos, que passamos a apresentar: