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CAPÍTULO II - ESTUDO EMPÍRICO 2

2.1.1. Problema e sua justificação

2.1 P

ROBLEMA E

O

BJETIVOS

Ao falar sobre a importância de estratégias motivadoras para a educação de jovens e adultos, buscou-se compreender a viabilidade da adoção dos métodos autobiográficos como prática pedagógica na educação de jovens e adultos através dos professores que atuam no PROEJA (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos), designadamente no Curso de Vendas, do Instituto Federal Farroupilha Campus Santa Rosa.

2.1.1.

Problema e sua justificação

Entendemos que o espaço escolar é um local de socialização e de integração, onde são rompidos velhos paradigmas, permitindo a construção de novos paradigmas. Por essa razão, despertar e recuperar a memória dos estudantes permite romper paradigmas relacionados ao saber dos jovens e adultos e compreender a trajetória individual e social, como também partilhar e conhecer a experiência de outros, propiciando vivências e conhecimentos que ampliam informações do conhecimento pré-existente e estabelecem relações entre o individual e o coletivo, auxiliando na formação escolar desses sujeitos e facilitando a relação professor e aluno.

No âmbito da educação de adultos, percebeu-se que o ato de contar a história de vida é um resgate das habilidades e conhecimentos que muitas vezes estes próprios sujeitos desconhecem. Este método pode proporcionar ao educando uma motivação para o alcance de novos conhecimentos e novos olhares em relação ao mundo que os cerca, interagindo e identificando-se com ele, pois aprofunda o conhecimento de si mesmo, intencionando-o a uma transformação social.

Para o docente, o desenvolvimento do método autobiográfico pode ser considerado uma forma de valorizar o conhecimento prévio, as vivências e experiências adquiridas ao longo da vida, proporcionando um nivelamento, tomando por base a história de vida e a utilizando como prática pedagógica que revela dimensões pessoais, subjetivas e aflora o conhecimento e os saberes, auxiliando no ensino e na aprendizagem, contribuindo para o ato de educar.

Um dos aspetos importantes nesse contexto é o fazer pedagógico, a compreensão docente do método autobiográfico e as perspetivas em relação à aprendizagem dos alunos do PROEJA, onde se favoreça o surgimento de atores autônomos, críticos e criativos na sociedade local e global. A prática educativa envolve a perceção da realidade, requer dos docentes que atuam na educação de adultos o conhecimento de seus alunos, bem como da realidade social e cultural em que estes alunos vivem, da mesma maneira, permite conhecer as suas expetativas, os seus problemas e as suas necessidades de aprendizagem, construindo uma aprendizagem significativa, onde o educando se reconheça como sujeito participante da sociedade.

Esta perspetiva vai ao encontro das ideias de Freire (2004, p. 45) quando este diz que a formação tem significado quando “a compreensão do valor dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela

segurança do medo que, ao ser educado, vai gerando a coragem”. A coragem do uso social do conhecimento como mecanismo de (re)construção do meio e dos pensamentos que fazem emergir uma sociedade diferente, fomentadora das necessidades mais urgentes de seus partícipes.

Conforme Barros (2013) a educação formal desenvolvida nas instituições, ainda segue uma linha tradicional de ensino e, para esta autora “o modelo escolar de educação segue pressupostos educativos que não foram concebidos para levar em consideração a experiência de quem aprende” (p.

34). Assim, percebeu-se que os conhecimentos prévios que os estudantes trazem, muitas vezes, não são (re)conhecidos e considerados pelos educadores no contexto escolar, dificultando o tempo de aprendizagem do aluno, prejudicando a permanência desses em sala de aula e impossibilitando o desenvolvimento e formação dos mesmos.

Importante salientar que o processo de ensino e aprendizagem não se dá apenas nos espaços escolares, mas também em espaços físicos diferenciados, onde são envolvidos métodos e tempos próprios. Melhor dizendo, os saberes são construídos na escola, na família, na cultura, na convivência social, em que o encontro das diferenças produz novas formas de ser, estar e de se relacionar com o mundo.

Desta forma, as atividades desenvolvidas fora do espaço formal da escola podem ser reconhecidas nos conteúdos pedagógicos, desde que haja previsão no respetivo projeto político-pedagógico, observando que a modalidade EJA requer organização de tempos e espaços formativos adequados às suas realidades, destacando a organização de projetos que considerem o ritmo, os conhecimentos prévios e as histórias de vida desses educandos, facilitando a permanência destes no curso.

Ainda, justificou-se a escolha do tema como motivação pessoal, tendo em vista o interesse em trabalhar as histórias de vida dos alunos do PROEJA como Projeto de Ensino e perceber a identidade cultural existente e o desenvolvimento intelectual, a fim de oportunizar melhor qualidade de vida para esses que, por muitos anos, foram excluídos do sistema educativo e da sociedade, não tendo pleno acesso à educação formal.

2.1.2.

Objetivos

Para o andamento da pesquisa o objetivo geral instituiu-se em analisar a viabilidade e os potenciais contributos do recurso dos métodos autobiográficos na Educação de Jovens e Adultos no âmbito do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos do IFFar - Campus Santa Rosa, e a fim de desconsolidar o objetivo geral do estudo, foram utilizados os seguintes pontos de partida:

a. Verificar se a utilização das histórias de vida nas práticas escolares permite melhorias na aprendizagem no Curso de Vendas do PROEJA;

b. Compreender as diferentes perspetivas dos docentes do Curso de Vendas sobre a relação entre as narrativas autobiográficas e a aprendizagem dos alunos no PROEJA.

c. Relacionar a utilização dos métodos autobiográficos com a motivação dos alunos.