• Nenhum resultado encontrado

A intrusão salina, proveniente das infiltrações de água do Estuário do Tejo na rede de drenagem, apresenta consequências em todas as linhas de tratamento presentes.

Na linha líquida verificam-se sérias perturbações na separação sólido-líquido (Figura 3.3), podendo conduzir à perda de sólidos na etapa de decantação secundária, o que coloca em risco o cumprimento da licença de descarga, quer devido à perda de sólidos em si, quer devido à diminuição da transmitância do efluente podendo reduzir substancialmente a eficácia da etapa de desinfecção.

Fase Sólida

1) Espessamento de lamas primárias no próprio decantador primário lamelar;

2) Espessamento mecânico das lamas biológicas, com espessador mecânico de tambor, com reactor na entrada;

3) Homogeneização e armazenamento de lamas espessadas, incluindo agitação mecânica e 2 bombas mono de lamas para digestão;

4) Digestão Anaeróbia, incluindo dois digestores anaeróbios, 6 sistemas Heatamix para aquecer e agitar as lamas, 1 caldeiras, 3 (2+1R) bombas de recirculação, 3 (2+1R) compressores de biogás, 1 gasómetro de 780 m3, 1 queimador (Flare) de biogás em excesso;

5) Aproveitamento energético de biogás, incluindo 1 motor de 345 kWh, 2 (1+1R) compressores de biogás, 3 permutadores de placas e 3 (2+1R) bombas de reagentes para doseamento de cloreto férrico para a digestão anaeróbia para eliminação de H2S no biogás;

6) Armazenamento de lamas digeridas, incluindo um depósito com 700 m3 de volume, 1 agitador e 3 (2+1R) bombas mono de alimentação às centrífugas;

7) Desidratação de lamas, incluindo 2 centrífugas de desidratação, com doseamento de polielectrólito, 1 parafuso transportador e 1 bomba de lamas desidratadas;

8) Armazenamento de lamas desidratadas, incluindo 2 silos de 120 m3 de capacidade; Quadro 3.7 - Principais operações no tratamento de águas residuais - fase sólida.

Figura 3.3 - Decantador secundário

O Quadro 3.8 apresenta o registo de três datas em 2014 em que o valor limite da licença de descarga foi ultrapassado, visto que o valor máximo admissível de SST à saída da linha de tratamento é de 35 mg/L.

Quadro 3.8 – Registo dos dias em que o valor limite da licença de descarga de SST à saída da linha de tratamento foi excedido.

Data SST (mg/l)

26-03-2014 55

20-05-2014 36

29-05-2014 40

Na linha sólida, as flutuações da qualidade do floco de lama introduzem variações na qualidade do espessamento mecânico, podendo reduzir a eficiência do espessamento. Por sua vez,

esta redução de eficiência implica uma maior afluência de caudal à digestão, prejudicando esta etapa, nomeadamente no que respeita à produção de biogás (diminuição na qualidade e volume produzido). Também tende a ocorrer uma maior perda de sólidos através da escorrência, sólidos esses que retornam à cabeça da ETAR, obrigando a novo dispêndio de energia para o seu transporte para posterior oxidação.

O Quadro 3.9 apresenta o registo de algumas datas em 2014 em que se verificou que a eficiência do espessamento foi reduzida, sendo valores abaixo de 20.000 mg/L considerados indicadores de mau espessamento.

Quadro 3.9 –Registo dos dias em que a eficiência de espessamento foi reduzida em resultado das flutuações de qualidade do floco de lama.

Data MS (mg/L) % 21-01-2014 18.000 1,7% 05-03-2014 17.000 1,7% 01-07-2014 14.500 1,4% 05-08-2014 17.000 1,8% 02-09-2014 13.000 1,3%

Na desidratação mecânica observa-se a formação do mineral estruvite (Figura 3.4). Este mineral tende a incrustar nas tubagens da linha de lamas bem como nas centrífugas responsáveis pela desidratação mecânica. A acumulação de estruvite nestes pontos acaba por provocar problemas sérios, podendo mesmo obrigar à paragem dos equipamentos e a intervenções regulares de manutenção, com consequentes custos e implicando grande desgaste do equipamento.

Na linha gasosa, a qualidade do biogás é afectada pela presença de gás sulfídrico. O gás sulfídrico é altamente prejudicial para o motor de cogeração por provocar corrosão de forma muito rápida e agressiva. A etapa de dessulfurização do biogás instalada na ETAR do Seixal revela-se insuficiente quando as concentrações deste gás são elevadas. Deste modo, registam-se elevadíssimas perdas financeiras uma vez que não se pode utilizar o biogás na cogeração perdendo a oportunidade de produzir energia eléctrica. Por outro lado, assiste-se também a um aumento dos custos associados aos reagentes utilizados na etapa de dessulfurização.

A Figura 3.5 mostra a variação da concentração de H2S presente no biogás para diversas

alturas de maré.

Figura 3.5 – Variação da concentração de Sulfidríco presente no biogás em função da altura de maré.

Como se pode verificar pela figura, à medida que a altura de maré aumenta a concentração de H2S também aumenta.

Contudo, quando a altura de maré começa a diminuir a concentração de sulfídrico não diminui logo de seguida, isto porque o tempo de retenção do digestor é de 10 a 12 dias, permanecendo grandes concentrações deste gás durante esse período.

0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 3.23 3.46 3.68 4.02 3.82 3.6 2.99 3.18 3.3 3.39 Con ce n tr ão d e H2 S (p p m ) Altura de maré (m)

Para além destes impactes referidos, evidencia-se também que a salinidade provoca oxidação no material de aço carbónico devido à forte presença de iões cloreto e corrosão do betão através do ácido sulfúrico que se forma a partir do sulfídrico proveniente dos iões sulfacto da água do mar.

O Quadro 3.10 apresenta os valores de condutividade obtidos na água de serviço da ETAR.

Quadro 3.10- Valores de condutividade obtidos na água de serviço da ETAR.

Data Condutividade na Água de Serviço (µS/cm)

08-05-2014 3190 09-05-2014 3080 10-05-2014 3120 11-05-2014 3120 12-05-2014 3310 14-05-2014 3020 15-05-2014 3290 17-05-2014 3200 19-05-2014 3260 20-05-2014 6300 21-05-2014 3100 22-05-2014 3220

Como se pode verificar, os valores de condutividade na água de serviço são bastante elevados o que é uma indicação de que a concentração de cloretos também é bastante elevada.

A Figura 3.6 mostra os efeitos provocados pelos cloretos no material de aço carbónico da ETAR.

A figura 3.7 mostra os efeitos provocados pelo ácido sulfúrico no betão da ETAR.

4

Metodologia

Documentos relacionados