CAPÍTULO 2: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.4. Controle de Processos de Polimerização
2.4.1. Problemas ligados à falta de sensores “on-line”
Para o controle de processos de polimerização é fundamental o acesso
às medidas “on-line” que forneçam informações sobre o avanço da reação,
assim como sobre a qualidade dos produtos obtidos. Na prática, as variáveis
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que necessitam ser medidas são as seguintes:
• As conversões global e individual dos monômeros que permitem
quantificar o avanço da reação e fornecem informações sobre
eventuais perturbações na cinética da reação;
• As propriedades físicas, morfológicas e químicas, em escala
macroscópica ou molecular, para que se possam prever as
propriedades de utilização do material obtido;
• A evolução das variáveis mencionadas acima, assim como a
qualidade dos polímeros produzidos que dependem de inúmeras
variáveis que são específicas ao processo empregado. Como exemplo,
pode-se citar: o número médio de radicais por partícula, o diâmetro e o
número total de partículas.
Por muitos anos, a limitada capacidade dos computadores foi a maior
restrição à implementação de métodos avançados de controle. Hoje em dia, a
evolução tanto dos computadores como da teoria de controle, permitem que
métodos de controle automático sejam empregados com sucesso em muitos
processos.
Como já foi citado, o controle efetivo de um processo requer
informação suficiente do estado do processo (variáveis de entrada, de saída e
de estado). Primeiramente, uma representação matemática do processo é
necessária, depois, a medida ou estimativa das propriedades a serem
controladas deve estar disponível em tempo real. Finalmente, para que haja
controle efetivo, deve haver uma lei de controle adequada e robusta com
relação às imperfeições do modelo e às perturbações nas medidas.
Uma descrição matemática da evolução das variáveis, chamadas de
“estados” do processo, é necessária para identificar as variáveis de controle e
correlacionar as variáveis de entrada e de saída do processo. As vantagens da
modelagem não estão limitadas ao controle, bons modelos matemáticos
aumentam o conhecimento do processo, e podem ser empregados para
antecipar a evolução dos seus “estados”, além de serem necessários para sua
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simulação, otimização e controle. Modelos de processos são geralmente
baseados em leis físicas, regras estatísticas ou relações empíricas ou
semi-empíricas. A expressão dessa informação toma a forma de equações
diferenciais e/ou algébricas que descrevem o estado do modelo e suas
relações com as variáveis de entrada e de saída. Muitas referências têm
tratado deste assunto e da estimativa de parâmetros cinéticos em processos de
polimerização, tais como: HAMIELEC et al. (1987); MEAD; POEHLEIN (1988);
ARBINA et al. (1997); SALDIVAR et al. (1998) e BEUERMAN et al. (2002). A
maioria destes modelos é não linear e a escolha do modelo adequado é
fundamental para um bom controle.
É evidente que a simples medida das propriedades a serem
controladas seria suficiente para tornar possível o controle. Porém, em um
grande número de processos, somente poucas variáveis, tais como
temperatura, pressão, fluxo, pH, etc, podem ser medidas “on-line”. As
propriedades mais importantes, como composição, distribuição de pesos
moleculares ou de tamanhos de partículas em reatores de polimerização são
difíceis, algumas vezes impossíveis, de serem medidas diretamente até o
presente momento. Estas propriedades não podem ser obtidas diretamente de
um modelo matemático do processo porque processos químicos, e
particularmente os de polimerização, são difíceis de serem modelados em
detalhes. Os modelos propostos na literatura para descrever processos de
polimerização envolvem muitos parâmetros incertos ou que variam com o
tempo e os “estados” do modelo (velocidade de reação, peso molecular,
tamanho e número de partículas) e são muito sensíveis a perturbações,
resultantes da possível presença de traços de inibidores de polimerização ou
outros componentes que podem estar presentes nos reagentes.
Problemas relacionados às imperfeições dos modelos e às condições
iniciais desconhecidas podem ser contornados com a utilização de um
parâmetro de otimização baseado em técnicas iterativas, pelo uso de
observadores de estado baseados na minimização de um critério, ou por
sistemas computacionais baseados em treinamentos prévios que os torne
capazes de prever os estados do processo para condições dentro da faixa de
parâmetros para as quais o sistema tenha sido treinado, esses sistemas são
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conhecidos como Redes Neurais Artificiais.
Segundo OTHMAN (2000), quando a medida “on-line” das
propriedades do polímero é a maior barreira para o controle, a teoria da
estimativa de “estado” pode ser utilizada para reconstruir os “estados”
necessários para a estratégia de controle, que deve ser composta de um
modelo representativo do processo, algumas medidas “on-line”, de um
observador e, finalmente, de uma estratégia de controle robusta.
Segundo ASSIS (2001) há boas vantagens no emprego dos chamados
modelos híbridos, ou seja, aqueles nos quais há um certo conhecimento físico
do processo, mas vários parâmetros carecem de determinação a partir de
dados observados. Nesses casos as redes neurais podem ser utilizadas na
descrição das partes desconhecidas do processo (PSICHOGIOS; UNGAR,
1992).
Portanto, existem maneiras de contornar a grande barreira relacionada
à falta de sensores "on-line" para a determinação de estados importantes para
o controle das propriedades dos polímeros obtidos, a proposta desse trabalho é
avaliar a utilização de redes neurais artificiais na estimativa das conversões
global e individual em reações de polimerização em emulsão com altos teores
de sólidos e com a utilização de surfatantes reativos.
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No documento
FACULDADE DE ENGENHARIA QUÍMICA DE LORENA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA. Dissertação de Mestrado
(páginas 51-55)