Na dispensação do medicamento, o farmacêutico apresenta-se numa posição privilegiada para procurar e identificar os Problemas Relacionados com os Medicamentos (PRM). Deste modo, durante os seis meses de estágio realizei um pequeno trabalho de pesquisa, ao nível da farmácia, com o objetivo de identificar quais os PRM que mais frequentemente são observados no ato da Dispensação Clinica do Medicamento (DCM).
1.2. Dispensação Clinica do Medicamento
O ato da dispensação do medicamento permite que ao farmacêutico avaliar todo o processo de uso do medicamento, disponibilizá-lo e informar ao utente ou cuidador, sobre a melhor forma de utilização do medicamento, bem com objetivo de promover o seu uso racional [94]. Deste modo, e por ser o último profissional de saúde a entrar em contacto com o utente, entre a seleção do medicamento e a sua administração, apresenta uma posição privilegiada para a procura, identificação e resolução dos Problemas Relacionados com os Medicamentos (PRM), com o intuito de prevenir os Resultados Negativos associados à Medicação (RNM). Deste modo, e segundo a publicação do Terceiro Consenso de Granada, 2007, o PRM corresponde a um conjunto de situações causam ou podem causar um resultado negativo para a saúde [94,95].
Com o objetivo de garantir a adequada realização da DCM e que todos os PRMs sejam identificados, é útil a presença de um método validado para realização da DCM, como o caso do método de GICUF (Grupo de Investigação em Cuidados Farmacêuticos) [94]. (Anexo XXVII)
Este estudo teve como principal objetivo analisar os registos de PRMs e as suas intervenções farmacêuticas, detetados nos últimos seis meses, tendo sempre em conta o padrão observado dos anos transatos (2009-2013), fazendo a análise destes mesmos PRMs que ainda não estavam estudados.
1.3. Materiais e Método
Este estudo observacional apresentou como base a análise de todos os PRMs observado e registados em impresso próprio (Anexo XXVIII), durante o período compreendido entre o mês de janeiro e junho. Deste modo, e com o auxílio do programa de estatística SPSS, procedeu-se à análise descritiva de cada uma das amostras (PRMs verificados ao longo do estágio e os registos, em arquivo, entre 2009-2013), expressa em frequências absolutas e relativas.
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1.4. Resultados e Discussão dos Resultados
Através da realização deste estudo, podemos verificar que os tipos de PRMs podem ser classificados, segundo a Classificação de Lisboa de Problemas Relacionados com Medicamentos de 2008, de acordo com os parâmetros farmacoterapêutica em: necessidade ao tratamento (PRM tipo 1); adequação ao doente, nomeadamente contraindicações, interações, intolerâncias, entre outras (PRM tipo 2); adequação da posologia (PRM tipo 3); condições do doente/sistema para administrar o medicamento, essencialmente relacionado com aspetos legais, sociais e económicos (PRM tipo 4).
Nesta análise, foram detetados 18 PRMs, correspondentes ao período entre janeiro e junho de 2014, dos quais cerca de 83,3% são detetados ao nível da dispensação, através da aplicação do método de GICUF, bem como apenas 38,9% correspondem a indivíduos com idades inferiores a 18 anos. (Anexo XXIX)
No gráfico nº3 (Anexo XXX), pode ser observado a distribuição dos tipos de PRM, de acordo com a Classificação de Lisboa de Problemas Relacionados com Medicamentos (2008). Através da análise deste, pode-se constatar que cerca de 55,6% dos PRM detetados correspondem à categoria do PRM tipo 3, dos quais 11,1% corresponde a situações de doses sub-terapêuticas e 27,8% dos quais a doses sobre terapêuticas. A categoria dos PRM tipo 2 é a segunda categoria mais prevalente, com uma percentagem de 27,8%. (Anexo XXXI) No entanto, quando comparados estes com os obtidos através da análise dos anos 2009-2013, verificamos que existe uma alteração, principalmente ao nível das prevalências de cada tipo de PRM (Gráfico nº4, Anexo XXX).
Na prática farmacêutica, verifica-se que o uso dos medicamentos varia de acordo com o género e com a idade, promovendo uma diferenciação quanto ao tipo de PRMs que são detetados. Quando se analisa a distribuição do fator de idade com o tipo de PRM observado, podemos verificar, através da análise do gráfico nº5 (Anexo XXXII), que 85,7% dos PRMs detetados em indivíduos com idades inferior a 18 anos corresponde ao tipo 3, o que vem em concordância com os 79,2% dos PRM detetado ao longo dos últimos cinco anos (Gráfico nº6, Anexo XXXII). No entanto, através desta análise, e apesar de parecer que existe uma variação entre o tipo de PRM detetado e a idade do individuo, não se pode concluir que, no ano 2014, existe uma diferença entre estas duas variáveis, evidenciado pelo valor de p de 0,122. (Anexo XXXIII)
Para além disto, quando se analisa a dependência entre a distribuição do fator Idade (2014) com os principais motivos do PRM 3, constatamos que não existe qualquer interferência da idade com os motivos de dose sobre terapêutica (p=0,952) e sub-terapêutica (p=0,060). No entanto, quando comparado com os anos anteriores, verificamos que o fator idade tem relevância sobre o aparecimento do PRM 3. (Anexo XXXIV e XXXV)
Verificamos que o aparecimento dos PRMs nas farmácias é frequente, devido essencialmente a erros de prescrição médica (75,6%), tendo em conta todos PRMs detetados. Contudo, o farmacêutico também pode ser a causa do aparecimento de um determinado PRM, podendo ser devido à
Ana Isabel Ferreira da Costa (nº200904708) 42 dispensação de medicamento com dose inadequada (como o detetado em 2014), entre outros. (Anexo XXXVI)
Por último, e após a análise de todos os PRMs, obtidos entre janeiro e junho de 2014, verificou-se que em 94,4% dos casos foram aceites as intervenções farmacêuticas para a resolução dos mesmos.
Deste modo, pode-se concluir que os PRMs são mecanismos de extrema importância para diminuir o aparecimento de RNM, que podem ser prejudiciais para o Ser Humano.
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Ana Isabel Ferreira da Costa (nº200904708) 50
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Anexo I – Fotografias da Farmácia Narcisa C. Dias
Figura 2 – Área de atendimento ao Público
Figura 3 – Área das gavetas de
armazenamento
Figura4 – Área das estantes Figura 1 – Espaço Físico Exterior
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Figura 5 – Área do armazém Figura 6 – Zona de receção de encomendas
Figura 7 – Laboratório de manipulação
Figura 8 – Gabinete de atendimento
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Anexo V – Impresso interno de Registo de Não conformidades
Figura 9 – Impresso de Registo de não Conformidades de Encomendas Diárias
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Anexo VII – Lista de Medicamentos manipulados realizados durante o estágio
Nome do Manipulado Indicação Terapêutica
Cápsulas minoxidil 2,5mg Alopecia
Solução de Burow Dermatites, Queimaduras, Exsudações
cutâneas
Solução Hidroalcoólica de minoxidil 5% Alopecia
Pomada de Betnovate 1mg/g e ATL (creme hidratante)
Eczema; Psoríase; Dermatite seborreica e Dermatites de contato; Lúpus eritematoso
discoide; Eritroderma generalizado.
Suspensão de óxido de zinco e talco Tratamento de eczemas
Solução aquosa de ácido acético 5% Tratamento tópico de otites externas
Suspensão oral similar ao Leite de Magnésia
Obstipação; Tratamento de situações resultantes do refluxo gastroesofágico e da hiperacidez tais como: azia, enfartamento e
indigestão
Pomada Salicilada a 10% Remoção de hiperqueratoses
Solução alcoólica de ácido bórico à saturação 60% Tratamento tópico de otites externas
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Anexo VIII – Modelo de receita médica
Figura 11 – Modelo de Receita Médica Eletrónica
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Anexo IX – Impresso do Sistema Nacional de Farmacovigilância (Notificação de Reações Adversas a
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Anexo X – Dispensação Semanal
Figura nº 13 - Dispensação Semanal Figura nº 14 - Dispensação semanal em dispensadores
semanais Venalink®
Figura nº 15 - Dispensadores semanais Venalink® Figura nº 16 - Dispensadores semanais
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