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Problematizando o objeto

No documento Download/Open (páginas 30-34)

Na primeira vez que me aventurei pelas estradas no interior do Mato Grosso, mais especificamente na região norte do Estado, sobretudo, nos municípios localizados às margens ou próximos da BR 163, como é o caso de Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutuam, etc., percebi que qualquer reflexão sociológica, econômica, cultural ou social sobre os fenômenos que ali se processavam deveria considerar dois universos teóricos: o das migrações e o campo de debate sobre desenvolvimento. Estes dois escopos teóricos faziam parte das minhas intenções de pesquisa no mestrado, entretanto, por uma questão de tempo, de maturidade investigativa e por orientação da banca de qualificação abandonei a idéia de estudar os aspectos relacionados ao desenvolvimento e centrar meu olhar sobre os aspectos socioculturais na reconstrução da identidade social dos migrantes que se instalaram naquele espaço fronteiriço.

Durante a minha primeira inserção em campo (ainda no mestrado) uma categoria recorrente no discurso dos entrevistados era a de pioneiro. Historicamente, é usual a utilização desta categoria de auto-reconhecimento em áreas de intenso fluxo migratório na fronteira (Martins, 1997; Tavares dos Santos, 1993; Moog, 1981). A novidade é que o migrante que saiu do sul do país e se fixou nas franjas fronteiriças do cerrado matogrossense associa pioneirismo com empreendedorismo, idéia que desenvolvi até certo ponto em trabalho anterior (Rocha, 2006). Embora, não fosse meu objetivo central naquele momento de pesquisa, em praticamente todas as entrevistas o interlocutor fazia referências aos indicadores de desenvolvimento do município levando-me a questioná- lo: “a que fatores o senhor (a) atribui o desenvolvimento do município”. Prontamente, as respostas na sua maioria vinham carregadas de referência ao “espírito empreendedor”, ao “pioneirismo” e à capacidade de trabalhar segundo os preceitos do “cooperativismo” dos migrantes que ali se instalaram.

Vale aqui destacar que Lucas do Rio Verde, município localizado na região norte de Mato Grosso há 350 km da capital, Cuiabá, está situado às margens da BR 163 e tem sua origem relacionada à estratégia de integração nacional e expansão econômica da ditadura militar cuja construção da rodovia representou um dos principais empreendimentos e para onde um grande fluxo de migrantes sulistas foi atraído21. Estes migrantes são reconhecidos regionalmente como “gaúchos”.

Tal como na pesquisa realizada por Haesbaert (1995) em Barreiras, na Bahia22, o grupo de migrantes analisados empiricamente generalizam os indivíduos naturais dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná como “gaúchos”. Diante disto, utilizo a categoria entre aspas como opção metodológica para relativizar o conteúdo simbólico imanente ao seu uso já que incorpora, na realidade social analisada, nos termos de Berger & Luckmann (2004), uma determinada visão de mundo que envolve a construção de uma realidade social. Não é meu objetivo neste trabalho fazer uma discussão sobre os aspectos históricos, sociais, culturais, políticos e econômicos que envolvem a categoria “gaúcho”. Este termo é apreendido aqui como uma categoria

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As políticas públicas que incentivaram este fluxo migrante serão estudadas no capítulo 1. 22

Partindo de uma análise densa sobre o conceito de território nas diversas vertentes teóricas, Haesbaert (1995) propõe o conceito de multiterritorialidade para compreensão das complexas relações espaciais no mundo contemporâneo. O conceito de multiterritorialidade servirá de aporte teórico neste trabalho. Para uma visão mais ampla e detalhada deste processo ver Haesbaert (1995 e 2004).

analítica utilizada no universo social pesquisado e, para tanto, elenco os principais aspectos e conteúdos importantes para esta análise23.

A figura mítica do “gaúcho”, construída ao longo do processo de ocupação e formação do território rio-grandense, não tem uma origem única e incorporou várias significações até alcançar a denominação gentílica dada aos nascidos no Rio Grande do Sul. Historicamente, chamado de “guasco” e depois de “gaudério” o termo assumiu uma conotação pejorativa referindo-se a “ladrões de gado” e “vagabundos errantes” (Oliven, 1999). A utilização marginal e pejorativa desta categoria foi sendo gradativamente transformada evocando um componente heróico decorrente do seu envolvimento nas disputas de fronteira conferindo ao “gaúcho” uma aura de mito que envolve o passado de lutas e conflitos armados. Este verniz mítico consolidou sua imagem como um tipo social sui generis, oriundo da região dos pampas, em torno da figura do estancieiro (que em épocas de guerra assumia a função de general) e do peão (que assumia a função de soldado).

A representação mitificada do “gaúcho” associada com a lida do campo e valores como o heroísmo, valentia, coragem e honestidade serviu de elo entre estancieiros e peões e projetou, ideologicamente, o que Oliven (1991) denominou como a matriz da “fabricação do gaúcho”. A construção social da identidade gaúcha é atualizada, corroborada e referenciada a partir do tripé analítico: fronteira, conflitos e colonização. O caráter fronteiriço do Estado, primeiro elemento deste tripé, foi responsável pelo isolamento da região e sua tardia inclusão ao território nacional. Isto possibilitou a construção de um poderoso sistema de práticas e representações que adquirem força na imagem de um tipo humano positivo, capaz de grandes feitos como o “homem da fronteira” (Kaiser, 1999:39) ou o “sentinela da fronteira” (Haesbaert, 1995:115). O segundo elemento está relacionado com os diversos conflitos armados nos quais o Rio Grande do Sul esteve envolvido e que fazem parte do imaginário social do gaúcho levando Oliveira Vianna a afirmar que o “gaúcho é socialmente um produto do pampa, como politicamente é um produto da guerra” (citado por Oliven, 1999:54). E, o terceiro elemento refere-se ao tipo de povoamento do estado que é tido como singular em relação ao restante do país devido ao intenso fluxo imigratório europeu que resultou na colonização de diversas regiões do Estado. Importante reter este último elemento pois os “gaúchos” que migraram para o Mato Grosso são em grande parte descendentes de imigrantes alemães e italianos que julgam estar continuando a saga migrante dos seus antepassados.

O dado interessante e instigante deste tipo social é que para onde migram levam consigo uma tradição originária da região dos Pampas que associa o gaúcho como um tipo social campeiro e eqüestre. A maneira como é construída a identidade gaúcha está baseada num ícone que é a figura do “gaúcho eqüestre” que está montado no cavalo, uma pessoa forte, que enfrenta inimigos, que está associado ao estabelecimento das fronteiras brasileiras e lutou bravamente durante guerras. Este universo campeiro é recriado nos espaços de socialização que conhecemos como Centro de Tradições Gaúcha (CTG). É lá que o tempo heróico e histórico dos antepassados são rememorados e atualizados. A representação construída deste tipo social é corporificada nas atividades dos CTG´s e expressas na maneira de vestir, nas músicas, danças, festas, etc. Esta representação se tornou comum no Rio Grande do Sul, inclusive nas áreas de forte colonização alemã e italiana.

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Em Rocha (2006) analisei o processo de des-re-territorialização do migrante “gaúcho” no Mato Grosso tomando como estudo de caso o processo migratório ocorrido em Lucas do Rio Verde e colocando em relevo os aspectos culturais realçados na reconstrução desta identidade social. Para um aprofundamento sobre a construção identitária do gaúcho ver Fialho (2005) e Rocha (2006).

O migrante que saí do Rio Grande do Sul onde tinha 25 hectares para uma área de 1.000 hectares (às vezes maior) se torna, do seu ponto de vista, pioneiro. Pioneirismo é um símbolo e uma marca distintiva deste tipo social que ao migrar leva consigo todo um cabedal de representações que são acionais no território de destino estando referenciada por valores culturais e sociais do território de adoção24. O gauchismo, este arsenal simbólico acionado pelo migrante, é fortemente baseado na idéia de que as pessoas estão enraizadas na terra. Praticamente em todos os estados da federação existem gaúchos trabalhando na agricultura. A terra é uma categoria forte e essencial para estes migrantes. Ao sairem da origem, eles tiveram que desenraizar para então fixar raízes em outro lugar, porém sempre mantendo um vínculo com aquilo que eles julgam lhes constituir a essência. Neste sentido, manter vínculo afetivo, emocional e cultural é importante para a (re)construção da identidade gaúcha.

É na relação de alteridade que o “gaúcho” constrói, firma e percebe seus atributos. Estas diferenças estão relacionadas ao sistema de valores deste grupo ligado às práticas familiares, religiosas e comunitárias que fazem parte de uma tradição cultural exaltadas como valores fundamentais (Mocellin, 1993) e podem ser sintetizados, neste caso, nas categorias “coragem”, “solidariedade”, “pioneiro” e “desbravador”. Grosso modo, a coragem por terem saído da origem e se aventurado num lugar desconhecido; a solidariedade em virtude da existência de uma rede social na migração que informa, conforma, orienta e estabelece vínculos de ajuda mútua entre as famílias migrantes e também entre o território de origem e o território de adoção; “pioneiro” e “desbravador” por julgarem terem sido os primeiros habitantes daquele espaço, ignorando a existência outros habitantes25 e, portanto, são pioneiros e desbravadores por serem audaciosos, não terem medo de desafios e, com espírito empreendedor terem construído cidades, aberto novas frentes produtivas, investido em tecnologias de ponta e ser constantemente um agente de mudanças na fronteira.

Estas categorias são acionadas sempre que os migrantes fazem referência às dificuldades enfrentadas ao chegarem em Lucas, seja por enfrentarem a natureza intocada do cerrado, seja pela falta de infra-estrutura tanto no campo (devido a mata selvagem) quanto na cidade (pela inexistência de uma estrutura mínima, como escolas, igreja, etc.). A fala de um dos entrevistados sintetiza este sentimento: “porque quando a gente chegou aqui em junho de 82 só se via poeira. Se olhava para um lado e para o outro e não tinha nada”. A categoria “nada” refere-se à falta de infra-estrutura que garantisse condições mínimas de existência, fato que ocorreu em diversas outras áreas destinadas a projetos de colonização na fronteira. A inóspita civilização contrastante com a realidade social de origem (o sul), fez com que este grupo migrante se tornasse um protagonista da história da fronteira agrícola matogrossense. O migrante dotado com as mesmas características de bravura e coragem dos seus antepassados (imigrantes europeus), o pioneiro capaz de domar a exuberante natureza do cerrado matogrossense com a ação civilizadora de desbravar e transformar o ambiente selvagem em terra produtiva trazendo o desenvolvimento para a região. Se no caso analisado por Mocellin a figura do pioneiro como herói civilizador está associado àquele protagonista do progresso, no caso de Lucas do Rio Verde o pioneiro se percebe e é percebido pelos

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Martins utiliza as categorias “sociedade de adoção” e “sociedade de origem”. Para fins de aplicação teórica neste trabalho re-elaboro esta categoria utilizando-me do conceito de território. Adoto a concepção utilizada por Haesbaert onde o território “enquanto espaço-tempo vivido” é “sempre múltiplo” e “imerso em relações de dominação e/ou de apropriação” quer sob a ótica mais “concreta” e “material”, quer sob a ótica “imaterial” ou “cultural-simbólica” (Haesbaert, 2004:340).

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Vale ressaltar que não consegui identificar nenhuma fonte que comprovasse a existência de habitantes na região. Apenas, em uma das entrevistas, fizeram menção a existência de uma tribo nômade que habitava a região.

seus pares como o herói do desenvolvimento, aquele que por meio do “trabalho”, da “cooperação”, da “solidariedade” e do “empreendedorismo” (categorias acionadas pelos entrevistados) superou as adversidades impostas pela natureza a fim de garantir qualidade vida para a comunidade (Rocha, 2006:93). E são estes valores que diferenciam, do ponto de vista deste grupo social, “gaúchos” e “matogrossenses”. De acordo com uma das entrevistadas a “história de Lucas é a história de conquista do povo de Lucas”. Assim, por analogia, a história de Lucas é a história de conquista do povo “gaúcho” no Mato Grosso.

Lucas do Rio Verde tem sua origem relacionada com a agricultura. As famílias que ali se instalaram eram na sua maioria pequenos e médios agricultores que em virtude do esgotamento das fronteiras agrícolas no sul e conseqüente dificuldade de reprodução social familiar resolveram migrar em busca de melhores condições de existência. Ou ainda, eram trabalhadores rurais sem terras que foram assentados no projeto de colonização que deu origem à cidade. Lucas tem apenas 22 (vinte e dois) anos de emancipação político-administrativa e figura há mais de uma década como um dos principais pólos do agronegócio do Estado de Mato Grosso, com números expressivos de produção e produtividade de soja e milho e, atualmente, depois da instalação de uma agroindústria fábrica produção e distribuição de gêneros alimentícios, ocorreu um aumento expressivo no rebanho de suínos, bovinos e aves. A dinamização econômica do município em virtude da instalação desta fábrica foi responsável por um novo fluxo migratório, ainda em processo na região, de migrantes oriundos, sobretudo, da região Nordeste. Ademais, é possível verificar uma alteração nas estratégias locais de desenvolvimento26 com a verticalização da economia local no intuito de transformar o município de produtor de bens primários (soja e milho) para exportador de bens industrializados. No entanto, para se credenciar ao mercado internacional os produtores locais tiveram que iniciar um processo de regularização fundiária e socioambiental das propriedades rurais a fim de compatibilizar desenvolvimento e conservação ambiental, exigência do mercado global. Esta transformação da sociedade local e até mesmo do padrão produtivo local coloca em relevo a relação global-local típica das sociedades contemporâneas. Estas “cidades do agronegócio” acabam por passar por um processo de recriação identitária, com mudança até mesmo do discurso colonizador. Neste caso, ao depois de desmatar o cerrado, os produtores se vêem na situação de reflorestar áreas degradadas da sua propriedade para atender aos preceitos do comércio internacional.

Neste sentido, algumas questões parecem pertinentes: qual a percepção de “desenvolvimento” acionada por este grupo social? Considerando as diferentes origens sociais dos grupos migrantes que ali se fixaram27,como se expressa e se concretiza na cidade esta relação de alteridade? Em que medida a origem social dos “dramas” destes migrantes justifica e dá sentido às “tramas” do desenvolvimento? Quais os elementos que caracterizam e dão significado a esta “cidade do agronegócio”? Como se processam estas estratégias locais para atender demandas globais? Que papel desempenham os novos personagens desta história (migrantes de origem nordestina)? Haveria mudança no discurso colonizador dos migrantes instalados há mais tempo no local em relação aos recém-chegados? É possível identificar um discurso hegemônico na fronteira? Em que medida a configuração de uma diáspora ajuda a entender o ambiente e as relações de poder hegemônico e subalternos na fronteira? Como a trajetória de atores sociais com

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O novo fluxo migratório o qual faço referência será tratado no segundo capitulo, enquanto o novo padrão de desenvolvimento será temática abordada no terceiro capítulo.

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No segundo capítulo tratarei sobre os principais aspectos dos quatro fluxos migrantes identificados na pesquisa. As características de cada grupo serão abordadas a partir da trajetória familiar de quatro famílias.

origens distintas viabilizou e consolidou a construção de uma cidade de fronteira que em poucos anos tornou-se referência de desenvolvimento em todo Estado, quiça do país? Como explicar as articulações entre estratégias locais que visam atender demandas globais? Como entender este processo?

Estas questões orientaram meu olhar e colocam em evidência o escopo teórico e analítico a ser utilizado neste trabalho. Convém ressaltar que irei me referir ao desenvolvimento uma categoria nativa recorrente nos discursos destes migrantes, muito embora suas trajetórias e estratégias familiares sejam diferentes. Nas abordagens normativas sobre desenvolvimento usualmente o autor apropria-se de um conceito de desenvolvimento para analisar uma dada realidade social ou ainda estabelece um debate teórico sobre o conceito a fim de identificar aquele que melhor explica ou exemplifica um dado fenômeno social. A intenção aqui não é produzir teoria sobre o assunto, tampouco encaixar um conceito que explique o fenômeno em curso em Lucas do Verde. Ao dar “voz” aos personagens desta história pretende-se elencar alguns aspectos da visão de mundo do grupo social pesquisado a fim de desvelar as representações sobre desenvolvimento acionadas pelos migrantes.

Desse entendimento se desdobrou três hipóteses. A primeira hipótese é que o processo de territorialização do migrante de origem sulista em terras matogrossenses e a conseqüente forma de apropriação, controle e domínio (simbólico e material) do território são determinantes para a compreensão das representações de desenvolvimento acionadas naquele contexto social. A segunda hipótese é que as distintas estratégias de territorialização dos grupos migrantes, expressas em suas trajetórias, compõem assimetrias de poder que dão significado e interferem na configuração social e espacial do território e isto, por sua vez, passa a orientar as representações de desenvolvimento. Ou seja, no momento que os migrantes constroem objetivações e subjetivações no território em que vivem dão origem ao fenômeno da autopoiesis. Autopoiesis naquilo que o sujeito efetivo é capaz de criar e dar significado, não uma autopoiesis absoluta, mas sim relativa. Dado os elementos positivados acionados para se referir ao território, o “sucesso” desta realidade social é disseminado no interior de uma rede social multiterritorial - que (re) liga territórios de origem e de adoção – e pela mídia servindo de referência para outros projetos (sejam eles individuais ou grupais, de escala local, regional ou global). E por fim, mas não menos importante, a terceira hipótese é que a cidade foi planejada e projetada como uma estratégia de ocupação e controle da fronteira constituindo uma nova dinâmica territorial onde os espaços são apropriados e transformados em decorrência de uma articulação de interesses local-global.

O recorte temporal será 1964-2008. O período conhecido como “anos de chumbo da economia brasileira” ou simplesmente período ditatorial brasileiro é o pano de fundo da análise aqui estabelecida e justifica 1964 como opção metodológica de recorte temporal. Não é objetivo desta tese estudar e analisar os fatores que condicionaram o golpe que levou os militares ao poder. A década de 1970 é significativa pelos inúmeros programas setoriais de desenvolvimento criados pelo governo militar cujo objetivo era ocupar economicamente as áreas de fronteira e, portanto, foram políticas que estimularam a migração interna. O ano de 2008 se justifica por ter realizado no mês de novembro minha última inserção em campo, período no qual os dados etnográficos foram coletados e servirão para dialogar com a bibliografia especializada.

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