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4   MÉTODOS E PROCEDIMENTOS 38

4.2   Procedimento de Coleta dos Dados 44

Os dados que subsidiaram a realização desta pesquisa foram obtidos através dos seguintes meios:

1. Entrevista exploratória e aberta com o Coordenador de Programas e Projetos Especiais do Departamento de Políticas, Programas e Projetos da Secretaria

Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça para identificação dos casos estudados, bem como dos mecanismos de delimitação do conceito de desempenho da implementação da política;

2. Realização de entrevistas semi-estruturadas com os secretários executivos e demais participantes de cada GGIM de modo a captar a percepção destes atores sobre o processo de implementação da política;

3. Coleta de documentos relativos à criação e implementação de cada GGIM.

4.2.1 Etapa 1 – Entrevista aberta com o Coordenador DEPRO/SENASP/MJ

A entrevista feita com o Coordenador de Programas e Projetos Especiais do Departamento de Políticas, Programas e Projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça foi o primeiro passo para a realização da pesquisa. Durante a entrevista, percebeu-se a disparidade de resultados entre os GGIMs instalados no país. Tal disparidade ratificou a pertinência da pergunta de pesquisa deste trabalho.

Na opinião do Coordenador, um GGIM implementado com sucesso atua como facilitador ao reunir as autoridades locais para discutir violência e apresenta resultados satisfatórios, tais como: a realização de reuniões periódicas, a redução dos índices de criminalidade locais, a criação de ações que combatam a violência, a realização de atividades de prevenção e o atendimento à população.

Durante a entrevista, identificou-se os casos que seriam analisados. Escolheu-se estudar os Gabinetes de Gestão Integrada Municipal de Anápolis (GO), Canoas (RS), Duque de Caxias (RJ) e Itaguaí (RJ), como sendo quatro exemplares que representam dois casos considerados como satisfatórios e dois insatisfatórios na implementação da política. A disparidade no alcance dos resultados entre Gabinetes poderia ser causada por diversos fatores. Decidiu-se, então, estudar se o processo de implementação influencia nos resultados alcançados. Insta apontar que, segundo Lundin (2007), é comum a variação no desempenho de uma política pública ao se levar em consideração os diferentes contextos existentes em diferentes localidades; então, características locais podem afetar o desempenho da política.

Para tanto, os municípios acima foram considerados como de alta densidade demográfica (acima de 1.000 habitantes por km2 – Canoas e Duque de Caxias) e como de baixa densidade demográfica (abaixo de 1.000 habitantes por km2 – Anápolis e Itaguaí). Após a identificação, foi definida a forma de analisar os casos separadamente e, em seguida, de compará-los por meio de uma análise cruzada, com os casos individuais funcionando como complemento no processo de construção da explanação do fenômeno em análise (YIN, 2001)

Em cada grupo consta um GGIM com resultados considerados satisfatórios e outro com resultados considerados insatisfatórios (ressalta-se que a classificação dos resultados como sendo satisfatórios ou não foi dada pelo Coordenador de Programas e Projetos Especiais do Departamento de Políticas).

A decisão de utilizar a variável densidade demográfica como fator preditivo da violência baseou-se no trabalho de Brunet et al. (2008). Em seu trabalho, é verificada a correlação entre índices de criminalidade e variáveis socioeconômicas, identificando, assim, quais dessas variáveis afetam de forma significativa tais índices. Concluiu-se que a variável socioeconômica densidade demográfica possui correlação direta com os índices de criminalidade, sendo explicada pela Teoria da Anomia (DURKHEIM, 1996) e Teoria Situacional do Crime (FELSON; CLARKE, 1998).

Os dados utilizados para a caracterização dos municípios foram coletados junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, à Confederação Nacional de Municípios – CNM e ao Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos – CEBELA.

4.2.2 Etapa 2 – Entrevistas semiestruturadas com os Secretários Executivos e demais participantes

A escolha inicial dos secretários executivos como entrevistados foi devida à necessidade de obter diversas informações referentes ao GGIM. Através da análise das competências deste cargo na estrutura do GGIM, entendeu-se que a pessoa mais indicada para responder questões relativas à gestão e execução das deliberações do Gabinete seriam as pessoas que ocuparam este cargo nos respectivos municípios escolhidos. Após as entrevistas, foi solicitado aos entrevistados que indicassem outros possíveis atores com representatividade dentro do Gabinete para a replicação da entrevista e, assim, realizar a triangulação dos resultados obtidos com base em percepções diferentes do mesmo processo.

Houve indicação de outros participantes, que foram contatados e aceitaram o convite para participar do trabalho. Entretanto, alguns foram contatados e não houve possibilidade de agendamento de entrevista ou interesse em participar da pesquisa.

Ao final de cada entrevista foi perguntado se os entrevistados autorizavam a utilização de seus dados pessoais. Em duas das doze entrevistas realizadas, o entrevistado optou por manter suas informações pessoais em sigilo. Nesses casos, os entrevistados são apresentados como Entrevistado 1 e Entrevistado 2.

Cabe ressaltar que a utilização de entrevistas semiestruturadas propiciou o aprofundamento das questões de investigação e a confirmação e/ou esclarecimento de

informações levantadas através da análise documental (LÜDKE; ANDRÉ, 1986; BARROS; LEHFELD, 2000).

As questões do roteiro de entrevista, que compuseram o protocolo de pesquisa, foram elaboradas tomando como base as dez pré-condições necessárias para uma implementação perfeita de uma política pública, proposta por Rua (1998). O Quadro 2 demonstra as relações entre as pré-condições defendidas pela autora e as variáveis utilizadas como base para definir as perguntas.

Pré-condições (RUA, 1998) X Variáveis analisadas

• As circunstâncias externas ao órgão implementador não devem impor restrições que o desvirtuem

Ambiente • Deve haver uma só agência implementadora que não

dependa de outras agências para ter sucesso; se outras agências estiverem envolvidas, a relação e dependência deverá ser mínima em números e em importância

• Deve haver completa compreensão e consenso quanto aos objetivos a serem atingidos e esta condição deve permanecer durante todo o processo de implementação

Estruturação Local

• Deve haver completa compreensão e consenso quanto aos objetivos a serem atingidos e esta condição deve permanecer durante todo o processo de implementação

• Ao avançar em direção aos objetivos acordados, deve ser possível especificar, com detalhes completos e em sequência perfeita, as tarefas a serem realizadas por cada participante

Tarefas/Objetivos

• A política a ser implementada deve ser baseada numa teoria adequada sobre a relação entre a causa (de um problema) e o efeito (de uma solução que está sendo proposta)

• Esta relação entre causa e efeito deve ser direta e, se houver fatores intervenientes, estes devem ser mínimos

Processos

• É necessário que haja perfeita comunicação e coordenação entre os vários elementos envolvidos no programa

• Os atores que exercem posições de comando devem ser capazes de obter efetiva obediência dos seus comandados

Coordenação

• É necessário que haja perfeita comunicação e coordenação entre os vários elementos envolvidos no programa

Comunicação

• O programa deve dispor de tempo e recursos suficientes

• Não apenas não deve haver restrições em termos de recursos globais, mas também, em cada estágio da implementação, a combinação necessária de recursos deve estar efetivamente disponível

Recursos

Fonte: Elaborado pelo autor

Tendo definidas as variáveis a serem analisadas, foi elaborado o roteiro de entrevista. Aplicou-se, então, esse roteiro inicial em uma entrevista piloto com um servidor da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça que atua diretamente com os GGIMs dos municípios conveniados.

Feitas as alterações no roteiro de entrevista após a realização da entrevista piloto, o roteiro foi divido em duas partes: Parte I – caracterização do entrevistado e Parte II – entendimento do processo através de perguntas abertas (APÊNDICE E).

De uma maneira sucinta, a parte da caracterização propôs-se apenas a obter o nome completo do entrevistado e confirmar o cargo desempenhado.

A Parte II foi dividida em cinco perguntas que objetivavam obter do entrevistado sua opinião sobre as variáveis analisadas. Em alguns casos, foi necessário fazer, durante a entrevista, outras questões de forma que se obtivesse do entrevistado as informações necessárias ao pleno entendimento do processo. As entrevistas foram feitas por telefone e Skype, tiveram duração média de 30 minutos, foram gravadas e transcritas e posteriormente validadas pelos entrevistados.

Em decorrência das entrevistas, foram obtidos documentos que esclareceram e/ou corroboraram as respostas dos entrevistadas além de auxiliarem no processo de análises.

4.2.3 Etapa 3 – Coleta de documentos relativos à criação e implementação de cada GGIM

Além das entrevistas realizadas, foram utilizados decretos e leis referentes à criação e reestruturação dos Gabinetes – coletados junto aos próprios entrevistados –, bem como matérias publicadas em jornais locais relativas aos GGIMs.