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2.2 Modelos de procedimento no processo do trabalho

2.2.1. Procedimento Comum Ordinário

O Procedimento Comum Ordinário é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho a partir do artigo 837 até o artigo 852, constituindo um modelo ou padrão fundamental para todas as ações. Tal procedimento sempre teve como característica fundamental a concentração dos atos processuais num único procedimento, haja vista, o disposto no artigo 843 da CLT, onde é determinado que as ações individuais trabalhistas devem ser solucionadas numa única audiência. Contudo, atualmente, essa norma deixou de ter eficácia, devido ao grande número de processos submetidos à apreciação do judiciário trabalhista. Ou seja, a quantidade de processos trabalhistas que chegam diariamente à Justiça do Trabalho é muito elevada, fazendo com que a pauta diária de audiências tenha, no mínimo, 20 processos, chegando ao extremo de serem marcadas audiências com intervalo de 05 (cinco) minutos. Esse volume de processos torna praticamente impossível a realização de uma única audiência para finalizar a instrução processual obrigatória antes de ser proferida a decisão na primeira instância trabalhista.

Essa constatação pode ser observada, por exemplo, através das pautas de audiência apresentadas no anexo 01 desta pesquisa, bem como, através da tabela de movimentação por vara do trabalho do tribunal regional do trabalho da

primeira região (Rio de Janeiro) no ano de 2009. Desconsiderando o número de sentenças anuladas, verifica-se que a quantidade de processos se acumula com o passar dos anos, comprovando a morosidade na prestação jurisdicional e, conseqüentemente, a perda de efetividade no exercício da tutela jurisdicional do estado. Isso ocorre até mesmo nas 81ª e 82ª varas de trabalho, as quais foram criadas em 18 de setembro de 2006, ou seja, recentemente.

27.

Fonte: TRT da 1ª Região

2.2.1.1. Audiência de instrução e julgamento

No processo trabalhista os dissídios individuais obedecem a um procedimento comum ordinário, cuja seqüência passamos a verificar:

27 Documento extraído do site do Tribunal Superior do Trabalho (www.tst.jus.br)

  Vara do Trabalho Resíduo de 2008 Processos Recebidos Total a julgar Processos Julgados/ Conciliados Resíduo de 2009 1ªde Barra do Piraí 4.583 1.440 6.024 1.530 4.316 1ª de Cabo Frio 3.029 2.567 5.597 1.776 3.797 1ª de Itaboraí 2.909 2.384 5.294 2.311 2.778 3ª de Niterói 5.506 1.848 7.355 2.180 4.824 4ª de Rio de Janeiro 3.624 1.435 5.062 1.704 3.349 17ª de Rio de Janeiro 3.341 1.434 4.775 1.260 3.418 19ª de Rio de Janeiro 4.091 1.451 5.542 1.358 3.272 81ª de Rio de Janeiro 1.066 1.434 2.502 1.252 1.254 82ª de Rio de Janeiro 902 1.444 2.347 1.134 1.208

• Geralmente pública, de acordo com o caso concreto e face à omissão da CLT, caberá ao magistrado trabalhista estabelecer ou não o segredo de justiça.

• Realizada na Vara do Trabalho das 8:00 às 18:00, não podendo ultrapassar 05 horas seguidas, salvo quando houver matéria urgente (art. 813, caput, CLT).

• Em casos excepcionais, poderá ser designado outro lugar para a realização da audiência, mediante edital afixado na sede do juízo, com antecedência mínima de 24 horas (art. 813, § 1º, CLT).

• Deverá haver 05 dias entre a data do recebimento da citação pelo réu e a data da realização da audiência (art. 841, CLT). Entes públicos o prazo é de 20 dias (Decreto-lei nº 779/69).

• Sempre que necessário, poderão ser convocadas audiências extraordinárias, com ciência prévia às partes, no mínimo de 24 horas (art. 813, § 2, CLT).

• Em regra, a audiência é UNA, contínua, mas por força maior ou pelo acúmulo de processos em pauta, o juiz faz sua cisão em etapas: inicial, instrução e julgamento.

• Proposta de conciliação em 02 momentos processuais: antes da contestação e após as razões finais (art. 846 e 850 da CLT). No procedimento sumaríssimo ocorrerá a qualquer momento (art. 852-E da CLT).

• Permissão de atraso do Juiz – 15 minutos, podendo as partes se retirar quando houver extravasamento desse horário, com a devida consignação na ata de audiência (art. 815, § único, CLT).

• O lapso de 15 minutos não pode ser argüido pelas partes para elidir arquivamento ou revelia (art. 844 da CLT e OJ nº 245 SDI-I do TST).

• Compete ao juiz, no caso de ausência de ordem ou decoro, retirar da sala de audiências as pessoas de comportamento inconveniente (art. 816, CLT).

• O reclamante e o reclamado devem comparecer à audiência acompanhados de suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas (art. 845, CLT).

• Tanto no rito ordinário quanto no sumário, diante da omissão do artigo 2º da Lei 5584/70, cada parte poderá apresentar 03 testemunhas, que comparecerão independentemente de intimação (art. 825, caput, CLT). As que na comparecerem serão intimadas ex officio, ou a requerimento da parte, ficando sujeitas à condução coercitiva (art. 825, § único, CLT).

• No inquérito para apuração de falta grave, cada parte poderá indicar até 06 testemunhas (art. 821, CLT).

• A ausência injustificada do autor à audiência inicial ensejará o arquivamento do processo (art. 844, CLT).

• O arquivamento não impede a propositura de novo processo com idêntico objeto. Porém, no caso de 02 arquivamentos, o autor perde pelo prazo de 06 meses o direito de ação perante a Justiça do Trabalho.

• A ausência do reclamado à audiência inicial enseja a revelia e a pena de confissão quanto à matéria de fato (art. 844, CLT). Difere da revelia do CPC, não bastando a apresentação da contestação (pelo advogado) para elidir a revelia. É obrigatória a presença do empregador ou seu preposto (Súmula 122 do TST). A revelia não é pena, é apenas forma de

procedimento. A pena é a confissão ficta (art. 848, CLT). Nada obstante, sendo a ficta confessio uma abstração do mundo jurídico e, tendo o processo trabalhista, mais do que qualquer outro, o escopo de buscar a verdade real dos fatos, prossegue a instrução do feito, tomando-se o depoimento pessoal do reclamante, considerando-se que a tentativa de conciliação ficou prejudicada pela ausência do reclamado. Ademais, a própria lei prevê, para esse ato, a iniciativa do juiz, agindo ex officio (art. 848, CLT). Destarte, a inquirição do reclamante é ato jurídico que independe do requerimento do reclamado: seja este revel ou não, pode ser tomado, com o objetivo de obter a confissão real do reclamante e esclarecer a verdade. E obtida a confissão real esta prevalece sobre a ficção jurídica.

• Para a aplicação da ficta confessio há necessidade da parte ser intimada a comparecer para depor sob pena de confissão (§ 1º, art. 343 do CPC). A confissão ficta estabelece apenas uma presunção júris tantum (permite prova em contrário).

• Finda a instrução, as partes poderão aduzir suas razões finais, pelo prazo máximo de dez minutos cada uma.

• Em seguida, o juiz deverá, mais uma vez, renovar a proposta de conciliação (CLT, art. 850). Não sendo esta obtida, deverá prolatar a sentença.

O fluxograma abaixo permite uma melhor visualização dos critérios e atos procedimentais realizados em uma reclamação trabalhista, tramitada pelo procedimento ordinário acima apresentado.

FLUXOGRAMA DO PROCEDIMENTO TRABALHISTA EM DISSÍDIO INDIVIDUAL

A apresentação deste fluxograma teve como finalidade facilitar a compreensão pelo leitor sobre as diferentes formas de tramitação de um processo na primeira instância trabalhista, a começar pelo procedimento comum ordinário, pois ele é a regra procedimental básica de um processo trabalhista. Acreditamos que a partir deste postulado, o leitor terá um melhor entendimento a respeito dos procedimentos sumário e sumaríssimo em seguida analisados.