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3 ASPECTOS METODOLÓGICOS

3.4 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DE DADOS

A metodologia de pesquisa utilizada para a análise dos dados deste estudo foi a Análise de Conteúdo (AC). Franco (2003, p. 13) destaca que ―o ponto de partida da Análise de Conteúdo é a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa, figurativa, documental ou diretamente provocada‖.

Dessa forma, a mensagem divulga um significado e um sentido; este se relaciona com as diferentes maneiras pelas quais o sujeito se inscreve no texto quando fala ou escreve, por exemplo. É relevante considerar que a relação que conecta a emissão das mensagens, como um texto, uma palavra ou mesmo um enunciado, está arrolada às condições contextuais de seus produtores (FRANCO, 2003)

Segundo Bardin (1977, p.19), ―a análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação‖. A autora assinala que a técnica de análise de conteúdo, ou como também pode ser dito, análises de conteúdo, na maioria das vezes, deve ser reinventada a cada momento.

Bardin (1977, p.31) define ainda a Análise de Conteúdo como ―um conjunto de técnicas de análise das comunicações‖. Nesse sentido, esse método de análise pode ser entendido como um instrumento caracterizado por uma grande variedade de formas e adaptável a um vasto campo de aplicação, assim sendo, as comunicações.

Bauer (2008) afirma que a Análise de Conteúdo é mais um método de análise de texto desenvolvido nas ciências sociais empíricas. O autor relata que a validade da AC deve ser verificada, conforme sua fundamentação nos materiais pesquisados, a congruência com a teoria do pesquisador, bem como com o objetivo da pesquisa. Pode-se dizer que a Análise de Conteúdo assenta-se nos pressupostos de uma compreensão crítica da linguagem (FRANCO, 2003), afinando-se com a proposta deste trabalho de analisar o Prêmio INOVES como potencializador de iniciativas de inovação na gestão pública do Espírito Santo, segundo atores diretamente envolvidos com o Prêmio.

Linguagem, aqui entendida, como uma construção real de toda a sociedade e como expressão da existência humana que, em diferentes momentos históricos, elabora e desenvolve representações sociais no dinamismo interacional que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação (FRANCO, 2003, p. 14).

Nesse procedimento de análise, busca-se a descrição analítica das mensagens, por meio de procedimentos objetivos e sistemáticos de descrição do conteúdo das mensagens, sendo um tratamento da informação contida nelas. A Análise de Conteúdo pode ser entendida como uma análise dos significados, como a temática ou, ainda, uma análise dos significantes, dos procedimentos das mensagens. Além disso, a análise de conteúdo busca conhecer o que está por trás das palavras, é uma busca de outras realidades por meio das mensagens (BARDIN, 1977).

Bauer (2008) destaca que de maneira tradicional a AC lida com materiais textuais escritos (construídos no processo de pesquisa, como transcrições de entrevistas, ou textos já produzidos para outras finalidades, como revistas ou documentos institucionais), mas pode ser aplicada também a imagens ou sons. Dessa forma, este trabalho enfatizará os materiais textuais obtidos na pesquisa, sem, contudo, fechar os olhos para possíveis elementos percebidos por meio de imagens ou sons, buscando, assim, fornecer respostas às questões da pesquisa.

Franco (2003) afirma que uma das finalidades da Análise de Conteúdo é produzir inferência. Nesse contexto, a inferência implica a comparação de dados, adquiridos por meio de símbolos e discursos de indivíduo e de sociedade que possuem propósitos teóricos de diferentes concepções de mundo.

Segundo Bardin (1977), a Análise de Conteúdo possui três polos cronológicos: Pré- análise (que busca a escolha dos documentos a serem submetidos à análise, a elaboração das hipóteses e dos objetivos, e a formulação de indicadores que fundamentem a interpretação final); a exploração do material (que consiste na administração sistemática das decisões tomadas); e o tratamento dos resultados, a interpretação e a inferência (quando os resultados são tratados de maneira a serem significativos e válidos).

A criação de categorias de análise é considerada como um ponto decisivo da Análise de Conteúdo. Assim, ―a categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em analogias, a partir de critérios definidos‖ (FRANCO, 2003, p. 51).

O critério de categorização pode ser semântico (por categorias temáticas), pode ser sintático (por verbos ou adjetivos), léxico (classificação de acordo com sentidos próximos) ou expressivo (categorias classificadas como perturbações da linguagem). Existem dois caminhos para a elaboração das categorias: Categorias criadas a priori, quando as categorias são predeterminadas na busca de uma resposta específica do investigador, e categorias não definidas a priori, mas sim a posteriori, quando emergem do conteúdo das respostas, da fala por parte dos respondentes, nesse caso as categorias são criadas à medida que surgem as respostas e posteriormente interpretadas, de acordo com as teorias explicativas (FRANCO, 2003).

Neste trabalho, escolheu-se utilizar o caminho da categorização a posteriori. Após a transcrição das entrevistas, o critério de categorização utilizado foi o semântico, realizando a codificação por temas (BARDIN, 2004), o que possibilitou uma adequada compreensão dos elementos relevantes na análise dos dados. Os dados construídos com a codificação das transcrições foram alimentados por meio de recorrências das entrevistas e confrontados com os conceitos apresentados no referencial teórico.

As categorias da pesquisa surgiram inspiradas pelo conteúdo do material que compõe o corpus da mesma, em consonância com a problemática teórica

(COLBARI, 2014). As categorias para a análise dos dados foram criadas buscando ir além do texto e dos aspectos linguísticos do conteúdo que emergiu das falas dos indivíduos e do material coletado.

Verificou-se a repetição dos temas percebidos na pesquisa e a relevância teórica na fala dos entrevistados, realizando comparações textuais com as informações obtidas, conforme sugere Franco (2003). Buscou-se compreender o sentido da comunicação, em comparação com o referencial teórico utilizado, focando nos objetivos do trabalho (BARDIN, 2004).

Assim, foram definidas as categorias que se destacaram nas falas da Equipe Prêmio INOVES, Avaliadores e Equipes Premiadas:

a) O DNA de um projeto inovador e a redução dos entraves burocráticos; b) O empreendedorismo e a inovação no setor público;

c) Reconhecimento e valorização do servidor: Razões que impulsionam os servidores a participarem do Prêmio;

d) Práticas e ferramentas de gestão do âmbito privado utilizadas no público.

Apesar de serem equipes e grupos distintos, observaram-se nas falas da Equipe responsável pelo Prêmio INOVES, dos Avaliadores e das Equipes premiadas semelhanças que proporcionaram a formulação das mesmas categorias temáticas, possibilitando contrapontos na análise dos dados. Todavia, outras categorias também foram percebidas entre os entrevistados premiados (Equipe Patrulha Escolar e ISS Online):

a) Dificuldades para inovar;

b) Percepções sobre incentivos na busca de melhorias no setor público; c) A motivação para inovar é do servidor e não das organizações;