Neste trabalho de campo, presentes o Orientador, Prof. Dr. Joachim Karfunkel, o Diretor do Instituto de Mineralogia da Universidade Halle da Alemanha, Prof. Dr. Herbert Pöllmann, que se envolveu diretamente em nosso projeto de desgaste fluvial de gemas, (Fig. 72).
Figura 72: Prof. Dr. Herbert Pöllmann, Diretor no Instituto Mineralógico da
Universidade de Halle, Alemanha, colaborando no campo no
Córrego Indaiá.
O trabalho de campo foi dividido em três etapas: na primeira realizou-se a interpretação da fotografia aérea, posicionando-se a localidade da coleta de amostra durante a tese do mestrando Sérgio Ribeiro (1996), bem como procurando-se localizar a possível área fonte, (Fig. 73).
Figura 73: Posicionamento pela análise da fotografia aérea do ponto lavado
(referência 1996), e posicionamento das possíveis áreas fontes a aproximadamente 4 km do ponto lavado. A B I = 1 km 4 km X N +- 4km +- 4km Ponto da Pedra do Indaiá
Alem da interpretação da fotografia aérea da região, utilizou-se ainda da interpretação da fotografia através do Google Earth a uma altitude de 3,6 km, (Fig.74).
Figura 74: Vista aérea (a 3,6 km) da região estudada, com detalhes para Mendes Pimentel; ponto lavado como em 1996
(Ponto da pedra do Indaiá) e bifurcação do Córrego Indaiá com dois pontos a serem lavados.
Para se encontrar o ponto que foi lavado em 1996 (Ponto da pedra do Indaiá), na saída W de Mendes Pimentel, existe um “orelhão” (UTM 245343/7934947, 290m de altitude) percorre-se 1,2 km em direção à Linópolis, entrando-se à esquerda em uma estrada de chão para S, durante 1 km, dobra-se à direita para W, passa-se, passando-se pelo Córrego. Após 1,9 Km na estrada que corta o Indaiá está o ponto onde foi encontrada a brasilianita durante o mestrado de Sérgio Ribeiro (UTM 243651/7933066, 796m de altitude), denominado por “Ponto da pedra do Indaiá”.
Ponto da “pedra do Indaiá” Ponto B Córrego Indaiá Ponto A Mendes Pimentel
Na lavagem neste local foi possível encontrar três amostras de brasilianita, sendo duas esbranquiçadas (do tipo JK) e uma verde. Em laboratório determinou-se a densidade relativa das amostras, obtendo-se o resultado de 3.0, compatível com os valores da tabela que são em torno de 2.98, Webster (1983). As brasilianitas esbranquiçadas apresentam cor e desgaste semelhantes à da foto de Ribeiro (1996), aqui apresentadas em escala de tamanho natural seguida da foto corrigida pelo Quanikov, (Fig. 75-1 e 75-2).
Figura 75-1: Figura 75-2:
Amostras de brasilianita esbranquiçada amarelada (do tipo JK), encontrada a aproximadamente 4km da área fonte provável (Ponto da pedra do Indaiá), em escala de tamanho
natural seguida da correção pelo sistema Quantikov.
O desgaste das amostras da foto de Ribeiro (1996) e as esbranquiçadas (do tipo JK) coletadas, no mesmo ponto que em 1996 (ponto da pedra do Indaiá), foram comparadas, (Fig.76), demonstrado que elas apresentam desgastes semelhantes.
Figura 76: Comparação dos desgastes das amostras de brasilianita, sendo “a” a foto de Ribeiro (1996) e “b” amostras coletada em 2011, no mesmo ponto, confirmando que elas foram
lavadas no mesmo ponto.
Pode-se perceber que os desgastes das amostras encontradas neste estudo de casos são bastante semelhantes com a fotografada de Ribeiro (1996), afastando a possibilidade levantada de que a amostra da foto, por ter desgaste diferenciado na parte inferior, poderia sugerir a retenção da amostra, por determinado intervalo de tempo, em alguma rede de cascalhos em função da baixa velocidade do sistema fluvial. Isso nos leva a crer que a distância estimada da área fonte em
1,5cm 2,0cm
a
b
a
Além das duas amostras de brasilianita esbranquiçada (tipo JK), encontrou-se uma verde, no mesmo ponto lavado, apresentando desgaste menor que as do tipo JK, (Fig. 77), corroborando com os resultados de desgaste realizados em laboratório, com as amostras de brasilianita de diferentes colorações.
Figura 77:
Amostra de brasilianita verde em escala de tamanho natural (à esquerda) e corrigida pelo sistema Quantikov (à direita), encontrada no ponto da pedra do Indaiá
(à aproximadamente 4km da área fonte), mostrando desgaste menor que a das amostras do tipo JK.
A velocidade de corrente do Córrego Indaiá, medida na época a das chuvas, em dezembro é de 0,29m/s no regime turbulento e 0,26m/s no regime laminar, com uma vazão de 0,77 m3/s, (Sperling & Batista 2007). A análise granulométrica do Córrego mostrou uma proporção de 5% de argila/silte, 75% de areia (grossa, média e fina) e 20% de cascalho. A largura e profundidade do curso de água é em torno de 1,5/2m e 0,90/0,70cm, com detalhe para o ponto lavado, como feito em 1996, (Fig. 78-1), com o posicionamento do Córrego Indaiá no mapa geológico, (78-2).
Figura 78-1: Vista do ponto lavado na Figura 78-2: Mapa Geológico com o “pedra do Indaiá”, na mesma posicionamento do Córrego Indaiá, localidade que realizado em 1996. Projeto Leste, CPRM.
Caminhando em direção à provável área fonte foi possível perceber alguns indicadores de pegmatitos, como presença de moscovita, feldspato e turmalina em colúvios, bem como a presença dos mesmos minerais em material na parte externa de formigueiros, (Fig. 78-3).
Figura 78-3: Presença de moscovita, feldspato caolinizado e turmalina em coluvios e na parte externa de formigueiros, indicando a presença de um pegmatito nas proximidades.
Próximo aos 4 km calculados para a provável área fonte o Córrego Indaiá se subdivide, em dois braços (A e B). Foi então necessário se “lavar” nos braços “A” e “B”, (Fig. 79), situados a cerca de 3,5 km do “ponto da pedra do Indaiá”, procurando-se encontrar a provável área fonte das amostras de brasilianita.
Figura 79: Divisão do Córrego Indaiá em dois braços (“A” e “B”) próximo à provável área fonte.
No braço “A” (UTM 242452/7932371, 299m de altitude) sem que fossem encontradas amostras de brasilianita, (Fig. 80).
Córrego Indaiá
Braço A
Figura 80: Braço “A”, onde não se encontrou amostras de brasilianita, após 100 l lavados.
No braço B (UTM 242257/7932132, 292m de altitude), após “lavagem” de 30 l, foram encontradas seis amostras de brasilianita com 7,06ct, 3,00ct, 2,57ct, 1,82ct, 0,72ct 2 0,27ct, respectivamente, (Fig. 81), quase sem desgaste nenhum, o que indica a proximidade da provável área fonte a menos de 1 km deste ponto. Na Fig. 82, o desenho esquemático com os pontos lavados e o posicionamento da possível área fonte (à esquerda) e o braço “B” (à direita), onde foram encontradas seis amostras de brasilianita.
Figura 81: Amostras de brasilianita encontradas no ponto “B”,
praticamente sem desgaste, indicando a proximidade da área fonte.
7,06ct 3,00ct
Figura 82: Esquema (à esquerda) com os pontos lavados e o posicionamento da provável área fonte e braço “B” (à direita), onde foram encontradas seis amostras de brasilianita.
A 500 metros do braço “B” foi possível avistar um ponto branco, (Fig. 83-1) que poderia ser a provável área fonte que procurávamos. Caminhamos então cerca de 500 m, por pontos de difícil acesso (Fig. 83-2) até nos aproximarmos o mais perto possível da provável área fonte. O pegmatito se encontra a 4,5 km do “ponto da pedra do Indaiá”, sugerindo que esse pegmatito caolinizado, represente a área fonte destas brasilianitas (Fig. 83-3), em função da falta de outra fonte aflorante. Entretanto o pegmatito ocorre em um paredão inaccessível de 30 m de altura, o que não permitiu estudos adicionais (Debrot et al. 2012a).
Figura 83-1: Localização da possível área fonte. Figura 83-2: Difícil acesso até próximo à área fonte provável.
A B P = 500 m 4,5 km X N Área fonte Braço A sem brasilianitas Córrego Indaiá Braço B com brasilianitas Ponto da pedra do Indaiá
Figura 83-3: O pegmatito caolinizado encontra-se em um paredão de 30 m de altura, não permitindo estudos adicionais, não existindo outra fonte aflorante nas proximidades. Assim
considera-se esta a provável fonte das brasilianitas.
Concluindo o processo de campo e simulação em laboratório, com a curva de desgaste artificial da brasilianita esbranquiçada-amarelada (tipo JK), para uma maior facilidade de observação, anexou-se as fotos encontradas a 500 m e a 4 km, respectivamente, da área fonte provável, na região de Mendes Pimentel (Fig. 84).
Figura 84: Curva de desgaste artificial da brasilianita esbranquiçada-amarelada (tipo JK), com as fotografias das amostras encontradas de 500 m e de 4 km, respectivamente, da
provável área fonte, na região de Mendes Pimentel.
Curva de Desgaste da Brasilianita Esbranquiçada JK
87 89 91 93 95 97 99 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Distância em km P o rc e n ta g e m d e p e rd a d e p e s o Área Fonte Provável