Capítulo III Método
7. Procedimento
Para a realização deste trabalho, foi feita a cobertura de todo o processo que envolve a realização do policiamento de um grande evento desportivo, desde a fase de planeamento, onde todos os pormenores são pensados e trabalhados, ao momento da distribuição de missões pelo efectivo que realiza o policiamento, ao acompanhamento do evento propriamente dito, até ao fechar deste ciclo que termina com a realização de um relatório onde é feito um resumo de tudo aquilo que aconteceu e são tiradas algumas conclusões.
Considerando os objectivos que estabelecemos para o nosso trabalho, o método escolhido e as técnicas de recolha de dados utilizadas, verifica-se que esta investigação decorreu num ambiente de proximidade entre o investigador e os participantes, isto é, foi possível observar de perto os fenómenos em análise, sentindo o pulsar da realidade no terreno, tal como os participantes a sentiam, ao contrário do que seria conseguido se as tarefas fossem simuladas e resolvidas em laboratório, em ambientes controlados.
42 Para que fosse possível a recolha de dados relativos aos eventos desportivos em estudo, o acesso a documentos reservados e ao acompanhamento das EIR da 3º Divisão da PSP de Lisboa, o investigador teve que formalizar um pedido de autorização (Anexo 1) dirigido ao Departamento de Formação da Direcção Nacional da PSP, o qual obteve resposta positiva.
Embora nos tivessem sido concedidas tais autorizações, existe sempre um conjunto de limitações que se coloca neste tipo de investigação que necessita de se inserir numa instituição para observar e recolher informação. Segundo Wolff (in Flick, 2005, p. 58), “a investigação é sempre uma intervenção num sistema social cujo sistema reage defensivamente, gerando uma opacidade mútua, entre o projecto de investigação e o sistema social investigado”.
Por forma a minimizar o impacto destas limitações e mostrar-se total transparência no trabalho desenvolvido, realizou-se uma reunião com o Comandante das EIR da 3ª Divisão, a investigadora e a orientadora desta dissertação, esta última na qualidade de membro responsável pela Linha de Investigação onde se inscreve este trabalho, do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), na qual foi feito o enquadramento do trabalho e explicado criteriosamente no que consistia o método utilizado.
Posteriormente, já na presença de todos os participantes, foi novamente explicado o âmbito desta investigação e método, facto que foi cuidadosa e repetidamente acontecendo sempre que a investigadora se deslocava para o terreno juntamente com eles, de modo a fomentarem-se laços de confiança entre as partes, em prol do bom resultado do estudo.
No que diz respeito às quatro grelhas categoriais criadas por Alves (2013), e que serviram de base para replicar o seu estudo, procedemos às alterações que a seguir se descrevem e que podem ser observadas nos Anexos 2 a 6.
Em todas as grelhas alterámos a designação de “oficial” para “decisor”, pois nesta pesquisa observámos também chefes, para além dos oficiais.
No quadro categorial Ordem de Operações procedemos à alteração da designação da subcategoria Dependência Funcional (D_OO.4) para Dependência Hierárquica, uma vez que é este o tipo de relação que as EIR têm para com a restante cadeia de comando da PSP; foi detalhada a definição da subcategoria Procedimentos de Entrada (C_OO.4), pois as Ordens de Operações revelam bastante cuidado na forma como separam os diferentes tipos de adeptos, distribuindo-os por diferentes zonas do estádio, merecendo essa menção particular especificação.
Na grelha think aloud acrescentámos duas subcategorias, a Conjugação de Esforços (D_TA.4) na categoria Simulação Mental, e Equipamento (E_TA.3) na categoria Recursos (E_TA) dada a quantidade de informação recolhida que se enquadrava nestes tópicos.
43 No que diz respeito ao quadro Relatórios Finais, alterámos o nome da grelha, passando a designar-se Relatórios de Policiamento Desportivo, tendo em conta que é este o nome do documento produzido no final de cada evento desportivo; detalhámos o descritor da subcategoria Resultados; na categoria Policiamento criámos as subcategorias Colaboração de Outras Entidades (B_RPD.3) e Acontecimentos de Relevo (B_RPD.4) dada a necessidade de quantificar o envolvimento de outras entidades no planeamento dos eventos, bem como de registar o número de vezes que a Polícia tem conhecimento de factos que possam alterar a forma como está planeado o evento desportivo. Na subcategoria Enquadramento (C_RPD.2) demos uma nova redacção ao descritor por forma a codificarmos também a informação recolhida no percurso de saída dos adeptos do estádio, uma vez que a anterior redacção previa apenas o trajecto de ida para o mesmo.
Quanto à grelha categorial Planeamento, esta teve de ser criada de raiz uma vez que se tratou de um novo momento de observação e recolha de dados, momento esse que não fez parte do estudo realizado anteriormente.
O acompanhamento e observação dos oficiais responsáveis pelo planeamento e dos chefes das EIR, e respectivas equipas, permitiu a recolha de informação bastante para ser submetida à análise de conteúdo.
Ao longo da análise e tratamento dos dados, foram tomadas as medidas necessárias para manter o anonimato dos participantes no estudo, bem como eliminação das datas dos jogos, nomes das equipas, nomes das claques de adeptos e demais intervenientes nos eventos desportivos observados.
Foram respeitados todos os procedimentos relativos à fidelidade e validade, tendo havido o recurso a um juiz independente para assegurar a verificação da fidelidade inter- codificador.
Feita a codificação de todos os materiais colectados, desenvolveu-se um procedimento estatístico simples, descritivo, para então se tornar possível a realização de inferências e interpretação final dos resultados.
44