A Lei 9.099/95 dispensa a confecção de inquérito policial e se conforma com mera lavratura de termo circunstanciado. A atribuição para lavratura é da autoridade policial. Dispensou-se igualmente, como regra, a prisão em flagrante delito, desde que o autor do fato: a) seja encaminhado imediatamente ao Juizado Especial
Criminal; ou b) assuma o compromisso de comparecer, quando intimado a tal, conforme artigo 69, da Lei 9.099/95. (SILVA, 2012)
Nas infrações de menor potencial ofensivo ao Invés de auto de prisão em flagrante e inquérito policial, como ocorre nos crimes comuns, a lei 9099/95, a fim de simplificar o procedimento, previu apenas a lavratura do termo circunstanciado.
Sobre o termo circunstanciado, Renato Brasileiro comenta:
“No âmbito do Juizado Especial Criminal, não há necessidade de instauração de inquéritos policiais. Prevê o art. 69, da Lei nº 9.099/95, que a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando as requisições dos exames periciais necessários.” (LIMA, 2016, p.219)
O termo circunstanciado de ocorrência (TCO) deverá conter um relato breve do ocorrido, a qualificação completa dos envolvidos (autor do fato, vítima e testemunhas) e menção às perícias solicitadas. Lembrando que o procedimento prescinde de relatório final. (SILVA, 2012)
Na sessão correspondente à sessão preliminar, a lei 9099/95 disciplina que competirá à autoridade judicial que tomar conhecimento da ocorrência lavrar o termo circunstanciado, Conforme o seu art. 69:
art. 69: A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. (lei 9099/95)
Neste quesito, sobre a competência para se lavrar o termo circunstancia surgiu grande discussão na doutrina sobre quem seria essa autoridade policial, somente as polícias federal e civil, que têm a função institucional de polícia judiciária da União e dos Estados (art. 144, § 1º, in. IV, e § 4º), ou também a polícia militar?
Assim, é certo que o TCO foi criado pela Lei 9.099/1995 para simplificar a burocracia policial e acelerar a apuração dessas infrações de menor complexidade, residindo a celeuma em saber a quem compete lavrar esses tais TCOs.
5 AUTORIDADE POLICIAL. CONCEITO. DIVERGÊNCIAS. INCONGRUÊNCIAS.
Conforme mencionado o art.69 da lei 9099/95 ao disciplinar sobre a autoridade competente para se lavrar o TCO, utilizou uma expressão genérica – autoridade policial - o que vem causado questionamentos, sobre se tal fato diz respeito somente à policias civis e federais, que tem competência de policia judiciária ou também à policia militar.
Assim, quanto à autoridade competente para se lavrar o termo circunstanciado, muito se discute, vez que a lei 9099/95 fala apenas em autoridade policial, portanto, para realização do TCO pelas policias militares, estas devem se enquadrar no conceito de autoridade policial previsto em tal lei.
Ao observar o sistema de segurança pública brasileiro, verifica-se que este adotou um sistema bipartido, com a respectiva divisão de tarefas. Assim, há uma polícia judiciária, que é representada, nos Estados, pelas Polícias Civis e, na União, pela Polícia Federal, e de outro lado há uma polícia ostensiva e preventiva representada pela Polícia Militar e Policia Rodoviária Federal.
Conforme o art. 144 da CF/88, a polícia civil é responsável pelas funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, ou seja, a função investigativa.
De acordo com Renato Brasileiro de Lima:
Destarte, por funções de polícia investigativa devem ser compreendidas as atribuições ligadas à colheita de elementos informativos quanto à autoria e materialidade das infrações penais. A expressão polícia judiciária está relacionada às atribuições de auxiliar o Poder Judiciário, cumprindo as ordens judiciárias relativas à execução de mandados de prisão, busca e apreensão, condução coercitiva de testemunhas, etc.(LIMA, 2016, p. 117)
Por outro lado, às polícias militares, cabem a atribuição de polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. Porém, as funções do policial militar acabam sendo mais amplas, que acaba exercendo até mesmo a função investigativa, quando da instauração de inquérito policial militar (IPM) para apuração dos crimes da alçada da Justiça Militar Estadual.
Acerca do assunto, temos o entendimento de Rogério Fernandes Lima:
Em razão dessa divisão do serviço policial ocorre uma divergência acerca da conceituação de quem seja a autoridade policial, e podemos citar que a errônea interpretação iniciou-se com o entendimento do código de processo penal, no tocante aos institutos do inquérito policial, e aqui não pairam dúvidas que a autoridade policial na condução do inquérito é o delegado de polícia, mas com o surgimento da Lei Federal nº 12.830/2013, que diz que o delegado de polícia é a autoridade policial, mas, ressalte-se, para as conduções de investigação policial, exceto as militares. (LIMA, 2014).
De outra maneira, conceitua autoridade pública Sundfeld:
A autoridade pública conferida ao Estado pelas normas jurídicas é a consequência, no mundo do direito, da qualificação, feita pelo constituinte ou pelo legislador, de certos interesses como mais relevantes que outros.
Em outros termos: o interesse público surge como tal, para o mundo jurídico, quando as normas atribuem ao ente que dele cura poderes de autoridade. (SUNDFELD, 2008, p. 155).
Interpretando o termo “autoridade policial”, utilizado pelo legislador, Ada Pelegrini entende que essa atribuição não só é privativa para a polícia federal e civil, como se vê pelo confronto entre o inc. IV do § 1º do art. 144 e seu § 4º – não impede que qualquer outra autoridade policial, ao ter conhecimento do fato, tome as providências indicadas no dispositivo, até porque o inquérito policial é expressamente dispensado nesses casos. (GRINOVER, Ada P. et. all. Juizados Especiais Criminais:
comentários à Lei 9.099, de 26.09.1995, 3ª ed., RT, 1997).
Assim, a maioria da doutrina defende que como o termo circunstanciado cuida-se de um procedimento de caráter investigatório, ele estaria a cargo da policia judiciária, nos termos da competência definida pela CF/88, art.144, §1º, I e §4º. (MIRABETE, 2015)
Em posição contrária, Renato brasileiro entende que:
Quando um Policial Militar anda fardado pelas ruas, age no exercício de funções de polícia administrativa, já que atua com o objetivo de evitar a prática de delitos. Por sua vez, supondo a prática de um crime militar por um policial militar do Estado de São Paulo, as investigações do delito ficarão a cargo da própria Polícia Militar em questão, cujo encarregado do Inquérito Policial Militar agirá no exercício de função de polícia investigativa.
Por último, segundo o art. 8º, “c”, do CPPM, incumbe à polícia judiciária militar cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar, atribuição esta inerente às funções de polícia judiciária militar. (LIMA, 2016, p. 117)
Portanto, quando atua preventivamente, o policial militar é uma autoridade pública e os seus atos são para todos os efeitos considerados como atos administrativos, pois se pensar de forma contrária, o policial militar não poderia, sob uma fundada suspeita, abordar o cidadão, limitando seu direito ambulatorial. Ou seja, o policial militar enquadra-se perfeitamente no conceito de autoridade policial do artigo 69 da Lei Federal nº 9.099/95, já que não fará nenhuma investigação policial, apenas relatará o fato ocorrido pormenorizadamente e a qualificação do autor, do ofendido e das testemunhas, atendendo-se a celeridade preconizada pela lei, o que, aliás, já o faz quando da confecção do boletim de ocorrência policial. (LIMA, 2014)
Da mesma maneira, é evidente que o Oficial da polícia militar é autoridade de policia ao realizar o inquérito policial militar (IPM).
No Estado de São Paulo, desde 2001, é permitido a policia militar elaborar termos circunstanciados, de acordo com o Provimento 728, do conselho da magistratura do Estado de SP.
Atualmente, ao realizar alguma prisão durante as suas atividades, a guarnição policial militar tem de se deslocar até uma delegacia da polícia civil (com exceções de crime de outras competências, federal por exemplo) para encerrar a ocorrência, e deixar o preso ou o material apreendido a cargo da polícia civil. Porém, devido à falta de efetivo e ao baixo numero de delegacias de plantão, as ocorrências acabam se acumulando nestas delegacias, e as guarnições policiais militares muitas vezes acabam ficando horas aguardando o recebimento da ocorrência (muitas vezes mais de 24 horas), o que acaba prejudicando o patrulhamento ostensivo.
Muitos desses crimes que acabam fazendo com que as guarnições policiais militares fiquem tantas horas nas delegacias aguardando encerramento das ocorrências, são crimes de menor potencial ofensivo, e todo esse processo seria muito mais célere, nos termos da lei 9099/95, se o TCO pudesse ser lavrado pelo policial militar.
O comando da instituição e os representantes da instituição estão cientes do problema e buscam resolver o problema, e com esse intuito o Deputado Estadual
CABO JÚLIO e o Deputado Sargento Rodrigues apresentaram emenda ao Projeto de Lei 3.503/2016, que trata da reforma administrativa do Estado de Minas Gerais.
A emenda que será destacada permitirá que o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), seja feito por todos os integrantes da segurança pública, e de acordo com o seu texto:
Acrescente-se onde convier:
Art... – O termo Circunstanciado de Ocorrência, conforme disposto na lei Federal nº 9099, de 26 de setembro de 1995, poderá ser lavrado por todos os integrantes dos órgãos descritos nos incisos IV e V da Constituição Federal. (emenda ao Projeto de Lei 3.503/2016)
Nesse diapasão, a atribuição conferida à policia militar em alguns estados para elaborar o termo circunstanciado foi questionada perante o STF com a ADI 2.862/SP, que considerou constitucional a lavratura do TCO pela PM:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS NA AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. PEDIDO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO HOMOLOGADO.1. Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de medida cautelar, ajuizada pelo Partido Liberal, em 26.3.2003, objetivando a declaração de inconstitucionalidade do Provimento n. 758/2001 foi consolidado pelo Provimento n. 806/2003, ambos do Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo, e da Resolução SSP n.
403/2001, prorrogada pelas Resoluções SSP ns. 517/2002, 177/2003, 196/2003, 264/2003 e 292/2003, todas da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.2. Em 26.3.2008, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu:“ AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ATOS NORMATIVOS ESTADUAIS QUE ATRIBUEM À POLÍCIA MILITAR A POSSIBILIDADE DE ELABORAR TERMOS CIRCUNSTANCIADOS.
PROVIMENTO 758/2001, CONSOLIDADO PELO PROVIMENTO N.
806/2003, DO CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, E RESOLUÇÃO SSP N.
403/2001, PRORROGADA PELAS RESOLUÇÕES SSP NS. 517/2002, 177/2003, 196/2003, 264/2003 E 292/2003, DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO. ATOS NORMATIVOS SECUNDÁRIOS.AÇÃO NÃO CONHECIDA.1. Os atos normativos impugnados são secundários e prestam-se a interpretar a norma contida no art. 69 da Lei n. 9.099/1995: inconstitucionalidade indireta.2.
Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacífica quanto à impossibilidade de se conhecer de ação direta de inconstitucionalidade contra ato normativo secundário. Precedentes.3. Ação Direta de Inconstitucionalidade não conhecida” (DJ 9.5.2008, grifos no original).3. Em 13.5.2008, o Partido da República opôs embargos declaratórios (fls. 517-526).4. Em 10.9.2008, o Ministério Público Federal manifestou-se pela rejeição dos embargos declaratórios (fl. 665-670).5. Em 17.9.2009, o Partido da República peticionou informando a “desistência dos Embargos de Declaração (...) tendo em conta que o Governo do Estado de São Paulo, através do Secretário de Segurança Pública reconheceu, implicitamente, no
ponto, que a elaboração do Termo Circunstanciado previsto no art. 69, da Lei 9.099, é função de polícia judiciária (C.F. art. 144, § 4º), a cargo, portanto, dos delegados de polícia. Assim sendo, considerando o que se contém na novíssima Resolução SSP n. 223, de 09/09/09, publicada no Diário Oficial do dia imediato que revogou a Resolução n. 339, de 25/09/03, (...) requer (...) o arquivamento da presente actio, diante da perda do objeto”
(fl. 673, grifos no original).6. Conquanto não seja possível, nos termos firmes da jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal, a desistência total ou parcial de ação direta de inconstitucionalidade, do que se cuida aqui é da desistência apenas do recurso de embargos de declaração, o que não interfere na indisponibilidade característica daquela espécie processual.7.
Pelo exposto, homologo o pedido de desistência do recurso de embargos de declaração.Após o trânsito em julgado, arquive-se.Publique-se.Brasília, 30 de setembro de 2009.Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora (STF - ADI:
2862 SP, Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 30/09/2009, Data de Publicação: DJe-189 DIVULG 06/10/2009 PUBLIC 07/10/2009)
Muito embora, nesse julgado, tenha sido reconhecida a impossibilidade de se conhecer de ação direta de inconstitucionalidade contra ato normativo secundário, a relatora, Exmª Sra. Ministra Ellen Gracie, entendeu que na interpretação do termo
“autoridade policial” do art. 69 da lei 9.099 de 1995, seria descabido a pretensão de exclusividade e monopólio do delegado de polícia para lavratura do TCO, e que esta interpretação tão restrita do conceito pretende obrigar uma intermediação das delegacias de polícia entre os cidadãos e os juizados especiais criminais, e isso estaria em desacordo com as finalidades visadas na lei das infrações penais de menor potencial ofensivo.
De outro lado, o mesmo STF no RE 702/617 entendeu que seria usurpação de função a lavratura do TCO pela PM:
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE ESTADUAL. SERVIÇO PÚBLICO. POLÍCIA MILITAR. ATRIBUIÇÃO PARA LAVRAR TERMO CIRCUNSTANCIADO. LEI 9.099/95. ATIVIDADE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM
O ENTENDIMENTO DO SUPREMO. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem não se pronunciou sobre o artigo 125, § 2º, da Constituição Federal, e os embargos de declaração interpostos não mencionaram a referida norma, evidenciando a ausência do necessário prequestionamento da matéria constitucional, a inviabilizar o conhecimento do extraordinário. 2. A Súmula 282/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada”. 3. O controle de constitucionalidade da Lei nº 3.514/10 foi realizado pelo Colegiado a quo tendo como parâmetro as normas dos artigos 115 e 116 da Constituição do Estado do Amazonas que, por sua vez, repetem as regras estabelecidas no artigo 144 da Constituição Federal, razão porque não há se falar em ilegalidade, mas sim em inconstitucionalidade. 4. Agravo Regimental a que se nega provimento.(STF
- RE: 702617 AM, Relator: Min. LUIZ FUX, Data de Julgamento: 26/02/2013, Primeira Turma, Data de Publicação: ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-054 DIVULG 20-03-2013 PUBLIC 21-03-2013)
O presente RE foi interposto no Estado do Amazonas e o Relator, o Exmº Sr.
Ministro Luiz Fux, baseou a sua decisão principalmente no argumento de que o dispositivo legal que atribui à Polícia Militar competência para confeccionar termos circunstanciado de ocorrência, nos termos do art. 69 da Lei nº 9.099/1995, invade a competência da Polícia Civil, prevista no art. 115 da Constituição do Estado do Amazonas.
Já no STJ, há precedente favorável, conforme HC 7.199/PR, em que houve entendimento acerca da inexistência de ilegalidade do Estado utilizar o contingente da Polícia Militar, em face da deficiência dos quadros da Polícia Civil:
PENAL. PROCESSUAL PENAL. LEI Nº 9099/95. JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL. TERMO CIRCUNSTANCIADO E NOTIFICAÇÃO PARA AUDIÊNCIA. ATUAÇÃO DE POLICIAL MILITAR. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. INEXISTÊNCIA. - Nos casos de prática de infração penal de menor potencial ofensivo, a providência prevista no art. 69, da Lei nº 9099/95, é da competência da autoridade policial, não consubstanciando, todavia, ilegalidade a circunstância de utilizar o Estado o contingente da Polícia Militar, em face da deficiência dos quadros da Polícia Civil. -
"Habeas corpus" denegado.(STJ - HC: 7199 PR 1998/0019625-0, Relator:
Ministro VICENTE LEAL, Data de Julgamento: 01/07/1998, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJ 28.09.1998 p. 115)
Segundo o Relator, o Exmº Sr. Ministro Vicente Leal, a confecção do TCO deve ser realizada a priori pela polícia judiciária, através do delegado de polícia. Porém, devido à falta de estrutura da PC para atender a demanda desses serviços, não há impedimento legal que desautorize o Poder Executivo Estadual a utilizar os órgãos da PM, em regra destinados à relevante tarefa de policiamento ostensivo fardado.
Citar o voto do relator e comentar
Dessa forma, o tema ainda é polêmico e o entendimento de parte da doutrina e jurisprudência é de que, para o TCO autoridade policial deve ser considerada uma expressão genérica cujas espécies são o delegado de polícia e o policial militar.
Conforme é concluído por MUCCIO:
Portanto tem-se entendido que o Termo Circunstanciado não é ato exclusivo do delegado de polícia (autoridade policial em sentido estrito), podendo ser lavrado, diante de seu caráter informal, pelo policial militar, o policial que formalizar a ocorrência. Nesse sentido o provimento n. 758, de 14-7-2001, do Conselho Superior da Magistratura do Estado de São Paulo, arts. 1º e 2º. O policial militar elaborará termo circunstanciado, encaminhando-o, com o autor do fato, ao Juizado Especial Criminal, colhendo o compromisso daquele na impossibilidade da apresentação imediata; sem prejuízo do encaminhamento da vítima para realização de exame de corpo de delito, se houver urgência. A expressão „autoridade policial‟ do art. 69 é extensiva a todos os órgãos encarregados da segurança pública, nos termos do art. 144 da Constituição Federal.
(MUCCIO, 2011, p. 1.278)
Neste contexto, diante das análises acima, não há de se falar em usurpação de função pela Polícia Militar, na lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência, já que além de se enquadrar sem problemas no conceito de autoridade policial da lei 9099/95, pois o policial militar já exerce a função de polícia judiciária, quando da instauração de inquérito policial militar (IPM) para apuração dos crimes da alçada da Justiça Militar Estadual.
6 A SEGURANÇA JURÍDICA DA LAVRATURA DO TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA POR POLICIAL MILITAR.
É notável que a Segurança Pública vem sido alvo de intensos debates em todos os âmbitos, e diversos congressos vem sendo realizados acerca de tal assunto, com o objetivo de buscar uma maior efetividade no controle da criminalidade e violência na atualidade. A Constituição de 1988 em seu art. 144 delineia os órgãos responsáveis pela por tal função, contudo, a segurança pública é uma atividade ampla que não há como definir ou delimitar de forma estanque, objetivamente, as atribuições de cada órgão, ao contrário, as atividades se permeiam, haja vista que todos buscam o mesmo desiderato constitucional. (LIMA, 2014)
Conforme Ramos e Siqueira:
todos os órgãos policiais exercem a atividade de segurança pública, a qual tem por escopo a integridade física e patrimonial do cidadão, sendo esses órgãos responsáveis pela manutenção e preservação da ordem pública, estando seus integrantes, sem exceção, investidos de função policial.
(RAMOS; SIQUEIRA, 2014, p. 10).
O legislador infraconstitucional em conformidade com o art. 98 da CF/88, com o objetivo de tratar de forma diferenciada a potencialidade lesiva do crime e da pena, legislou na criação da Lei Federal nº 9.099/1995, a qual instituiu os Juizados Especiais Criminais e os Juizados Especiais Cíveis, que trouxe os crimes de menor potencial ofensivo como os que, dentro de um conceito jurídico, possuam uma menor relevância para o ordenamento jurídico com pena máxima de até dois anos e todas as contravenções penais, além de instituir, entre outras disposições, o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Dessa forma, apesar do legislador ter proporcionado aos órgãos policiais excelente instrumento de pacificação social, Restaram diversas dúvidas acerca da possibilidade do policial militar poder confeccionar o Termo Circunstanciado de Ocorrência, Da análise que se faz nas assentadas do Supremo Tribunal Federal é pertinente trazer à colação a transcrição de Lazzarini:
Tais fundamentos levaram o eminente Ministro Carlos Britto a acrescentar que “esse termo circunstanciado apenas documenta uma ocorrência”, no que concordou o Ministro Cezar Peluso, reafirmando que “Todo policial militar tem de fazer esse boletim de ocorrência”, seguindo-se o Ministro
Carlos Britto com assertivas como: “Exato. Notícia o que ocorreu” [...] “Aqui se documenta, para que outrem investigue. É uma operação (investigação) exatamente contrária; é uma lógica contrária”. Por sua vez o eminente Ministro Ricardo Lewandowski afirmou: “É um mero relato verbal reduzido a termo”, afirmação esta a que o Ministro Carlos Britto disse: “Perfeita a descrição de Vossa Excelência”, concluindo, então, o Ministro Cezar Peluso: “É o termo circunstanciado a documentação do flagrante”.
(LAZZARINI, 2011, p. 392)
Ampliando o debate, observamos o que conclui Lazzarini:
Por essa razão a Constituição de 1988 não veda que a lei autorize outras autoridades públicas, agentes administrativos ou magistrados a lavrarem o
„Termo Circunstanciado‟, tema este que tem dado origem a grandes debates, inclusive no STF, que, na ADIN 2862, reconheceu que a lavratura do „Termo Circunstanciado‟ pode ser realizada pelas Polícias Militares.
(LAZZARINI, 2008, p.537).
9 CONCLUSÃO
Portanto, da síntese que foi trazida até o momento, observa-se que resta esclarecida a legitimidade do policial militar em lavrar o Termo Circunstanciado de Ocorrência, não com o objetivo de usurpar ou assumir ou ocupar as funções de polícia judiciária ou polícia de investigação tampouco as atribuições dos delegados de polícia, o que se pretende, em atendimento à própria Constituição Federal e a Lei é, entre outras questões, proporcionar a celeridade e a presteza da atividade policial, com segurança jurídica e respeito ao cidadão.
Ao analisarmos a efetividade da confecção do TCO pelos estados que já adotaram tal pratica (Rio Grande do Sul e de Santa Catarina) podemos observar que a implementação tem demonstrado ótimos resultados, tanto que mereceu um programa específico sobre o tema na TV Justiça, onde diversas autoridades,
Ao analisarmos a efetividade da confecção do TCO pelos estados que já adotaram tal pratica (Rio Grande do Sul e de Santa Catarina) podemos observar que a implementação tem demonstrado ótimos resultados, tanto que mereceu um programa específico sobre o tema na TV Justiça, onde diversas autoridades,