CAPÍTULO 2 MATERIAIS E MÉTODOS
2.4 Procedimento experimental
Os procedimentos deste estudo foram realizados na sala de aulas práticas de eletrofototermoterapia do Departamento de Fisioterapia da EEFFTO da UFMG, onde se encontrava uma mesa para mobilização articular de altura regulável da marca Carceroni® – produtos médicos fisioterápicos Ltda., com altura regulável, comprimento de 1.87 m e largura de 0.71 m.
A coleta dos dados envolveu dois examinadores (A e B), que realizaram um treinamento em relação aos procedimentos de coleta dos dados, incluindo a
execução da manobra de mobilização articular e as medidas de goniometria. O objetivo do treinamento foi familiarizar os examinadores com estes procedimentos e aumentar a consistência das medidas.
O examinador A realizou as medidas da variável dependente (ADM ativa do movimento de dorsiflexão) e o examinador B realizou a mobilização articular ou nenhum tratamento (os voluntários ficaram na mesma posição pelo mesmo período de tempo, mas sem receber a mobilização articular). O examinador A foi mascarado quanto à ordem do tratamento recebido por cada indivíduo e o examinador B quanto aos valores da goniometria em cada momento. O voluntário também foi cegado quanto à intervenção.
Inicialmente, foram registrados os dados antropométricos, demográficos e clínicos (idade, limitação inicial da ADM, tempo de lesão, tempo de imobilização, massa corporal e altura). Foi anotado um histórico da lesão de cada voluntário como a data e o mecanismo da lesão, os tratamentos realizados, os imobilizadores ou suportes rígidos e semirígidos utilizados e os exames de imagem realizados.
Os voluntários que atenderam aos critérios de inclusão passaram por três séries de medidas: baseline, após a primeira intervenção e após a segunda intervenção. Cada série incluiu três medidas da ADM de dorsiflexão ativa. Nesse estudo, metade dos indivíduos recebeu mobilização articular na primeira intervenção e nenhuma mobilização (controle) na segunda intervenção; constituindo o grupo mobilização. A outra metade dos voluntários recebeu o controle na primeira intervenção e, na segunda intervenção, a mobilização articular; constituindo o grupo controle. Dessa forma, foram realizadas duas intervenções em todos os voluntários e a ordem da mobilização articular ou controle foi aplicada de forma aleatória, por meio de sorteio.
As medidas da ADM de dorsiflexão foram realizadas com os voluntários posicionados em decúbito ventral com os joelhos fletidos a 90º (FIG. 3A e 3B). O braço fixo do goniômetro foi posicionado paralelamente à perna, alinhado com a cabeça da fíbula. O braço móvel foi posicionado sobre a face plantar do pé. Foram realizadas três medidas da ADM de dorsiflexão em ambos os tornozelos, com intervalo de 30 segundos entre elas. O tornozelo a ser primeiramente avaliado foi definido aleatoriamente, por meio de sorteio.
3A 3B
FIGURAS 3A e 3B - Medida da ADM de dorsiflexão com o goniômetro biplanar Fonte: Dados da pesquisa (foto da autora).
Após as medidas de baseline da ADM de dorsiflexão, o examinador A se retirava da sala de experimentação para que o voluntário recebesse a primeira intervenção, isto é, mobilização articular ou apenas contato manual, aplicada pelo examinador B. Ao final da primeira intervenção, o examinador A retornava para mensurar a ADM de dorsiflexão. Em seguida, o examinador A se retirava novamente da sala para que o examinador B aplicasse a segunda intervenção. Após a segunda
intervenção, o examinador A retornava para a sala para realizar as mensurações finais da ADM de dorsiflexão. Durante cada intervenção, o examinador B acionava um cronômetro (início e fim), para que o tempo gasto na primeira e segunda intervenção fosse igual. Dessa forma, o examinador A, mesmo fora da sala, não poderia deduzir, de acordo com o tempo gasto, a ordem das intervenções.
A mobilização articular ântero-posterior do tálus graus III e IV foi realizada com os voluntários posicionados na mesa de terapia manual, em decúbito dorsal, com o membro inferior a ser tratado em 45 graus de flexão do quadril e joelho, sobre uma “tábua de quadríceps”. Este aparelho foi utilizado para padronização do posicionamento do membro inferior e consiste de duas tábuas de madeira articuladas entre si. Um suporte para o calcanhar permitiu o ajuste da articulação do tornozelo em 20 graus de flexão plantar, posição que foi mantida durante todo o procedimento experimental. Em seguida, o examinador B ficou na posição de pé, em frente à mesa de terapia manual. Com o espaço interósseo dos dedos polegar e indicador de sua mão direita sobre a região anterior do tornozelo do voluntário, isto é, sobre o tálus, e a mão esquerda sobre a primeira. A estabilização da perna do voluntário foi dada pelo próprio apoio da perna sobre a “tábua de quadríceps” (FIG. 4). O examinador B aplicou forças cíclicas no sentido ântero-posterior do tálus a partir da primeira resistência sentida até o final do arco de movimento acessório de deslizamento posterior, conforme descrito por Maitland (2001), sem provocar dor ou desconforto. Caso estas fossem manifestadas pelo voluntário, o procedimento era interrompido e, posteriormente, realizado com redução da força ou abortado, caso as queixas persistissem. A manobra de mobilização foi realizada em três séries por um período de 30 segundos cada, com intervalo de 30 segundos entre elas. Este
tempo foi escolhido com o objetivo de reproduzir o tempo gasto com a manobra quando utilizada na prática clínica do fisioterapeuta.
FIGURA 4 - Técnica de Mobilização ântero-posterior do tálus Fonte: Dados da pesquisa (foto da autora).
A manobra de mobilização foi reproduzida neste estudo conforme realizada no estudo de sua confiabilidade (RESENDE et al., 2006). Neste estudo, os autores demonstraram alta confiabilidade intra-examinador para a força aplicada durante a mobilização do tálus em sentido ântero-posterior utilizando os graus III e IV de Maitland.
As medidas de goniometria e a aplicação da mobilização articular eram realizadas na mesa de terapia manual, ajustada de acordo com cada procedimento: para a medida da ADM de dorsiflexão a altura era ajustada em quatro dedos abaixo do trocânter maior do fêmur do examinador A (82 cm do chão) e, para a aplicação da mobilização articular, a maca era colocada no nível do joelho do examinador B (56 cm do chão, nível mais baixo da maca).