CAPÍTULO III A PRÁTICA E AS CONSEQUÊNCIAS DA COPES NO
3.3 Consequências
3.3.6 Procedimento mais custoso e moroso para as partes
A pratica da Cobertura Estimada surgiu como saída para redução de benefícios, perícias e tempo de espera nas APS, e consequentemente redução de gastos, assim como a necessidade de uniformizar as perícias medicas. No que tange a redução de gastos, o único órgão que se beneficiou da conduta foi o próprio INSS em tese, dado que reduzido o número de benefícios administrativamente, os beneficiários passaram a recorrer ao Poder Judiciário como meio de assegurar seu direito, e, por conseguinte, sobrecarregando o poder jurisdicional.
Diz-se em tese, pois em virtude da DCB, o segurado que entrar com a ação de reativação do benefício, em havendo a procedência do pedido, a autarquia será condenada a pagar os valores retroativos com juros e correção monetária, e eventualmente a reimplantar o benefício postulado. Enquanto que se houvesse a prorrogação do benefício devido, pressupõe-se que não haveria de se falar em reparação de juros e correção monetária, posto que pago até que apto o autor daquela demanda.
Este argumento, no entanto, transcende a possibilidade de comprovação através de números a título de pagamentos em que a autarquia foi condenada.
O relatório produzido pelo CNJ sobre os cem maiores litigantes do país evidencia o assoberbamento deste poder, pois a autarquia previdenciária lidera o ranking com 22, 33%90 de todo acervo processual nacional, e também está em primeiro lugar no âmbito da Justiça Federal, com total de 43,12%91. O relatório ainda conclui que “o Instituto Nacional do Seguro Social responde por mais de um quinto dos processos dos 100 maiores litigantes nacionais”92.
Na tabela 593, que lista os maiores litigantes da Justiça Federal pertencentes ao Setor Público Federal e Bancário, se verifica que 81% dos processos no polo passivo correspondem ao INSS. Já na tabela 994, listagem que relaciona os cinco maiores litigantes do Setor Público Federal na Justiça Estadual, o órgão também está em 1° lugar, com 6% dos processos.
Ademais, a conduta arbitrária discutida, desencarrega o INSS do pagamento do benefício, todavia com a progressão da doença a sobrecarga será aos demais setores da seguridade social, como a rede pública de saúde, pois a maioria daqueles trabalhadores incapacitados também não possuem assistência médica particular. Obviamente que estes podem ter se utilizado do serviço público de saúde, porém quando há o devido controle da enfermidade não há a necessidade de frequência hospitalar, como já dito com medicamentos que muitas vezes não são adquiridos gratuitamente da mesma maneira que respeitado o tempo de recuperação indicado pelo médico que acompanha o indivíduo, o que lamentavelmente muitas vezes não é possível com a DCB.
Isto posto, ainda que o beneficiário ajuíze ação de restabelecimento, para reaver o direito denegado, a arbitrariedade do órgão gestor da Previdência tem como produto uma debilidade ainda maior do requerente em todos os aspectos já mencionados.
90 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. 100 maiores litigantes. 2011, p. 05. 91 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, op. cit., 2011, p. 05.
92 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, op. cit., 2011, p. 06. 93 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, op. cit., 2011, p. 19. 94 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, op. cit., 2011, p. 24.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve como eixo central a análise doutrinária, jurisprudencial, legislativa e constitucional em contraponto a realidade previdenciária nos benefícios de auxílio-doença cessados de forma automática pelo procedimento de COPES instituído através de norma meramente administrativa, e também diagnosticar consequências ao beneficiário.
A partir das exposições feitas, conclui-se que, sendo o Regime Geral da Previdência Social responsável pelo amparo ao trabalhador para conceder prestação pecuniária a fim de substituir sua renda decorrente de atividade laborativa remunerada, evitar a exposição do beneficiado aos eventos dispostos no art. 1° LBPS, bem como promover a justiça e o bem-estar social e erradicar a desigualdade social, a Cobertura Previdenciária Estimada demonstra-se flagrantemente ilegal e inconstitucional pelas consequências e violações que ela provoca, entre elas, a afronta aos princípios constitucionais e infraconstitucionais que cercam o ordenamento jurídico pátrio, sendo estes o de princípio da legalidade e princípios que compõe a base funcional do sistema de Seguridade Social e a Previdência Social, o princípio de dignidade da pessoa humana, além da violação ao direito a saúde devido as dificuldades impostas ao trabalhador quando na condição de limitação ou incapacidade para as atividades funcionais.
Sendo, portanto, norma que restringe e viola direitos garantidos a nível constitucional e infraconstitucional, deve-se revogar as normas que a regulamentam e sustar os efeitos que prejudicam tanto o trabalhador segurado. O objetivo, apesar, não consiste em tão somente fazer críticas a conduta aplicada pela autarquia, mas de buscar melhor prestação de serviço assistencial adequado ao segurado e jurisdicionado, cumprimento do texto legal desenhado pelo constituinte originário, a nível constitucional, e pelo legislador, a nível da legislação especifica de direito previdenciário.
A fim de dar ao órgão segurador a possibilidade de uniformizar as conclusões médico-periciais quanto aos critérios temporais, de abreviar o tempo de espera nas filas das Agências da Previdência e realização dos procedimentos periciais, propõe-se que as
tabelas que padronizam o tempo estimado de recuperação laboral sejam usadas como critério para marcação de nova perícia sem a cessação do pagamento, isto é, o perito permanecerá usando as tabelas produzidas pelo INSS, porém com o objetivo de dar possibilidade de defesa do segurado mediante execução de nova perícia agendada que ateste ou não incapacidade laboral, e a partir desta optar pela prorrogação ou cessação do benefício. Ressalte-se que dentre as análises a serem feitas pelo médico do INSS, deve-se valer de todas as condições em que o trabalhador se encontra, tratamentos por medicamentos ou por intermédio de intervenção cirúrgica, fisioterápica, psiquiátrica, a idade e atividade exercida pelo segurado ou outra a ser considerada no caso concreto. E à vista disso, a finalidade do INSS será desempenhada respeitando a legislação em vigor, garantindo a efetividade das normas dispostas e permitindo a aplicabilidade e eficácia dos direitos sociais de saúde, assistência social, seguro social e trabalho.
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