3.3 ANÁLISE COMPARATIVA: BAHIA X PERNAMBUCO
3.3.2 Procedimento para protocolar o processo de Licença
De acordo com o setor de atendimento ao público da CPRH, os documentos exigidos para a Licença Prévia de atividades agrícolas são: o formulário devidamente preenchido, a carta de anuência da prefeitura municipal, uma planta de localização e situação da área e o memorial descritivo.
Já na fase de instalação são exigidos, além do formulário preenchido, a cópia da LP, se houver, a planta de localização e situação da área, o memorial descritivo do empreendimento, anuência da prefeitura, quanto à lei de uso do solo, CNPJ e contrato social e documento de propriedade.
Para a Licença de Operação deverá também ser preenchido o formulário e anexada a cópia da Licença de Instalação e as exigências nela contidas, se houver. Caso o empreendimento seja irregular, são solicitados também os documentos exigidos para a Licença de Instalação.
Apresentada a documentação e efetuado o pagamento da respectiva taxa, o setor de atendimento encaminha o processo para uma equipe especializada. Na CPRH são formados grupos por especialidade, cada um com seu supervisor, como por exemplo, grupo de esgoto, de resíduos sólidos, de uso do solo, de indústria, serviços e comércio, etc. Mais de 40 técnicos atendem o licenciamento ambiental na CPRH.
O técnico responsável pelo processo, realiza a inspeção e elabora o parecer, que é encaminhado para um setor de auditoria e revisão técnica. Depois disso a licença é emitida. Em regra, não há parecer jurídico.
Para o protocolo do processo no órgão ambiental baiano, o CRA, são exigidos para a Licença de Localização – LL: o requerimento preenchido e assinado pelo representante legal, com documentação comprobatória desta qualidade (procuração, contrato social, RG, etc.); comprovante de endereço; Termo de Responsabilidade Ambiental; original da publicação do pedido da Licença em jornal, conforme modelo padronizado CRA; documento de propriedade ou justa posse do imóvel rural, acompanhado da CCIR – Certificado de Cadastro de Imóvel Rural e ITR – Imposto Territorial Rural atuais; Averbação de Reserva Legal; certidão da prefeitura municipal; Roteiro de Caracterização do Empreendimento – RCE, incluindo mapas, plantas, desenhos, memoriais e fotografias representativas do local.
Os estudos apresentados ao CRA deverão ser assinados por profissionais legalmente habilitados e devidamente credenciados nos respectivos Conselhos de Classe, sendo necessária a apresentação do registro de ART – Anotação de Responsabilidade Técnica, ou documento equivalente.
O Termo de Responsabilidade Ambiental – TRA é um documento de caráter declaratório firmado pelo requerente, em que o mesmo informa a natureza de suas operações e afirma o seu compromisso de não poluir, degradar ou impactar o meio ambiente, declarando ainda, que independentemente da existência de culpa, indenizará ou reparará os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados pela sua atividade, conforme previsto na legislação. O TRA deverá ser original e ter o reconhecimento da firma do representante legal do requerente.
Para a Licença de Implantação – LI são exigidos os mesmos documentos, exceto a certidão da prefeitura e documentos da propriedade para os empreendimentos regulares, que deverão apresentar a cópia da licença anterior e uma avaliação do cumprimento dos condicionantes, acompanhado de documentação comprobatória (laudos, relatórios e registros fotográficos, no que couber) devidamente assinada pelo responsável técnico. Além disso, é também solicitada a outorga do SRH ou da ANA para o caso de haver captação de água ou lançamento de efluentes em corpos d’água.
Na Licença de Operação – LO, além do requerimento, documentação comprobatória do representante legal, TRA, original da publicação do pedido de licença em jornal, RCE, cópia da licença de implantação e avaliação de condicionantes, serão também exigidas: a Política Ambiental da Empresa divulgada em jornal de grande circulação no estado e a cópia da ata de constituição da CTGA – Comissão Técnica de Garantia Ambiental, acompanhada da ART do Coordenador.
A Política Ambiental trata-se de uma declaração, formulada pela empresa, expressando os seus princípios e intenções em relação ao seu desempenho ambiental e estabelecendo uma estrutura e um cronograma para obtenção de seus objetivos e metas ambientais. A Política Ambiental, que deverá ser amplamente divulgada pela organização, interna e externamente, tem as suas bases para formulação estabelecidas no Regulamento da Lei nº. 7.799/01 e Norma Técnica NT-002/02 aprovada pela Resolução CEPRAM nº. 2.933/02.
Já a CTGA - Comissão Técnica de Garantia Ambiental é uma comissão formada por membros integrantes da empresa solicitante da licença ambiental e que desempenha um importante papel no acompanhamento e controle das atividades desenvolvidas pela empresa. A CTGA, cuja criação e competências também estão disciplinadas pela Norma Técnica NT- 002/02, deve ser composta por um mínimo de três profissionais. A criação da CTGA, bem como suas alterações, deverão ser formalizadas em ata de reunião de diretoria e registradas no Cartório de Títulos e Documentos da Comarca onde a empresa estiver localizada, devendo ainda ser indicado um dos membros como Coordenador da Comissão.
Na Renovação da Licença de Operação – RLO além dos documentos exigidos para a LO são também solicitados: Balanço Ambiental (02 vias impressas e 01 em meio digital) e Auto-avaliação para o Licenciamento Ambiental – ALA.
O Balanço Ambiental trata-se de documento a ser elaborado pelo requerente, em linguagem acessível, que demonstre os resultados alcançados quanto ao desempenho ambiental da atividade no período de vigência da licença anterior. O Balanço Ambiental deverá ser realizado de acordo com o Termo de Referência fornecido pelo CRA, que estabelece o seu conteúdo mínimo, e apresentado em uma via digital e duas vias, sendo uma
via anexada ao processo de Renovação da Licença de Operação, enquanto a outra ficará disponível ao público interessado na biblioteca do CRA.
O estudo ambiental denominado Auto-avaliação para o Licenciamento Ambiental – ALA consiste num processo de auto-avaliação que permite às empresas incorporarem ao processo de licenciamento as suas propostas de controle para um melhor desempenho ambiental das suas unidades. Trata-se de um instrumento de educação ambiental que visa a internalizar, na comunidade da empresa, os princípios para a prática do autocontrole ambiental. De acordo com o Regulamento da Lei nº. 7.799/01 e a Resolução CEPRAM nº. 2.933/02, o empreendedor deverá elaborar o ALA sob a coordenação da CTGA e em conformidade com o Termo de Referência fornecido pelo CRA.
Além disso, vale ressaltar que para estes empreendimentos de médio grande e excepcional porte, deverá ser apresentado ainda duas mídias (CD ou DVD) contendo as informações geo-referenciadas e meta-dados, acompanhados da DRT- Declaração de Responsabilidade Técnica. De acordo com o porte ou tipo de licença será exigida a imagem de satélite ou apenas plantas geo-referenciadas.
Por fim, a formação do processo de Licença Simplificada de atividades agrícolas exigirá a apresentação do requerimento assinado; documentação comprobatória do representante legal; comprovante de endereço; certidão da prefeitura; TRA; documento de propriedade, Averbação da Reserva Legal e outorga de água e de efluentes, se couber.
Apresentados os documentos necessários e efetuado o pagamento da taxa o processo é formado e fica no Arquivo Técnico do CRA aguardando ser designado pelo Coordenador da área de licenciamento, no Sistema de Acompanhamento de Processos Cerberus, um técnico para análise, inspeção e elaboração de parecer.
Concluída a análise técnica, o processo passa pela revisão e análise do Coordenador da área e pelo setor jurídico, para posteriormente ser publicada a licença no Diário Oficial e emitido o certificado ao empreendedor.