Capítulo 4 – Deveres de transparência e prestação de contas
4.8 Procedimento para tomada de contas especial
objeto e, quando houver, do relatório final de execução financeira.
A decisão final de julgamento das contas será de:
• aprovação das contas;
• aprovação das contas com ressalvas; ou
• rejeição das contas e imediata instauração da tomada de contas especial.
Enfim, após a OSC apresentar defesa de seus atos, tais como apresentação de relatório de execução financeira e justificativa para metas não cumpridas, em caso de rejeição de contas, e diante da inexistência de devolução de recursos, será instaurada tomada de contas especial - TCE.
A Tomada de Contas Especial - TCE constitui processo administrativo devidamente formalizado, para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à Administração Pública - com levantamento de fatos, quantificação do dano, identificação dos responsáveis – e para obter respectivo ressarcimento. Somente deverá ser instaurada a TCE quando, apurados os fatos, for constatado prejuízo aos cofres públicos e identificado(s) o(s) responsável(is) pelo dano e não houver êxito na recomposição ao Tesouro do dano causado ao erário.
A Lei e o Decreto MROSC não dispõem acerca da conceituação e procedimentos para realização da tomada de contas especial, estando tais atos dispostos no Decreto 37.096, de 2 de fevereiro de 2016 e na Instrução Normativa nº 04, de 21 de dezembro de 2016, editada pela Corregedoria-Geral do Distrito Federal.
Dispõe o art. 3º da referida instrução normativa que “Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais o Distrito Federal responda, ou que, em nome deste, assuma obrigações de natureza pecuniária”.
Importante relembrar que a expressão “prestação de contas” no MROSC corresponde à prestação de informações que podem se dar mediante relatório simplificado de verificação de objeto, relatório de execução do objeto ou relatório de execução financeira, conforme visto no tópico anterior.
A autoridade administrativa do setor onde ocorrer qualquer fato ensejador de tomada de contas especial deve, preliminarmente, determinar medidas para ressarcimento do dano ou regularização da situação, mediante designação de servidor ou empregado, a quem incumbe:
• solicitar autuação de processo específico;
• especificar irregularidades ensejadoras do prejuízo ao erário;
• quantificar e atualizar dano, segundo as normas aplicáveis;
• identificar responsáveis;
• expedir notificação prévia, no prazo improrrogável de cinco dias, para comparecimento
Para obter mais informações, recomenda-se a leitura do Decreto 37.096, de 2 de fevereiro de 2016, e da Instrução Normativa nº 04, de 21 de dezembro de 2016.
do responsável com vista ao estabelecimento do termo de composição do acordo ou da declaração da recusa em reparar o dano; e
• submeter as conclusões à autoridade administrativa competente, para homologação da proposta e formalização da composição, ou, ainda, para instauração, ou não, da tomada de contas especial.
No curso do procedimento de tomada de contas especial será garantida à OSC:
• ciência sobre a tomada de contas especial que possa apurar conduta e imputar débito ou sanção;
• pleno acesso aos autos, inclusive para obter cópias de documentos; e
• manifestação sobre irregularidades apuradas, produção de provas, requerimento de juntada de documentos e apreciação racional das alegações de defesa ou razões de justificativa pela comissão tomadora/tomador das contas, ou, quando for o caso, pelo órgão de controle interno.
A TCE obedecerá ao seguinte fluxo:
Caso a OSC proponha acordo para regularização do débito, deve ser formalizado Termo Circunstanciado de Regularização – TCR, cuja minuta segue anexa à Instrução Normativa nº 04, de 21 de dezembro de 2016. O débito pode ser parcelado, contudo o órgão ou entidade não pode diminuir o montante atualizado e integral, salvo se reconhecer algum erro na definição do valor total.
Realizado o acordo, cabe à Administração Pública o acompanhamento da quitação ou da regularização, e o seu descumprimento implicará a remessa imediata dos documentos ao órgão, entidade ou setor jurídico competente, para cobrança judicial.
Em qualquer hipótese, verificados indícios de má-fé, a Administração deve providenciar as apurações de natureza disciplinar cabíveis e, verificados indícios de prática de crime, comunicar o fato ao Ministério Público.
Por fim, ressalta-se que não será objeto de tomada de contas especial a ocorrência de perda, extravio ou outra irregularidade em que não fique caracterizada má-fé de quem lhe deu causa, e em que tenha sido imediatamente ressarcido o dano.
Em que momento a OSC pode solicitar o ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias?
A OSC somente pode solicitar o ressarcimento ao erário por ações compensatórias, após exaurida a fase recursal, ou seja, após finalização da fase de prestação de contas.
O ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias é direito da OSC?
Não. A OSC pode solicitar ressarcimento ao erário por ação compensatória, mas a Administração Pública tem discricionariedade para aceitar ou não, com motivação, ouvido o gestor respectivo.
Em quais casos é cabível ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias?
O ressarcimento ao erário via ações compensatórias só é cabível se presentes os seguintes requisitos: a decisão final não foi pela devolução integral dos recursos; não houve dolo ou fraude da OSC; as ações propostas são de relevante interesse social; e o prazo de execução é igual ou inferior à metade do prazo original de execução da parceria.
Quem pode aplicar sanções à OSC?
O gestor, a comissão gestora de parceria e a comissão de monitoramento e avaliação podem sugerir a aplicação de sanção, mas quem instaura o processo é sempre a autoridade máxima do órgão ou entidade.
O que é a tomada de contas especial - TCE?
A Tomada de Contas Especial - TCE constitui processo administrativo devidamente formalizado, para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à Administração Pública - com levantamento de fatos, quantificação do dado, identificação dos responsáveis - e para obter respectivo ressarcimento. Somente deverá ser instaurada a TCE quando, apurados os fatos, for constatado prejuízo aos cofres públicos e identificado(s) o(s) responsável(is) pelo dano e não houver êxito na recomposição ao Tesouro do dano causado ao erário.
O débito apurado em TCE pode ser parcelado?
Sim. O débito pode ser parcelado, contudo o órgão ou entidade não pode reduzir o montante atualizado e integral, salvo se reconhecer algum erro na definição do valor total. Caso a OSC proponha acordo para regularização do débito, deve ser formalizado Termo Circunstanciado de Regularização - TCR, cuja minuta segue anexa à instrução normativa nº 4, de 21 de dezembro de 2016.
O que ocorre se a OSC descumprir o acordo referente ao parcelamento dos débitos?
Realizado o acordo, cabe à Administração Pública o acompanhamento da quitação ou da regularização, e o seu descumprimento implicará, entre outras medidas, remessa imediata dos documentos ao órgão, entidade ou setor jurídico competente para cobrança judicial.
4.9 Perguntas frequentes
Em que momento a OSC pode solicitar o ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias?
A OSC somente pode solicitar o ressarcimento ao erário por ações compensatórias, após exaurida a fase recursal, ou seja, após finalização da fase de prestação de contas.
O ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias é direito da OSC?
Não. A OSC pode solicitar ressarcimento ao erário por ação compensatória, mas a Administração Pública tem discricionariedade para aceitar ou não, com motivação, ouvido o gestor respectivo.
Em quais casos é cabível ressarcimento ao erário mediante ações compensatórias?
O ressarcimento ao erário via ações compensatórias só é cabível se presentes os seguintes requisitos: a decisão final não foi pela devolução integral dos recursos; não houve dolo ou fraude da OSC; as ações propostas são de relevante interesse social; e o prazo de execução é igual ou inferior à metade do prazo original de execução da parceria.
Quem pode aplicar sanções à OSC?
O gestor, a comissão gestora de parceria e a comissão de monitoramento e avaliação podem sugerir a aplicação de sanção, mas quem instaura o processo é sempre a autoridade máxima do órgão ou entidade.
O que é a tomada de contas especial - TCE?
A Tomada de Contas Especial - TCE constitui processo administrativo devidamente formalizado, para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à Administração Pública - com levantamento de fatos, quantificação do dado, identificação dos responsáveis - e para obter respectivo ressarcimento. Somente deverá ser instaurada a TCE quando, apurados os fatos, for constatado prejuízo aos cofres públicos e identificado(s) o(s) responsável(is) pelo dano e não houver êxito na recomposição ao Tesouro do dano causado ao erário.
O débito apurado em TCE pode ser parcelado?
Sim. O débito pode ser parcelado, contudo o órgão ou entidade não pode reduzir o montante atualizado e integral, salvo se reconhecer algum erro na definição do valor total. Caso a OSC proponha acordo para regularização do débito, deve ser formalizado Termo Circunstanciado de Regularização - TCR, cuja minuta segue anexa à instrução normativa nº 4, de 21 de dezembro de 2016.
O que ocorre se a OSC descumprir o acordo referente ao parcelamento dos débitos?
Realizado o acordo, cabe à Administração Pública o acompanhamento da quitação ou da regularização, e o seu descumprimento implicará, entre outras medidas, remessa imediata dos documentos ao órgão, entidade ou setor jurídico competente para cobrança judicial.
4.9 Perguntas frequentes
Toda parceria MROSC, com ou sem chamamento público, é precedida de processo administrativo.
Os processos administrativos são autuados pela Administração Pública, e neles devem constar todas as informações necessárias ao entendimento geral dos procedimentos e das decisões adotadas no âmbito da parceria.
Os processos administrativos são elaborados, obedecendo a normas básicas sobre seu procedimento, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração Pública.
Conforme dispõe a Lei Distrital nº 2.834, de 7 de dezembro de 2001, aplicam-se aos atos e aos processos administrativos no âmbito da administração direta e indireta do Distrito Federal, no que couber, as disposições da Lei federal nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.
Nos processos administrativos, a Administração Pública obedecerá, entre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
Desse modo, devem ser observados, entre outros, os critérios de:
• atuação conforme a lei e o Direito;
• atendimento a fins de interesse geral;
• objetividade no atendimento do interesse público;
• atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
• divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição;
• adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;
• indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem as decisões;
• observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos das OSCs;
• adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos das OSCs;
• garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções, e nas situações de litígio;
• proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
• impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
• interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.