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5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

5.6 Procedimento

5.6.1 Procedimento ético

Para a realização deste estudo foram seguidos os seguintes passos: autorização da UFCG/CES/ UAS (ANEXO A1) e autorização da Secretaria Municipal de Saúde de Picuí (ANEXO A2) para realização da pesquisa com os com idosos que frequentam uma Unidade Básica de Saúde- UBS.

Por se tratar de uma pesquisa envolvendo seres humanos, foram observados os princípios éticos, estabelecidos pela resolução n° 466/12 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012), que preconiza no seu capítulo III que as pesquisas envolvendo seres humanos devem atender as exigências éticas e científicas fundamentais, destacando, entre seus princípios éticos (capítulo III, item 1.a.) a necessidade do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) - (APÊNDICE B) dos indivíduos-alvo. Para atender a este princípio, foi explicado aos participantes o objetivo da pesquisa e a garantia do anonimato, bem como o direito do participante de desistir a qualquer momento do estudo sem riscos de qualquer penalização ou prejuízo pessoal, profissional ou financeiro. Para aqueles que aceitaram participar, apresentou-se o TCLE, que depois de lido e assinado, em duas vias, ficou uma com o participante da pesquisa e a outra com a orientadora e orientando da pesquisa.

5.6.2 Procedimento de Coleta

Após a autorização do Comitê de Ética de Pesquisa (CEP), os dados foram coletados de forma individual com os idosos nas suas residências, com intermédio da enfermeira e agentes comunitários de saúde da UBS escolhida.

5.6.3 Processamento de análise

Os dados referentes às questões subjetivas foram transcritos e categorizados de acordo com a análise do conteúdo- AC- proposta por Bardin (2004) com a colaboração de dois pares de Juízes que trabalharão separadamente e depois confrontarão as categorias pré- estabelecidas. Foram retidas as categorias que obtiverem, no mínimo, o consenso de 75% dos

juízes. Destaca-se que as categorias não serão excludentes, uma vez que a reposta dada por um mesmo participante pode ser inserida em mais de uma categoria.

Segundo Bardin (2004), a AC baseia-se em quatro fases essenciais para analisar os dados: 1ª Fase – pré-analise: Caracteriza-se pela fase de organização, que possui procedimentos diversos que são: leitura, determinação das palavras chaves e recortes das respostas dos questionários; a 2ª Fase – que consiste na exploração ou codificação do material: envolve a transcrição dos dados e agrupamentos em unidades de registros, sendo capaz de fornecer uma descrição exata das características relevantes ao conteúdo; 3ª Fase – categorização: para a formulação de categorias temáticas; e a 4ª Fase – tratamento dos resultados obtidos: que é a interpretação dos resultados. Após a categorização e interpretação dos dados, é feita a análise e discussão com base nas leituras realizadas durante a construção do estudo.

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nessa sessão apresentamos os resultados referentes à análise e discussão das entrevistas. Na primeira parte da entrevista, buscou-se identificar os dados socio demográficos, aspectos referentes à idade, sexo, escolaridade e com quem cada participante morava.

Diante dos dados colhidos durante a pesquisa, verificou-se a presença de idosos na faixa etária entre 65 à 99 anos de idade, sendo nove (30%) analfabetos, desesseis (53,3%) tinham frequentado até o ensino fundamental, e cinco (16,7%) até o ensino médio. Conforme apresentado na Tabela 1, constatou-se a frequência maior de participantes do sexo feminino, confirmando a existência da “feminilização da velhice”.

Tabela 1: Distribuição das frequências e percentuais referentes ao sexo (N= 30)

Categorias F % Feminino Masculino 21 09 70 30 TOTAL 30 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Diversos estudos relatam o evento chamado “feminilização da velhice”. Após a análise das entrevistas foi constatato, também, a presença maior do sexo feminino nessa faixa etária, confirmando assim o que se encontra no acervo literário sobre envelhecimento. Magnabosco- Martins, Camargo e Biasus (2009) dizem que o termo “feminilização da velhice” é caracterizado pelo crescimento acelerado da população idosa feminina quando comparado com a masculina, desta forma as mulheres ficam viúvas mais cedo do que os homens e frequentemente permanecem sozinhas depois da morte de seu companheiro.

Vê-se o número de mulheres idosas superior ao dos homens em grande parte dos países do mundo, e o Brasil também mostra sua predominância feminina na velhice. Segundo Netto, Yuaso, Kitadai (2005), o número de idosas é consideravelmente maior que o de idosos em quase todos os países do mundo, isso ocorre pela maior longevidade alcançada pelas mulheres. Verifica-se que as pessoas do sexo feminino vivem cerca de cinco a sete anos a mais que as pessoas do sexo masculino. Isso é resultado da diferença existente entre os sexos, diante da exposição a fatores de riscos, quanto ao consumo de álcool e tabaco, e também a diferença na procura ao serviço de saúde e suas atitudes tomadas em relação às doenças.

Foi solicitado que os participantes indicassem as pessoas com as quais moravam e foram apresentadas as seguintes respostas: Cônjuge, Filhos, Netos, Parentes e Sozinho. Conforme apresentado na Tabela 2, grande parcela dos idosos que participaram deste estudo relatou que morava com os cônjuges; seguidos daqueles que disseram morar com os filhos, dos que mencionaram morar com os Netos, dos que moravam com Parentes, e a menor parte dos idosos relatou morar Sozinho.

Tabela 2: Distribuição das frequências e percentuais das respostas dos idosos dadas à questão “Com quem você mora?” (N=52)

Categorias F % Cônjuge Filhos Netos Parentes Sozinhos 17 12 09 09 05 32,7 23 17,3 17,3 9,7 TOTAL 52 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

A maior parte dos idosos entrevistados convivem com seus familiares, cônjuge, filhos, netos e parentes. Essa corresidência favorece tanto os idosos quanto as gerações mais jovens. Pedrazzi et al. (2010) dizem que uma importante parte dos idosos procuram morar com suas famílias pela necessidade de auxílio, seja físico, afetivo ou financeiro, que impedem viver de forma independente.

Uma pequena parte dos entrevistados disseram morar sozinho. Conforme Nunes et al. (2009), os idosos que residem sozinhos apresentam uma proteção ao comprometimento funcional importante, considerando que o idoso que consegue morar sozinho possui sua autonomia e independência preservadas. Na velhice, o morar sozinho pode ser uma condição como também uma escolha do indivíduo, este fator contribui para a melhor capacidade funcional e diminuição da vigilância e dependência do idoso pelos seus familiares. Em contrapartida, pode apresentar riscos e também representar causa de problemas de saúde, como a solidão e depressão.

Em relação a pergunta “Como o (a) senhor (a) se sente em relação a sua vida em geral?”, quartoze (46,7%) dos 30 idosos entrevistados mencionaram satisfação com a vida, onze (36,7%) disseram estar parcialmente satisfeitos, e apenas cinco (16,6%) relataram estar

insatisfeitos. Diante das respostas coletadas as categorias: Satisfeitos, Parcialmente Satisfeitos e Insatisfeitos, foram elaboradas subcategorias conforme o motivo do seu estado de satisfação.

Para a categoria Satisfeitos ficou inseridas as respostas referente aos idosos satisfeitos com a sua vida de forma geral, e foram criadas cinco subcategorias que explicam e exemplificam cada uma destas.

Apoio Familiar: Nesta categoria foram incluídas as respostas em que os idosos encontravam- se satisfeitos com a vida pelo fato de ter a família como apoio primordial. Exemplos: “Me sinto bem, não me sinto mal não, porque tenho minha família, meus filhos que moram comigo, os que são casados me querem bem, eu quero bem a ele...”; (Part. A14); “moro junto com meu marido, meus netos, meus filhos... e me sinto feliz, com minha família e comigo mesma.” (Part. A10).

Condições Materiais: As respostas dos idosos pertencentes a esta subcategoria, relataram sua felicidade conforme o valor que recebiam da sua aposentadoria, suas condições financeiras. Exemplos: “depois da minha vida avançada, tô aí com meu dinheirinho” (Part. A6); “Já trabalhei muito, agora me aposentei, né?” (Part. A 17)

Autonomia: Nesta subcategoria os idosos relataram sentem-se bem por ser útil, e conseguir desempenhar atividades sozinhos. Exemplos: “Eu vivo bem porque vou fazendo minhas coisinhas” (Part. 20).

Preocupação com a Saúde: Nesta subcategoria foram inseridas as respostas dos idosos que demonstraram satisfeitos, porém na sua fala afirmaram algum tipo de preocupação com a saúde. Exemplos: “Graças a Deus eu vivo bem, assim, tomo remédio controlado, mas tenho saúde.” (Part. 11); “...tenho uma tremurazinha na mão, mas só um pouquinho. Mas em outras coisas não, me sinto bem, sabe?” (Part. 13).

Bem Estar: Estão agrupadas nesta subcategoria as respostas dos idosos que relataram lazer e tranquilidade na sua vida no geral. Exemplo: “tenho família, tenho trabalho...tenho lazer” (Part. A28).

Sem justificativa: As respostas incluídas, nesta categoria, foram aquelas em que os idosos relataram estar satisfeitos, porém não conseguiram formular uma resposta completa que justificasse tal estado de satisfação. Exemplo: “Me sinto bem, graças a Deus.” (Part. 18).

Na categoria Parcialmente Satisfeito encontram-se as respostas que indicavam um estado regular de bem estar, onde dividiu-se em subcategorias: Preocupação com a Família; Situação Socioeconômica; Preocupação com a Saúde; Espiritualidade e Fé; Bem Estar; Limitações; e Sem Justificativa.

Preocupação com a Saúde: Nesta subcategoria ficaram inseridos os idosos que estão em parte satisfeitos, contudo apresentaram em suas respostas preocupação com a sua saúde. Exemplos: “Só sinto uma pressãozinha, quando eu tenho uns aperreios ela sobe um pouco, mas vivo tranquila.” (Part. A8); “Me sinto bem, às vezes sinto umas dor na perna, não posso andar muito...” (Part. A22).

Situação Socioeconômica: As respostas dessa subcategoria são aquelas em que os participantes se referiam a sua situação econômica como algo negativo para tornar sua vida melhor. Exemplos: “...não tão bem porque em casa de pobre a gente não pode se sentir tão bem...” (Part. A04).; “...as circunstâncias tão muito pesada, gastando muito, mas eu vou pedir a Deus pra ver se venço essa batalha.” (Part. A05).

Preocupação com a Família: Estão as respostas dos participantes que mantém um bem estar parcial com preocupação com algum membro da família, seja ele filho, esposo (a), netos e parentes no geral. Exemplos: “Eu me sinto bem, na mesma hora não me sinto, porque tem uns dois anos que venho lutando com esse velho...” (Part. A05); “... tem dia que a gente tá tão bem, aí tem uns pensamentos assim, quem tem família tem preocupação...” (Part. 15).

Espiritualidade e Fé: Refere-se às respostas dos idosos que buscam na espiritualidade e fé o apoio para viver. Exemplo: “peço a Deus para viver mais bem de saúde”

Bem Estar/Tranquilidade: Nesta categoria encontram-se as respostas referentes a uma comodidade encontrada na velhice. Exemplos: “Mais ou menos, não trabalho, não saio de casa, já trabalhei muito na vida, agora tô só descontando.” (Part. 24); “Me sinto conformada com o que sou hoje, eu fui uma pessoa que sofri muito, trabalhei muito...” (Part. A25).

Sem Justificativa: Inclui as respostas em que os idosos dizem que se encontram parcialmente satisfeitos, porém não apresentam uma justificativa para sua resposta.

Por fim, encontra-se a categoria Insatisfeito, em que os idosos referiram-se à insatisfação com aspectos relacionados à Saúde, Solidão e Finitude.

Saúde: Os idosos mencionaram a saúde como a causa ou uma das causas principais para a sua insatisfação com a sua vida no geral. Exemplos: “Preocupada com a saúde, com o bem estar pra ter uma vida mais saudável.” (Part. A27); “Muito ruim, porque minha filha eu vivo doente, faz uns tempos que só vivo doente.” (Part. A23).

Solidão: As respostas inseridas nesta subcategoria foram aquelas que apresentavam estado de solidão, tristeza ao sentir-se só. Exemplo: “... ficar só, só tenho meu esposo mesmo e meus filhos, e netos. Mas a gente fica só né?” (Part. A26).

Finitude: Estão agrupadas a esta subcategoria as respostas em que os idosos referiram sentimento de finitude, que a vida já havia terminado. Exemplo: “vive só assim, pelejando para ir durando uns dias” (Part. A02).

Tabela 3: Distribuição das frequências e percentuais das respostas dos idosos dadas à questão “Como o (a) senhor (a) se sente em relação a sua vida em geral?” (N= 41)

Categorias F %

Satisfeito Apoio Familiar Saúde Bem Estar Condições Materiais Autonomia Sem Justificativa 07 04 03 03 01 02 17,07 9,75 7,31 7,31 2,43 4,87 Parcialmente Satisfeito

Preocupação com a saúde Situação Socioeconômica Preocupação com a Família Espiritualidade e Fé Bem Estar Sem Justificativa 06 02 03 01 02 01 14,63 4,87 7,31 2,34 4,87 2,34 Insatisfeito Saúde Solidão Finitude 04 01 01 9,75 2,34 2,34 TOTAL 41 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

À esta questão os idosos elencaram diversos fatores que contribuem para sua satisfação com a vida, como também a presença de outros que interferem nesta satisfação, que estão intimamente relacionados à qualidade de vida. Kluthcovsky e Takayanagui (2006) relataram que a qualidade de vida possui um conceito bastante subjetivo, pois existem fatores e condições inseridos presentes no meio e na vida dos indivíduos que influenciam direta e indiretamente na percepção, ou subjetividade acerca da qualidade de vida.

A maior parte dos idosos disseram estar satisfeitos com a sua vida de uma forma geral, confirmando essa satisfação com alguma característica importante para sua vida, como o apoio familiar, saúde, bem estar, condições materiais e autonomia, corroborando as ideias de Joia, Ruiz e Donalísio (2007) que afirmam que a satisfação com a vida é julgada a partir de

fatores vivenciados específicos, como saúde, trabalho, condições de moradia, relações sociais, autonomia entre muitos outros, ou seja, é uma auto avaliação geral com características e critérios próprios. Este julgamento corresponde a uma comparação entre os estados de vida do indivíduo e um modelo por ele instituído.

Dentre os fatores citados pelos idosos encontra-se a espiritualidade e fé, que conforme Argimon et al. (2006) com o passar dos anos, os indivíduos passam por transformações em como ver o mundo, seus valores, onde a interface materialista vai se esvanecendo e a espiritualidade começa a ganhar espaço, que por vezes é explicada através da reflexão maior sobre o envelhecimento, existência e o sentido da vida.

Quando questionados “Como o (a) senhor (a) avalia a sua saúde atualmente?” surgiram as categorias Bem, Regular e Mal.

Na categoria Bem encontram-se as respostas as quais os idosos mencionaram que sua saúde estava boa, satisfeito com a saúde. Diante das respostas, destacaram duas subcategorias para essa categoria, que foram: Sem Uso de Medicação e Autocuidado.

Sem Uso de Medicação: Nesta categoria os idosos consideravam o não uso de medicamentos como uma forma de ter saúde, de estar com a saúde boa de uma forma geral. Exemplo: “... que eu não sofro de pressão, né? Não tomo remédio...” (Part. A03).

Autocuidado: As respostas que foram incluídas nesta categoria são aquelas em que os idosos referem algum tipo de cuidado com sua saúde, atividades de autocuidado. Exemplo: “... mas atualmente tá bem, porque eu faço física, eu faço hidroginástica...” (Part. A04); “...procuro me cuidar, com alimentação, exercício físico...” (Part. A28).

A categoria Regular estão as respostas em que os idosos referem uma melhora de saúde comparado ao estado anterior da sua vida. Onde passaram por algum problema considerado grave por eles, porém atualmente estão recuperados e com uma saúde estável. Ou estão com algum agravo à saúde, mas considerado controlado, não interferindo frequentemente com o estado de saúde do participante. Exemplos: “A minha saúde também é mais ou menos, já fui operada, histerectomia, vesícula... mas tô até bem.” (Part. A19); “Precisando de cuidados, avalio assim, que agora tô precisando ter mais cuidado observar mais, ter mais controle da avaliação.” (Part. A27).

A categoria Mal contém as respostas em que os participantes disseram estar mal de saúde, com a saúde ruim, devido aos problemas e agravos à saúde que aparecem com frequência, o adoecimento de uma forma geral. Exemplos: “Não tenho saúde não, sou hipertenso.” (Part. A01); “É ruim, a saúde é ruim, velho não tem saúde boa não, quando não tá aleijado de uma perna, tá de um braço, tem sempre um problema.” (Part. A02).

Tabela 4: Frequências e percentuais das respostas dos idosos dadas à questão “Como o (a) senhor (a) avalia a sua saúde atualmente?” (N=30)

Categorias F % Bem Regular Mal 11 10 09 36,7 33,3 30 TOTAL 30 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

A partir da análise da questão anterior, fica perceptível que a satisfação com a vida está entrelaçada com a saúde do ser humano. Desta forma, como menciona Serbim e Figueiredo (2011), a satisfação de vida é um critério essencial para avaliar a saúde na velhice. A capacidade funcional é vista como um novo paradigma de saúde, sendo responsável pela maior contribuição a qualidade de vida.

Considerando-se conjuntamente as frequências de respostas das categorias Regular e Mal, verifica-se que, de uma forma geral, os idosos participantes desse estudo consideram sua saúde debilitada. O quadro de agravos à saúde com a mudança na pirâmide etária passa de doenças infectocontagiosas, para as doenças crônico degenerativas que atingem a população idosa. Veras (2009) diz que em menos de 40 anos, o Brasil sofreu uma transformação no que diz respeito os agravos a saúde, passando de um quadro de enfermidades relacionadas à população jovem para um estado de enfermidades características de países longevos, evidenciado por doenças crônicas e degenerativas que podem perdurar por longos períodos de tempo, necessitando de cuidados intensos, medicação contínua e exames periódicos.

Logo fica evidente que o envelhecimento populacional traz consigo uma maior carga de doenças que causam limitações, maior procura aos serviços de saúde e uso de medicações. Porém Veras (2009) afirma que esse fato não é inevitável, e que o foco principal consiste na prevenção e atenção integral ao idoso.

Quando os participantes foram questionados sobre o que são capazes de fazer sozinho, surgiram as categorias: Atividades Domésticas; Autocuidado; Atividades Rurais; Questões Financeiras; Participação Social; Lazer; Costurar; Cuidar de Outrem; e Não Categorizável. Atividades Domésticas: Nesta categoria estão incluídas as respostas dos participantes que referiam realizar atividades relacionadas ao lar, como: cozinhar, lavar, passar, arrumar a casa, engomar, varrer, entre outras. Exemplos: “... eu quem lavo, quem passo, faço tudo [...]cozinhar, limpar a casa, não dependo de ninguém não.” (Part. A11); “...ainda faço muita

coisa, arrumo a casa, comida, se tiver alguma coisa desmantelada eu ajeito e dá certo.” (Part.A19).

Autocuidado: A categoria Autocuidado envolve as respostas que afirmam a realização de atividades referentes à cuidados pessoais e cuidados com a própria saúde, como: Comer sozinho, tomar banho sozinho, trocar de roupa, Ir ao banheiro, entre outras. Exemplos: “Tomo banho sozinho, como, durmo, graças a Deus.” (Part.A06).

Atividades Rurais: Nesta categorira foram incluídas as respostas em que os participantes desenvolviam atividades direcionadas ao meio rural. Pelo fato de ser uma pesquisa numa cidade do interior, foi notada a frequência de pessoas que desempenhavam atividades rurais. Exemplos: “...agricultura, tem um sitiozinho ali perto” (Part.01); “Tem um sitiozinho, eu vou lá e volto, faço umas coisinhas lá, cuido assim.” (Part.A8).

Lazer: Incluem-se a esta categoria as respostas passear, assistir televisão, visitar os parentes e amigos, entre outros. Exemplos: “só assisto televisão” (Part.A05); “ando, passeio” (Part. A08).

Costurar: Esta categoria reuniu as respostas em que os participantes destacaram a atividade costurar, como algo que podiam fazer sozinhos. Exemplos: “costuro as vezes para a casa mesmo” (Part.A04); “aqui e aculá ainda dou uma costuradinha” (Part. A19).

Cuidar de Outrem: Nesta categoria encontram-se as respostas em que os participantes citaram cuidar de outra pessoa como o esposo, os netos e os filhos. Exemplos: “cuido do meu marido” (Part. A07); “cuido dos meus netos” (Part. A30).

Participação Social: Esta categoria englobou as respostas em que os participantes apontaram participar de atividades sociais, em grupos de idosos. Exemplo: “participo do artesanato no centro do idoso” (Part. A04); “vou ali no centro, e de noite a gente vai para uma escolinha que tem ali no colégio” (Part. A12).

Questões Financeiras: Nesta categoria encontram-se as respostas em que os idosos relataram atividades como ir ao banco. Exemplos: “vou pra o banco sozinha, tiro dinheiro” (Part. A03). Não Categorizável: Esta categoria reuniu as respostas dos participantes que não conseguiram elaborar a resposta conforme o que foi solicitado, deixando a resposta vaga. Exemplos: “Mas ainda tenho condições de fazer as coisas básicas.” (Part. A27); “Não tem problema com as coisas que tem pra fazer não.” (Part. A28).

Tabela 5: Distribuição das frequências e percentuais das respostas dos idosos dadas à questão “O que o (a) senhor (a) é capaz de fazer sozinho?” (N= 49)

Categorias F % Atividades Domésticas Autocuidado Atividades Rurais Lazer Costurar Cuidar de Outrem Participação Social Questões Financeiras Não Categorizável 21 11 03 03 03 03 02 01 02 42,9 22,4 6,1 6,1 6,1 6,1 4,1 2, 4,1 TOTAL 49 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Percebe-se que os idosos entrevistados manifestam atividades cotidianas importantes para sua vida, que fazem com que se sintam bem, preservam sua independência e autonomia. A sociedade, muitas vezes, vê o idoso como improdutivo e incapaz de desempenhar alguma atividade, os autores Tahan e Carvalho (2010) reportam a necessidade de uma releitura sobre a velhice, abortando posturas preconceituosas de que o idoso não é capaz de realizar nenhuma atividade e que é improdutivo. Desta forma, é imprescindível a criação de oportunidades em que os idosos continuem ativos e participantes, conforme suas condições físicas e mentais e seus desejos e expectativas.

Solicitou-se que os idosos respondessem a questão: “O que o (a) senhor (a) faz no seu tempo livre?” A análise de conteúdo apontou a existência das seguintes categorias:

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