3 Revisão da literatura
4.3.2 PROCEDIMENTOS 4.3.2.1 Acesso vascular
Por meio de uma inguinotomia longitudinal direita, foi realizada a dissecção da veia femoral direita, para introdução de um cateter de polietileno (PE240) até a veia cava inferior, abaixo da emergência das veias renais. Este cateter foi utilizado para infundir solução salina, 20 ml/kg/h durante o preparo cirúrgico para repor a perda de volume relacionada ao ato cirúrgico e 1 ml/kg/h de solução salina durante o protocolo experimental. Por esta mesma via foi realizada a infusão contínua de anestésicos (T Samtronic infusion pump 670). Através da dissecção da artéria femoral direita foi introduzido um cateter de polietileno (PE240), em direção à aorta
torácica, para mensuração contínua da pressão arterial média (PAM) e para a coleta de amostras de sangue arterial.
Através de inguinotomia longitudinal esquerda foi realizada a dissecção da veia femoral esquerda com introdução de um cateter de polietileno (PE240) até a veia cava inferior para infusão do inóculo de bactérias e fluidos utilizados na reposição volêmica. Para administração da solução de bactérias empregamos uma bomba de
infusão contínua (Peristaltic Pump 66, Harvard Apparatus, South Natick, MA, EUA). Em seguida, realizou-se uma cervicotomia longitudinal ântero-lateral direita
sendo dissecada a veia jugular externa e introduzido um cateter 7,5F (Continuous cardiac Output CCO VIP Pulmonary Artery Catheter, Baxter Edwards® Critical Care, Irvine, CA, EUA), cuja extremidade distal foi posicionada na artéria pulmonar, guiada pela análise das curvas de pressão. Este cateter foi empregado para mensuração da pressão média da artéria pulmonar (PMAP), pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP), pressão do átrio direito (PAD) e para a coleta de amostras do sangue venoso misto da artéria pulmonar. O mesmo cateter foi empregado para a determinação do débito cardíaco (DC) pelo monitor de débito cardíaco COM-2 (Baxter Edwards Critical Care, Irvine, CA, EUA, figura 2), adotando-se a técnica de termodiluição em que foram aplicadas três injeções de 3 ml de solução salina a 0,9%. A média de três injeções, cujos valores não variaram mais do que 10%, foi considerada como débito cardíaco médio (Ganz e Swan, 1972).
As mensurações pressóricas foram realizadas pela conexão dos respectivos cateteres a transdutores de pressão (Transpac Disposable Transducer, Abbott, Chicago, IL, EUA), ligados em um sistema de aquisição de dados biológicos (modelo MP 100, Biopac System Inc. Goleta, CA, EUA). Estes foram registrados em um computador por meio de um software específico (AcqKnowledge® III MP 100 WSW, Biopac System Inc., Goleta, CA, EUA).
4.3.2.2 Laparotomia
O acesso à cavidade abdominal foi obtido por meio de uma incisão mediana, com hemostasia realizada com bisturi elétrico e ligadura de vasos maiores com fio de algodão 2-0. Em seguida, o baço foi identificado e mobilizado para fora da cavidade. Neste momento, procedeu-se à ligadura da artéria esplênica, permitindo esplenoconstrição com autotransfusão sangüínea durante a realização da esplenectomia. Posteriormente, através de uma incisão na parede anterior da veia esplênica, foi introduzido um cateter de polietileno multiperfurado (PE240) até a veia porta, permitindo a coleta de amostras de sangue, finalizando então a esplenectomia. A seguir o duodeno foi tracionado caudalmente, e o fígado cranialmente, a fim de identificar e dissecar a veia porta e artéria hepática. Ao redor desses dois vasos, foram posicionados fluxômetros ultra-sônicos (Transonic Systems Inc., Ithaca, NY, EUA), que possibilitavam a mensuração contínua do fluxo da veia porta e do fluxo da artéria hepática (T206 Small animal blood flowmeter – Transonic Systems Inc., Ithaca, NY, EUA, figura 3 e 4).
Figuras 3 e 4. Fluxomêtro ultrasônico T206 small animal blood flowmeter e posicionamento dos
fluxômetros ao redor da veia porta e artéria hepática.
4.4 Grupos experimentais
Após o preparo experimental e um período de estabilização de trinta minutos, foram obtidas as medidas basais (BL). Imediatamente antes da medida basal, o coletor de urina foi esvaziado para mensuração da diurese durante a fase experimental (BL – T270) e seus valores foram expressos em ml/kg. Os animais foram neste momento, randomizados por sorteio, em três grupos.
CT CONTROLE (n=3) Animais submetidos ao insulto séptico (BL-T30) e observados por 4 horas (T30-T270) sem intervenções adicionais.
SF (n=7) Animais submetidos ao insulto séptico, (BL-T30), observados sem intervenção por uma hora (T90), ressuscitados com 32ml/kg de solução salina em 20 minutos e reavaliados 30 (T120) e 60 (T150) minutos após a ressuscitação inicial
através da saturação venosa mista de oxigênio. Se a saturação venosa mista estivesse abaixo de 70%, bolus adicionais de 32ml/kg de SF 0,9% eram administrados em 20 minutos.
HS (n=7) Animais submetidos ao insulto séptico, (BL-T30), observados sem intervenção por uma hora (T90), ressuscitados com 4ml/kg de solução salina hipertônica isoncótica (poli O-2 hidroxietil amido 6% + cloreto de sódio 7,2%, Hyper-Haes®, Fresenius Kabi, São Paulo, Brasil) em 5 minutos e reavaliados após 30 (T120) e 60 (T150) minutos através da saturação venosa mista de oxigênio. Se a saturação venosa mista estivesse abaixo de 70%, bolus adicionais de 32ml/kg de SF 0,9% eram administrados em 20 minutos.
4.5 Protocolo experimental
A figura 5 ilustra o protocolo experimental. As mensurações hemodinâmicas diretas tais como freqüência cardíaca, temperatura central, pressões (PAM, PMAP) e fluxos (fluxo da veia porta, fluxo da artéria hepática) foram registrados a cada 10 minutos durante os períodos de intervenção (BL-T30 e T90-T180) e a cada 15 minutos até o término do experimento (T180-T270).
A mensuração das outras variáveis hemodinâmicas (POAP, PAD, DC), assim como a coleta de amostras de sangue arterial, venoso misto e da veia porta para análise gasométrica (pH, pO2, pCO2, BE, HCO3, saturação de oxigênio), dosagem de lactato, hemoglobina (Hb) e hematócrito (Ht), foram realizadas a cada 30 minutos.
Ao término do experimento, os animais foram sacrificados com a administração, por via endovenosa, de pentobarbital na dose de 40 mg/kg de peso, seguida de 40 ml de solução de cloreto de potássio a 19,1%. Então, foram retirados
fragmentos de 2 x 2 cm de tecido cardíaco, pulmonar, hepático, renal e íleo terminal para análise histopatológica.
Fig. 5 Protocolo experimental: IB (BL-30) = infusão bacteriana (1,2 x 1010 ufc/kg em 30 min.). OBS (30-90 e 180-270) =período de observação. RV (90-180) = ressuscitação volêmica.
CT = grupo controle. SF e HS: 90-120: SF: SF 0,9% 32 ml/kg em 20 min. HS: HS 4ml/kg em 5 minutos. 120 e 150: SF 32ml/kg em 20 minutos, se SvO2, 70% em ambos os grupos.
270: sacrifício dos animais e coleta de amostras para análise histopatológica.
4.6 Variáveis estudadas
Foram realizadas avaliações das variáveis hemodinâmicas, laboratoriais e de fluxo regional conforme definido a seguir.
4.6.1 MEDIDAS HEMODINÂMICAS E DE FLUXO REGIONAL
4.6.1.1 Pressão arterial média e pressão média da artéria pulmonar
A pressão arterial média (PAM) e a pressão média da artéria pulmonar (PMAP) foram mensuradas continuamente, sendo seus valores expressos em mmHg.
OBS RV OBS IB BL 30 90 120 150 180 270 tempo (minutos) PROTOCOLO EXPERIMENTAL randomização CT SF HS preparo experimental e estabilização
OBS RV OBS IB BL 30 90 120 150 180 270 tempo (minutos) PROTOCOLO EXPERIMENTAL randomização CT SF HS preparo experimental e estabilização