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Procedimentos adotados para a coleta de dados

6 A MEDIAÇÃO DA LEITURA NO CURSO SESC VEM LER

6.1 METODOLOGIA

6.1.3 Procedimentos adotados para a coleta de dados

Nesta seção, encontram-se as técnicas e os instrumentos utilizados para a coleta de dados empíricos da pesquisa, bem como informações referentes aos métodos para produção dos dados e a forma como eles foram analisados e interpre- tados à luz do referencial teórico.

6.1.3.1 Técnicas e instrumentos

Para o desenvolvimento desta pesquisa foram adotadas como técnicas a análise documental e a entrevista semiestruturada.

A análise documental foi realizada a partir de consultas ao arquivo da bi- blioteca do SESC Nazaré, mediante autorização da Direção Regional, bem como da Gerência daquela Unidade. Na oportunidade, examinou-se o projeto norteador do Curso, o cadastro de cada aluno, os relatórios, a avaliação dos alunos, o roteiro de programas, os mapas estatísticos e os álbuns fotográficos. Além destes documen- tos, foi acessado, também, o sistema de gerenciamento de acervos utilizado pela Biblioteca daquela unidade, visando obter mais informações sobre o público que par- ticipou dos cursos.

Toda essa análise documental permitiu caracterizar o universo desta pes- quisa e contribuiu para que fossem melhor definidos os rumos iniciais da investiga- ção. Criou-se ainda, uma planilha, para controle do processo de contato com os alu- nos e professores, tendo em vista a necessidade do primeiro contato com esses ato- res. Este foi um momento interessante, na medida em que surgiu a oportunidade de explicar para os alunos e professores a importância da pesquisa não só para o SESC, mas, sobretudo para o âmbito acadêmico.

Após a pesquisa documental, passou-se, então, para a definição de outra técnica de coleta de dados – a entrevista semiestruturada – que possibilitou com- plementar, enriquecer e aprofundar os dados empíricos coletados na pesquisa do- cumental.

Definida a utilização da entrevista como técnica para coleta dos dados, recorreu-se à literatura a fim de ampliar os subsídios necessários à elaboração do instrumento de pesquisa e definição do sistema de transcrição dos dados do arquivo

de áudio para texto, tendo em vista selecionar o que melhor se adequasse ao objeto da pesquisa.

Nesse sentido, iniciou-se o planejamento da coleta de informações, exa- minando a literatura pertinente visando subsidiar a criação do roteiro da entrevista dos alunos, para o alcance dos objetivos pretendidos. Posteriormente, foram discuti- dos, com a orientadora, os detalhes de cada questão inclusive a sequência destas. Contou-se também com a colaboração de outros especialistas em Ciência da Infor- mação, nesta etapa, o que enriqueceu a versão utilizada no pré-teste.

Sendo assim, a versão final do roteiro da entrevista dos alunos (Apêndice A) foi composta por 15 perguntas, das quais três delas do tipo aberta. Essas ques- tões foram dispostas em quatro linhas: Eixo 1  meio social do curso; Eixo 2  apro- ximação das obras literárias; Eixo 3  interação; Eixo 4  intelectualidade/vida cultu- ral.

Criado o roteiro, efetuou-se várias análises, discutiu-se com a orientadora desta dissertação e a primeira versão do roteiro da entrevista dos alunos foi pré- testada com dois alunos do curso SESC Vem Ler com o objetivo de examinar a con- sistência das questões, perguntas que pudessem trazer algum desconforto aos en- trevistados e constatou-se que o número e a ordem das questões eram pertinentes, além da adequação da linguagem, tendo em vista a compreensão das perguntas.

Essa etapa de pré-testes foi útil à detecção e correção de falhas no roteiro de entrevista, bem como para ajustes quanto à postura da pesquisadora tendo em vista a realização das entrevistas válidas. Concomitantemente, foram selecionados e providenciados os equipamentos para a gravação das entrevistas.

O roteiro de entrevista dos professores (Apêndice B) também foi minucio- samente criado com o objetivo de levantar informações que pudessem contribuir pa- ra que fosse examinado se o curso SESC Vem Ler cumpriu sua missão.

Para a produção dos dados, solicitou-se autorização junto à Direção do SESC Bahia em função de este estudo envolver atores sociais que, em algum mo- mento de suas vidas, fizeram parte da história desta entidade de direito privado, cri- ada e mantida pelo empresariado do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Assim, após a autorização do SESC para a realização deste estudo e de- vidamente ajustado e finalizado o instrumento de coleta de dados passou-se a esta- belecer o segundo contato com os alunos e professores, através de telefonemas e mensagens por e-mail, desta vez para agendamento das entrevistas.

Por causa da alegação de alguns entrevistados de disporem de pouco tempo para a concessão de entrevista, devido às suas ocupações de ordem profis- sional ou acadêmicas, resolveu-se fazer algumas entrevistas em seus locais de tra- balho ou nas faculdades em que os alunos estudavam. Já para os alunos que se mostraram mais maleáveis às questões de deslocamento e argumentaram ter tempo suficiente para conceder entrevistas, foi reservado um espaço na unidade do SESC Bahia, localizada no bairro de Nazaré, na cidade de Salvador, para recebê-los.

Nessas duas situações descritas acima, buscou-se realizar as entrevistas em locais reservados e com tempo suficiente para o entrevistado responder às ques- tões propostas. Apesar de todo este cuidado, foram registrados alguns casos de ruí- dos e interrupções nas gravações das entrevistas, entretanto, sem grandes prejuízos que pudessem comprometer os objetivos desejados.

As entrevistas tiveram uma duração média de trinta e cinco a quarenta minutos e foram todas gravadas mediante expressa autorização dos entrevistados. Na oportunidade, ressaltou-se que seus dados somente seriam utilizados para fins de pesquisa acadêmica.

Simultaneamente à realização das entrevistas com 18 alunos e 2 profes- sores iniciou-se a transcrição de dados sendo feitos posteriormente, os ajustes ne- cessários.

6.1.3.2 A organização e a análise dos dados

Para a organização dos dados coletados, buscou-se, na literatura, infor- mações que pudessem dar suporte à seleção e/ou criação de uma tabela de con- venção para a transcrição dos dados, o que permitiu adaptar o sistema de transcri- ção das normas observando as convenções utilizadas em trabalhos científicos se- melhantes a este. Depois de transcrita, cada entrevista passou por uma conferência de fidedignidade, isto é, repetiu-se a audição da gravação, tendo em vista identificar falhas, no que se refere a supressão inadequada de frases, entonação, interjeições, interrupções etc. Esta fase exigiu um alto nível de atenção, pela necessidade de tra- tamento dos dados, sobretudo os qualitativos, para os quais foram criadas matrizes de coleta de dados com o objetivo de viabilizar a aplicação de categorias a partir, principalmente, das falas recorrentes dos entrevistados. Os dados foram ordenados e dispostos em tabelas, quadros, gráficos, elaborados pela autora, bem como em

blocos de trechos das falas dos vinte entrevistados que possibilitaram a adequada visualização dos resultados alcançados.

Os dados quantitativos desta pesquisa foram expostos através de gráficos construídos por meio da utilização do Microsoft Excel versão 2003 e tabelas e qua- dros elaborados através do Microsoft Word versão 2010.

Já os dados qualitativos estão apresentados sob a forma de trechos sele- cionados dentre as entrevistas, como forma de reforçar e enriquecer as nossas aná- lises e argumentações a respeito da constatação acerca da contribuição do curso SESC Vem Ler para que os alunos desenvolvessem uma leitura crítica e reflexiva (possível ampliação da Zona de Desenvolvimento Proximal) das obras literárias indi- cadas para o vestibular de universidades públicas de Salvador, nos anos de 2004 e 2005.

Na organização e análise dos dados, buscou-se captar as percepções dos participantes em seus contextos sociais, objetivando investigar se a atividade de mediação, o curso SESC Vem Ler, cumpriu sua missão. Para tanto, foram criadas categorias de análise que possibilitaram a visualização dos núcleos temáticos cen- trais recorrentes no discurso dos entrevistados.

Os dados empíricos coletados por meio das entrevistas dos alunos foram dispostos nas seguintes categorias:

Categoria 1 – Perfil sociobiográfico dos entrevistados. Categoria 2 – Contato com a biblioteca/Estrutura do curso. Categoria 3 – Experiências com a leitura literária.

Categoria 4 – Interação como fator de aprendizagem. Categoria 5 – Repertório cultural.

De igual forma, foram organizados os dados originados das entrevistas dos docentes conforme as categorias, a seguir apresentadas:

Categoria 1 – Estímulo à aproximação dos alunos das obras literárias. Categoria 2 – Interação.

Categoria 3 – Contribuições para vida do aluno.

Ainda no que se refere às categorias, é importante lembrar que foram cri- adas para o aperfeiçoamento da análise e interpretação dos dados. Entretanto, em alguns momentos, sobretudo na seção em que são descritos os resultados dos do- centes, muitas informações se entrelaçam e se mostram presentes em mais de uma categoria, devido à lógica do discurso dos participantes.