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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.4 Procedimentos adotados para coleta de dados

Verifica-se que o estudo de caso pauta-se em múltiplas fontes de evidência e técnicas de coleta de dados. Os objetivos em relação à coleta de dados permeiam o âmbito processual (ênfase na ação, bem como na estrutura organizacional); comparativo (uma série de estudos em diversos setores); pluralista (descrever e analisar as versões, muitas vezes, concorrentes da realidade vista por atores em mudança de processos); históricos (ter em conta

a evolução histórica das ideias e ações para a mudança, bem como as restrições em que os tomadores de decisão atuam); e contextual (examinar as relações recíprocas entre os processos e os contextos em diferentes níveis de análise). Isto significa que a produção deste estudo de caso não é apenas o contar uma história, mas vai além da cronologia para desenvolver temas de análise. Significa, também, coletar dados, em diferentes níveis de análise, demonstrando como atores mobilizam recursos de diferentes contextos e setores para legitimar ou não as ideias de mudança e continuidade em nível da organização.

Para a presente pesquisa coletaram -se dados oriundos das seguintes fontes de evidência:

1. Observação Participante

A observação participante refere-se a uma estratégia de pesquisa na qual o observador e observados encontram-se, numa relação face a face, na qual o processo de coleta de dados acontece, no ambiente natural de vida dos observados, que passam a ser vistos não mais como objetos de pesquisa, mas como sujeitos que contribuem para um estudo (SERVA; JAIME JÚNIOR, 1995). A observação participante permite ao pesquisador capturar conhecimentos tácitos e pontos de vista informais a respeito do processo de desdobramento das práticas sociais que configuram as estratégias. A argumentação utilizada pelos atores nas reuniões pode constituir elementos importantes para entender a aproximação e/ou distanciamento (DENIS; LANGLEY; ROULEAU, 2007) deles no que concerne às práticas estratégicas e como são negociados os interesses, potencialmente, comuns ou contraditórios (TURETA; LIMA, 2011).

Os dados da presente pesquisa foram coletados, de forma não sistemática, por meio da participação ativa em reuniões (Conselho Universitário; Conselho Diretor; Câmara de Graduação; Colegiados de Curso; reuniões de

planejamento), assembleias, workshops, treinamentos corporativos e em conversas informais. Dessa forma, a observação participante foi realizada em quatro momentos: nas reuniões de Conselho que acontecem, normalmente, uma vez por semestre ou mais vezes em caráter extraordinário; nas Câmaras e Colegiados que acontecem mensalmente; nas reuniões diversas de planejamento, assembleias, dentre outras que possuem frequência semanal e em conversas informais que acontecem diariamente. Para Triviños (1987), dois aspectos são considerados decisivos nas observações: a amostragem de tempo e as anotações de campo. A amostragem de tempo tem por base a necessidade de observar atividades formais e informais, que, neste estudo de caso, deu-se ao longo de nove meses, entre os meses de abril e dezembro de 2015.

Durante ou logo após cada evento, foram tomadas notas para preservar a sua exatidão (ANEXO D) e as informações foram organizadas para o confronto com as categorias de análise estabelecidas para esta pesquisa. Vale ressaltar que o pesquisador principal é membro do corpo docente e possui um histórico profissional expressivo, na Instituição em questão, o que tornou o processo de coleta de dados viável.

Ressalta-se, também, que a observação participante pressupõe a adoção da lógica indutiva de pesquisa, exigindo a permanência no campo por tempo suficiente, estando o pesquisador, em alguns dias de observação, por cerca de cinco horas com os atores durante suas atividades e práticas sociais. Para tanto, a adoção de uma postura de observador atento e reflexivo foi fundamental.

2. Entrevistas

Para complementar a observação participante e esclarecer determinados aspectos, realizaram -se entrevistas pessoais, baseadas em um roteiro semiestruturado (ANEXO C) e dirigidas pelo entrevistador a membros da direção institucional e grupos de interesse internos e externos à organização, tais

como reitor, pró-reitores, diretor; coordenadores de curso; coordenadores de setores; professores; representação estudantil; membros da comunidade; ex- colaboradores e consultor externo. As entrevistas foram gravadas, mediante consentimento dos entrevistados, posteriormente, transcritas e submetidas à análise de conteúdo.

Para as entrevistas, a seleção de sujeitos foi intencional, ou seja, não probabilística (TRIVIÑOS, 1987), seguindo os seguintes critérios: (i) quanto à função - tomadores de decisão estratégica e/ou participantes desse processo; (ii) quanto ao tempo – possuir mais de 10 anos de experiência profissional, na instituição de escolha, com exceção do representante da comunidade estudantil e do consultor externo. Com base nos critérios citados, foram selecionados 22 sujeitos de pesquisa, número adequado pelo critério de saturação (BAUER; GASKELL, 2008). Os sujeitos de pesquisa não foram identificados e a cada relato foi acrescentado um número sequencial para identificação dos fragmentos apresentados na análise dos resultados.

Durante as entrevistas, realizadas em locais apropriados, preservando a privacidade dos entrevistados, o pesquisador apreendeu-se, a partir das práticas discursivas dos praticantes, os relatos acerca da trajetória histórica da organização. Nesse processo, sugeriu-se o enfoque sobre os eventos e episódios estratégicos que marcaram a história da organização sob a influência do arranjo híbrido de lógicas institucionais. Nessa reconstituição da memória e do conhecimento organizacional, o pesquisador não pôde abrir mão de enfatizar os aspectos contextuais (políticos, econômicos, mercadológicos, culturais e sociais) que marcaram e continuam marcando o estrategizar construído e reconstruído ao longo do tempo (MEIHY; RIBEIRO, 2011).

As entrevistas, como parte desse processo de imersão, foram tomadas pelo pesquisador como práticas discursivas portadoras de repertórios interpretativos acerca do fazer estratégia na organização estudada. Portanto, foi

por meio delas que foram acessados os sentidos atribuídos ao fazer estratégia como prática social sob a influência do arranjo híbrido de lógicas institucionais, incluindo as interpretações dos praticantes acerca das práxis e práticas organizacionais.

3. Análise Documental

Realizou-se, também, a análise de documentos para verificar os movimentos institucionais e identificar, pontualmente, episódios estratégicos que permearam o histórico institucional. Podem-se mencionar os documentos que foram analisados: atas de reuniões (do Conselho Universitário; Conselho Diretor; Conselho Fiscal; Câmara de Graduação; Colegiados de Curso; reuniões de planejamento; relatórios enviados ao Ministério Público); memorandos e correspondências; Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI; Projetos Pedagógicos de Curso – PPC‟s; Relatórios da Comissão Própria de Avaliação – CPA; Estatuto e Regimento da IES e pareceres do MEC a respeito da avaliação de Cursos. Esses documentos foram analisados no próprio recinto da instituição.

Nesse processo, a análise documental foi determinante, para a reconstituição da história organizacional e capturar dados da experiência acumulada, ao longo dos anos, pelos atores que passaram e os que estão, atualmente, no exercício das atividades da instituição. Na reconstrução das narrativas sobre o contexto sócio histórico, foram levados em conta a temporalidade e o conteúdo dos textos e sua pertinência em relação aos objetivos dos pesquisadores.

4. Conteúdo do site

Pelo fato da instituição de escolha acompanhar e incentivar a utilização de tecnologias de informação e comunicação (TIC‟s), também, realizou-se análise de conteúdo dos Portais Institucionais e Educacionais, considerando

prováveis caminhos para o despertar e compartilhar de relações sociais atreladas ao processo de estrategizar institucional. Relatórios gerenciais de acompanhamento, também, subsidiaram a análise dos dados.

5. Arquivos gravados

Pela proposição de descrição de trajetórias, apoiou-se, também, na análise de arquivos gravados, tais como reportagens televisivas, matérias em jornais de circulação e notas que constituíram a execução de processos e práticas do cotidiano organizacional.

A análise dos dados em pesquisa qualitativa significa “trabalhar” todo o material obtido, durante a pesquisa, ou seja, os dados da pesquisa documental, os relatos das entrevistas, os resultados da observação participante e as conclusões do conteúdo do site e arquivos gravados, confrontando-se com a pesquisa bibliográfica. A utilização de várias formas de evidência pretendeu garantir a precisão e as explicações referentes ao fenômeno estudado.

A triangulação de técnicas, dessa forma, foi empregada para coletar diferentes tipos de dados que podem ser utilizados como controles cruzados. O objetivo da abordagem triangulada é a de aproveitar os diferentes pontos fortes dos vários métodos de coleta. As entrevistas podem dar profundidade, sutileza e sentimento pessoal. Os documentos podem fornecer fatos, mas estão sujeitos a perigos como os de sobrevivência durante anos de arquivo. A observação direta permite o acesso a processos de grupo e pode confrontar o pesquisador com discrepâncias entre o que as pessoas têm dito nas entrevistas, conversas informais e o que eles, realmente, fazem. Essencialmente, a coleta de dados deve-se preocupar com a observação e verificação, bem como com os processos interativos.

Vale ressaltar que o início da coleta de dados se deu perante a aceitação da instituição parceira (ANEXO A) e aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP (ANEXO E).