II. O estudo empírico
1. Objeto e objetivos
1.3. Procedimentos de análise de dados
Para a análise dos dados obtidos com as entrevistas e o portefólio, recorremos à análise de conteúdo, entendida à luz da teoria de Bardin como “uma técnica de análise de investigação que através de uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tem por finalidade a interpretação destas comunicações” (Bardin, 2004: 31).
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Por forma a levar a cabo a análise de um modo mais preciso e estruturado, concebemos a grelha abaixo exposta com as categorias de análise de conteúdo da primeira entrevista:
Categorias de análise Indicadores
1. Dados pessoais
1.1. Referências à sua infância (onde nasceu, cresceu, etc.)
1.2. Referências à sua vida pessoal enquanto criança e adolescente
1.3. Referências ao percurso escolar
1.4. Referências à sua vida pessoal atual
1.5. Referências à sua situação profissional atual
2. Práticas de literacia na época escolar.
2.1. Referências à representação do sujeito em relação à escola e às práticas da leitura e da escrita
2.2. Referências ao seu desempenho escolar, principalmente ao nível da escrita e da leitura
2.3. Referências às suas principais dificuldades
2.4. Referências à influência da família
3. Práticas de literacia após o abandono escolar
3.1. Referências à representação que o sujeito tem em relação às práticas da leitura e da escrita
3.2. Referências às suas práticas de escrita e de leitura
3.3. Referências às suas principais dificuldades
4. Expectativas em relação ao RVCC
4.1. Referências à utilidade para o sujeito
4.2. Referências às práticas de leitura e escrita
4.3. Referências às suas principais dificuldades
4.4. Referências à influência da família
Quadro 7 – Grelha das categorias de análise do conteúdo da 1ª entrevista.
Neste contexto, deve-se entender por categorias de análise, as práticas de literacia ocorridas durante os três momentos distintos da investigação, ou seja, “Práticas de literacia na época escola”; “Práticas de literacia após o abandono escolar”; “Expectativas em relação ao RVCC”. Com essas categorias perspetivamos encontrar, na entrevista, referências às práticas de literacia dos adultos nesses, três momentos, compreender quais as suas principais dificuldades, qual a conceção de leitura e de escrita dos sujeitos e até que ponto as famílias contribuíram para as decisões dos adultos. Uma vez que é necessário contextualizar a vida dos investigados, incluímos nesta primeira entrevista a categoria “Dados biográficos”.
Resta salientar que quando falamos em “indicadores” referimo-nos a comentários ou alusões que os sujeitos vão tecendo, ao longo da entrevista, a propósito dos tópicos referidos em cada uma das categorias mencionadas.
Em relação à análise de conteúdo da segunda entrevista, baseamo-nos nas seguintes categorias:
Categorias de análise Indicadores
1. Práticas de literacia no RVCC
1.1. Referências aos trabalhos realizados
1.2. Referências aos resultados práticos das aprendizagens na vida
pessoal, social e profissional
1.3. Referências às dificuldades sentidas
1.4. Referências às práticas de literacia para além do RVCC 2. Resultados
alcançados com o RVCC
2.1. Referências à representação que o sujeito tem acerca do RVC 2.2. Referências às aprendizagens efetivas
2.3. Referências à utilidade prática do certificado na sua vida profissional,
social e pessoal
2.4. Referências à superação das expectativas (se está ou não a decorrer
de acordo com o que era esperado)
Quadro 8 - Grelha das categorias de análise do conteúdo da 2ª entrevista.
Neste constructo analítico foram incluídas categorias direcionadas para o período de participação no RVCC. Assim, para compreender se as práticas de literacia dos adultos foram sofrendo ou não alterações e em que sentidos, destacamos como categoria de análise “Práticas de literacia no RVCC”, registando todos os comentários dos adultos em relação aos trabalhos produzidos, aos que gostariam de elaborar e às dificuldades sentidas. Por outro lado, com intuito de compreendermos se o processo RVCC já causou impacto na vida social, profissional ou pessoal (positivo ou negativo) dos sujeitos, o que efetivamente aprenderam de significativo e se tem ido ao encontro das suas expectativas ou não, definimos a categoria “Resultados alcançados com o RVCC”.
Por último, as categorias que nos serviram de base para a análise dos portefólios/trabalhos dos adultos são as seguintes:
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3. Participação no RVCC
3.1. Referências à utilidade do RVCC para o futuro profissional, social e
pessoal
3.2. Referências à superação das expectativas em relação ao RVCC (se
está ou não a decorrer de acordo com as suas expectativas)
3.3. Referências aos efeitos práticos do RVCC na vida do adulto
Quadro 9 - Grelha das categorias de análise do conteúdo dos portefólios e/ou trabalhos.
Como as informações recolhidas nas entrevistas podiam não estar de acordo com as que poderíamos encontrar nos trabalhos e, uma vez que a maioria dos trabalhos realizados, no âmbito do RVCC, são de carácter autobiográfico, incluímos, ainda que parcialmente, como categorias de análise do portefólio, duas categorias da primeira entrevista – “Práticas de literacia (atuais)” e “Escola”. A última categoria – “Participação no RVCC” – diz respeito ao envolvimento dos sujeitos com o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Através da análise dos dados das diferentes categorias, julgamos ser possível compreender melhor se os sujeitos têm sentido que o RVCC está a ser útil e se tem ajudado a alterar, de algum modo, a vida dos investigados.
No entanto, este instrumento de análise foi construído antes de termos acesso aos portefólios/trabalhos, por isso, as categorias e os respetivos indicadores correspondem a informações que seriam importantes para esta investigação e que julgamos ser possível encontrarmos aquando da sua análise. Sabemos, contudo, que as categorias e indicadores apresentados podem não estar todos contemplados nos materiais produzidos pelos adultos que nos foram concedidos. Para além disso, trata-se de um processo cujo ritmo de evolução depende, em muito, de cada adulto, da disponibilidade e das competências de cada um, assim, a possibilidade de não encontrarmos dados correspondentes às mesmas categorias e indicadores nesses materiais é uma realidade.